segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Final de Semana de Formação - 18/11 à 20/11


Os quatro temas já definidos para conferências:
- Sobre a Correctio Filialis;
- Sobre os começos do Protestantismo;
- Sobre Fátima e a Doutrina Católica;
- Sobre o Terceiro Segredo de Fátima;
Teremos um lanche comunitário no domingo e segunda-feira.
Aos que desejam confessar-se pedimos que cheguem cerca de uma hora antes do início das Missas.
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Salve Maria Puríssima!


quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Novembro - O mês das santas almas

O MÊS DAS ALMAS

Novembro é o mês consagrado pela nossa devo­ção ao sufrágio das almas do purgatório. Ainda esta­mos no Mês do Rosário, porque S. S. Leão XIII, quan­do estendeu a toda Igreja o Mês do Rosário, quis que a rainha das devoções a Maria fosse compreendida na devoção dos fiéis como a devoção que une as três Igrejas. Vai o Mês do Rosário até 2 de Novembro, para que o tesouro da rainha das devoções marianas possa beneficiar a Igreja padecente. Novembro é dedicado ao culto dos mortos, à devoção às almas do purgatório. De primeiro a trinta deste mês, vamos relembrar nossos deveres de justiça e de caridade para com nossos defuntos, vamos sufragar-lhes as pobres almas que estão sofrendo no purgatório. Como é bela e utilíssima esta devoção!

Nos dois primeiros dias, unidos à Mãe Santíssi­ma do Rosário, comecemos devota e fervorosamente o Mês das Almas. Mês da saudade e mês do sufrágio. A Igreja nos dá cada ano alguns meses destinados a incentivar algumas devoções: Março, o mês do que­rido Patriarca São JoséMaio, o belo mês de Maria. Cantamos o louvor de Nossa Senhora e estimulamos nosso amor e devoção à Mãe de Deus e nossa Mãe. Junho traz-nos a piedade do Coração Santíssimo de Jesus. É o mês do fervor, do amor d’Aquele Coração que tanto amou os homens, mês de reparação. Outubro, o belo mês do Rosário pelo qual a Igreja quer incentivar nos fiéis zelo e amor pela rainha das devoções a Maria. Finalmente, aí vem Novembro, o mês das Almas. Porque em Novembro? Outubro veio a ser o mês do Rosário porque nele está a festa da Virgem do Rosário. Em Novembro temos a festa da Comunhão dos Santos — e o dias dos mortos. Que mês seria mais próprio para o mês dos mortos, o mês das almas do purgatório?

Vamos, pois, incentivar nossa devoção, direi me­lhor, nossa compaixão pelas almas sofredoras. Neste mês meditemos, rezemos, soframos, façamos tudo que nos seja possível para que o purgatório receba mais sufrágios e para que as lições deste dogma ter­rível e consolador a um tempo, nos aproveitem bem.

Tenhamos compaixão das pobres almas! Si soubéssemos o que elas padecem! Si tivermos uma fé mais viva, sentiremos a necessidade de fazermos tu­do ao nosso alcance para que este mês seja rico de boas obras, rico de preces fervorosas e sobretudo de Santas Missas e indulgências em favor do pur­gatório.

Neste mês podemos lucrar ricas indulgências...
...Uma indulgência de três anos uma vez cada dia, si fizermos qualquer exercício em sufrágio das al­mas; uma indulgência plenária para os que fizerem todo o Mês das Almas, contanto que confessem e co­munguem e rezem pela intenção do Santo Padre o Papa num dia do mês. Aos que assistirem os exercí­cios, indulgência de sete anos cada dia do mês. E indulgência plenária na forma do costume. (P. P. O. 543.)

No dia 2 de Novembro há grande indulgência. Uma indulgência plenária cada vez a quem visitar as igrejas rezando seis Padre Nossos e Ave Marias nas intenções do Sumo Pontífice.

Vamos, pois, façamos tudo pelas almas neste mês!

O dogma da Comunhão dos Santos

Rezamos no Credo: Creio na Comunhão dos Santos! Quanta gente não pergunta curiosa, porque o ignora: “Que vem a ser Comunhão dos San­tos?” .Antes de começarmos a meditar nestes dias de Novembro o dogma do purgatório, é mister, no dia de Todos os Santos, no dia em que a Igreja vive o dogma da Comunhão dos Santos, lembrarmos o que ele é e as riquezas espirituais que nos trás. É o dogma da solidariedade dos fiéis. Santos, são os cristãos na graça de Deus. Os primeiros cristãos eram assim chamados. Santos, são os justos no céu, os que se salvaram e estão na posse de Deus. Santos, são os justos que padecem no purgatório. Não são verdadeiramente santas aquelas almas confirmadas na graça e à espera da eterna visão do céu? Pois comunhão ou comunicação é a união dos fiéis da terra, do céu e do purgatório. Formam eles as três Igrejas — a Igreja militante, somos nós os que combatemos neste mundo; a Igreja triunfante, os fiéis já no céu no triunfo eterno da glória; e a Igreja padecente, os fiéis que se purificam nas chamas do purgatório. Todos são membros de Cristo. Todos formam o Corpo Mís­tico de Cristo, nossa Cabeça. Estamos todos unidos em Jesus Cristo como os membros unidos à cabeça. Que sublime doutrina!

Cristo Nosso Senhor é glorificado no céu pelos membros triunfantes; sofre no purgatório nos seus membros padecentes; luta conosco neste mundo com os membros militantes. Pois com esta doutrina admirável do Corpo Místico, podemos nos auxiliar uns aos outros nesta sublime solidariedade em Cristo e por Cristo.

As almas do purgatório já não podem mais me­recer, dependem de nós os que ainda temos à nossa disposição os tesouros da Redenção e os méritos de Cristo. Podemos ajudá-las, podemos socorrê-las e dependem de nós. Por sua vez os Santos do céu juntos de Deus, na posse da eterna felicidade podem nos valer nesta vida, podem interceder por nós. Então recorremos à Igreja triunfante, pedindo socorro, e ajudamos por nossa vez à Igreja padecente. Eis aí o que é o dogma da Comunhão dos Santos. Podem os San­tos dos céu ajudar as almas do purgatório? Há rela­ções entre a Igreja triunfante e a Igreja padecente? Cremos que sim. Santo Tomás de Aquino o afirma.

