sábado, 27 de fevereiro de 2016

A verdadeira Igreja de Jesus Cristo






Ainda que os católicos fiéis à Tradição se reduzam a um punhado, são eles a Verdadeira Igreja de Jesus Cristo. 

(Santo Atanásio)

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

REITERANDO: PROGRAMAÇÃO PARA 27/02/2016


Missão São José

Travessa Santo Amaro, 31, Fundos - Bairro Jardim - Santo André - SP

Referências: 
A 5 minutos da Estação Pref. Celso Daniel (CPTM).
Subindo a Rua Catequese, na segunda travessa a direita.
A capela fica nos fundos de uma empresa de segurança chamada "Naps Profissional".

A VIA SACRA - Adaptação do Método de Leonardo Goffiné

A VIA SACRA


Adaptação do método contido no “Manual do Christão” de Leonardo Goffiné – 10ª edição. 1925

"A linguagem da cruz é loucura para os que se perdem, mas, para os que foram salvos, para nós, é uma força divina. Está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, e anularei a prudência dos prudentes (Is 29,14). Onde está o sábio? Onde o erudito? Onde o argumentador deste mundo? Acaso não declarou Deus por loucura a sabedoria deste mundo? Já que o mundo, com a sua sabedoria, não reconheceu a Deus na sabedoria divina, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura de sua mensagem. Os judeus pedem milagres, os gregos reclamam a sabedoria; mas nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos; mas, para os eleitos – quer judeus quer gregos –, força de Deus e sabedoria de Deus. Pois a loucura de Deus é mais sábia do que os homens, e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens." I Coríntios. I, 18-25.


"Eu não quero saber d’outra coisa, senão de Jesus, de Jesus Crucificado" (I Cor. II, 2). Quem quiser, diz S. Boaventura, crescer sempre em virtude e em graça, medite incessantemente os sofrimentos de Jesus Cristo. Ao mesmo Santo, perguntou Santo Tomás de que livro se socorria para tão belos ensinamentos quais eram os seus, e apontou São Boaventura para a imagem do Senhor na cruz: ‘Eis aqui, disse, o livro onde aprendi o pouco que sei’. Não há bálsamo tão consolador nas tribulações, lenitivo tão doce aos sofrimentos, conforto tão eficaz para as desventuras, como a lembrança da Paixão de Jesus. Nas chagas de Jesus crucificado aprenderam os Santos a coragem e constância com que sofreram as torturas, o martírio e a morte.


ORAÇÃO PREPARATÓRIA

Ó Doce Jesus meu! Amo-Vos mais que todas as coisas, porque sois infinitamente bom. Pesa-me de todo o coração, de vos ter ofendido, a Vós, que sois meu soberano bem. Ofereço-Vos este piedoso exercício em memória do que sofrestes no caminho do Calvário, por amor de mim, que sou um indigno pecador. – (Se for oferecido às almas do purgatório) Intento ganhar as indulgências e aplicar às almas do Purgatório, as que lhe são aplicáveis.


ESTAÇÃO I. Jesus condenado à morte.


V. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi                       (Nós vos adoramos, Senhor Jesus, e vos bendizemos)
R. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.       (Porque com a vossa cruz remistes o mundo)


PODIA o Divino Salvador nosso pulverizar com uma palavra, com um olhar só, aquele infame Juiz e a turba dos Judeus e algozes; queria, porém, satisfazer à justiça de seu Pai por todos os pecados do mundo, calou-se!... Obrigue-nos este exemplo a sofrer as injustiças dos homens, como satisfação à justiça eterna, tantas vezes por nós desacatada.

PAI NOSSO – AVE MARIA – GLÓRIA AO PAI


V. Miserere nostri, Domine                         (Tende piedade de nós, Senhor)
R. Miserere nostri                                        (Tende piedade de nós)

Gravai, ó Mãe Santa, em meu coração, as chagas de Jesus Crucificado.
(Sancta Mater istud agas, crucifixi fige plagas, cordi meo valide)


A morrer crucificado / Teu Jesus é condenado / Por teus crimes, pecador (2x)
Pela Virgem Dolorosa / Vossa Mãe tão piedosa / Perdoai-me meu Jesus! (2x)


ESTAÇÃO II. Jesus com a cruz às costas.


V. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi
R. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.


RECEBE Jesus, o justo por excelência, da mão dos algozes, o pesado lenho do seu sacrifício: E nós, pecadores, como recebemos as cruzes, às vezes tão leves, que nos envia o misericordioso Senhor, para lembrar-nos a devida penitência? – Comparemos, julguemos!

PAI NOSSO – AVE MARIA – GLÓRIA AO PAI

V. Miserere nostri, Domine
R. Miserere nostri

Gravai, ó Mãe Santa, em meu coração, as chagas de Jesus Crucificado.


Sob a cruz ei-lo, gemendo / Vai sofrendo, vai sofrendo / Vai morrer por teu amor (2X)
Pela Virgem Dolorosa / Vossa Mãe tão piedosa / Perdoai-me meu Jesus! (2x)


ESTAÇÃO III. Jesus cai debaixo da cruz, primeira vez.


V. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi
R. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.


CAI ao peso da cruz nosso Redentor. Levanta-se no meio de sangrentos insultos. Eis como se dignou expiar nossas quedas. – Sigamo-lo, pois, com o coração sinceramente contrito e penetrado, no caminho doloroso que aceitou trilhar por nós.

PAI NOSSO – AVE MARIA – GLÓRIA AO PAI

V. Miserere nostri, Domine
R. Miserere nostri

Gravai, ó Mãe Santa, em meu coração, as chagas de Jesus Crucificado.

Sob o peso constrangido / Cai Jesus desfalecido / Pela tua salvação! (2x)
Pela Virgem Dolorosa / Vossa Mãe tão piedosa / Perdoai-me meu Jesus! (2x)


ESTAÇÃO IV. Jesus encontra sua Mãe Santíssima.


V. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi
R. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.


IMENSA foi a aflição da mãe e do Filho, neste crudelíssimo encontro. Maria, porém, conhecia o plano divino, sabia que Jesus havia de ser imolado pela glória do Pai e Redenção do mundo, e dela também era o holocausto. – Alcance-nos a Mãe do Salvador, os sentimentos de suas virtudes heroicas com perfeita imitação do seu divino Filho.

PAI NOSSO – AVE MARIA – GLÓRIA AO PAI.

V. Miserere nostri, Domine
R. Miserere nostri

Gravai, ó Mãe Santa, em meu coração, as chagas de Jesus Crucificado.


