segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Novena de Natal - 3º dia

Meditações de Santo Afonso de Ligório para a Novena de Natal 3º Dia – 18 de dezembro



Parvulus natus est nobis, et Filius datus est nobis. Nasceu-nos um Menino e foi-nos dado um Filho (Is 9,3).

     Considera que após tantos séculos, após tantos suspiros e preces, o divino Messias, que os patriarcas e os profetas não tiveram a felicidade de ver, o Desejado das nações, o Desejo das colinas eternas, numa palavra, nosso Salvador veio enfim, nasceu, e deu-se todo a nós: Nasceu-nos um Menino, foi-nos dado um Filho...
      O Filho de Deus se fez pequeno para nos fazer grandes; deu-se a nós, a fim de que nos demos a Ele; veio mostrar-nos seu amor a fim de que o correspondamos com o nosso. Recebamo-lo pois com afeto, amemo-lo e recorramos a Ele em todas as nossas necessidades.
     As crianças, diz S. Bernardo, dão facilmente o que se lhes pede. Jesus veio sob a forma duma criança para manifestar a sua disposição de comunicar-nos seus bens. Ora, nele estão todos os tesouros. Seu Pai celeste colocou tudo em suas mãos. Desejamos luzes? Ele veio precisamente para iluminar-nos. Desejamos mais força para resistir aos inimigos? Ele veio para fortalecer-nos. Desejamos o perdão das nossas faltas e a salvação? Ele veio para perdoar-nos e salvar-nos. Enfim desejamos o soberano dom do amor divino? Ele veio justamente para inflamar nossos corações, e para isso é que ele se fez Menino: se ele quis mostrar-se aos nossos olhos num estado tão pobre e tão humilde, e por isso mesmo mais amável, foi para tirar-nos todo o temor e ganhar o nosso amor. Além disso, Jesus quis nascer como criança para que o amemos não somente sobre tudo, mas também com amor terno. Todas as crianças sabem conquistar a afeição terna de quem as vê; ora, quem não amará com toda a ternura a um Deus, vendo-o feito Menino, necessitado de leite, tremendo de frio, pobre, desprezado e abandonado, que chora sobre a palha numa manjedoura? Por Isso S. Francisco inflamado de amor exclamava: Amemos o Menino de Belém, amemos o Menino de Belém. Vinde , ó almas, vinde e amai o meu Deus feito Menino, feito pobre; que é tão amável e que desceu do céu para dar-se todo a vós.

Afetos e Súplicas

     Ó meu amável Jesus, por mim tão desprezado, descestes do céu para resgatar-me do inferno e dar-vos todo a mim, e como pude desprezar-vos tantas vezes e voltar-vos as costas? Ó Deus, os homens são tão gratos às criaturas; se alguém lhes faz algum benefício, se de longe lhes fazem uma visita, se lhes mostram sinal de afeto, não podem esquecer-se disso e sentem-se obrigados a pagar-lhes. E são tão ingratos para convosco, que sois o seu Deus cheio de amabilidade, e que por amor deles não recusastes dar o sangue e a vida. — Mas ah! eu tenho sido pior do que todos, pois que, apesar de me terdes amado, eu vos tenho sido mais ingrato. Ah! se tivésseis concedido a um herege, a um idolatra, as graças com que me favoreceste, ele se teria santificado; e eu, eu vos ofendi! Senhor, dignai-vos esquecer as injúrias que vos fiz. Vós dissestes que, quando um pecador se arrepende, esqueceis todos os ultrajes que dele recebestes. Se no passado eu vos não amei, no futuro não quero fazer outra coisa senão amarvos. Vós vos destes todo a mim; eu vos consagro toda a minha vontade, e assim vos amo, vos amo, vos amo, e quero repetir sem cessar; amo-vos, amo-vos; e quero dizer sempre a mesma coisa enquanto viver, e quero exalar o último suspiro tendo nos lábios a doce palavra:- Meu Deus, eu vos amo! — para começar depois, ao entrar na outra vida, a amar-vos sem interrupção, com um amor sem fim, com amor eterno. Aguardando essa ventura, ó meu Deus, meu único Bem, meu único Amor, estou resolvido a preferir a vossa vontade a todas as minhas satisfações. Venha o mundo inteiro, eu o repilo; não quero cessar de amar Aquele que tanto me amou; já não quero desgostar Aquele que merece amor infinito. Meu Jesus, secundai o meu desejo e a minha resolução com a vossa graça.
     Maria, minha Rainha, reconheço que por vossa intercessão tenho recebido todas as graças que Deus me tem concedido; não cesseis de interceder por mim; obtende-me a perseverança, vós que sois a Mãe da perseverança.

domingo, 17 de dezembro de 2017

Novena de Natal - 2º dia

Meditações de Santo Afonso de Ligório para a Novena de Natal 2º Dia – 17 de dezembro



Hostiam et oblationem noluisti; corpus autem aptasti mihi. Não quisestes hóstia nem oblação, mas me formastes um corpo (Hb 10,5)