Muitos autores o ensinam. Os Santos não podem merecer no céu como nós aqui na terra. Portanto, satisfazer pelas almas não podem, mas pedir e interceder por elas muitos teólogos o afirmam com muito fundamento. E demais, há uma oração da Igreja que nos autoriza esta crença. Ei-la: “Ó Deus, que perdoais aos pecadores e que desejais a salvação dos ho­mens, imploramos a vossa clemência por intercessão da Bem-aventurada Maria sempre Virgem e de to­dos os Santos, em favor de nossos irmãos, parentes e benfeitores que saíram deste mundo, a fim de que alcancem a bem-aventurança eterna”.

Outra oração, “Fidelium”, repete a mesma súpli­ca. Os primeiros cristãos sepultavam os mortos jun­to do túmulo dos Santos para lhes implorar a inter­cessão. Podemos pois crer que os Santos, não como nós, mas intercedendo e pedindo, podem ajudar o purgatório.

Como os Santos ajudam as almas?

Já vimos que a sorte das almas está em nossas mãos, porque só nós podemos merecer e ganhar por elas. É vontade de Deus que elas dependam de nós. “Deus, escreve o Pe. Faber, nos deu tal poder sobre a sorte dos mortos, que esta sorte parece depender mais da terra que do céu”. Somos nós os salvadores e auxiliadores das almas do purgatório. A Igreja de­finiu que nossas orações podem valer aos mortos, mas não há uma definição sobre a oração dos Santos neste sentido. Por quê? Naturalmente, não houve necessidade de qualquer definição. Os protestantes negaram o valor da intercessão dos Santos em nosso favor, mas nada disseram a respeito da intercessão dos Santos em favor das almas, porque negavam o pur­gatório. Ora, a Igreja implora no Ritual a intercessão dos Santos pelos mortos: “Subvenite... Santos do céu, vinde em seu auxílio, Anjos do céu, vinde, recebei a sua alma... Como, pois, os Santos ajudam os mortos?

1º Pedem que as satisfações dos vivos sejam aceitas perante Deus.

2º Pedem a Deus que os vivos sejam levados a ajudar os mortos e satisfazer por eles, que a devo­ção pelas almas sofredoras se incentive cada vez mais.

3º Podem pedir a Nosso Senhor que a liberta­ção das almas se faça mais depressa por uma inten­sidade das penas que abrevie este tempo mais longo de sofrimento.

4º Podem rogar a Nosso Senhor que pelos mé­ritos e satisfações que tiveram eles quando estavam neste mundo, possam ser utilizados estes méritos pelas almas e poderão também oferecer os méritos do Cristo, de Maria e de outros Santos.

Enfim, dizem seguros teólogos, há muitos meios dos Santos poderem ajudar as santas almas do pur­gatório. Esta crença é muito antiga na Igreja. En­contramo-la nos monumentos, as devoções populares de séculos, e é já tradicional na devoção de todo mundo católico, recorrer à intercessão dos Santos em fa­vor das almas do purgatório.

No dia de Todos os Santos a Igreja nos convida a meditar na grandeza e no poder da santidade. Mos­tra-nos os modelos e pede-nos que os imitemos. Glo­rifica os eleitos na beleza da sua Liturgia, cantando o triunfo dos seus filhos no céu. Depois, ao cair da tarde, já se ouvem dobrar os sinos, já nas Vésperas tudo se muda. Após as Vésperas festivas de Todos os Santos, vem o luto e o Ofício dos defuntos. Sucedem-se os Misereres e os De Profundis. É a vez da Igreja padecente. Nestes dois dias, 1.º e 2 de Novem­bro, vivemos o dogma da Comunhão dos Santos. As três Igrejas unidas, orando, e numa admirável co­municação de graças e de méritos e de sufrágios.

Este dia, dizia o Ven. Olier, é talvez o maior dia da Liturgia da Igreja para os fiéis. É o dia do Cris­to Total, do Cristo unido a nós, do Corpo Místico de Cristo, cabeça das três Igrejas. Como podemos utili­zar a intercessão dos Santos em favor das almas? Certamente, não há dúvida alguma, eles na glória podem interceder por nós e nos protegerem. Pois utilizemos esta intercessão em favor das almas. Que eles nos ajudem a ajudar as almas. Que nos inspirem muita compaixão e devoção pelas almas, que nos fa­çam anjos de caridade das benditas almas sofredoras. Eis como os Santos podem ajudar as almas.

Exemplo

A Obra Expiatória de Montligeon publicou com aprovação da autoridade eclesiástica, o seguinte fato:

No mês de Setembro de 1870, uma religiosa do Mosteiro das Irmãs Redentoristas de Malines, na Bélgica, sentiu repentinamente uma profunda tristeza que não a deixava dia e noite. A pobre Soror Maria Serafina do Sagrado Coração tornou-se um enigma para si própria e a comunidade. Pouco depois, chega a notícia da morte do pai da boa Irmã, nos campos de combate. Desde este dia, a religiosa começou a ouvir gemidos angustiosos e uma voz que lhe diz sempre:

— Minha filha querida, tem piedade de mim! Tem piedade de mim!

No dia 4 de Outubro novos tormentos para a Irmã e uma dor de cabeça insuportável. No dia 14 à noite, ao deitar-se, viu ela entre a cama e a parede da cela o pai cercado de chamas e imerso numa tris­teza profunda. Não pôde reter um grito de dor e de espanto. No dia 15 à mesma hora, ao recitar a Salve Rainha, viu de novo o pai entre chamas. A esta vista, perguntou a Irmã ao pai se havia ele cometido algu­ma injustiça nos seus negócios.

— Não, responde ele, não cometi injustiça al­guma. Sofro pelas minhas impaciências contínuas e outras faltas que não te posso dizer.

No dia 27, nova aparição. Desta vez não estava cercado de chamas. Queixou-se de que não era ali­viado porque não rezaram bastante por ele.