Da Mãe sua imaculada / Quando a encontra desolada / Vê a imensa comoção! (2x)
Pela Virgem Dolorosa / Vossa Mãe tão piedosa / Perdoai-me meu Jesus! (2x)



ESTAÇÃO V. O Cirineu ajuda Jesus a carregar a cruz.


V. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi
R. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.


MEDITEMOS o ato que permite aqui Jesus. Não lhe falta a força àquele que sustenta o universo; quer, porém, ensinar-nos, aceitando tal auxílio, que nos devemos ajudar uns aos outros, no caminho da vida, com serviços e obséquios recíprocos.

PAI NOSSO – AVE MARIA – GLÓRIA AO PAI.

V. Miserere nostri, Domine
R. Miserere nostri

Gravai, ó Mãe Santa, em meu coração, as chagas de Jesus Crucificado.


Um auxílio lhe é imposto / Já sem força, em sangue o rosto / Não recusa o Cirineu! (2x)
Pela Virgem Dolorosa / Vossa Mãe tão piedosa / Perdoai-me meu Jesus! (2x)


ESTAÇÃO VI. A Verônica enxuga a face de Jesus.


V. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi
R. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.


DULCÍSSIMO Jesus meu! Assim como recompensastes a compassiva e generosa Verônica, com vosso retrato, no véu que enxugou vosso rosto sagrado, dignai-vos de imprimir em nossos corações vossa imagem, e os vossos padecimentos por nós, que nunca os possa o pecado ofuscar ou delir.

PAI NOSSO – AVE MARIA – GLÓRIA AO PAI

V. Miserere nostri, Domine
R. Miserere nostri

Gravai, ó Mãe Santa, em meu coração, as chagas de Jesus Crucificado.


Eis a face ensanguentada / Por Verônica enxugada / Que no pano apareceu (2x)
Pela Virgem Dolorosa / Vossa Mãe tão piedosa / Perdoai-me meu Jesus! (2x)


ESTAÇÃO VII. Jesus cai, segunda vez.


V. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi
R. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.


SUCUMBE de novo o Divino Cordeiro, ao peso dos nossos pecados, antes que do lenho ignominioso. Ergue-se logo, continua sua marcha para o Calvário. – Exemplo para nós, de nunca entregarmo-nos ao desalento: retemperando-os com nova graça nas águas benditas da penitência.

PAI NOSSO – AVE MARIA – GLÓRIA AO PAI.

V. Miserere nostri, Domine
R. Miserere nostri

Gravai, ó Mãe Santa, em meu coração, as chagas de Jesus Crucificado.


Novamente desmaiando / No caminho tropeçando / Cai por terra o Salvador (2x)
Pela Virgem Dolorosa / Vossa Mãe tão piedosa / Perdoai-me meu Jesus! (2x)


ESTAÇÃO VIII. Jesus consola as mulheres de Jerusalém.


V. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi
R. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.


“NÃO choreis por Mim, chorais antes por vós e por vossos filhos”, diz Jesus as mulheres de Jerusalém, pensando só nas calamidades iminentes sobre sua pérfida pátria... E nos ensina que mais agradável lhe será nossa compaixão, se primeiro chorarmos nossos pecados, causa que são do seu sacrifício.

PAI NOSSO – AVE MARIA – GLÓRIA AO PAI.

V. Miserere nostri, Domine
R. Miserere nostri

Gravai, ó Mãe Santa, em meu coração, as chagas de Jesus Crucificado.


Das matronas que choravam / Que a gemer o acompanhavam / Consolar busca Ele a dor (2x).
Pela Virgem Dolorosa / Vossa Mãe tão piedosa / Perdoai-me meu Jesus! (2x)


ESTAÇÃO IX. Jesus cai, terceira vez.


V. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi
R. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.

TANTAS e tão graves são as nossas ofensas, que de novo prostram o nosso Salvador. – O que, porém, lhe causa tristeza mortal, é que será baldado[1] para muitos, o sangue que derrama. Não sejamos nós ingratos tais, protestemos antes, corresponder amorosamente à sua divina graça.

PAI NOSSO – AVE MARIA – GLÓRIA AO PAI.

V. Miserere nostri, Domine
R. Miserere nostri

Gravai, ó Mãe Santa, em meu coração, as chagas de Jesus Crucificado.


Cai exausto vez terceira / Sob a carga tão grosseira / Dos pecados e da cruz (2x)
Pela Virgem Dolorosa / Vossa Mãe tão piedosa / Perdoai-me meu Jesus! (2x)
 

ESTAÇÃO X. Jesus despido da túnica inconsútil[2].


V. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi
R. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.


ARRANCARAM-LHE os algozes a túnica inconsútil, pegada ao corpo pelas feridas sem conta da flagelação, e o despojaram, à vista do amotinado povo. – E eu, seu discípulo, tão apegado às vaidades, tão cobiçoso dos bens presentes... Livrai-me Senhor, e restituí-me a veste nupcial da vossa graça!

PAI NOSSO – AVE MARIA – GLÓRIA AO PAI.

V. Miserere nostri, Domine
R. Miserere nostri

Gravai, ó Mãe Santa, em meu coração, as chagas de Jesus Crucificado.


Já do algoz as mãos agrestes / As sangrentas, pobres vestes / Vão tirar do bom Jesus (2x).
Pela Virgem Dolorosa / Vossa Mãe tão piedosa / Perdoai-me meu Jesus! (2x)


ESTAÇÃO XI. Jesus pregado na cruz.


V. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi
R. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.


QUE atroz suplício sofreria nosso Redentor, quando lhe transpassaram as mãos e os pés sagrados com enormes cravos, e o crucificaram! Com este sangue a correr em jorro, conheçamos o preço d’uma alma, e quanto custou a nossa. Detestemos o pecado, causa de tantas dores. Prendei, Senhor e Redentor meu, à vossa cruz minha vontade, nada a separe da vossa.

PAI NOSSO – AVE MARIA – GLÓRIA AO PAI.

V. Miserere nostri, Domine
R. Miserere nostri

Gravai, ó Mãe Santa, em meu coração, as chagas de Jesus Crucificado.


Sois por mim à cruz pregado / Duramente torturado / Com cegueira e com furor (2x).
Pela Virgem Dolorosa / Vossa Mãe tão piedosa / Perdoai-me meu Jesus! (2x)


ESTAÇÃO XII. Jesus expira na cruz.


V. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi
R. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.


DEPOIS de três horas de agonia, expira o nosso Redentor. Logo o céu, o sol, a lua, a terra, as pedras, todos os elementos comovem-se em pavoroso assombro... – Choremos nossas iniquidades, causa desta morte, e prometamos a Jesus pagar amor com amor, procurando com zelo ardente a salvação das almas.