     Considera a grande amargura de que o coração de Jesus devia sentir-se penetrado e oprimido no seio de Maria, no momento em que seu Pai lhe colocou ante os olhos a longa série de desprezos, dores a agonias, que teria de sofrer durante sua vida para livrar os homens de seus males.
      Eis como o profeta faz falar a Jesus: Desde a manhã o Senhor abriu-me o ouvido. Desde o primeiro instante de minha concepção, meu Pai me fez conhecer a sua vontade que eu levasse uma vida de penas, para ser depois imolado na cruz. E eu não contradigo... entreguei meu corpo aos que me batiam. Tudo aceitei para a vossa salvação, almas queridas, desde então abandonei meu corpo aos flagelos, aos cravos e à morte.
      Tudo quanto Jesus Cristo teria de sofrer durante sua vida e na sua paixão pairou ante o seu espírito desde o seio de sua. Mãe, e Ele o aceitou com amor; mas para resignar-se a esse sacrifício e para vencer a repugnância natural dos sentidos, ó Deus! que angústia e que opressão não sofreu o coração inocente de Jesus! Ele sabia de antemão o que devia sofrer ficando encerrado nove meses na escura prisão do seio de Maria; sabia a que humilhação e penas devia sujeitar-se nascendo numa fria gruta que servia de abrigo aos animais, e passando depois trinta anos na oficina dum pobre artífice; sabia que os homens o tratariam como a um ignorante, um escravo, um sedutor, um criminoso digno de morte e da morte mais infame e mais dolorosa que se possa infligir aos celerados.
      Nosso amantíssimo Redentor aceitou tudo isso a cada instante; e assim, a cada instante sofreu em conjunto todos os tormentos e todos os opróbrios que o aguardavam até a sua morte: O próprio conhecimento de sua dignidade divina lhe fazia sofrer mais profundamente as injúrias que deveria receber dos homens, e nunca as perdia de vista. A minha ignomínia está todo o dia diante de mim, dissera pelo profeta; e por essa ignomínia entendia sobretudo aquela confusão que devia provar um dia vendo-se despojado de suas vestes, flagelado, suspenso por três cravos de ferro e vendo assim terminar a vida no meio dos desprezos e maldições desses mesmos homens pelos quais morria: Foi obediente até a morte, até a morte da cruz. E por que? Para salvar a nós pecadores miseráveis e ingratos.

Afetos e Súplicas

     Ah! meu amado Redentor, quanto vos custou desde a vossa entrada neste mundo o livrar-me do abismo em que me lançaram os meus pecados! Para me libertardes da escravidão do demônio, ao qual me vendi voluntariamente entregandome ao pecado, quisestes ser tratado como o pior dos escravos; e eu, sabendo isso, contristei muitas Vezes o vosso amabilíssimo coração, que tanto me amou! Mas já que vós, que sois inocente e que sois o meu Deus, aceitastes por meu amor uma vida e uma morte tão penosas, aceito por vosso amor, ó meu Jesus, todas as penas que me vierem de vossas mãos. Eu as aceito e abraço porque me vêm dessas mãos traspassadas um dia para me livrarem do inferno que tantas vezes mereci. O amor que me testemunhastes, ó meu Redentor, prontificando-vos a sofrer assim por mim, obriga-me deveras a resignar-me por vós a todos os sofrimentos, a todos os desprezos. Senhor, pelos vossos méritos, dai-me o vosso santo amor; o vosso amor tornar-me-á doces e amáveis todas as dores e todas as ignomínias. Amo-vos sobre todas as coisas, amo-vos de todo o meu coração, amo-vos mais do que a mim mesmo. Mas no decorrer de toda a vossa vida destes-me tantas e tão grandes provas de vosso amor, e eu ingrato, após tantos anos de existência, que prova de amor vos tenho dado até agora? Fazei, pois, ó meu Deus, que nos anos que me restam de vida eu vos dê qualquer prova do meu amor. Não ousaria, no dia do juízo, aparecer diante de vós, pobre como sou atualmente e sem nada haver feito por amor de vós. Mas que posso fazer sem a vossa graça? Só posso pedir me ajudeis, e mesmo essa oração é um efeito da vossa graça. Meu Jesus, socorrei-me pelos méritos das vossas dores e do sangue que derramastes por mim.
     Santíssima Virgem Maria, recomendai-me a vosso divino Filho, conjuro-vos pelo amor que lhe tendes: considerai que sou uma das ovelhas pelas quais vosso Filho deu a vida


sábado, 16 de dezembro de 2017

Novena de Natal - 1º dia

Meditações de Santo Afonso de Ligório a Novena de Natal 1º Dia – 16 de dezembro

Dedi te in lucem gentium, ut sissalus mea usque ad extremum terrae.

Eu te estabeleci para luz das gentes, a fim de seres a salvação que eu envio até a última extremidade da terra (Is 49,6).

     Considera o Pai celeste dizendo estas palavras a Jesus Menino no momento de sua concepção: Meu Filho, eu te estabeleci para luz das gentes e a vida das nações, a fim de que lhes procureis a salvação, que desejo tanto como se fosse a minha própria. É pois necessário que vos dediqueis inteiramente ao bem do gênero humano: "Dado sem reserva ao homem deveis dedicar-vos inteiramente em benefício dele". É necessário que sofrais uma pobreza extrema desde o vosso nascimento a f i m d e q u e o homem se torne rico: Ut tua inopia dites. É necessário que sejais vendido como um escravo para pagardes a liberdade do homem, e que, como escravo, sejais flagelado e crucificado a fim de satisfazer à minha justiça pelas penas devidas aos homens. É necessário que deis vosso sangue e vossa vida para livrar o homem da morte eterna. Numa palavra, sabei que não sois mais vosso mas do homem, segundo a palavra de Isaías: Nasceu-nos um Menino, foinos dado um filho. Assim, meu caro Filho, o homem se sentirá constrangido a amar-me e a dar-se a mim, ao ver que vos dou todo a ele, vós meu único Filho, e que me não resta mais nada a dar-lhe. Eis até onde chegou o amor de Deus aos homens! Ó amor infinito, digno somente dum Deus infinito! Jesus mesmo, disse: Deus amou de tal modo o mundo que deu por ele seu unigênito Filho
      A essa proposta Jesus Menino não se entristece, antes se alegra, aceita-a com amor e exulta: Dá saltos como gigante para percorrer o seu caminho. Desde o primeiro instante de sua encarnação, Ele se dá todo ao homem e abraça com alegria todas as dores e humilhações que deve sofrer no mundo por amor dos homens. Essas foram, diz S. Bernardo, as montanhas e as colinas escarpadas que Jesus Cristo teve de escalar para salvar os homens: Ei-lo, aí vem saltando sobre os montes, atravessando os outeiros.
     Notemos bem: enviando-nos seu Filho como Redentor e Mediador de paz entre Ele e os homens, Deus Padre obrigou-se de certo modo a perdoar-nos e a amar-nos; entre o Pai e o Filho interveio um pacto em virtude do qual o Pai devia receber-nos em sua graça, contanto que o Filho satisfaça por nós à divina justiça. De seu lado, o Verbo também se obrigou a amar-nos, não por causa do nosso mérito, mas para cumprir a misericordiosa vontade de seu Pai.