— Meu pai, não sabes que nós religiosas não po­demos rezar o dia todo, temos os trabalhos da Regra?

— Eu não peço isto, diz ele, quero que apliquem por mim as intenções, as indulgências. Se não me ajudares, eu te hei de atormentar. Deus o permitiu! Oh! Minha filha, lembra-te que te ofereceste a Nosso Se­nhor como vítima. Eis a consequência. Olha, olha, mi­nha filha, esta cisterna cheia de fogo em que estou mergulhado! Somos aqui centenas. Oh! Se soubes­sem o que é o purgatório, haviam de sofrer tudo, tudo para evitar e para aliviar as almas que lá estão ca­tivas. Deves ser uma religiosa muito santa, minha filha, e observar bem a Santa Regra, ainda nos pon­tos mais insignificantes. O purgatório das religio­sas, oh! É uma coisa terrível, filha!

Soror Maria Serafina viu, realmente, uma cister­na em chamas donde saiam nuvens negras de fumo. E o pai desapareceu como que abrasado, sufocado horrorosamente, sedento, a abrir a boca mostrando a lín­gua ressequida:

— Tenho sede, minha filha, tenho sede!

No dia seguinte a mesma aparição dolorosa:

— Minha filha, há muito tempo que eu não te vejo!

— Meu pai, ontem mesmo...

— Oh! Parece-me uma eternidade... Se eu ficar no purgatório três meses, será uma eternidade... Estava condenado a diversos anos, mas devo a Nossa Senhora, que intercedeu por mim, ficar reduzida a pena a alguns meses apenas.

Esta graça de poder vir pedir orações, o bom homem alcançou pelas suas boas obras, pois era ex­tremamente caridoso e devoto de Maria. Comunga­va em todas as festas da Virgem e ajudou muito na fundação de uma casa de caridade das Irmãzinhas dos pobres da Diocese.

Soror Maria Serafina fez diversas perguntas ao pai:

— As almas do purgatório conhecem os que re­zam por elas e podem rezar por nós?

—Sim, minha filha.

— Estas almas sofrem ao saberem que Deus é ofendido no meio de suas famílias e no mundo?

— Sim.

A Irmã, orientada pelo seu confessor e pela Su­periora, continuou a interrogar o pai:

— É verdade, meu pai, que todos os tormentos da terra e dos mártires estão muito abaixo do sofri­mento do purgatório?

— Sim, minha filha, é bem verdade tudo isso. . .

Perguntou se todas as pessoas que pertencem à Confraria do Carmo são libertadas no primeiro sába­do depois da morte do purgatório.

— Sim, respondeu ele, mas é preciso ser fiel às obrigações da Confraria.

— É verdade que há almas que devem ficar no purgatório até cinquenta anos?

— Sim. Algumas estão condenadas a expiar os seus pecados até o fim do mundo. São almas bem culpadas e estão abandonadas. Há três coisas que Deus pune e que atrai a maldição sobre os homens: a violação do dia do domingo pelo trabalho, o vício impuro que se tornou muito comum, e as blasfêmias. Oh! Minha filha, as blasfêmias são horríveis e pro­vocam a ira de Deus.

Desde este dia até à noite de Natal, sempre aparecia a Soror Maria Serafina a alma atormentada do seu bom pai, pela qual ela e a comunidade oravam e faziam penitências. Na primeira missa do Natal, a boa Irmã viu seu pai à hora da elevação, brilhante como o sol, de uma beleza incomparável.

— Acabei meu tempo de expiação, filha, venho te agradecer e às tuas Irmãs as orações e sufrágios. Rezarei por todas no céu.

E ao entrar na cela, de madrugada, viu a Irmã Serafina mais uma vez a alma do pai resplandecente de luz é de beleza, dizendo:

— Pedirei para tua alma, filha, perfeita conformidade com a vontade de Deus e a graça de entrar no céu sem passar pelo purgatório.

E desapareceu num oceano de luz e de beleza.

Estes fatos se deram de Outubro a Dezembro de 1870 e passaram pelo crivo de um severo e rigoroso exame das autoridades eclesiásticas antes de serem publicados e divulgados amplamente pela Obra Expiató­ria de Nossa Senhora de Montiglion, na França.

domingo, 29 de outubro de 2017

29 de Outubro - Solenidade de Cristo Rei

      Numa tarde de inverno, quando os flocos de neve flutuavam silenciosamente no ar, caminhavam dois homens pela rua: um professor católico e um jornalista socialista. - Vós, os católicos, dizia o jornalista, queixais vos, de que nós os socialistas atacamos sem cessar a religião católica. Atacar! Não é necessário. Repara naquela cruz... Vês como se vai cobrindo de neve... Está quase completamente coberta ... e a gente passa à direita e à esquerda, corre apressada ao seu trabalho... Quem se preocupa com a cruz coberta de neve? Não é necessário atacá-la, a neve se encarrega de a cobrir pouco a pouco e os homens nem sequer a notam. É a sorte do catolicismo. Ia a dizer, como consequência final. Mas antes de acabar a frase, soprou de uma rua lateral uma forte rajada de vento, revolvendo a neve da rua, arrojando contra o rosto dos transeuntes a neve enregelada e levando ao mesmo tempo o chapéu do socialista... e quando o vendaval amainou, na cruz coberta ele neve, havia reaparecido o rosto de Cristo crucificado, que olhava com suavidade os dois que discutiam.
    - Sim, disse o professor, o pó chega a cobrir, na alma, o rosto de Cristo, mas só até que o furacão se desencadeie contra a humanidade. Uma guerra devastadora. um cataclismo que assola toda uma região... e então a alma, recobrando a sua personalidade, lança-se aos pés de Cristo, buscando entre soluços seu rosto meigo e divino, que o esquecimento ia velando.
     Falamos no capítulo anterior destes acordes lúgubres e soluços da alma. O Papa Pio XI chamou a atenção do mundo para a pavorosa doença que tudo invade. Homens, dizia, vós correis para a morte. A imagem de Cristo está coberta de pó no fundo de vossas almas. O rosto de Cristo empalideceu e chegou quase a desaparecer na sociedade. na rua, na escola. na imprensa, em todas as manifestações da vida individual, familiar e pública.
     Veio o turbilhão da guerra mundial e foi impotente para limpar o pó do rosto de Cristo.
     Então o Papa institui uma nova festa, a festa de Cristo Rei para limpar com ela a sua imagem, coberta de pó em nossas almas.
     No capítulo anterior vimos quão árida é a vida humana quando sacode o suave jugo de Cristo; neste capítulo examinaremos a tríplice origem de tão lastimoso estado: quero mostrar as razões por que o homem moderno não quer aceitar o reinado de Cristo.
    No capítulo anterior vimos quão árida é a vida humana quando sacode o suave jugo de Cristo; neste capítulo examinaremos a tríplice origem de tão lastimoso estado: quero mostrar as razões por que o homem moderno não quer aceitar o reinado de Cristo.