PAI NOSSO – AVE MARIA – GLÓRIA AO PAI.

V. Miserere nostri, Domine
R. Miserere nostri

Gravai, ó Mãe Santa, em meu coração, as chagas de Jesus Crucificado.


Por meus crimes padecestes / Meu Jesus por mim morrestes / Quanta angústia, quanta dor! (2x)
Pela Virgem Dolorosa / Vossa Mãe tão piedosa / Perdoai-me meu Jesus! (2x)


ESTAÇÃO XIII. Jesus descido da cruz.


V. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi
R. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.


MARIA recebeu em seus braços o corpo inânime[3] de seu adorado Filho. Então mais fundo que nunca lhe penetrou à alma o gládio[4] profetizado outrora por Simeão. Então seria aquela dor grande como o mar... – Ó Mãe dolorosíssima, nossas culpas foram a causa do martírio vosso, e de vosso Filho; suplicai-lhe por nós, que nos penetre o coração o sincero arrependimento e o firme propósito de emenda para todo o sempre.

PAI NOSSO – AVE MARIA – GLÓRIA AO PAI.

V. Miserere nostri, Domine
R. Miserere nostri

Gravai, ó Mãe Santa, em meu coração, as chagas de Jesus Crucificado.


Já da cruz Vos despregaram / E a Maria Vos deixaram / Que terrível aflição (2x)
Pela Virgem Dolorosa / Vossa Mãe tão piedosa / Perdoai-me meu Jesus! (2x)


ESTAÇÃO XIV. Jesus depositado no sepulcro.


V. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi
R. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.


O SEIO do Pai eterno, o seio da Virgem, a gruta de Belém, a cruz do Calvário, o sepulcro de Gethsemani... Aqui termina a fulgurante carreira do nosso Redentor... Aí está debaixo de enorme pedra! Tudo para me salvar... e eu tão pouco farei pela minha salvação que tão caro custou a Jesus Deus-Homem!

PAI NOSSO – AVE MARIA – GLÓRIA AO PAI.

V. Miserere nostri, Domine
R. Miserere nostri

Gravai, ó Mãe Santa, em meu coração, as chagas de Jesus Crucificado.


No sepulcro Vos puseram / Mas os homens tudo esperam / Que os salvou Vossa paixão (2x)
Pela Virgem Dolorosa / Vossa Mãe tão piedosa / Perdoai-me meu Jesus! (2x)


Conclua-se com a seguinte oração que tem anexos 300 dias de indulgências.

SENHOR meu Jesus Cristo, que para resgatar o mundo quisestes nascer, ser circuncidado, reprovado pelos ímpios Judeus, entregue com um ósculo pelo traidor Judas, amarrado e levado ao sacrifício como um cordeiro, arrastado pelas ruas, levado com tanta ignomínia aos tribunais de Anás, Caifás, Pilatos e Herodes, acusado por falsas testemunhas, cruelmente rasgado com cinco mil e tantos açoites, ludibriado, cuspido com repugnantes escarros, coroado com setenta e dois agudos espinhos, fustigado com a cana... que vos tapassem os olhos por zombaria, que vos despissem, vos pregassem com três cravos, e vos erguessem na cruz no meio de dois ladrões... que vos dessem a beber vinagre e fel, e vos transpassassem o coração com a lança!... Ó piedosíssimo Redentor, por tantas dores e penas, por nosso amor padecidas, e que nós vamos meditando agora, livrai-nos das penas do inferno, levai-nos ao paraíso, como o ladrão convosco crucificado, ó meu bom e dulcíssimo Jesus, que com o Pai e o Espírito Santo, viveis e reinais por todos os séculos dos séculos. Amém.


União Sacerdotal Marcel Lefebvre - Resistência Católica
Missão São José – Santo André / SP



[1] Baldado = Inútil
[2] Inconsútil = Que não tem costuras; que não apresenta emendas, que é feito de uma só peça; inteiriço.
[3] Inânime: Sem ânimo; que está sem sentidos; que não tem alma; morto.
[4] Gládio: Espada

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Padre Manuel Bernardes - Sermão das Cinzas - Parte IX - Final

Sermão das Cinzas - Padre Manuel Bernardes

IX - Final


Desenganados totalmente os homens, e vendo que por toda a parte prevalecem as águas deste universal dilúvio: Aquae praevaluerunt nimis, que remédio esperaremos, se não acolhermos à arca; não para salvar da morte temporal (que esta foi no mundo mais geral inundação que a do dilúvio), mas para escapar da morte eterna. Acolher, digo, à arca, que é o lenho santíssimo da Cruz de Cristo, na qual se obrou nossa regeneração e redenção. Duas tábuas formam esta Cruz, nas quais podemos salvar-nos do naufrágio, que são os Sacramentos do Batismo e da Penitência. Oh lástima! Não vedes quantos milhares de milhares se vão ao fundo? Não ouvis a confusão de vozes, e de gemidos? Estes não alcançaram a pegar da primeira tábua do Batismo: pereceram. Nos outros pecadores, a quem as ondas sacudiram dela é necessário pegarmos fortissimamente da segunda, que é a penitência. Penitência, que os mares crescem; penitência, que o perigo está presente: morte morieris; e quem sabe se a muitas almas, das que me estão ouvindo, espera Deus ainda o prazo destes quarenta dias para se não subverterem: Adhuc quadraginta dies. Nesta tábua pois devemos formar espiritualmente uma como embarcação, em que possamos contrastar a braveza das ondas. Para chegarmos a salvamento deve o entendimento, que é a agulha de buscar direito o norte da fé, deve a caridade estar sempre ao leme; devem encher o pano os alentos da esperança. No lugar do esporão os peitos da fortaleza; no farol a luz da prudência; seja lastro o temor santo todas as tribulações, e cruzes são árvores; as insígnias não podem ser outras que as quinas, ou chagas de Cristo; o mantimento já sabeis que há de ser lágrimas e cinza. Ditoso aquele que prender enfim o porto, que é o reino, que dentro de si mesmo leva: Regnum Dei intra vos est (38). Caminhando sempre à vista da terra do conhecimento próprio: Pulvis es, et in pulverem reverteris.

