terça-feira, 26 de abril de 2016

Por que resistimos?



"Na primeira metade do século V, São Vicente de Lerins, que foi soldado antes de se consagrar a Deus e declara ter sido 'agitado muito tempo sobre o mar do mundo antes de se recolher ao porto da fé', falava assim do desenvolvimento do dogma: 'Não haveria nenhum progresso da religião na Igreja de Cristo? Havê-los-á certamente e muito importantes, de tal maneira que seja um progresso da fé e não uma mudança. Importa que cresçam abundante e intensamente em todos e em cada um, nos indivíduos como nas Igrejas, no decurso das épocas, a inteligência, a ciência, a sabedoria, contanto que seja na identidade do dogma, dum mesmo pensamento'
Vicente conhecia o impacto das heresias e deu uma regra de conduta ainda sempre boa após mil e quinhentos anos: 'Que fará então o cristão católico se alguma parcela da Igreja acaba por desligar-se da comunhão, da fé universal? Que outro partido tomar senão preferir ao membro gangrenado e corrompido o corpo em seu conjunto que é são? E se algum contágio novo se esforça por envenenar, não mais uma pequena parte da Igreja, mas a Igreja inteira duma só vez, então seu grande cuidado será apegar-se à antiguidade, que evidentemente não pode mais ser seduzida por nenhuma novidade perigosa.'

Nas ladainhas das Rogações, a Igreja nos faz dizer: 

'Nós vos suplicamos, Senhor, manter na vossa santa religião o Soberano Pontífice e todas as ordens da hierarquia'

Na Igreja não há nenhum direito, nenhuma jurisdição que possa impor a um cristão uma diminuição de sua fé. Todo o fiel pode e deve resistir, apoiado no catecismo de sua infância, a quem quer que atentar contra a sua fé. Se ele se encontra em presença duma ordem que a põe em perigo de corrupção, a desobediência é um dever imperioso.

É porque julgamos que nossa fé está em perigo pelas reformas e as orientações pós-conciliares, que temos o dever de desobedecer e de conservar a tradição. Acrescentemos o seguinte: é o maior serviço que podemos prestar à Igreja e ao sucessor de Pedro recusar a Igreja reformada e liberal. Jesus Cristo, Filho de Deus feito homem, não é nem liberal nem reformável."

Dom Marcel Lefebvre