Porque é que os homens modernos repelem a Cristo?

    Recordemos a encantadora cena de Belém: os três reis magos adorando a Cristo, oferecendo seus presentes...
    E chegam os «três reis modernos: o estadista, o banqueiro e o industrial. E aproximam-se do berço humilde de Jesus.
    Que cena tão poética! dizem. Não está mal este conjunto: o Menino, os pastores e as ovelhas, a estrela, a palha, o estábulo, a noite de Natal cheia de mistério... Que magnífico quadro se poderia pintar e adaptar ao estilo dum salão da nossa época!
    Sim, é verdade.
    Mas este Menino, é o Filho de Deus vivo, o Verbo encarnado, o senhor e soberano do gênero humano. Ah! isso é outra coisa: não só há lema para um quadro, mas há uma augusta realidade: Cristo, Rei! É Menino, mas também é Legislador! Ama-nos, mas é também nosso Juiz! É amável mas sabe também ser severo!Se é meu Rei. não posso viver tão frivolamente como o fiz até aqui. Então deve ter voz e voto nos meus pensamentos, nos meus projetos, nos meus negócios, nos meus prazeres. Ah! isto é já demasiado. E assim o estábulo, o presépio, a palha encerram um mistério muito duro para nós. Isto não o compreendemos. Não o compreendemos, porque não o queremos compreender. Tememos compreender a simplicidade, a pobreza, a humildade de Cristo em Belém, porque é um protesto contra o nosso modo de viver. Porque se Cristo tem razão, é manifesto que nós não a temos. Não tem razão o nosso orgulho, a nossa ambição desmesurada, a nossa sede de prazeres, a nossa idolatria da terra, o nosso culto ao bezerro de ouro.
     Chegamos ao ponto vital da questão. Porque é que o homem moderno tem medo de reconhecer a Cristo e repele o seu jugo? Porque é que não o queremos?
     Não queremos a Cristo, porque o humilde Infante de Belém condena com severidade o nosso orgulho.
    Não queremos a Cristo porque Ele, sempre pobre, condena a nossa sede de prazeres e gozos materiais da vida. 
    Não queremos a Cristo porque a sua mão levantada, mostrando-nos o céu, é uma condenação à nossa concepção do mundo moderno, a este desprezo insensato dos valores espirituais da alma, ao rendermos culto idolátrico aos bens da terra. Por outras palavras: Se Cristo é nosso Rei, então não podem ser nossos ídolos, 1) nem a razão, 2) nem o prazer, 3) nem o dinheiro.
     1) Se Cristo é nosso Rei e nosso Deus, a razão não pode ser o nosso Deus. Não podemos idolatrar a ciência. Respeitemo-la, sim, mas não a elevemos à categoria de uma divindade. A ciência só, não basta para uma vida digna do homem. O afã exagerado de saber estonteou-nos. E é assim só agora  Ah! Não. Já derrubou o primeiro homem; e desde então para cá a maior parte dos homens prostra-se diante das ideias e opiniões mais estranhas e incompreensíveis, uma vez que levem o rótulo de "científicas".
     Entendamo-nos. Não vão dizer que um professor de Universidade ataca a ciência. De maneira nenhuma. Não; não falo contra a ciência, mas contra a fé cega, contra o culto idolátrico que se lhe presta. Digo somente, e assumo a responsabilidade do que afirmo, que para uma vida humana bem equilibrada, a ciência só não basta.
     Será necessário prová-lo?
     Quando houve tantas escolas, como atualmente? Tantas bibliotecas? Tantos instrumentos de cultura? Nunca ; e contudo, quando houve maior decadência moral que nos nossos dias? A ciência, o livro, a cultura não podem suprir tudo. Não podem ocupar o primeiro lugar. Não foi precisamente o anjo mais sábio, Lúcifer, que se precipitou no mais profundo abismo? E não é verdade. que entre os grandes criminosos se encontram às vezes homens instruídos, cultos e astuciosos?
      Sim ... mas. sabemos construir arranha-céus, sabemos explorar as entranhas da terra e extrair o metal precioso ; sabemos ser avaros, depravados, cair em todos os abismos da imoralidade. mas ser honestos, honrados, perseverantes, viver uma vida feliz e digna de um homem, isso não sabemos. 

      Cristo é nosso Rei! Sabeis o que isto quer dizer? Quer dizer que a alma vale mais do que o corpo, e que a moral é mais preciosa do que a ciência.
      Que a Igreja vale mais que a fábrica. 
      Que a Santa Missa é muito mais sublime que uma peça teatral. 
      Que o homem que ora está mais alto que o que vai a festas mundanas.
      Tudo isto significa a realeza de Cristo. 