E vós progenitores nossos, por quem o dilúvio da morte entrou no mundo, perdoai tão repetidas queixas de vossos filhos, e filhos que não choraram como vós seus pecados com lágrimas de novecentos anos. Perdoai, que já vejo aparecer aquela branca pomba, por quem veio a ser vossa culpa venturosa. Puríssima MARIA Senhora Nossa, vós sois a que trazeis o ramo de oliveira, e nele os sinais de misericórdia, e as esperanças de nossa ressurreição, por virtude daquela Humanidade Santa, que nasceu de vosso ventre, e renasceu do sepulcro, sem ofender a inteireza de um e de outro. Alcançai-nos de vosso filho perfeito amor de sua bondade, perfeita dor de nossas culpas. Se a verdadeira caridade é ouro, o verdadeiro arrependimento é cinza; se a divina ira é fogo, não terá o fogo que destruir nem na cinza, nem no ouro, porque só estas duas cousas podem resistir à sua violência. Senhor, que encravado nessa árvore sagrada, não duvidastes em pagar a pena que nós em outra árvore merecemos; pedimo-vos que por aquela piedade que vos fez obediente até a morte de Cruz, nos livreis da morte eterna.

38. Lc 17, 21.

A Tradição é o alicerce da Igreja



"Não devemos perder de vista a Tradição, a Doutrina e a Fé da Igreja Católica, tal como o Senhor ensinou, tal como os Apóstolos pregaram e os Santos Padres transmitiram. De fato, a Tradição constitui o alicerce da Igreja, e todo aquele que dela se afasta deixa de ser Cristão e não merece mais usar este nome."

Santo Atanásio

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Padre Manuel Bernardes - Sermão das Cinzas - Parte VIII

Sermão das Cinzas - Padre Manuel Bernardes

VIII



Bem sei eu, que nos palácios, e nas praças não há bom sítio para se edificarem as Tebaidas, as Camaldulas, e as Cartuxas. Bem ouvi dizer que a soledade era a metrópole do Espírito Santo; que o silêncio era o Pitágoras da interior escola. Mas também sei que em todo o estado tem Deus posto exemplares de admirável santidade, para que se entenda que de qualquer parte da terra pode o Céu ser livremente visto e suspirado. Vede vós bem não seja o vosso estado aquele que vós tomastes, e não o que Deus vos deu; que se a mão de Deus vos pôs nele, a mesma mão de Deus vos tirará a salvo. Levou um Anjo a Ezequiel em espírito por meio de grande enchente de águas; tendo andado mil passos, dava-lha a água pelo artelho; mediu outros mil, e dava-lhe pelos giolhos; entrou mais outros mil, e já chegava às costas; repetiu o mesmo, e já não pode passar Ezequiel. Aqui o tirou o Anjo e o pôs salvo na ribeira. Fiéis, muito mais fiel é Deus: neste mal do mundo a uns faz entrar mais, a outros menos; mas a donde não possais passar, onde vos afogueis, daí logo vos tirará em paz, e salvo.

Mas oh quantos cuidados há, quantas perturbações da consciência, em que Deus nos não meteu, senão que nós outros por nossas mãos as granjeamos! Admoestou Cristo Senhor Nosso a Marta solícita de sua hospedagem, com aquela repetida voz: Martha Martha solicita es, et turbaris erga plurima; porro unum est necessarium (37). Quanto desvelo, quanta perturbação, sendo uma só cousa necessária? A cada um de nós outros pode a consciência própria dar semelhante repreensão em cousa menos honesta. Tu ambicioso que não estudas, senão como seja adorado de tua honra; tu vanglorioso, tu iracundo, que viveis um do ar como camaleão, outro do fogo, como salamandra; tu avarento cego para ver o rosto à caridade, Argos para possuir o mesmo que não possuis: turbaris erga plurima; para que são tantos cuidados, se uma só cousa é necessária. Um edifica, como se a vida fora eterna; outro navega, como se o mundo fora estreito; aquele litiga, como se a fazenda fora salvação; este, que sou eu, brada, e repreende, como se o mundo não houvera de acabar assim: turbaris erga plurima. Quanta perturbação sendo uma só coisa necessária. Pontos de honra, leis de foro, razões de estado, invenções da fantasia, lisonjas do apetite: turbaris erga plurima; porro unum est necessarium. E que cousa é esta tão necessária? Salvação, Boa Morte, que é o mesmo. A morte é aquela única e fatal necessidade que convence de uma vez a todos os cuidados do mundo por desnecessários. Vede como os aprovará Deus por bons, se se não pagou dos de Marta, que eram tão santos. A morte em efeito é aquela que ajunta a nossa alma com Deus, que é a sua melhor parte, para dele não ser nunca separada, que non auferetur ab ea. A morte na consideração é aquele fundamento da vida cristã, que todos os inimigos da alma procuram arruinar: a concupiscência cativando-se da formosura das coisas: pulchrum occulis, et aspectu delectabile. O demônio representando vida larga: eritis sicut Dii. O mundo embaraçando com a multidão de seus cuidados: mulier, quam dedisti mihi sociam. Por isso dizia ao princípio que a serpente sugeriu, Eva afereceu, a formosura do pomo convidou: todos para persuadirem ao homem aquele esquecimento: Nequamquam morte moriemini. Mas a Igreja Santa contra quem não prevalecem as portas do inferno, tomando a voz da boca de Deus, nos diz hoje com piedosa recordação: Memento homo, quia pulvis es, et in pulçverem reverteris.

37. Lc 10, 41-42

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Padre Manuel Bernardes - Sermão das Cinzas - Parte VII

Sermão das Cinzas - Padre Manuel Bernardes

VII


Outra razão, ou sem-razão, com que o nosso esquecimento da morte se desculpa, são as obrigações do estado de cada qual, porque nos parece que alguns estados há em que nem é conveniente, nem possível andar com tão grande desengano na lembrança. Esta parece também que foi a desculpa de Adão, quando Deus lhe devassou o delito: Mulier, quam dedisti mihi sociam, dedit mihi de ligno, et comedi (31). Senhor (respondeu ele) a mulher, que vós mesmo me destes, foi ocasião de esquecer-me de vosso mandamento. E bem! É possível que, para não obedecer a Deus, até do mesmo Deus nos escandalizamos! Não bastará lançar a culpa de nossos erros à serpente: Serpens decepit me (32), senão que também a repartamos com Deus? Quam dedisti mihi sociam? Diz o soldado, diz o tratante, diz o cortesão, diz o titular: Padre, o estado que Deus me deu não permite essas considerações de anacoreta, fiquem embora para as religiões e para os ermos; a nós é preceito cuidar das obrigações do estado e da honra. Erras coração humano, erras; nem por essa escusa deixarás de ser contado com os mais que obram perversamente: Declinantes autem in obligationes adducet Dominus cum oerantibus iniquitatem (33). Responda-me. A salvação é para todos? A Lei de Deus obriga a todos? A graça, com que nos ajuda a cumpri-la, é para todos? Os perigos, e os inimigos da alma cercam a todos? Sim por certo, pois o entregar-se à virtude, o concertar a vida, e o prever a morte por que não há de ser para todos? Ora fazei comigo uma digressão breve. 

