domingo, 30 de outubro de 2016

Festa de Cristo Rei

NOSSO SENHOR JESUS CRISTO REI
(Festa no último domingo de Outubro)



Jesus Cristo é o Rei que havia de vir

Jesus Cristo é Rei, e nenhum homem de juízo reto lhe negou esta realeza. O povo de Israel o esteve esperando durante muitos séculos, como o grande Rei que havia de estender seu poderio de uma extremidade à outra do universo sobre todas as gentes. Ele será, diziam, “o Dominador que há de nascer da estirpe de Jacó”.
DAVI – “Teu reino, dizia-lhe Davi, é reino que se estende a todos os séculos, e o teu império a toda a geração e geração... E dominarás de mar a mar de desde o rio até aos confins da redondeza da terra” (Sl. 71, 8; 144, 13).
ISAÍAS – “Um Pequenino já se acha nascido para nós, dizia Isaías, e um Filho nos foi dado a nós, e foi posto o principado sobre o seu ombro: e será chamado o Admirável, o Conselheiro, o Deus, o Forte, o Pai do futuro século, o Príncipe da paz... Sentar-se á sobre o trono de Davi e possuirá o seu reino para o firmar e consolidar, fazendo reinar a justiça e equidade desde então e para sempre”. (Is. 9; 6-7)
JEREMIAS disse (23; 5): “Suscitarei a Davi um germe justo; e reinará um Rei que será sábio e julgará segundo a equidade e a justiça na terra”.
DANIEL disse também que “o seu reino nunca será destruído e o seu poder passará até a eternidade... Todos os povos, todas as tribos e línguas o servirão; o seu poder é um poder eterno que lhe não será tirado, e seu reino é tal que não será jamais corrompido” (6; 26 – 7; 14).
ZACARIAS: - “Eis ai o teu REI virá a ti, justo e salvador: Ele é manso e vem montado sobre o potrinho da jumenta (9; 9) – para fazer sua entrada em Sião”.
Toda a Sagrada Escritura proclama REI ao futuro Messias.

Jesus Cristo é o Rei que veio a este mundo

Quando veio Jesus Cristo a este mundo, o anjo Gabriel anunciou à Virgem Maria, Nossa Senhora: “Darás à luz a um Filho e lhe porás o nome de JESUS. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi seu pai; e reinará sobre a casa de Jacob eternamente. E o seu reinado não terá fim”. (Luc. 1; 31,34).
Aos reis Magos indicou a estrela “que em Judéia havia nascido o Rei dos Judeus”, e por isso foram perguntando publicamente: “Onde está o Rei dos Judeus que é nascido? ”.
E o mesmo Jesus Cristo, na sua vida pública, ainda que a princípio por muitos motivos não quis apresentar-se logo como Rei, falava, contudo, constantemente de seu reino e, chegada a sua hora, entrou triunfante em Jerusalém aclamado Rei pela multidão: “Hosanna ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor” (Mat, 21; 9); bendito seja o Rei de Israel (João 12; 13). Hosanna! Bendito o reino que é chegado do nosso Pai Davi!” (Marcos 11; 10).
E Jesus Cristo nunca desmentiu que fosse Rei; e ainda que o acusavam de se fazer Rei, como se quisesse tirar o reino a César, perguntando-lhe solenemente Pilatos: “És tu o Rei dos Judeus? ” Jesus Cristo lhe respondeu terminantemente: “Tu o dizes, eu sou Rei”. E tão persuadido ficou de que Jesus era Rei que, no título de sua causa que se colocou sobre a cruz, escreveu exatamente estas palavras: “JESUS NAZARENO, REI DOS JUDEUS”. E desde então, sobre a cruz de Jesus Cristo, sem que ninguém as possa apagar, então essas palavras imortais que nos dizem ser Jesus Cristo o nosso Rei.
Desde os primórdios da Igreja sabiam perfeitamente os cristãos, e sabemos nós também os cristãos de hoje, que Jesus Cristo é Rei.

Que motivou esta festa de Jesus Cristo Rei?

Estabeleceu-se esta festa especial porque, havendo muitos homens que não reconhecem este reinado de Jesus Cristo, nós, católicos do mundo inteiro, pedimos ao Sumo Pontífice que houvesse por bem determinar um dia do ano, para que nele possamos proclamar e celebrar no mundo inteiro a magnífica e sublime realeza de Nosso Senhor Jesus Cristo. E o Sumo Pontífice atendeu benignamente as nossas súplicas, concedendo que esta festa se celebre no último domingo do mês de outubro, isto é, no domingo que precede imediatamente a festa de Todos os Santos.
É, pois uma festa magnífica e extraordinária, porque é a festa de Nosso Senhor Jesus Cristo REI e a festa também dos seus vassalos.