      2) Outro motivo leva o homem moderno a rejeitar a Cristo. Combate-o porque não quer ouvir a condenação fulminante... contra a moda. Se Cristo é nosso Rei, a moda não pode ser o nosso ídolo. Onde reina Cristo não pode reinar a frivolidade, onde reina Cristo não é lícito vestir-se, dançar e divertir-se como o faz. o homem moderno superficial e frívolo.
     Que tem que ver a Igreja com a moda? murmuram alguns. Por que razão, com que direito se imiscui nestas questões? Que mal tem em que o cabelo das mulheres seja curto ou comprido. que as saias tenham mais ou menos cinco centímetros?
     Não tratemos esta questão dum modo tão superficial. O tomar a Igreja posição nestas contendas, tem uma causa muito mais profunda.
     Sabeis de que se trata?
     Trata-se daquela grave doença que se chama laicismo, daquela epidemia que desterra a Cristo, trata-se do paganismo moderno, a que aludiu Pio
      O que esta pretende às ocultas é expulsar o Cristianismo do maior número possível de lugares, é tirar a Cristo cada vez mais vassalos.
     Não se trata pois de uma só alma, de uma só família, mas de uma questão transcendental e decisiva, a saber: de que em toda a vida social. Em todas as nossas manifestações exteriores tenhamos ou não o olhar posto em Cristo. Sim, esta é que é a grande questão.
     Ciência, filosofia, política, diplomacia. maçonaria, literatura, arte, legislação ... tudo, tudo isto intentou já combater o Cristianismo. Mas em vão. Todos os inimigos coligados não foram capazes de desterrar a Cristo. Então, lançou-se mão de nova arma: a vaidade da mulher. Vedes já as profundas raízes da questão? Trata-se de desencadear a guerra contra Cristo. Admito que a maioria das mulheres, quando se inclinam diante da moda, não sabem que são instrumentos de uma traidora campanha. Ignoram que o paganismo quer instalar-se outra vez na sociedade. Paganismo é o vestido transparente, paganismo é o baile indecoroso. A frivolidade espantosa das praias, o veneno dos cinemas, o luxo exorbitante... tudo isto é paganismo.
     Esta é a razão por que se combate a realeza de Cristo. Não aceitamos a Cristo Rei, porque Ele é a condenação do nosso moderno paganismo.

     3) Há ainda outro motivo por que o homem moderno repele a realeza de Cristo. É que a realeza de Cristo condena toda a viela materialista e terrena. Se Cristo é nosso Rei, o dinheiro não pode ser nosso ídolo.
     No paganismo antigo, o ouro e o prazer recebiam honras de divindade. Mas, ao ecoar nas campinas de Belém o cântico do Glória, o trono destes ídolos desmoronou-se. Mas agora, de novo, o dinheiro, o ouro recuperou o seu antigo culto.
     Estudemos a lição dos últimos anos. À medida que nos íamos esquecendo de Cristo, esquecíamos também os valores espirituais e culturais. Não pressentimos todos o perigo? Não sentimos todos que aqui há alguma coisa abalada? Ousaríamos afirmar que tudo corre perfeitamente bem?
     Ao mesmo tempo que sábios exímios, artistas insignes lutam com a fome e não têm trabalho, morre um artista de cinema, Rodolfo Valentino, e os jornais de todo o mundo anunciam que tinha oito automóveis, doze cães, cinquenta pares de sapatos e duas mil camisas. Isto está bem?
     Donzelas honradas de uma vida irrepreensível, estudam, trabalham e não conseguem casar-se; e uma rapariga moderna atravessa nadando o canal da Mancha e logo recebe setecentas propostas de casamento. Isto está bem?
     É da praxe que um campeão de box receba por cada sessão de luta a soma equivalente aos honorários de um juiz ou de um professor durante seis meses. Está bem?
     O cristianismo ensina o privilégio do espírito, a aristocracia da inteligência e hoje esta aristocracia é substituída pela aristocracia da musculatura.
     Onde reina Cristo, a alma é superior à matéria e é por isso que hoje se renega a realeza de Cristo, porque são muitos os homens... que não têm alma; que não têm tempo para a ter.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

12 de Outubro - Dia de Nossa Senhora Aparecida

12 de Outubro, dia de Nossa Senhora da Conceição Aparecida


   Nossa Senhora da Conceição Aparecida, quis ser encontrada no rio Paraíba em 1717, e após a encontrarem, encontraram também uma multidão de peixes. Desde o seu aparecimento, ela demonstrou que trazia consigo muitas graças, essas alcançadas de seu adorável Filho.
   A Mãe de Deus adotou o Brasil. Desde 1717 muitos pecadores correram para os braços da mãe, e como filhos perdidos, encontraram o caminho de volta para casa. Ela agraciou os brasileiros imensamente. Mas os brasileiros não a honraram o suficiente.
   Há muito tempo que a chama da devoção a Nossa Senhora Aparecida se apagou nos lares das famílias brasileiras. Ela foi esquecida, deixada de lado. Antes era possível visualizar a sua imagem honrada nas casas, nos comércios, nas escolas, nas entradas das cidades. Agora ela está abandonada. Nem em seu próprio santuário é honrada o suficiente. 
     O lugar que teria sido destinado a sua honra, tem sido objeto de flagelos ao seu Imaculado Coração. Vestes imodestas, Missas profanas e heréticas, "pastores" hereges proferindo sermões no Altar, um canal de televisão que deveria ser destinado a propagação da devoção a excelsa Mãe, tem sido destinado a utraja-la. Se esquecem do que ela pediu quando apareceu em Fátima: conversão, penitência, oração. Em troca disso, dão a ela: apostasia, relaxamento, blasfêmias.
    Ó excelsa Mãe de Deus, Maria Santíssima, que apareceu no lago do rio Paraíba a nós, que quis tomar os brasileiros como filhos, até quando suportará as ofensas que esses pecadores vos fazem? A terra de Santa Cruz está crucificando vosso Filho novamente. 
   Nós, como míseros filhos e meros escravos, pedimo-vos perdão em nome de todos os brasileiros. Perdão pelas indiferenças, pelas vestes imodestas, pelos pecados cometidos publicamente, pelas blasfêmias, ultrajes e sacrilégios. Pedimo-vos perdão pelas ofensas a vossa Imaculada Conceição, a vossa Maternal Divindade, a vossa Virgindade Perpétua. Tende misericórdia de nós e de todo o Brasil, livrai-nos do comunismo, do aborto, de toda apologia a pedofilia, homossexualismo e outros pecados da luxúria. Livrai-nos de leis iníquas e de maus governantes. Salvai nossas crianças e nossas famílias.