Determinou Deus dar a Lei ao povo de Israel; e vejo com majestade sobre os mais altos montes, do Seir ao Faran, do Faran ao Sinai; rasgaram-se as nuvens, arderam as montanhas, soou um clarim tão fortemente que não podiam sofre-los os ouvidos. Quis o Filho de Deus ser exaltado na Cruz para redenção nossa: escolheu o lugar em Jerusalém, o tempo o mais célebre, que era o da Páscoa, e o título de sua Cruz se escreveu em três línguas as mais célebres do mundo. Mandou depois o Espírito Santo a repartir os dons de sua graça, e desceu com ruido de um espírito veemente ao crescer do dia, em línguas de fogo, estando todos os fieis juntos no Cenáculo. Pedro Príncipe dos Apóstolos receava admitir as gentes à perfeição do Evangelho sem passarem pela Circuncisão; e viu baixar do Céu aquela misteriosa mesa, onde estavam todos os animais, aves, e serpentes, e lhe mandaram que comesse de tudo. Notai agora a generalidade e publicidade com que Deus abraça a todos igualmente. De sorte que (deixando outros muitos exemplos) a salvação ganhada naquela Cruz, que se arvorou no Calvário; a lei, que se promulgou no Sinai; a graça, que se derramou no Cenáculo; a vocação para a mesa de Deus, que significou a Pedro – tudo compreende a todos. Mas o disporem-se os homens para alcançarem essa salvação, para aproveitar essa Cruz, para cumprirem essa Lei, para co-operar com a graça, para seguir a vocação, isto não é para todos? Pois com nenhuma destas obrigações cumpre quem por amor de suas obrigações deixa de aparelhar-se para a morte. Que cousa mais universal que a morte? Pois tem Deus quebrantado os foros da natureza só por não dispensar com a lei da morte. Justo é logo que a sorte, que a todos nós espera por decreto, todos a esperemos a ela pela consideração.

Entra o Profeta Jonas pelo meio da grande Nínive lançando aquele pregão da ira de Deus justo: Adhuc quadraginta dies, et Ninive subvervetur (34). Mais quarenta dias de prazo, e Nínive se subverte. Breve foi o sermão, mas eficaz; ainda mais do que queria o pregador. Toda a corte desde o maior ao menor se acolheu ao sagrado da penitência. O mesmo Rei deixou o trono, e as vestiduras reais, e se cobriu de cinza. Mas o em que eu reparo é que a demonstração do arrependimento compreendesse até aos gados, e aos animais. Homines, et jumenta, et boves, et pecora non gustent quidquam. Operiantur saccis homines, et jumenta, et clament ad Dominum (35). Caso estranho! Os brutos em hábito de penitência, jejuando e bradando a Deus. Seria para confessarem os Ninivitas que se pareceram nos apetites com quem agora se pareciam no arrependimento? Ora não vos admireis; vede que é o que Deus ameaçava: Ninine subvertetur. O decreto é geral: compreende homens, e animais, e as mesmas pedras dos edifícios. Pois se a ameaça da morte é para todos; o temor da morte por que não há de mostrar-se em todos? Esta foi a razão porque os que iam embarcados com o mesmo Jonas estranharam, que adormecesse ao som da tempestade: Quid tu sopore deprimeris (36). Porque quando o perigo é comum devem andar todos alerta. Oh acabai de entender que não há homem tão bruto que não saiba bradar a Deus; não há Rei tão levantado que não possa descer-se do trono, para assentar-se sobre a cinza, que há de ser. Bem podem os grandes ser temidos, e ser tementes. A todos pede Deus, e a todos aceita a penitência desde o menos até o maior. Honra, a honra de Deus; estado, o estado de sua graça; obrigações, a primeira obrigação é a de criatura, a de homem, e a de cristão. Por qual destas vos escusais de obrar, como quem há de morrer? Se sois cristão, o final de cristão vos põe sobre os olhos a memória da morte. Se sois homem, a parte racional vos dirá que a outra parte é terra; se sois criatura, temei a Deus, e não acuseis ao Criador: Mulier, quam dedisti mihi sociam.

31. Gn 2, 12
32. Ibid., 2, 13.
33. Sl 124, 50.
34. Jo 3, 4.
35. Ibid., 3, 7-8.
36. Ibid., 1, 6.

Sede perfeitos



"Cristo apresenta o ideal de toda santidade, dizendo: Sede perfeitos, como é perfeito vosso Pai no céu. 
O que Deus exige, não é tão difícil de conseguir, porque nunca exige o impossível. Deves portanto tornar-te santo. És um dos tais a pensar que a santidade consiste em coisas extraordinárias..? Erro lamentável esse! Observa a vida dos maiores santos na casinha de Nazaré. Jesus, Maria e José não fazem nada de extraordinário, não praticam grandes penitências, não se ouve um só milagre! Esses três são entretanto os maiores Santos da Igreja! Disso se conclui a sublime e consoladora verdade: a santidade não é coisa extraordinária, senão cumprimento singelo e exato do dever! "

(Não temas, Frei Atanasio Bierbaum, OFM, 1943)

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Padre Manuel Bernardes - Sermão das Cinzas - Parte VI

Sermão das Cinzas - Padre Manuel Bernardes

VI



Oh quantos estão sepultados na noite da morte, e da eternidade, porque não consideram seus dias como sombra, que passava, senão como luzimento, que havia de permanecer! Quereis que permaneça? Aprendei mortais uma arte de dilatar melhor a vida. Assim como toda a redondeza do universo se funda sobre um só ponto imóvel, que é o centro dele, assim também no mundo invisível, toda a circunferência dos séculos pende de um só momento que é o da morte: Statutum est hominibus semel mori (24). E todas as linhas de nossos desenhos nele acabam igualmente. Como este ponto está unido outro, que é a eternidade, a qual é uma possessão de todos os séculos junta, e abreviada individualmente: bem como o centro equivale a todo o círculo. E assim como nas mãos da morte vão caindo todas as durações do tempo, assim a morte as vai entregando nas mãos da eternidade, porque no ponto da morte todas as diferenças de tempo se acabam, e no ponto da eternidade todas se conservam.

