segunda-feira, 27 de junho de 2016

Operação sobrevivência

Operação sobrevivência

Arsenius
Diante do fato que Roma se recusava terminantemente a retornar à fé tradicional da Santa Igreja e, por isso, não considerar a oficialização Fraternidade São Pio X do mesmo modo que Dom Lefebvre a considerava e, consequentemente, não oferecer nenhuma garantia que essa oficialização não fosse uma armadilha, o mesmo Dom Lefebvre julgou só ser oportuno reatar as conversações com Roma quando esta fizesse o dito retorno à fé nas verdades reveladas tal como a Santa Igreja sempre as conservou e transmitiu infalivelmente. Resumindo: um acordo prático com Roma só teria cabimento quando a doutrina desta estivesse de acordo com a doutrina que professamos na “Família da Tradição”, que é simplesmente a doutrina da Santa Igreja.
Assim o compreendeu a Fraternidade, quando em seu Capítulo Geral de 2006, apoiando-se naquilo que então ela julgava ser o pensamento de Dom Lefebvre, decidiu que só faria um acordo prático com Roma, quando houvesse um acordo doutrinário.
Mas em 2012 o novo Capítulo Geral julgou de modo diferente: deu as bases para um acordo prático, sem exigir de Roma uma mudança de sua doutrina modernista.
Agora querem incutir-nos que o pensamento de Dom Lefebvre era este último: era suficiente que Roma desse “garantias” da continuidade da “Tradição”, como se estas bastassem estando unidas a uma doutrina deletéria que reina na cabeça dos eclesiásticos de Roma e como se estes fossem dignos de confiança.
Mas nós, da chamada “Resistência”, preferimos pensar, como no Capítulo de 2006, que devemos esperar melhores tempos para que Roma nos dê um estatuto de oficialidade.
Foi nessa mesma linha de pensamento que Dom Lefebvre resolveu sagrar bispos em 1988, sem a aprovação de Roma: já que, por hora, nossa situação não pode se regularizar, convém fazer o que pudermos para que possamos sobreviver. Foi a chamada “operação sobrevivência”.
E visto que aqueles que deveriam perpetuar essa “operação” tomaram um rumo diferente no modo de enfrentar a crise atual (ou ao menos se submeteram à decisão do Capítulo de 2012. Mas o fato é que, oficialmente, a Fraternidade tomou este novo caminho), cabe a nós dar àqueles que pensam como Dom Lefebvre, os meios de continuarem, tendo a assistência necessária de bispos.
É verdade que esta nossa postura nos mereceu o abandono por parte de nossos parentes e dos que ontem eram nossos amigos, assim como nos valeu os sarcásticos epítetos de “grupo” e “torcida”. Assim rejeitados e reduzidos a um número diminuto, não nos importamos, pois estamos com Aquele que é o centro de nossas vidas: Nosso Senhor Jesus Cristo crucificado, o qual é tudo para nós. Sabemos que Ele também, em Sua cruz, só teve a companhia de “um grupo”, um diminuto número de amigos: a Sua Mãe Santíssima, a Virgem dolorosa, cujo Coração triunfará, esmagando a cabeça do demônio (“ipsa conteret”); um só bispo dos doze que Ele sagrara – São João Evangelista – que estava lá fiel a Seus pés (“fidelis inveniatur”) e outras poucas almas. Ele, que ama a verdade (“veritatem dilexisti”), o que mais deseja é a fidelidade à mesma, por menor que seja o número dos que a ela aderem. Não aplico às santas almas do Calvário o adjetivo de “torcida”, pois é muito humilhante para elas: pode ficar só para nós.
Não desejamos que o “time” (para ficar no mesmo diapasão dos que nos atacam) de Menzingen perca a “partida”, mas cremos que a derrota é tão certa quanto o é a morte com relação a um salto do alto do pináculo do templo. Cremos que se aplica à primeira o que Nosso Senhor disse, referindo-se ao segundo: trata-se de tentar a Deus.