Consagração a Nossa Senhora da Conceição Aparecida



Ó Maria Imaculada, Senhora da Conceição Aparecida, aqui tendes, prostrado diante de vossa milagrosa imagem, o Brasil, que vem de novo consagrar-se à vossa maternal proteção. Escolhemo-vos por especial Padroeira e Advogada da nossa Pátria; queremos que ela seja inteiramente vossa: vossa é a sua natureza sem par; vossas são as suas riquezas; vossos, são os campos e as montanhas, os vales e os rios; vossa é a sociedade; vossos são os lares e seus habitantes, com seus corações e tudo o que eles têm e possuem; vosso é, enfim, todo o Brasil.
Sim, ó Senhora Aparecida, o Brasil é vosso!
Por vossa intercessão temos recebido todos os bens das mãos de Deus, e todos os bens esperamos receber, ainda e sempre, por vossa intercessão.
Abençoai, pois, o Brasil que Vos ama; abençoai o Brasil que Vos agradece; abençoai, defendei, salvai o vosso Brasil!
Protegei a Santa Igreja; preservai a nossa Fé, defendei o Santo Padre; assisti os nossos Bispos; santificai o nosso Clero; socorrei as nossas famílias; amparai o nosso povo; esclarecei o nosso governo; guiai a nossa gente no caminho do Céu e da felicidade! Ó Senhora da Conceição Aparecida, lembrai-Vos de que nós somos e queremos ser vossos vassalos e súditos fiéis. Mas lembrai-vos também de que nós somos e queremos ser vossos filhos. Mostrai, pois, ante o Céu e a Terra, que sois a padroeira poderosa do Brasil e a Mãe querida de todo o povo brasileiro!
Sim, ó Rainha do Brasil, ó Mãe de todos os brasileiros, venha sempre mais a nós o vosso reino de amor e, por vossa mediação, venha a nossa Pátria o reino de Jesus Cristo, vosso Filho e Senhor Nosso. Amém.
A NOSSA SENHORA APARECIDA
Ó Senhora Aparecida, Mãe querida, tenho tanta confiança em Vós, que espero a vossa proteção e vosso amparo em todos os passos de minha vida e na hora da morte. Amém.

domingo, 8 de outubro de 2017

Fundação da Associação Nossa Senhora do Rosário de Lepanto - 07.10.17

Rejubilantes anunciamos que na data de ontem, a Capela São José deu um grande passo em sua história.

A Capela, nascida do sonho de católicos fiéis a Tradição, tem pouco mais de dois anos de existência.
Ontem, 07 de Outubro, dia de Nossa Senhora do Rosário, nós nos reunimos com intuito de fundarmos uma Associação em defesa da fé católica e em promoção ao Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo.

A Associação Nossa Senhora do Rosário de Lepanto tem como finalidade:

I. A propagação e defesa da fé católica tal como foi sempre crida e professada ao longo dos séculos, até o Concílio Vaticano II;
II. A crítica ao Concílio Vaticano II e ao magistério conciliar, bem como a todos os erros derivados do modernismo e liberalismo, tão bem condenados por Gregório XVI, Pio IX, Leão XIII, São Pio X, Bento XV, Pio XI e Pio XII;
III. A conservação dos ritos católicos anteriores a 1962;
IV. A promoção e defesa do Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo;
V. A promoção e defesa dos direitos e autonomia das famílias frente ao Estado, inclusive no que tange à educação domiciliar;
VI. A promoção e defesa da vida humana desde a concepção até a morte natural;
VII. A luta contra todas as revoluções e ideologias contrárias à fé católica;
VIII. O desenvolvimento de estudos, conferências, formações, seminários e congressos;

Posteriormente daremos mais informações a respeito da Associação, o que podemos adiantar, é que o que corre em suas veias, o que bombeia o seu coração, é a frase que Mons. Lefebvre certa vez disse e que Dom Tomás de Aquino nos repetiu "para nós Nosso Senhor é tudo."
O mundo colocou Nosso Senhor de escanteio. "Aqui não é necessário que o Senhor reine, aqui no Congresso, nas escolas, nas famílias... Não. Nosso Senhor não precisa reinar nas leis, nos costumes, na moral. Nosso Senhor pode ficar escondido. Tiremos o Altar das casas, coloquemos a Televisão. Nosso Senhor não é nosso Rei, temos outros reis. Outras prioridades, outras necessidades." 
Mas nós dizemos: "A nós não. A nós, Nosso Senhor é Tudo. Ele reina em nossas casas, em nossos pensamentos, em nossos estudos, em nossos corações. Ele é nossa prioridade. O Reinado Social dele é só o que importa, não nos importa massagear os egos dos homens. Queremos que Ele reine nas leis, nos costumes, na moral e em nossos corações. A nós, Ele é Tudo."

Como Ele é nosso Tudo, importa a profissão de fé pública e a devoção a sua Mãe, Maria Santíssima. Por esse motivo, também ontem nós ornamos um andor e o Altar, fizemos uma procissão, e Dom André rezou a Santa Missa.
Alguns fiéis fizeram a Consagração a Nossa Senhora segundo o método de São Luís de Monfort e outros fizeram a renovação dos votos.
Terminamos ainda os 5 Sábados recomendados por Nossa Senhora de Fátima, em Reparação ao seu Imaculado Coração.

Concluímos dizendo que o mundo liberal diz como Lúcifer: "não servirei", e nós, como filhos Daquela que esmaga a cabeça da serpente, dizemos: "Serviremos. Por mais fracos que sejamos, nós serviremos. Muitas vezes inconstantes, pecadores, miseráveis, mas serviremos. Seremos ridicularizados nas faculdades, nas escolas, em nossos trabalhos, mas serviremos. Nos perseguirão, nos odiarão, quererão nosso silêncio, mas nós serviremos. Estaremos só muitas vezes, haverá uma espada que dividirá nossos parentes e amigos, mas nós serviremos. Serviremos a Nosso Senhor Jesus Cristo, através da escravidão de amor a Maria Santíssima. Todos os dias de nossas vidas, para termos a recompensa de servir a Ele por toda a Eternidade."