Aprendei pois (torno a dizer) uma arte de dilatar a vida, uma arte de parar essa roda arrebatada de vossos dias. Ensinou-a o Espírito Santo por boca dos Profetas, e dos Apóstolos. Diz o Profeta Davi que os ímpios, os esquecidos de si e da sua morte, andam à roda: In circuitu impii ambulant (25).Por isso sua vida é tão breve, e desassossegada. Diz o Apóstolo S. Paulo, que estejamos fixos, imóveis, e bem fundados na esperança do Evangelho. Si tamen permanetis in fide fundati, et stabiles, et immobiles a spe Evangelii (26). A esperança do Evangelho, bem sabeis que é a imortalidade com Deus por meio da morte em Cristo Nosso Senhor; assim como a esperança da Lei era a terra prometida por meio da peregrinação do deserto com Moisés. O mesmo Apóstolo aos Romanos: Si autem mortui sumus cim Christo, credimus, quia semel etiam vivemus cum Christo (27). Pois estais (diz o Santo) estais imóveis nessa consideração, e nessa esperança. Os esquecidos dela andem à roda com o tempo. In circuitu impii ambulant. Vós outros ponde-vos no centro imóvel de vossa morte, e de vossa imortalidade, porque só aquele que considera que há de ter fim, e que não há de ter fim, sabe ganhar todos os tempos. Cristãmente disse o Estóico: Ideo peccamus, quia de partibus vitae omnes deliberamus: de tota memo deliberat. Sabeis por que vivemos mal? Porque vivemos por partes, um dia passa atrás de outro dia, um ano atrás do outro. Não é isto a roda? Deliberai-vos a viver no centro, e possuireis a vida toda junta: para o merecimento toda junta no ponto da morte; para o prêmio toda junta no ponto da eternidade.

E eis aqui a razão porque eu dizia que não devíamos imaginar a morte ao longe, e ao futuro, quando é certo que pela sujeição a temos presente. A razão é porque assim o ponto da morte, como o ponto da eternidade, tem virtude de reduzir e igualar todas as diferenças de tempo, de tal modo que cada um de nós é aquilo mesmo que foi e que há de ser. Diz o Evangelista S. João que viu ao Cordeiro de Deus estar diante do trono de sua glória, morto desde a origem do mundo: Vidi: et ecce in medio throni... agnum stantem tanquam occisum (28); (e noutra parte): Qui occisus est ab origine mundi (29). Já estais na dúvida. Se o Filho de Deus padeceu sendo já passados desde a origem do mundo perto de quatro mil anos, como o viram os olhos da Águia morto desde a origem do mundo? Viram-no por razão de uma certa luz, e de uma certa sombra. A luz era a da eternidade porque o Cordeiro estava no trono de seu eterno Pai. A sombra era a da morte, porque o Cordeiro se tinha sujeitado à morte, a qual entrou no mundo com a origem do mesmo mundo. E assim como aquela luz fez que o decreto fosse ab eterno na mente divina, assim aquela sombra fez que a morte fosse desde a origem do mundo na sujeição do Cordeiro. Vem logo ser o mesmo a dívida da morte, que atualmente a mesma morte. E daqui nasce que como a nossa morte não há de ser totalmente vencida senão no fim do mundo, quando se cumprir aquilo que São Paulo alega de Oseias: Absorpta est mors in victoria (30); por isso o Cordeiro quis também continuar a sua morte até o fim do mundo. Isto é o que fez o mistério do Santíssimo Sacramento, onde se deixou até a consumação do século debaixo da representação de morto: Agnum stantem tanquam occisu. Oh Cordeiro imaculado! E como foi perfeita vossa sujeição, pois fizestes vossa morte tão antecipada, e tão dilatada juntamente! Antecipada desde a origem do mundo; dilatada até o fim do mundo; antecipada diante do trono de vosso eterno Pai; dilatada sobre os altares de vossa Igreja Santa; antecipada, porque nesse trono éreis já o que havíeis de ser, e o que fostes na Cruz; dilatada, porque na Cruz fostes o que fostes, e haveis de ser no altar, sempre morto, porque sempre por amor de nós sujeito à morte. E se isto passa no Filho de Deus, bem podemos os filhos de Adão crer, que a morte nos está presente desde o princípio de nossa vida, pois nos é devida desde o princípio do mundo. Então nas mãos de Deus fomos pó; agora sobre a face da terra somos pó; debaixo de uma sepultura em breve seremos pó. É enfim o homem o mesmo que é, porque é o que foi, e o que há de ser. Pulvis es, et in pulverem reverteris.

24. Hb 9, 27.
25. Sl 82, 9.
26. Cl 1, 23.
27. Rm 5, 8.
28. Ap 5, 6.
29. Ibid., 18, 2.
30. 2 Cor 15, 54.

PROGRAMAÇÃO PARA 27/02/2016


Missão São José

Travessa Santo Amaro, 31, Fundos - Bairro Jardim - Santo André - SP

Referências: 
A 5 minutos da Estação Pref. Celso Daniel (CPTM).
Subindo a Rua Catequese, na segunda travessa a direita.
A capela fica nos fundos de uma empresa de segurança chamada "Naps Profissional".

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Quem é Dom Tomás de Aquino Ferreira da Costa




(professor laico da Casa de Estudos Santo Anselmo, do Mosteiro da Santa Cruz)



Miguel Ferreira da Costa nasceu no Rio de Janeiro, Brasil, em 1954. Até a Faculdade de Advocacia, fez seus estudos no Colégio de São Bento do Rio de Janeiro, onde tive a oportunidade de ser por um breve tempo seu colega de classe. Fez parte do movimento tradicionalista e antimodernista organizado em torno de Gustavo Corção e da revista Permanência; teve início então sua vida de “fiel guerreiro da guerra pós-conciliar pela Fé”, como escreve Dom Williamson.Começou, como dito, a cursar Advocacia, mas abandonou-a para tornar-se monge, com o nome de Tomás de Aquino, no mosteiro francês do Barroux, que tinha então por superior a Dom Gérard; e foi ordenado sacerdote em 1980, em Êcone, por Dom Marcel Lefebvre. Pôde então privar da amizade, do exemplo, dos ensinamentos do fundador da FSSPX.

Veio ao Brasil com um grupo de monges do Barroux para fundar o Mosteiro da Santa Cruz, em Nova Friburgo, Rio de Janeiro/Brasil. Nesse ínterim, porém, Dom Gérard, contra a instância de Dom Lefebvre, marchou para um acordo com a Roma conciliar, contra o que se opôs também Dom Tomás de Aquino. A separação foi então inevitável. O Mosteiro da Santa Cruz, com total apoio e incentivo de Dom Lefebvre, tornou-se assim independente, ainda que amigo da FSSPX. Com efeito, escreveu pouco mais ou menos Dom Lefebvre a Dom Tomás em carta que tive o privilégio de ler: O senhor deve reverência e consulta aos bispos da FSSPX, mas estes não têm jurisdição sobre o senhor, que, como prior do Mosteiro, há de ter autonomia.