É a festa do nosso Rei

É a festa de Jesus Cristo, porque nela se celebra a festa de Jesus Cristo REI UNIVERSAL e REI DOS REIS. Nela proclamamos que Jesus Cristo é Rei de todos, Rei seu, amigo leitor, e Rei meu, a quem todos devemos obedecer, que nos há de julgar a todos, que a todos também nos há de premiar ou castigar. Nela proclamamos que Jesus Cristo é Rei, sobre todos, Rei de tal maneira, que devemos antes obedecer as suas leis que as leis de qualquer outro poder da terra; de tal maneira que nenhum rei ou soberano pode ditar lei alguma contrária as suas leis; de tal maneira que os mesmos reis, imperadores, presidentes, governadores e governantes lhe devem obediência, acatamento e sujeição, como nós vassalos dos reis e soberanos, nem mais nem menos; de tal maneira, enfim, que se Jesus Cristo não o tivesse mandado, não teríamos obrigação de obedecer sequer os reis da terra, pois se estes reinam é unicamente porque Jesus Cristo lhes confere autoridade: “Não há poder que não venha de Deus”, “non est enim potestas nisi a Deo”.
Eis a significação desta festa, que é a grande festa de Jesus Cristo, e será cada ano maior e mais solene.

É também a nossa festa

Sim, é também a nossa festa, porque nós a quisemos; o povo católico a pediu, o povo que cada dia mais ama a Jesus Cristo, o povo que conhece a Jesus Cristo e sabe muito bem que se não fora já Rei por si, seria digno de ser eleito em Rei, e que sua lei é tão santa que, embora não fosse obrigatória, se submeteria a ela por ser tão justa e sublime; o povo que sabe que Jesus Cristo é Rei por herança e comunicação de seu Eterno Pai, Rei pela unção do Espírito Santo, que o ungiu como Messias e Cristo; Rei pela redenção e resgate que fez de todos nós, conquistando-nos para si por meio da vitória da sua morte; Rei igualmente pelos inumeráveis benefícios que nos tem feito a todos em particular e a todas as sociedades do mundo.
Jesus Cristo é Rei verdadeiro, Rei de paz, Rei de bondade, Rei de sabedoria, Rei de amor, sobretudo; Rei que torna felizes os povos que observam fielmente as suas leis.

Queremos que Jesus Cristo reine

Os perversos judeus renegaram deste Rei e lhe disseram sacrilegamente: “Não queremos que este seja nosso rei”. Nós, porém, católicos, verdadeiros amigos e discípulos de Jesus Cristo, diremos sempre o contrário: “Queremos que este seja nosso Rei!...Queremos que Jesus Cristo reine sobre nós! Queremos que reine em nossas famílias; queremos que reine triunfante na abençoada Terra de Santa Cruz, queremos que reine sobre toda a nossa querida Pátria, no coração dos nossos filhos, nas nossas escolas e nas nossas leis!
Os judeus, acirrados pelo ódio e pela inveja de prepotentes exclamaram: “Não temos nem queremos outro rei senão a César”. Nós, cristãos, diremos desassombradamente o contrário: “Não temos nem queremos outro Rei senão a Jesus Cristo... A César, isto é, aos reis e potentados deste mundo, os aceitamos e queremos porque este nosso Rei os quer, e contanto que não se oponham a este Rei nosso e não contrariem as suas leis sacrossantas”.
Aqueles perversos diziam: “A esse, a quem chamas de nosso rei, não o conhecemos como tal; crucifica-o, crucifica-o!” E nós diremos pelo contrário: “Nós reconhecemos e proclamamos por nosso Rei a Jesus Cristo crucificado: entroniza-o, sejam para Ele o cetro, a coroa, as nossas homenagens e adorações! Salve, Jesus, nosso Rei amantíssimo, salve!”

O Grande dia do Grande Rei

Católicos, celebremos, portanto com a maior pompa e solenidade a grande festa do reinado de Jesus Cristo. Repiquem festivamente os sinos, iluminem profusamente os nossos templos, haja numerosas comunhões, resoem hinos triunfais, subam nuvens de incenso, adornem-se as casas, seja o último domingo de outubro o grande dia do grande REI, um novo Domingo de Ramos em que por toda a parte se ouça: Hosanna! Hosanna ao Rei de Israel! Hosanna ao Rei do Universo! Hosanna ao Rei da Igreja Católica! Hosanna ao REI dos reis, ao REI de toda a sociedade e de todas as nações!

Queremos Deus, que é nosso Rei!...
Queremos Deus, que é nosso Pai!