     Afetos e Súplicas

     Meu caro Jesus, se é verdade, como a lei o declara, que se adquire o domínio pela doação, vós me pertenceis porque o vosso Pai vos deu a mim: é por mim que nascestes, a mim fostes dado: Nasceu-nos um Menino, foi-nos dado um Filho. Posso pois dizer: Meu Jesus e meu tudo. Já que sois meu, todos os bens me pertencem. O vosso apóstolo me assegura: Como não nos dará também com ele todas as coisas? Por isso, meu é o vosso sangue, meus os vossos méritos, minha a vossa graça, meu o vosso paraíso. E se sois meu quem poderá jamais arrancar-vos de mim? Ninguém poderá tirar-me o meu Deus. Assim dizia com júbilo S. Antão Abade; assim também quero dizer no futuro. É verdade que vos posso perder ainda e afastar-me de vós pelo pecado; mas, ó meu Jesus, se no passado os abandonei e perdi, arrependo-me agora de toda a minha alma, e estou resolvido a perder tudo, a própria vida, antes que tornar a perder-vos, ó Bem infinito e único amor de minha alma. — Agradeço-vos, Pai eterno, por me terdes dado vosso Filho; e já que mo destes todo, eu miserável dou-me todo a vós. Pelo amor desse Filho adorável, aceitai-me e prendei-me com cadeias de amor a meu Redentor, mas prendei-me tão estreitamente que possa dizer com o apóstolo: Quem me poderá ainda separar de meu Jesus? — E vós, meu Salvador, se sois todo meu, sabei que sou todo vosso. Disponde de mim, e de tudo o que me pertence como vos aprouver. E como poderia eu recusar alguma coisa a um Deus que me não recusou o seu sangue e a sua vida?
     Maria, minha Mãe, guardai-me sob vossa proteção. Já não quero ser meu, quero ser todo do meu Senhor. A vós compete tornar-me fiel, confio em vós.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Final de Semana de Formação - 18/11 à 20/11


Os quatro temas já definidos para conferências:
- Sobre a Correctio Filialis;
- Sobre os começos do Protestantismo;
- Sobre Fátima e a Doutrina Católica;
- Sobre o Terceiro Segredo de Fátima;
Teremos um lanche comunitário no domingo e segunda-feira.
Aos que desejam confessar-se pedimos que cheguem cerca de uma hora antes do início das Missas.
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Salve Maria Puríssima!


quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Novembro - O mês das santas almas

O MÊS DAS ALMAS

Novembro é o mês consagrado pela nossa devo­ção ao sufrágio das almas do purgatório. Ainda esta­mos no Mês do Rosário, porque S. S. Leão XIII, quan­do estendeu a toda Igreja o Mês do Rosário, quis que a rainha das devoções a Maria fosse compreendida na devoção dos fiéis como a devoção que une as três Igrejas. Vai o Mês do Rosário até 2 de Novembro, para que o tesouro da rainha das devoções marianas possa beneficiar a Igreja padecente. Novembro é dedicado ao culto dos mortos, à devoção às almas do purgatório. De primeiro a trinta deste mês, vamos relembrar nossos deveres de justiça e de caridade para com nossos defuntos, vamos sufragar-lhes as pobres almas que estão sofrendo no purgatório. Como é bela e utilíssima esta devoção!

Nos dois primeiros dias, unidos à Mãe Santíssi­ma do Rosário, comecemos devota e fervorosamente o Mês das Almas. Mês da saudade e mês do sufrágio. A Igreja nos dá cada ano alguns meses destinados a incentivar algumas devoções: Março, o mês do que­rido Patriarca São JoséMaio, o belo mês de Maria. Cantamos o louvor de Nossa Senhora e estimulamos nosso amor e devoção à Mãe de Deus e nossa Mãe. Junho traz-nos a piedade do Coração Santíssimo de Jesus. É o mês do fervor, do amor d’Aquele Coração que tanto amou os homens, mês de reparação. Outubro, o belo mês do Rosário pelo qual a Igreja quer incentivar nos fiéis zelo e amor pela rainha das devoções a Maria. Finalmente, aí vem Novembro, o mês das Almas. Porque em Novembro? Outubro veio a ser o mês do Rosário porque nele está a festa da Virgem do Rosário. Em Novembro temos a festa da Comunhão dos Santos — e o dias dos mortos. Que mês seria mais próprio para o mês dos mortos, o mês das almas do purgatório?

Vamos, pois, incentivar nossa devoção, direi me­lhor, nossa compaixão pelas almas sofredoras. Neste mês meditemos, rezemos, soframos, façamos tudo que nos seja possível para que o purgatório receba mais sufrágios e para que as lições deste dogma ter­rível e consolador a um tempo, nos aproveitem bem.

Tenhamos compaixão das pobres almas! Si soubéssemos o que elas padecem! Si tivermos uma fé mais viva, sentiremos a necessidade de fazermos tu­do ao nosso alcance para que este mês seja rico de boas obras, rico de preces fervorosas e sobretudo de Santas Missas e indulgências em favor do pur­gatório.

Neste mês podemos lucrar ricas indulgências...
...Uma indulgência de três anos uma vez cada dia, si fizermos qualquer exercício em sufrágio das al­mas; uma indulgência plenária para os que fizerem todo o Mês das Almas, contanto que confessem e co­munguem e rezem pela intenção do Santo Padre o Papa num dia do mês. Aos que assistirem os exercí­cios, indulgência de sete anos cada dia do mês. E indulgência plenária na forma do costume. (P. P. O. 543.)