Mas foi-se tornando difícil a relação de Dom Tomás e seu Mosteiro com a FSSPX, sobretudo com a aproximação desta à Roma neomodernista. Quando Bento XVI publicou seu Motu proprio sobre o “rito extraordinário”, Dom Tomás de Aquino negou-se a cantar na Missa de domingo o Te Deumpedido por Dom Fellay para comemorar o documento papal, e, especialmente pela “suspensão das excomunhões” pelo mesmo papa, escreveu Dom Tomás a Dom Fellay uma carta em que dizia que não seguiria seus passos rumo a um acordo com a Roma conciliar. Um tempo depois, aparecem no Mosteiro (sou testemunha presencial disto) Dom de Galarreta e o Padre Bouchacourt para dizer a Dom Tomás que ele teria quinze dias para deixá-lo; se não o fizesse, o Mosteiro deixaria de receber ajuda e sacramentos (incluído o da ordem) da FSSPX.

Escrevi a Dom Fellay para queixar-me de tal injustiça, e recebi por resposta o seguinte: “O problema de Dom Tomás é mental. Enquanto não deixar o Mosteiro, este não receberá nossa ajuda”. Respondi-lhe: “Devo ter eu também o mesmo problema mental, porque convivo há doze anos com Dom Tomás e nunca o percebi nele”. Tratava-se em verdade de algo similar ao stalinismo e seus hospitais psiquiátricos para opositores.

Hesitou então Dom Tomás: se deixasse o Mosteiro, seria a ruína deste com respeito à Fé; se porém permanecesse, privá-lo-ia de toda a ajuda de que necessitava. Foi então que veio em seu socorro Dom Williamson: o nosso Bispo inglês escreveu uma carta a Dom Tomás em que assegurava ao Mosteiro todos os sacramentos; poderia assim Dom Tomás permanecer nele. Foi o suficiente para que todos aqui reagíssemos: foi o começo do que hoje se conhece por Resistência, e que teve por órgão primeiro a página web chamada SPES, hoje desativada por ter cumprido já o papel a que se destinava. O Mosteiro passou a ser então centro de acolhimento para os sacerdotes que, querendo deixar a FSSPX pela traição de seus superiores, hesitavam porém em sair justo por não ter onde viver fora dela. Foi o lugar da sagração de Dom Faure, e será agora o lugar da sagração do mesmo Dom Tomás de Aquino Ferreira da Costa, meu pai espiritual e o amigo mais entranhável que Deus me poderia haver dado. Sim, sou filho seu e do Mosteiro da Santa Cruz, e foi aqui, neste cantinho do céu, que pude sentir pela primeira vez o tão agradável odor da santidade.

Um novo BISPO para a Resistência


Um terceiro bispo para a “Resistência” está previsto, como no ano passado, para o dia 19 de março, no Mosteiro em Nova Friburgo, no Brasil. Ele é seu prior, Dom Tomás de Aquino, fiel guerreiro e veterano da guerra pós-conciliar pela fé. Que Deus esteja com ele, e com todos os humildes e fiéis servos de Deus.

Comentários Eleison - 449 - 20/02/2016 - Bispos

Comentários Eleison - por Dom Williamson

CDXLIX (449) - (20 de fevereiro de 2016)


BISPOS


De modo nenhum o perigo na FSSPX deixou de haver.
Os bispos resistentes devem cumprir com seu dever!


Desde o Capítulo Geral de julho de 2012, quando sob a direção de Dom Fellay a Fraternidade Sacerdotal São Pio X deu uma guinada decisiva em direção a um acordo de compromisso com a Roma Conciliar, os católicos da Tradição se perguntam onde estavam os dois outros bispos da FSSPX, Dom Tissier de Mallerais (BpT) e Dom de Galarreta (BpG), porque ambos têm sido bastante discretos desde então. Entretanto, as firmes palavras que foram ditas por cada um no mês passado suscitaram esperanças para o futuro da FSSPX. As esperanças estão justificadas? Os católicos precisam permanecer em guarda...

O sermão de Crisma feito por BpT em 31 de janeiro, em Saarbrücken, na Alemanha, não poderia ter sido mais sincero nem claro. Por exemplo: No embate da FSSPX com Roma, nunca poderá haver compromisso ou jogo duplo. Nunca poderemos negociar com Roma enquanto os representantes da Neoigreja (sic) estiverem agarrados aos erros do Vaticano II. Qualquer conversa prolongada com Roma deve ser sem ambiguidades, e ter como objetivo a conversão dos representantes da Neoigreja para nossa una e única verdade da Tradição Católica. Nada de compromisso nem jogo duplo até que eles tenham superado seus erros conciliares e se convertido de volta à Verdade.

Palavras admiráveis! Sinceridade não é o problema de BpT. Ele não é nada político. Deus o abençoe. Seu problema é que, quando tem de passar das palavras à ação, seu “Cinquentismo” o faz obedecer a seu Superior e se alinhar aos políticos do Quartel-General da FSSPX em Menzingen. Nada indica que isto não acontecerá de novo, mas devemos sempre rezar para que ele finalmente comece a reagir devidamente. BpT está escondendo-se de si mesmo, ou de fato não está conseguindo ver a completa malícia da ação de Menzingen. Não estão em jogo somente a unidade e o bem-estar da FSSPX, mas a Fé Católica.

BpG, pelo contrário, é um político. Infelizmente, não temos o texto completo da conferência que ele deu em Bailly, na França, em 17 de janeiro, porque suas exatas palavras são importantes, de modo que só podemos citá-lo a partir de um resumo de seus pensamentos principais: “as últimas propostas teológicas e canônicas de Roma para um acordo Roma-FSSPX continuam inaceitáveis, mas o Papa certamente quer um acordo, e ele é perfeitamente capaz de passar por cima de seus oficiais e impor um reconhecimento “unilateral” da FSSPX. Tal reconhecimento poderia definitivamente prejudicar a FSSPX internamente, mas se a FSSPX não tiver feito nada para obtê-lo, então não há nada que ela possa fazer para impedi-lo. Entretanto, a Providência olharia uma vez mais para o trabalho do Arcebispo”.

Mas, Excelência, Menzingen já há muitos anos tem feito tudo o que pode por meio de negociações políticas para chegar ao reconhecimento oficial por Roma, e o eventual estabelecimento “unilateral” desse acordo seria um mero pretexto para enganar os tradicionalistas, de modo a vender a FSSPX sob a máscara da queixa de ter sido tudo culpa de Roma – sem dúvida com a permissão de Roma por trás dos bastidores. Mas persistirá o fato de que a Fraternidade de Dom Lefebvre será finalmente traída, e V. Excelência com seu próprio “Não, não, mil vezes não... mas, possivelmente, sim” terá de responder por não ter feito tudo o que poderia e deveria para bloquear a traição dela.

