domingo, 24 de abril de 2016

Declaração dos Bispos da USML

Declaração dos Bispos da USML


Nosso Senhor Jesus Cristo nos advertiu que em sua segunda vinda a fé haveria quase desaparecido do mundo (Luc. XVIII, 8); do que se deduz que a partir do triunfo de sua Igreja na Idade Média, ela só podia conhecer um grande declínio até o fim do mundo. Três explosões em particular marcaram este declínio: a do protestantismo que rechaçou a Igreja no século XVI; a do liberalismo que rechaçou Jesus Cristo no século XVIII; e a do comunismo que rechaçou Deus completamente no Século XX. Mas o pior de tudo é quando esta Revolução por etapas conseguiu finalmente penetrar no interior da Igreja com o Vaticano II (1962-1965).

Querendo aproximar a Igreja do mundo moderno que tanto havia se separado dela, o Papa Paulo VI soube fazer os padres do Concílio adotarem “os valores de dois séculos de cultura liberal”. Eles assimilaram notavelmente a liberdade, a igualdade e a fraternidade Revolucionárias sob a forma respectivamente liberdade religiosa, que realçando a dignidade humana, eleva o homem acima de Deus; da colegialidade, que promovendo a democracia, nivela e subverte toda autoridade da Igreja; e do ecumenismo, que ao louvar as falsas religiões, vem a negar a Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Todavia, o mais grave de todo o século XXI, é talvez esta massa de Católicos, clérigos e leigos, que ainda seguem mansamente aos destruidores. Com efeito, como é que muitos dos destruidores não veem o que fazem? Por uma “desorientação diabólica” evocada já antes do Concílio pela Irmã Lúcia de Fátima.

E como muitos dos leigos ainda não veem que a autoridade católica não existe senão que para estabelecer a Verdade católica, e desde que ela a traiu, perdeu seu direito a ser obedecida? Pela mesma desorientação.

E em que ela consiste exatamente? Na perda da Verdade, na perda progressiva de todo sentido da existência mesma da Verdade objetiva, porque quiseram libertar-se da realidade de Deus e de suas criaturas, para substituí-la pela fantasia dos homens, com o fim de poder fazer o que lhes dê vontade. Sempre a falsa liberdade. 

Mas Deus não abandona sua Igreja, e por isso nos anos 1970 suscitou a Dom Lefebvre para vir em sua ajuda. Este soube reconhecer que os Papas e seus confrades no concílio abandonaram a Tradição da Igreja em nome da modernidade, e, fazendo isso, terminariam por destruir a Igreja. E então, soube constituir no interior da Igreja, como que por um milagre, uma sólida resistência diante da obra de destruição sob a forma de uma Fraternidade Sacerdotal dedicada a São Pio X, Papa perfeitamente perspicaz com respeito à corrupção dos tempos modernos. Não obstante, as autoridades romanas não suportaram que se lhes negasse sua suposta “renovação” conciliar, e eles fizeram tudo para que esta resistência desaparecesse, mas Monsenhor Lefebvre os enfrentou.   

Para assegurar a sobrevivência de sua obra, de uma importância única para a defesa da Tradição católica, em 1988, Monsenhor Lefebvre procedeu a consagrar quatro bispos contra a vontade explícita das autoridades romanas extraviadas, mas implicitamente de acordo com a vontade dos Papas de toda a história da Igreja, salvo dos últimos quatro, todos ganhados pelo concílio. Esta decisão heroica de Monsenhor Lefebvre foi logo justificada amplamente pela decadência ininterrupta das autoridades da Igreja, que não fizeram mais que conformá-la ao século apodrecido. Destes quatro bispos, o que falava espanhol devia instalar-se na América do Sul para ocupar-se dos fiéis que queriam conservar a Fé de sempre em todo este continente antes tão católico, mas onde não haviam bispos seguros para levá-los ao Céu. 

Desgraçadamente, a decadência não cessou desde então, senão que agora é a FSSPX que cai, por sua vez, vítima da putrefação universal. Durante seu Capítulo Geral de 2012, seus chefes, sob o seu superior Geral, a fizeram voltar-se ao Concílio. Em lugar de insistir sobre a primazia da doutrina católica de sempre, da Tradição, eles abriram a porta a um acordo com a Roma oficial, consagrada ao concílio.

E portanto, desde 2012, a mesma desorientação abriu passo no interior da Fraternidade, e, ao menos pelo momento, já não podemos contar com seus bispos.
  
É muito triste, mas é normal no estado atual da Igreja e do mundo. Portanto, de novo é necessário consagrar um bispo para assegurar a sobrevivência da Fé de sempre, sobretudo em todo um continente de almas que necessitam um verdadeiro pastor para salvar-se para a eternidade.

Que Deus esteja com ele! Rogamos a Santíssima Virgem para que Ela o guarde debaixo de seu manto, fiel até a morte.

Dom Tomás de Aquino
Dom Jean-Michael Faure
Dom Richard Williamson