No dia 2 de Novembro há grande indulgência. Uma indulgência plenária cada vez a quem visitar as igrejas rezando seis Padre Nossos e Ave Marias nas intenções do Sumo Pontífice.

Vamos, pois, façamos tudo pelas almas neste mês!

O dogma da Comunhão dos Santos

Rezamos no Credo: Creio na Comunhão dos Santos! Quanta gente não pergunta curiosa, porque o ignora: “Que vem a ser Comunhão dos San­tos?” .Antes de começarmos a meditar nestes dias de Novembro o dogma do purgatório, é mister, no dia de Todos os Santos, no dia em que a Igreja vive o dogma da Comunhão dos Santos, lembrarmos o que ele é e as riquezas espirituais que nos trás. É o dogma da solidariedade dos fiéis. Santos, são os cristãos na graça de Deus. Os primeiros cristãos eram assim chamados. Santos, são os justos no céu, os que se salvaram e estão na posse de Deus. Santos, são os justos que padecem no purgatório. Não são verdadeiramente santas aquelas almas confirmadas na graça e à espera da eterna visão do céu? Pois comunhão ou comunicação é a união dos fiéis da terra, do céu e do purgatório. Formam eles as três Igrejas — a Igreja militante, somos nós os que combatemos neste mundo; a Igreja triunfante, os fiéis já no céu no triunfo eterno da glória; e a Igreja padecente, os fiéis que se purificam nas chamas do purgatório. Todos são membros de Cristo. Todos formam o Corpo Mís­tico de Cristo, nossa Cabeça. Estamos todos unidos em Jesus Cristo como os membros unidos à cabeça. Que sublime doutrina!

Cristo Nosso Senhor é glorificado no céu pelos membros triunfantes; sofre no purgatório nos seus membros padecentes; luta conosco neste mundo com os membros militantes. Pois com esta doutrina admirável do Corpo Místico, podemos nos auxiliar uns aos outros nesta sublime solidariedade em Cristo e por Cristo.

As almas do purgatório já não podem mais me­recer, dependem de nós os que ainda temos à nossa disposição os tesouros da Redenção e os méritos de Cristo. Podemos ajudá-las, podemos socorrê-las e dependem de nós. Por sua vez os Santos do céu juntos de Deus, na posse da eterna felicidade podem nos valer nesta vida, podem interceder por nós. Então recorremos à Igreja triunfante, pedindo socorro, e ajudamos por nossa vez à Igreja padecente. Eis aí o que é o dogma da Comunhão dos Santos. Podem os San­tos dos céu ajudar as almas do purgatório? Há rela­ções entre a Igreja triunfante e a Igreja padecente? Cremos que sim. Santo Tomás de Aquino o afirma.

Muitos autores o ensinam. Os Santos não podem merecer no céu como nós aqui na terra. Portanto, satisfazer pelas almas não podem, mas pedir e interceder por elas muitos teólogos o afirmam com muito fundamento. E demais, há uma oração da Igreja que nos autoriza esta crença. Ei-la: “Ó Deus, que perdoais aos pecadores e que desejais a salvação dos ho­mens, imploramos a vossa clemência por intercessão da Bem-aventurada Maria sempre Virgem e de to­dos os Santos, em favor de nossos irmãos, parentes e benfeitores que saíram deste mundo, a fim de que alcancem a bem-aventurança eterna”.

Outra oração, “Fidelium”, repete a mesma súpli­ca. Os primeiros cristãos sepultavam os mortos jun­to do túmulo dos Santos para lhes implorar a inter­cessão. Podemos pois crer que os Santos, não como nós, mas intercedendo e pedindo, podem ajudar o purgatório.

Como os Santos ajudam as almas?

Já vimos que a sorte das almas está em nossas mãos, porque só nós podemos merecer e ganhar por elas. É vontade de Deus que elas dependam de nós. “Deus, escreve o Pe. Faber, nos deu tal poder sobre a sorte dos mortos, que esta sorte parece depender mais da terra que do céu”. Somos nós os salvadores e auxiliadores das almas do purgatório. A Igreja de­finiu que nossas orações podem valer aos mortos, mas não há uma definição sobre a oração dos Santos neste sentido. Por quê? Naturalmente, não houve necessidade de qualquer definição. Os protestantes negaram o valor da intercessão dos Santos em nosso favor, mas nada disseram a respeito da intercessão dos Santos em favor das almas, porque negavam o pur­gatório. Ora, a Igreja implora no Ritual a intercessão dos Santos pelos mortos: “Subvenite... Santos do céu, vinde em seu auxílio, Anjos do céu, vinde, recebei a sua alma... Como, pois, os Santos ajudam os mortos?

1º Pedem que as satisfações dos vivos sejam aceitas perante Deus.

2º Pedem a Deus que os vivos sejam levados a ajudar os mortos e satisfazer por eles, que a devo­ção pelas almas sofredoras se incentive cada vez mais.

3º Podem pedir a Nosso Senhor que a liberta­ção das almas se faça mais depressa por uma inten­sidade das penas que abrevie este tempo mais longo de sofrimento.

4º Podem rogar a Nosso Senhor que pelos mé­ritos e satisfações que tiveram eles quando estavam neste mundo, possam ser utilizados estes méritos pelas almas e poderão também oferecer os méritos do Cristo, de Maria e de outros Santos.

Enfim, dizem seguros teólogos, há muitos meios dos Santos poderem ajudar as santas almas do pur­gatório. Esta crença é muito antiga na Igreja. En­contramo-la nos monumentos, as devoções populares de séculos, e é já tradicional na devoção de todo mundo católico, recorrer à intercessão dos Santos em fa­vor das almas do purgatório.