Que viva Cristo Rei!
Que viva Nossa Senhora do Rosário de Lepanto!



  















sábado, 7 de outubro de 2017

Nossa Senhora do Rosário - 07 de Outubro

 Saltério de Maria 

 Desde quando São Domingos estabeleceu a devoção do Santo Rosário até ao tempo em que o Bem-aventurado Alano de la Roche o restabeleceu em 1460, ele foi chamado de O Saltério de JESUS e Maria. Isto é devido ao fato dele possuir o mesmo número de Saudações Angelicais (Ave Marias) como os 150 Salmos de Davi. Já que pessoas simples de educação formal não conseguem rezar os Salmos de Davi, o Rosário é considerado tão proveitoso a elas como o Saltério de Davi é para outros.
 Contudo o Rosário pode ser considerado até mais valioso que os Salmos por três razões;
 1- Primeiramente, porque o Saltério Angélico possui um fruto mais nobre, a saber, o Verbo Encarnado, a quem o Saltério Davídico somente o profetiza;
 2- Em segundo lugar, assim como a realidade é mais importante do que a prefiguração, e o corpo é mais importante que uma sombra, da mesma forma o Saltério de Nossa Senhora é mais grandioso que o Saltério de Davi que nada mais fez que prefigura-lo;
3- E em terceiro lugar, por ser o Saltério de Nossa Senhora (ou o Rosário composto de PAI Nossos e Ave Marias) é uma obra direta da SANTÍSSIMA TRINDADE e não foi feito através de um instrumento humano.

 O Saltério de Nossa Senhora ou o Rosário é divido em três partes de cinco dezenas cada, por três razões especiais:
 1ª - Honrar as três Pessoas da SANTÍSSIMA TRINDADE;
 2ª - Honrar a vida, morte e glória de JESUS CRISTO (e de Maria)
 3ª – Imitar a Igreja Triunfante, ajudar os membros da Igreja Militante e diminuir as dores da Igreja sofredora.
 4ª – Imitar os três grupos nos quais os Salmos são divididos:
 a) O primeiro sendo para a vida purgativa;
 b) O segundo para a vida iluminativa
 c) O terceiro para a vida unificativa
5ª – E, finalmente, nos dar graças em abundância durante nossa vida, paz na morte, e glória na eternidade.


A Coroa de Rosas

     Desde que o Bem-aventurado Alano de la Roche restabeleceu esta devoção, a voz povo que é a voz de DEUS, o chamou de O Rosário. A palavra rosário quer dizer “coroa de rosas”, vindo a ser: toda vez que o povo reza o Rosário de maneira devota eles colocam uma coroa de cento e cinquenta e três rosas vermelhas (cor de rosa) e dezesseis rosas brancas nas cabeças de JESUS e Maria. Por se tratarem de rosas celestiais, estas rosas nunca murcham, nem perdem sua fragrância e delicada beleza. Nossa Senhora mostrou sua total aprovação do nome de Rosário. Ela revelou a várias pessoas que cada vez que elas rezam uma Ave Maria, elas lhe dão uma linda rosa e que a cada Rosário completo uma coroa de rosas.
      O conhecido Jesuíta, Irmão Alfonso Rodriguez, tinha por costume rezar seu Rosário com tanto fervor que ele estava habituado a ver rosas brancas saírem de sua boca a cada PAI Nosso e uma rosa vermelha a cada Ave Maria. As rosas vermelhas e brancas são iguais beleza e fragrância, tendo por única diferença a cor. As crônicas de São Francisco nos dizem que um jovem frade tinha um costume louvável de rezar o Rosário de Nossa Senhora diariamente antes do jantar. Um dia, não se sabe porquê, deixou de rezar. O sino do refeitório já havia tocado quando ele pediu ao superior permissão para rezar antes de ir à mesa, e tendo obtido a permissão recolheu-se à sua cela para rezar. Após um longo tempo que se retirara, o Superior enviou outro frade para chamá-lo, e este o encontrou em ser quarto banhado por uma luz celestial a olhar Nossa Senhora que tinha dois Anjos consigo. Lindas rosar saíam de sua boca a cada Ave Maria; os Anjos as recolhiam uma a uma, colocando-as na cabeça de Nossa Senhora, e ela sorridente as aceitava. Finalmente, dois outros frades que foram enviados a fim de saber o que acontecia aos dois primeiros também puderam ver a mesma bela e admirável cena, e Nossa Senhora não se retirou até que o Rosário fosse rezado completamente. O Rosário completo é, pois, uma grande coroa de rosas e o Terço de cinco dezenas é uma pequena coroa de flores ou uma pequena coroa de rosas celestiais que colocamos nas cabeças de JESUS e Maria.
     A rosa é a rainha das flores, e o Rosário, depois da Santa Missa é a melhor das devoções


O Bem-aventurado Alano de La Roche disse:

“Quem te ama, ó excelsa Maria, leia isto e extasie-se: 
Quando eu rezo a Ave Maria, 
a corte celestial se regozija, 
a Terra se perde em admiração, 
eu esqueço o Mundo 
e meu coração transborda do amor de DEUS. 
Quando eu rezo a Ave Maria; 
todos os temores se dissipam 
e minhas paixões se apaziguam. 
Se eu rezo a Ave Maria; 
a devoção cresce dentro de mim 
e desperta a contrição pelo pecado.
Quando eu rezo a Ave Maria, 
a esperança fica forte em meu peito, 
e o frescor da consolação inunda minha alma mais e mais, 
porque eu rezo a Ave Maria. 
Meu espírito se regozija,
 a tristeza vai embora quando eu rezo a Ave Maria. 

Porque a doçura desta suavíssima saudação é tão grande que não há termos adequados para explicá-la devidamente e, depois de haver dito dela maravilhas, todavia ainda a achamos tão cheia de mistério e tão imensa que sua profundidade é impossível de ser compreendida. É curta em palavras, mas grande em mistérios. É mais doce que o mel e mais preciosa que o ouro. Devemos tê-la frequentemente no coração para meditá-la e na boca para rezá-la devotamente.”


