quarta-feira, 24 de agosto de 2016

O Santo Terço


Na crise sem precedentes que atravessam hoje a Igreja e o mundo, a tábua de salvação dada pelo Céu para perseverar na verdadeira fé católica e na vida cristã, é pois a devoção dos cinco primeiros sábados do mês e a meditação quotidiana do terço.

O primeiro sábado de cada mês trata-se, em reparação das blasfêmias contra o Imaculado Coração de Maria, de:

  1. Confessar-se (podendo a confissão ser feita dentro de oito dias e mesmo para além deles),
  2. Comungar (Na Santa Missa Tridentina) (por uma razão legítima por um padre, esta comunhão pode ter lugar no domingo a seguir),
  3. Meditar um terço,
  4. Meditar durante um quarto de hora sobre um ou sobre vários mistérios do Rosário (este exercício é distinto da meditação do terço).

Quanto a meditação do terço, queremos dar-vos agora alguns conselhos a fim de que produza o maior número de frutos possível:


1. O terço é mais uma meditação do que recitação da Ave-Maria:


O Rosário põe diante dos olhos 15 quadros evangélicos (os mistérios gozosos, dolorosos e gloriosos). Eles não somente resumem toda a vida cristã mas também encontramos neles a solução para todas as nossas dificuldades, por Nosso Senhor, Nossa Senhora e São José mostram-nos neles como devemos reagir em todas as circunstancias da nossa existência terrestre.


Meditar estes mistérios consiste em revivê-los com o Coração de Maria, em pedir a Nossa Senhora que nos faça penetrar a sua significação profunda, a fim de que possamos reproduzi-los na nossa própria vida.


2. O terço é uma oração de súplica


Digamos com todo o nosso coração estas Ave Marias a fim de mover à compaixão Aquela que a Igreja chama de onipotência suplicante. O terço é a oração mais eficaz depois da Santa Missa e do breviário dos padres e dos religiosos. É mais poderosa do que qualquer outra oração que possamos inventar. Quem poderia saudar a Rainha do Céu com palavras mais belas do que as empregadas pelo arcanjo Gabriel? O que é que pode com certeza tocar o Coração de Maria senão a oração que Ela própria nos deu através do Seu servidor São Domingos?


Mas não recitemos nunca as dezenas sem pedir qualquer coisa de preciso a Nossa Senhora. Sem a graça de Deus, não chegaremos nunca a seguir Nosso Senhor e Nossa Senhora no caminho do Céu, não chegaremos nunca a reunir-nos com Eles. É esta a graça de Deus que nos é preciso implorar em cada dezena a fim de obter a virtude relacionada ao mistério que meditamos. Peçamo-la para nós próprios, peçamo-la, para o nosso próximo, não esquecendo nunca que o essencial é obter a nossa santificação: “Procurai primeiro o Reino de Deus e o resto vos será dado por acréscimo” (Mt 6,33)


3. Não recitemos os nossos terços demasiado depressa:


“É um dor de alma ver como a maior parte das pessoas rezam o seu terço ou o seu rosário, diz São Luis-Maria Grignon de Montfort. Rezam-no com uma precipitação espantosa e comem até uma parte das palavras. Não se desejaria fazer um cumprimento desta ridícula maneira aos mais insignificantes dos homens, e acredita-se que Jesus e Maria serão com ele honrados! Depois disso, pode ficar-se espantado se as mais santas orações da religião cristã permanecem quase sem nenhum fruto, e se, após mil e dez mil Rosários recitados, não se é mais santo por eles? Parai, querido confrade do Rosário, com a vossa precipitação natural ao recitar o vosso Rosário. […] Uma dezena dita pausadamente ser-vos-á mais meritória do que milhares de Rosários recitados à pressa, sem refletir, nem parar” (O Segredo do Santíssimo Rosário).


4. Como tomar atenção ao mesmo tempo aos mistérios e às Ave Marias?


Sendo o Rosário essencialmente uma meditação ou contemplação, não é necessário, durante esta oração, refletir nas palavras dos Pater e Ave. Essencialmente o que é preciso é meditar ou contemplar a cena evangélica tendo bem no fundo do coração uma instante oração de pedido a fim de obter a graça de que seja Jesus Cristo aquele que nós contemplamos.


5. Uma dificuldade: as distrações.


Quando começamos bem o nosso Rosário, e em seguida o nosso espírito nos escapa contra nossa vontade, a nossa oração não perde dele todos os seus frutos. No entanto, eles teriam sido maiores se nós nos tivéssemos aplicado melhor. Afastemos pois resolutamente as distrações voluntárias que impedem o fruto da oração. Quanto às distrações involuntárias, consequência da fragilidade da humana natureza, afastemo-las docemente, pacientemente, como outras tantas moscas importunas. Elas não tiram o fruto da oração, e, se nos assediam durante todo o tempo do terço, não nos inquietemos com isso. Ofereçamos as nossas dificuldades a Nosso Senhor e a Nossa Senhora, sirvamo-nos delas para conhecermos melhor a nossa miséria, para nos humilharmos, e fiquemos em paz.


6. Rezar o terço em comum:


“As orações feitas em comum avantajam-se muito sobre as orações feitas em privado e têm um poder muito maior” diz o papa Leão XIII. Em lugar duma pobre oração que sobe para o Céu, é a forte oração de 5, 10, 20 pessoas em que o fervor de uns compensa a maior dificuldade dos outros, e em que cada um tem o benefício da oração de todos. Rezai pois o terço em família, suscitai grupos do terço ou juntai-vos aos que já existem. E pois que sois membros da Confraria do Rosário, uni os vossos terços aos dos outros membros não esquecendo nunca de rezar por eles e pelas suas intenções, assim como pelas grandes intenções da Igreja. Vós tornareis assim mais perfeita esta comunhão dos santos que vos une uns aos outros nos quatro cantos do mundo, e formareis um pequeno exército ao serviço do Imaculado Coração de Maria para avançar no dia do seu triunfo.

Dominicanos de Avrillé