No dia de Todos os Santos a Igreja nos convida a meditar na grandeza e no poder da santidade. Mos­tra-nos os modelos e pede-nos que os imitemos. Glo­rifica os eleitos na beleza da sua Liturgia, cantando o triunfo dos seus filhos no céu. Depois, ao cair da tarde, já se ouvem dobrar os sinos, já nas Vésperas tudo se muda. Após as Vésperas festivas de Todos os Santos, vem o luto e o Ofício dos defuntos. Sucedem-se os Misereres e os De Profundis. É a vez da Igreja padecente. Nestes dois dias, 1.º e 2 de Novem­bro, vivemos o dogma da Comunhão dos Santos. As três Igrejas unidas, orando, e numa admirável co­municação de graças e de méritos e de sufrágios.

Este dia, dizia o Ven. Olier, é talvez o maior dia da Liturgia da Igreja para os fiéis. É o dia do Cris­to Total, do Cristo unido a nós, do Corpo Místico de Cristo, cabeça das três Igrejas. Como podemos utili­zar a intercessão dos Santos em favor das almas? Certamente, não há dúvida alguma, eles na glória podem interceder por nós e nos protegerem. Pois utilizemos esta intercessão em favor das almas. Que eles nos ajudem a ajudar as almas. Que nos inspirem muita compaixão e devoção pelas almas, que nos fa­çam anjos de caridade das benditas almas sofredoras. Eis como os Santos podem ajudar as almas.

Exemplo

A Obra Expiatória de Montligeon publicou com aprovação da autoridade eclesiástica, o seguinte fato:

No mês de Setembro de 1870, uma religiosa do Mosteiro das Irmãs Redentoristas de Malines, na Bélgica, sentiu repentinamente uma profunda tristeza que não a deixava dia e noite. A pobre Soror Maria Serafina do Sagrado Coração tornou-se um enigma para si própria e a comunidade. Pouco depois, chega a notícia da morte do pai da boa Irmã, nos campos de combate. Desde este dia, a religiosa começou a ouvir gemidos angustiosos e uma voz que lhe diz sempre:

— Minha filha querida, tem piedade de mim! Tem piedade de mim!

No dia 4 de Outubro novos tormentos para a Irmã e uma dor de cabeça insuportável. No dia 14 à noite, ao deitar-se, viu ela entre a cama e a parede da cela o pai cercado de chamas e imerso numa tris­teza profunda. Não pôde reter um grito de dor e de espanto. No dia 15 à mesma hora, ao recitar a Salve Rainha, viu de novo o pai entre chamas. A esta vista, perguntou a Irmã ao pai se havia ele cometido algu­ma injustiça nos seus negócios.

— Não, responde ele, não cometi injustiça al­guma. Sofro pelas minhas impaciências contínuas e outras faltas que não te posso dizer.

No dia 27, nova aparição. Desta vez não estava cercado de chamas. Queixou-se de que não era ali­viado porque não rezaram bastante por ele.

— Meu pai, não sabes que nós religiosas não po­demos rezar o dia todo, temos os trabalhos da Regra?

— Eu não peço isto, diz ele, quero que apliquem por mim as intenções, as indulgências. Se não me ajudares, eu te hei de atormentar. Deus o permitiu! Oh! Minha filha, lembra-te que te ofereceste a Nosso Se­nhor como vítima. Eis a consequência. Olha, olha, mi­nha filha, esta cisterna cheia de fogo em que estou mergulhado! Somos aqui centenas. Oh! Se soubes­sem o que é o purgatório, haviam de sofrer tudo, tudo para evitar e para aliviar as almas que lá estão ca­tivas. Deves ser uma religiosa muito santa, minha filha, e observar bem a Santa Regra, ainda nos pon­tos mais insignificantes. O purgatório das religio­sas, oh! É uma coisa terrível, filha!

Soror Maria Serafina viu, realmente, uma cister­na em chamas donde saiam nuvens negras de fumo. E o pai desapareceu como que abrasado, sufocado horrorosamente, sedento, a abrir a boca mostrando a lín­gua ressequida:

— Tenho sede, minha filha, tenho sede!

No dia seguinte a mesma aparição dolorosa:

— Minha filha, há muito tempo que eu não te vejo!

— Meu pai, ontem mesmo...

— Oh! Parece-me uma eternidade... Se eu ficar no purgatório três meses, será uma eternidade... Estava condenado a diversos anos, mas devo a Nossa Senhora, que intercedeu por mim, ficar reduzida a pena a alguns meses apenas.

Esta graça de poder vir pedir orações, o bom homem alcançou pelas suas boas obras, pois era ex­tremamente caridoso e devoto de Maria. Comunga­va em todas as festas da Virgem e ajudou muito na fundação de uma casa de caridade das Irmãzinhas dos pobres da Diocese.

Soror Maria Serafina fez diversas perguntas ao pai:

— As almas do purgatório conhecem os que re­zam por elas e podem rezar por nós?

—Sim, minha filha.

— Estas almas sofrem ao saberem que Deus é ofendido no meio de suas famílias e no mundo?

— Sim.

A Irmã, orientada pelo seu confessor e pela Su­periora, continuou a interrogar o pai:

— É verdade, meu pai, que todos os tormentos da terra e dos mártires estão muito abaixo do sofri­mento do purgatório?

— Sim, minha filha, é bem verdade tudo isso. . .

Perguntou se todas as pessoas que pertencem à Confraria do Carmo são libertadas no primeiro sába­do depois da morte do purgatório.

— Sim, respondeu ele, mas é preciso ser fiel às obrigações da Confraria.

— É verdade que há almas que devem ficar no purgatório até cinquenta anos?