A Ave Maria – Breve Explicação 


Você está num estado miserável do pecado? Pois então chame a Maria1 e diga-lhe: Ave! Que vem a ser “Eu vos saúdo com o mais profundo respeito, pois vós sois sem pecado” e ela livrá-lo-á do mal de seus pecados. ”...a palavra divino pode ser usada sem atribuir a ela a natureza da divindade da pessoa ou coisas assim classificada. Falamos de nossas próprias orações, ora dirigidas a DEUS ou aos Seus santos, como um serviço divino. O Salmista fala de todos nós como deuses e filhos do Altíssimo; e ninguém fica ofendido por tal expressão, porque o sentido dado às palavras pronunciadas é compreensível. Maria pode ser chamada divina por ter sido divinamente escolhida para o ofício de Mãe” de uma Pessoa divina, JESUS CRISTO (Cardeal Vaughan, prefácio às “Verdadeira Devoções à Santíssima Virgem Maria” escrito por São Luiz de Montfort).
Você está envolto na escuridão da ignorância e do erro? Vá a Maria e diga-lhe: Ave Maria” Que vem a ser “Iluminada com os raios do sol da justiça” – e ela lhe dará um pouco de sua luz.
Caminha extraviado, fora do caminho que leva aos Céus? Pois então, chame a Maria, porque seu nome significa “Estrela do Mar, Estrela Polar que os navios de nossas almas durante a jornada desta vida,” e ela lhe guiará ao porto da salvação eterna.
Você esta triste? Recorra à Maria, pois seu nome significa também “Mar de amarguras que a encheu com cortante dor neste Mundo, mas com a qual tornou-se em mar da mais pura alegria no Céu” e ela transformará sua tristeza em alegria e sua aflição em paz.
Você perdeu o estado de graça? Louve e honre as inumeráveis graças com que DEUS encheu a Virgem Maria, e diga-lhe “Sois cheia de graça e cheia dos dons do ESPÍRITO SANTO” e ela lhe dará algumas destas graças. Se sente só, tendo perdido a proteção de DEUS; Reze a Maria, diga-lhe: “O SENHOR é convosco,” e esta nobilíssima e mais íntima que aquela que Ele tem com os santos e os justos, pois vós sois uma com Ele. Sendo Ele vosso FILHO e Carne de Sua Carne; estais unida ao SENHOR por causa da perfeita semelhança com ELE e pelo vosso amor mútuo, por serdes Sua Mãe. E depois diga a ela: “A SANTÍSSIMA TRINDADE é convosco porque vós sois o Seu Tempo”, e ela lhe colocará mais uma vez debaixo da proteção e cuidado do DEUS Todo-Poderoso.
Você se tornou um foragido e tem sentido a justiça de DEUS pesar? Então diga a Nossa Senhora: “Bendita sois vós entre todas as mulheres e sobre todas as nações, por vossa pureza e fertilidade; tornastes as maldições divinas em bênçãos para nós,” e ela o abençoará.
Sente fome pelo pão da graça e pão da vida? Ajoelhe-se próximo a ela que deu a vida ao Pão Vivo que desceu do Céu, e diga a ela: “Bendito É o fruto de vosso ventre que concebestes sem a mínima perda de vossa virgindade, que carregastes sem desconforto Aquele a quem destes à luz sem dor. Bendito seja JESUS que redimiu nosso Mundo sofredor enquanto estávamos presos às cadeias do pecado, que curou o Mundo de sua doença, que tem ressuscitado os mortos para a vida, que trouxe para casa o que lhe fora banido, salvou os homens da condenação.” Sem dúvida sua alma estará cheia do pão da graça nesta vida e de glória eterna na próxima. Amém.

Então, ao fim de sua oração, reze assim como a Santa Madre Igreja:
“Santa Maria Santa de corpo e alma,
Santa por causa de vossa incomparável abnegação no serviço de DEUS.
Santa em vossa nobreza exuberante de Mãe de Deus, q
ue O contemplastes com perfeita santidade,
da mais alta dignidade.
 Mãe de Deus e nossa Mãe,
Transbordante das graças de DEUS,
de Quem sois a tesoureira, e que as dispensais para nós.
Obtende para nós, sem demora,
o perdão de nossos pecados,
e dai-nos a graça de sermos reconciliados,
com a infinita Majestade de DEUS.
Rogai por nós pecadores,
Vós que sempre sois cheia de compaixão pelos necessitados.
Que nunca desprezais os pecadores,
volvei a eles, pois sem eles nunca seríeis a Mãe do REDENTOR
Rogai por nós agora,
durante esta vida curta,
 tão cheia de tristeza,
de sofrimento e incertezas.
Rogai por nós agora,
Agora, porque não temos certeza de nada,
a não ser o momento presente.
Rogai por nós agora,
porque estamos sendo atacados dia e noite por poderosos e cruéis inimigos...
Rogai por nós agora e na hora da nossa morte,
tão terrível e cheia de perigos, quando nossas forças se esgotam e nossos espíritos desfalecem-se e nossos corpos estão exaustos com medo e pena.
 Rogai por nós então, na hora da nossa morte, quando satanás esta trabalhando,
com forças redobradas,
para nos seduzir e nos lançar à perdição.
Rogai por nós na hora da decisão,
quando a morte lançará de uma vez por todas o nosso destino eterno,
será o Céu, (o Purgatório) ou o Inferno.
Venha em auxílio de vossos pobre filhos,
Terna Mãe de piedade.
Advogada e Refúgio dos pecadores,
proteja-nos na hora da nossa morte.
Expulsa para longe de nós Nossos terríveis inimigos,
os demônios acusadores,
que com suas horrorosas presenças enche-nos de pavor.
Ilumina nossos passos no vale das sombras da morte.
Oh Mãe, leva-nos ao trono de julgamento de vosso
FILHO e não nos abandone lá.
Interceda por nós e peça ao vosso FILHO que me perdoe.
Aceitai-nos no número dos abençoados escolhidos no Reino da Eterna glória. Amém – Assim seja”

O Segredo do Rosário - São Luis Maria Grignon de Monfort