sábado, 7 de maio de 2016

Recomendações de Mons. Lefebvre antes das sagrações


Recomendações de Mons. Lefebvre antes das sagrações

13 de Junho

M. Lefebvre: Sejam agradecidos da parte da Fraternidade. No fundo, Roma não responde nunca à questão essencial. Eles nos pedem uma declaração, obrigam-nos a aderir a um mínimo do que eles pensam, mas nunca é questão de seu fundo liberal e modernista. Enquanto que eu, eu me volto sempre sobre o tapete de seu modernismo.

A respeito da carta de 2 de junho (9).

Os colóquios, se bem que curtos, nos convenceram que o momento de um entendimento ainda não veio. Falta-nos uma proteção contra o espírito de Assis. Não temos nunca respostas às nossas objeções, nunca! Todas as rixas não serviram de nada. Nós perseguimos, eles e nós, dois fins diferentes nestes colóquios. Nós esperamos que a tradição volte à Roma; mas eles nunca mudam. A resposta do Santo Padre à minha carta diz isto (em substância): “Preocupado com a unidade, faço fazer estes colóquios. O 5 de maio (data da assinatura do protocolo) permitia à Fraternidade de continuar na Igreja, segundo os 21 concílios, ali compreendido o Vaticano II”. Fiz uma resposta oral. Nenhuma resposta de Roma até o momento.

Um de nossos padres da Fraternidade me propôs fazer uma carta de perdão. Mas respondi que, diante de Deus, somos nós que deveríamos lhes pedir de pronunciar o juramento antimodernista e aceitar “Lamentabili, Quanta cura”. Somos nós que devíamos questioná-los sobre a fé. Mas eles não respondem. Não fazem mais que confirmar seus erros. Em 12 de junho, M. de Saventhem disse-me: “É o senhor que levará a responsabilidade”. Eu lhe respondi: “Veja a carta do clérigo C. sobre “Mater Ecclesiae”. O clérigo escreve: ‘Lamento tudo’. Há igualmente sua carta de súplica ao cardeal Ratzinger. Ele fez muitas cartas ao cardeal: nenhuma resposta! Durante dois anos, zombaram destes jovens que são obrigados a se alinhar”. Garrone, Innocenti, Ratzinger: é o mesmo espírito em relação a nós... Fontgombault, Port-Marly, sempre a mesma coisa: o bispo local tem razão, a Tradição está errada.

Saventhem diz que são pequenos detalhes! Mas há toda uma porção de consequências, atrás: eles desejam levar nossas obras para o espírito conciliar. Se tivéssemos aceitado, estaríamos mortos! Não teríamos durado um ano. Seria preciso viver em contato com os conciliares, enquanto que atualmente, estamos juntos. Se tivéssemos dito sim, teria sido a divisão no interior da Fraternidade; tudo nos teria dividido. Novas vocações viriam porque estaríamos com Roma, nos dizem. Mas estas vocações não suportariam nenhuma distancia com Roma, nenhuma crítica: seria a divisão! Atualmente as vocações se escolhem por elas mesmas. Vejam: M. Decourtray oferece ao clérigo Laffargue uma paróquia tradicional, na condição de deixar a Fraternidade... Eles acolhem nossos fiéis, nos levam ao Concílio... É porque salvamos a Fraternidade e a tradição afastando-nos prudentemente. Fizemos uma tentativa leal, nós nos perguntamos se podíamos continuar esta tentativa, estando protegidos: isto se assegura impossível. Eles não mudaram, senão para pior. Um exemplo: as diligências de M. Casaroli em Moscou... Nossos fiéis estarão loucos de alegria. Dirão: “A tradição continua”. Isto estará fora em 90%. Não teríamos bispo para o 15 de agosto. M. Schwery disse na televisão e no rádio que o Vaticano recusou nossos candidatos. Então eles seriam recolhidos, recolhidos indefinidamente... . Em todo caso, M. de Saventhem raciocina como se ele fosse dos deles.

Vosso papel, enquanto bispos seria dar os sacramentos e assegurar a predição da fé. Estais a serviço da Fraternidade. Roma tratou comigo por causa da Fraternidade que é um órgão válido. Tenhais uma grande união entre vós para dar força à tradição. Caberá ao Superior Geral tomar as decisões. Atenção às reordenações sob condição: quase todas que estão neste caso, nos abandonam. É preciso mais reconfirmar que reordenar.
O mesmo padre fez-me saber que, no “Osservatore Romano”, Roma diz que haverá uma declaração de excomunhão. Respondi ainda que consagrar bispos não é em si cismático. A excomunhão não figuraria no antigo código. Foi só depois de Pio XII e da consagração patriótica de bispos chineses que isto foi declarado cismático. Em Roma, são muito nervosos. Saventhem dá-me o número de telefax do cardeal Ratzinger. Eles têm Aids espiritual. Não têm mais a graça, não têm sistema de defesa. Não creio que se possa dizer que Roma não perdeu a fé. Os desgostos das sanções diminuíram com o tempo. O povo simples compreenderá, é o clero que reagirá... As testemunhas da fé, os mártires, sempre tiveram que escolher entre a fé e a autoridade. Nós vivemos o processo de Joana D´Arc; mas em nosso caso, não se passa de um só golpe, é sobre vinte anos.



9. Trata-se da carta na qual M. Lefebvre significava ao papa que, em consciência, não podia prolongar os colóquios devido à deslealdade de Roma e porque o fim da reconciliação considerada “não é o mesmo para a Santa Sé e para nós”. Ver esta carta em anexo. (NDLR).