— Sim. Algumas estão condenadas a expiar os seus pecados até o fim do mundo. São almas bem culpadas e estão abandonadas. Há três coisas que Deus pune e que atrai a maldição sobre os homens: a violação do dia do domingo pelo trabalho, o vício impuro que se tornou muito comum, e as blasfêmias. Oh! Minha filha, as blasfêmias são horríveis e pro­vocam a ira de Deus.

Desde este dia até à noite de Natal, sempre aparecia a Soror Maria Serafina a alma atormentada do seu bom pai, pela qual ela e a comunidade oravam e faziam penitências. Na primeira missa do Natal, a boa Irmã viu seu pai à hora da elevação, brilhante como o sol, de uma beleza incomparável.

— Acabei meu tempo de expiação, filha, venho te agradecer e às tuas Irmãs as orações e sufrágios. Rezarei por todas no céu.

E ao entrar na cela, de madrugada, viu a Irmã Serafina mais uma vez a alma do pai resplandecente de luz é de beleza, dizendo:

— Pedirei para tua alma, filha, perfeita conformidade com a vontade de Deus e a graça de entrar no céu sem passar pelo purgatório.

E desapareceu num oceano de luz e de beleza.

Estes fatos se deram de Outubro a Dezembro de 1870 e passaram pelo crivo de um severo e rigoroso exame das autoridades eclesiásticas antes de serem publicados e divulgados amplamente pela Obra Expiató­ria de Nossa Senhora de Montiglion, na França.

domingo, 29 de outubro de 2017

29 de Outubro - Solenidade de Cristo Rei

      Numa tarde de inverno, quando os flocos de neve flutuavam silenciosamente no ar, caminhavam dois homens pela rua: um professor católico e um jornalista socialista. - Vós, os católicos, dizia o jornalista, queixais vos, de que nós os socialistas atacamos sem cessar a religião católica. Atacar! Não é necessário. Repara naquela cruz... Vês como se vai cobrindo de neve... Está quase completamente coberta ... e a gente passa à direita e à esquerda, corre apressada ao seu trabalho... Quem se preocupa com a cruz coberta de neve? Não é necessário atacá-la, a neve se encarrega de a cobrir pouco a pouco e os homens nem sequer a notam. É a sorte do catolicismo. Ia a dizer, como consequência final. Mas antes de acabar a frase, soprou de uma rua lateral uma forte rajada de vento, revolvendo a neve da rua, arrojando contra o rosto dos transeuntes a neve enregelada e levando ao mesmo tempo o chapéu do socialista... e quando o vendaval amainou, na cruz coberta ele neve, havia reaparecido o rosto de Cristo crucificado, que olhava com suavidade os dois que discutiam.
    - Sim, disse o professor, o pó chega a cobrir, na alma, o rosto de Cristo, mas só até que o furacão se desencadeie contra a humanidade. Uma guerra devastadora. um cataclismo que assola toda uma região... e então a alma, recobrando a sua personalidade, lança-se aos pés de Cristo, buscando entre soluços seu rosto meigo e divino, que o esquecimento ia velando.
     Falamos no capítulo anterior destes acordes lúgubres e soluços da alma. O Papa Pio XI chamou a atenção do mundo para a pavorosa doença que tudo invade. Homens, dizia, vós correis para a morte. A imagem de Cristo está coberta de pó no fundo de vossas almas. O rosto de Cristo empalideceu e chegou quase a desaparecer na sociedade. na rua, na escola. na imprensa, em todas as manifestações da vida individual, familiar e pública.
     Veio o turbilhão da guerra mundial e foi impotente para limpar o pó do rosto de Cristo.
     Então o Papa institui uma nova festa, a festa de Cristo Rei para limpar com ela a sua imagem, coberta de pó em nossas almas.
     No capítulo anterior vimos quão árida é a vida humana quando sacode o suave jugo de Cristo; neste capítulo examinaremos a tríplice origem de tão lastimoso estado: quero mostrar as razões por que o homem moderno não quer aceitar o reinado de Cristo.
    No capítulo anterior vimos quão árida é a vida humana quando sacode o suave jugo de Cristo; neste capítulo examinaremos a tríplice origem de tão lastimoso estado: quero mostrar as razões por que o homem moderno não quer aceitar o reinado de Cristo.

Porque é que os homens modernos repelem a Cristo?