Em resumo, aquele sistema de iluminação de emergência da Igreja Universal na treva conciliar, que é a FSSPX, está ele mesmo oscilando e correndo o risco de nunca mais dar luz. Assim, a equipe de reparo para sustentar a iluminação de emergência, que é a “Resistência”, ainda é necessária, e esse time necessita de um número suficiente de bons superintendentes. Um terceiro bispo para a “Resistência” está previsto, como no ano passado, para o dia 19 de março, no Mosteiro em Nova Friburgo, no Brasil. Ele é seu prior, Dom Tomás de Aquino, fiel guerreiro e veterano da guerra pós-conciliar pela fé. Que Deus esteja com ele, e com todos os humildes e fiéis servos de Deus.

Kyrie eleison.

Padre Manuel Bernardes - Sermão das Cinzas - Parte V

Sermão das Cinzas - Padre Manuel Bernardes

V



Já que os homens tenham entendido que a morte nos mesmos bens da vida os espera, e os avisa certamente, tratam ao menos de desviá-la de si mais ao longe. Este é outro pior esquecimento, que em nós causa o esquecimento da morte: a falsa imaginação de que a morte está longe de nós. Não sei que gênero de cegueira é este, que o objeto que mais perto de si tem, o põem em tão distante perspectiva. Notai os longes que o Tentador nos prometeu de vida: Eritis sicut Dii (18), e notai o desvio com que Eva lhe respondeu: Ne forte moriamur (19). A pena da morte estava de Deus irrevogavelmente estabelecida para se incorrer ipso facto no ponto em que comesse; e com tudo fala nela muito ao futuro, debaixo das incertezas de um acaso: Ne forte moriamur. Lá disse Isaías, que os pecadores de jactaram de haverem feito concerto com a morte, e com o inferno: Percussimus foedus cum morte, et cum inferno fecimus pactu. Perguntara eu, e como há a morte de guardar o concerto aos homens, se o homem o não guardou a Deus para fugir da morte? Se os pecadores não quiseram o Céu sendo mercê; como há o inferno de demitir aos pecadores, sendo eles dívida sua?

Oh não cuidem os filhos de Adão que, desde que ele pecou tão de propósito, morre alguém acaso. Não são acasos as mortes inesperadas; não é eternidade a incerteza de um momento; não são futuros a dívida presente. Esta dívida começamos a pagar no mesmo instante que começamos a respirar. Disto se queixava o Santo Rei Ezequias: Dum ad huc ordirer, succidit me (20). Não está longe de nós a morte, pois conosco mora dentro das mesmas portas. O movimento dos Céus por onde se medem nossos dias, ainda que pareça vagarosíssimo, não deixa de ser arrebatado. No relógio de nossa vida não cuideis que o Sol há de tornar atrás, nem dez linhas, nem um só ponto. Se um ponto de vida vós prometeis, vossa promessa o fez mais incerto, e suspeitoso. Bem como a carta de Urias, quando entendais, que leva a recomendação de vossa pessoa, não leva senão o decreto de vossa morte. Se é possível, que a morte tarde, ou fuja, foge só daqueles, que a buscam com a meditação e mortificação; anda mais perto dos outros, que a trazem longe de sua lembrança.

Anima (disse aquele rico do Evangelho) habes multa bona posita in annos plurimos: requiesce, comede, bibe, epulare (21). Viste como tem a morte longe da vista? Vede como a tem perto da casa: Stulte hac nocte animam tuam repetunt. Bem notado de estultícia, porque as contas que ele fazia tem mais erros do que palavras. Apostilemos o lugar, pois é de Cristo Senhor Nosso para provar o intento ao pé da letra. Anima (diz o rico): quando viu a fertilidade dos campos, fala consigo dando-se os parabéns, devendo falar com Deus dando-lhe graças. Habes: deu à alma, que é espírito, posse de bens temporais, sendo as riquezas do espírito as virtudes, e os dons de Deus, e não as sementeiras dos campos. Multa: entendeu que os bens da fortuna podiam nunca ser muitos em chegando a ser possuídos, e muito menos para a alma, cuja capacidade só Deus enche. Bona: chamou absolutamente bens àquilo de que os homens usam para se depravarem em todos os males. Posita: Cuidou somente de guardá-los como permanecentes, sendo que os bens caducos, o modo de os conservar é dispendê-los. In annos: não estendeu sua consideração à eternidade, senão aos anos de sua vida. Plurimos: e prometeu-se que seriam muitos, porque as riquezas também eram muitas, dependendo uma e outra coisa da vontade de Deus. Requiesce: Convida-se ao descanso, quando os prudentes se estimulam para o trabalho. Mas finalmente todos estes erros se podiam esperar de uma alma tão material que come, e bebe: Comede, bibe, epulare.

Pelo contrário o sustento do Espírito deve ser a consideração da morte: o seu pão há de ser cinza, e a sua bebida lágrimas. Assim o ensinou e praticou consigo Davi, quando disse: Cinerem tanquam panem manducabam, et potum meum cum fletu miscebam (22). Ajuntou o real Profeta mui conformemente os dois sustentos da alma e do corpo, porque a virtude do jejum e da temperança há de usar do pão como de cinza, e da bebida como de lágrimas; a virtude da oração há de usar da cinza como de pão; a virtude do arrependimento há de usar das lágrimas como de bebida. E disto acrescentou logo Davi ser a causa: porque considerava na brevidade de seus dias: dies mei sicut umbra declinaverunt (23), mas perguntara eu: se os dias da vida são sombra, que será a mesma morte? Será a escuridade da noite – esta é a sua mais própria alegoria. Consideremos pois que entre a nossa vida e a nossa morte não há maior diferença que entre a sombra e a noite. A noite nenhuma luz admite, a sombra de tal modo é escuridade que parte também com a luz; assim partem os nossos dias a luz da vida com a noite da morte, e ficam escuridade de sombra. Porém a sombra, se a seguires, foge; e quando a fugis, vos segue. Por isso a Davi, que a seguia com a consideração, ainda se lhe concediam os dias da vida como sombra: Dies mei sicut umbra. Por isso ao rico, que fugia da morte, lhe sobreveio de repente a morte como noite. Hac nocte animam tuam repetunt.

18. Gn 3, 5.
19. Ibid.
20. Is 38, 12.
21. Lc 12, 19-20.
22. Sl 101.
23. Ibid., 101, 12.