    Recordemos a encantadora cena de Belém: os três reis magos adorando a Cristo, oferecendo seus presentes...
    E chegam os «três reis modernos: o estadista, o banqueiro e o industrial. E aproximam-se do berço humilde de Jesus.
    Que cena tão poética! dizem. Não está mal este conjunto: o Menino, os pastores e as ovelhas, a estrela, a palha, o estábulo, a noite de Natal cheia de mistério... Que magnífico quadro se poderia pintar e adaptar ao estilo dum salão da nossa época!
    Sim, é verdade.
    Mas este Menino, é o Filho de Deus vivo, o Verbo encarnado, o senhor e soberano do gênero humano. Ah! isso é outra coisa: não só há lema para um quadro, mas há uma augusta realidade: Cristo, Rei! É Menino, mas também é Legislador! Ama-nos, mas é também nosso Juiz! É amável mas sabe também ser severo!Se é meu Rei. não posso viver tão frivolamente como o fiz até aqui. Então deve ter voz e voto nos meus pensamentos, nos meus projetos, nos meus negócios, nos meus prazeres. Ah! isto é já demasiado. E assim o estábulo, o presépio, a palha encerram um mistério muito duro para nós. Isto não o compreendemos. Não o compreendemos, porque não o queremos compreender. Tememos compreender a simplicidade, a pobreza, a humildade de Cristo em Belém, porque é um protesto contra o nosso modo de viver. Porque se Cristo tem razão, é manifesto que nós não a temos. Não tem razão o nosso orgulho, a nossa ambição desmesurada, a nossa sede de prazeres, a nossa idolatria da terra, o nosso culto ao bezerro de ouro.
     Chegamos ao ponto vital da questão. Porque é que o homem moderno tem medo de reconhecer a Cristo e repele o seu jugo? Porque é que não o queremos?
     Não queremos a Cristo, porque o humilde Infante de Belém condena com severidade o nosso orgulho.
    Não queremos a Cristo porque Ele, sempre pobre, condena a nossa sede de prazeres e gozos materiais da vida. 
    Não queremos a Cristo porque a sua mão levantada, mostrando-nos o céu, é uma condenação à nossa concepção do mundo moderno, a este desprezo insensato dos valores espirituais da alma, ao rendermos culto idolátrico aos bens da terra. Por outras palavras: Se Cristo é nosso Rei, então não podem ser nossos ídolos, 1) nem a razão, 2) nem o prazer, 3) nem o dinheiro.
     1) Se Cristo é nosso Rei e nosso Deus, a razão não pode ser o nosso Deus. Não podemos idolatrar a ciência. Respeitemo-la, sim, mas não a elevemos à categoria de uma divindade. A ciência só, não basta para uma vida digna do homem. O afã exagerado de saber estonteou-nos. E é assim só agora  Ah! Não. Já derrubou o primeiro homem; e desde então para cá a maior parte dos homens prostra-se diante das ideias e opiniões mais estranhas e incompreensíveis, uma vez que levem o rótulo de "científicas".
     Entendamo-nos. Não vão dizer que um professor de Universidade ataca a ciência. De maneira nenhuma. Não; não falo contra a ciência, mas contra a fé cega, contra o culto idolátrico que se lhe presta. Digo somente, e assumo a responsabilidade do que afirmo, que para uma vida humana bem equilibrada, a ciência só não basta.
     Será necessário prová-lo?
     Quando houve tantas escolas, como atualmente? Tantas bibliotecas? Tantos instrumentos de cultura? Nunca ; e contudo, quando houve maior decadência moral que nos nossos dias? A ciência, o livro, a cultura não podem suprir tudo. Não podem ocupar o primeiro lugar. Não foi precisamente o anjo mais sábio, Lúcifer, que se precipitou no mais profundo abismo? E não é verdade. que entre os grandes criminosos se encontram às vezes homens instruídos, cultos e astuciosos?
      Sim ... mas. sabemos construir arranha-céus, sabemos explorar as entranhas da terra e extrair o metal precioso ; sabemos ser avaros, depravados, cair em todos os abismos da imoralidade. mas ser honestos, honrados, perseverantes, viver uma vida feliz e digna de um homem, isso não sabemos. 

      Cristo é nosso Rei! Sabeis o que isto quer dizer? Quer dizer que a alma vale mais do que o corpo, e que a moral é mais preciosa do que a ciência.
      Que a Igreja vale mais que a fábrica. 
      Que a Santa Missa é muito mais sublime que uma peça teatral. 
      Que o homem que ora está mais alto que o que vai a festas mundanas.
      Tudo isto significa a realeza de Cristo. 

      2) Outro motivo leva o homem moderno a rejeitar a Cristo. Combate-o porque não quer ouvir a condenação fulminante... contra a moda. Se Cristo é nosso Rei, a moda não pode ser o nosso ídolo. Onde reina Cristo não pode reinar a frivolidade, onde reina Cristo não é lícito vestir-se, dançar e divertir-se como o faz. o homem moderno superficial e frívolo.
     Que tem que ver a Igreja com a moda? murmuram alguns. Por que razão, com que direito se imiscui nestas questões? Que mal tem em que o cabelo das mulheres seja curto ou comprido. que as saias tenham mais ou menos cinco centímetros?
     Não tratemos esta questão dum modo tão superficial. O tomar a Igreja posição nestas contendas, tem uma causa muito mais profunda.
     Sabeis de que se trata?
     Trata-se daquela grave doença que se chama laicismo, daquela epidemia que desterra a Cristo, trata-se do paganismo moderno, a que aludiu Pio
      O que esta pretende às ocultas é expulsar o Cristianismo do maior número possível de lugares, é tirar a Cristo cada vez mais vassalos.
     Não se trata pois de uma só alma, de uma só família, mas de uma questão transcendental e decisiva, a saber: de que em toda a vida social. Em todas as nossas manifestações exteriores tenhamos ou não o olhar posto em Cristo. Sim, esta é que é a grande questão.
     Ciência, filosofia, política, diplomacia. maçonaria, literatura, arte, legislação ... tudo, tudo isto intentou já combater o Cristianismo. Mas em vão. Todos os inimigos coligados não foram capazes de desterrar a Cristo. Então, lançou-se mão de nova arma: a vaidade da mulher. Vedes já as profundas raízes da questão? Trata-se de desencadear a guerra contra Cristo. Admito que a maioria das mulheres, quando se inclinam diante da moda, não sabem que são instrumentos de uma traidora campanha. Ignoram que o paganismo quer instalar-se outra vez na sociedade. Paganismo é o vestido transparente, paganismo é o baile indecoroso. A frivolidade espantosa das praias, o veneno dos cinemas, o luxo exorbitante... tudo isto é paganismo.
     Esta é a razão por que se combate a realeza de Cristo. Não aceitamos a Cristo Rei, porque Ele é a condenação do nosso moderno paganismo.

     3) Há ainda outro motivo por que o homem moderno repele a realeza de Cristo. É que a realeza de Cristo condena toda a viela materialista e terrena. Se Cristo é nosso Rei, o dinheiro não pode ser nosso ídolo.
     No paganismo antigo, o ouro e o prazer recebiam honras de divindade. Mas, ao ecoar nas campinas de Belém o cântico do Glória, o trono destes ídolos desmoronou-se. Mas agora, de novo, o dinheiro, o ouro recuperou o seu antigo culto.
     Estudemos a lição dos últimos anos. À medida que nos íamos esquecendo de Cristo, esquecíamos também os valores espirituais e culturais. Não pressentimos todos o perigo? Não sentimos todos que aqui há alguma coisa abalada? Ousaríamos afirmar que tudo corre perfeitamente bem?
     Ao mesmo tempo que sábios exímios, artistas insignes lutam com a fome e não têm trabalho, morre um artista de cinema, Rodolfo Valentino, e os jornais de todo o mundo anunciam que tinha oito automóveis, doze cães, cinquenta pares de sapatos e duas mil camisas. Isto está bem?
     Donzelas honradas de uma vida irrepreensível, estudam, trabalham e não conseguem casar-se; e uma rapariga moderna atravessa nadando o canal da Mancha e logo recebe setecentas propostas de casamento. Isto está bem?
     É da praxe que um campeão de box receba por cada sessão de luta a soma equivalente aos honorários de um juiz ou de um professor durante seis meses. Está bem?
     O cristianismo ensina o privilégio do espírito, a aristocracia da inteligência e hoje esta aristocracia é substituída pela aristocracia da musculatura.
     Onde reina Cristo, a alma é superior à matéria e é por isso que hoje se renega a realeza de Cristo, porque são muitos os homens... que não têm alma; que não têm tempo para a ter.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

12 de Outubro - Dia de Nossa Senhora Aparecida

12 de Outubro, dia de Nossa Senhora da Conceição Aparecida


   Nossa Senhora da Conceição Aparecida, quis ser encontrada no rio Paraíba em 1717, e após a encontrarem, encontraram também uma multidão de peixes. Desde o seu aparecimento, ela demonstrou que trazia consigo muitas graças, essas alcançadas de seu adorável Filho.
   A Mãe de Deus adotou o Brasil. Desde 1717 muitos pecadores correram para os braços da mãe, e como filhos perdidos, encontraram o caminho de volta para casa. Ela agraciou os brasileiros imensamente. Mas os brasileiros não a honraram o suficiente.
   Há muito tempo que a chama da devoção a Nossa Senhora Aparecida se apagou nos lares das famílias brasileiras. Ela foi esquecida, deixada de lado. Antes era possível visualizar a sua imagem honrada nas casas, nos comércios, nas escolas, nas entradas das cidades. Agora ela está abandonada. Nem em seu próprio santuário é honrada o suficiente. 
     O lugar que teria sido destinado a sua honra, tem sido objeto de flagelos ao seu Imaculado Coração. Vestes imodestas, Missas profanas e heréticas, "pastores" hereges proferindo sermões no Altar, um canal de televisão que deveria ser destinado a propagação da devoção a excelsa Mãe, tem sido destinado a utraja-la. Se esquecem do que ela pediu quando apareceu em Fátima: conversão, penitência, oração. Em troca disso, dão a ela: apostasia, relaxamento, blasfêmias.
    Ó excelsa Mãe de Deus, Maria Santíssima, que apareceu no lago do rio Paraíba a nós, que quis tomar os brasileiros como filhos, até quando suportará as ofensas que esses pecadores vos fazem? A terra de Santa Cruz está crucificando vosso Filho novamente. 
   Nós, como míseros filhos e meros escravos, pedimo-vos perdão em nome de todos os brasileiros. Perdão pelas indiferenças, pelas vestes imodestas, pelos pecados cometidos publicamente, pelas blasfêmias, ultrajes e sacrilégios. Pedimo-vos perdão pelas ofensas a vossa Imaculada Conceição, a vossa Maternal Divindade, a vossa Virgindade Perpétua. Tende misericórdia de nós e de todo o Brasil, livrai-nos do comunismo, do aborto, de toda apologia a pedofilia, homossexualismo e outros pecados da luxúria. Livrai-nos de leis iníquas e de maus governantes. Salvai nossas crianças e nossas famílias.

Consagração a Nossa Senhora da Conceição Aparecida



Ó Maria Imaculada, Senhora da Conceição Aparecida, aqui tendes, prostrado diante de vossa milagrosa imagem, o Brasil, que vem de novo consagrar-se à vossa maternal proteção. Escolhemo-vos por especial Padroeira e Advogada da nossa Pátria; queremos que ela seja inteiramente vossa: vossa é a sua natureza sem par; vossas são as suas riquezas; vossos, são os campos e as montanhas, os vales e os rios; vossa é a sociedade; vossos são os lares e seus habitantes, com seus corações e tudo o que eles têm e possuem; vosso é, enfim, todo o Brasil.
Sim, ó Senhora Aparecida, o Brasil é vosso!
Por vossa intercessão temos recebido todos os bens das mãos de Deus, e todos os bens esperamos receber, ainda e sempre, por vossa intercessão.
Abençoai, pois, o Brasil que Vos ama; abençoai o Brasil que Vos agradece; abençoai, defendei, salvai o vosso Brasil!
Protegei a Santa Igreja; preservai a nossa Fé, defendei o Santo Padre; assisti os nossos Bispos; santificai o nosso Clero; socorrei as nossas famílias; amparai o nosso povo; esclarecei o nosso governo; guiai a nossa gente no caminho do Céu e da felicidade! Ó Senhora da Conceição Aparecida, lembrai-Vos de que nós somos e queremos ser vossos vassalos e súditos fiéis. Mas lembrai-vos também de que nós somos e queremos ser vossos filhos. Mostrai, pois, ante o Céu e a Terra, que sois a padroeira poderosa do Brasil e a Mãe querida de todo o povo brasileiro!
Sim, ó Rainha do Brasil, ó Mãe de todos os brasileiros, venha sempre mais a nós o vosso reino de amor e, por vossa mediação, venha a nossa Pátria o reino de Jesus Cristo, vosso Filho e Senhor Nosso. Amém.
A NOSSA SENHORA APARECIDA
Ó Senhora Aparecida, Mãe querida, tenho tanta confiança em Vós, que espero a vossa proteção e vosso amparo em todos os passos de minha vida e na hora da morte. Amém.