RAIOS DE SOL - Folhas Populares de Propaganda Católica - Padre Amando Adriano Lochu, S.J. Primeira Série - Coleção dos 100 primeiros números - São Paulo - 1931

Folheto nº 81 – “Nosso Senhor Jesus Cristo Rei”

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

As indulgências do Santo Rosário


"Não é possível expressar quanto a Santíssima Virgem estima o Rosário sobre todas as demais devoções, e quão magnânimo é ao recompensar os que trabalham para pregá-lo, estabelecê-lo e cultivá-lo. Recitado enquanto são meditados os mistérios sagrados, o Rosário é manancial de maravilhosos frutos e depósito de toda espécie de bens. Através dele, os pecadores obtêm o perdão; as almas sedentas se saciam; os que choram acham alegria; os que são tentados, a tranqüilidade; os pobres são socorridos; os religiosos, reformados; os ignorantes, instruídos; os vivos triunfam da vaidade, e as almas do purgatório (por meio de sufrágios) encontram alívio. Perseverai, portanto, nessa santa devoção, e tereis a coroa admirável preparada no Céu para a vossa fidelidade”.

MONTFORT, São Luís Maria Grignion de, Tratado Da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, Rio de Janeiro: Vozes, 28º edição.




Indulgências do Rosário 


a) Os fiéis quando recitarem a terça parte do Rosário com devoção podem lucrar:

- Uma indulgência de 5 anos (Bula "Ea quae ex fidelium", Sixto IV, 12 de maio 1479 ; S. C. Ind., 29 de agosto 1899 ; S. P. Ap., 18 de março 1932).
- Uma indulgência plenária nas condições usuais, se eles rezarem [o terço] durante o mês inteiro (Pio XII ,22 de janeiro 1952.) 

b) Se rezarem a terça parte do Rosário em companhia de outros
- Uma indulgência de 10 anos, uma vez ao dia; 
- Uma indulgência plenária no último Domingo de cada mês, juntamente com confissão, Comunhão e visita a uma igreja ou oratório público, se realizarem tal recitação ao mês três vezes em alguma das semanas precedentes. , seja em público ou privado, podem lucrar: 


Se, de qualquer forma, rezarem juntos em família, além da indulgência parcial de 10 anos, lhes é concedido:

- Uma indulgência plenária duas vezes ao mês, se realizarem a recitação diariamente durante um mês, forem à confissão, receberem a Santa Comunhão e visitarem alguma igreja ou oratório. (S. C. Ind., 12 de maio de 1851 e 29 agosto de 1899; S. P. Ap., 18 de março de 1932 e 26 de julho de 1946).

Os fiéis que diariamente recitam a terça parte do Rosário com devoção em um grupo familiar além das indulgências concedidas em "b)" também lhes é concedida uma Indulgência Plenária sob condição de Confissão, Comunhão a cada Sábado, em dois outros dias da semana e em cada uma das Festas da Beatíssima Virgem Maria no Calendário Universal, nomeadamente – A Imaculada Conceição, a Purificação, a Aparição da Beata Senhora em Lourdes, a Anunciação, as Sete Dores (sexta-feira da semana da paixão), a Visitação, Nossa Senhora do Carmo; Nossa Senhora das Neves, a Assunção, o Imaculado Coração de Maria, a Natividade da Santíssima Virgem, as Sete Dores (15 de setembro), Nossa Senhora do Sacratíssimo Rosário, a Maternidade da Beata Virgem Maria, a Apresentação da Beata Virgem Maria (S.P. Ap. 11 de outubro d e 1959)

c) Aqueles que piamente recitarem a terça parte do Rosário na presença do Santíssimo Sacramento  publicamente exposto ou mesmo reservado no tabernáculo, nas vezes que o fizerem, poderão lucrar: 
- Uma indulgência plenária, sob condição de confissão e Comunhão (B. Apostólico, 4 de setembro de 1927) ,


Notas:
1. As dezenas podem ser separadas se o terço todo for completado no mesmo dia (S. C. Iml.., 8 de julho de 1908.)
2. Se, como é o costume durante a recitação do Rosário, os fiéis fizeram uso do terço, eles podem lucrar outras indulgências em adição àquelas enumeradas acima, se o terço for abençoado por um religioso da Ordem dos Pregadores (Dominicanos) ou outro padre tendo faculdades especiais. (S. C. Ind., 13 de abril de 1726. 22 de Janeiro de 1858 e 29 de Agosto de 1899). Raccolta 395



Exercícios de Devoção 


Os fiéis que a qualquer tempo do ano devotamente oferecerem suas orações em honra a Nossa Senhora do Rosário, com a intenção de continuar as mesmas por nove dias consecutivos, podem lucrar: 

- Uma indulgência de 5 anos uma vez a qualquer dia da novena; 
- Uma indulgência plenária sob as condições usuais no encerramento da novena. (Pio IX, Audiência de 3 de Janeiro de 1849; S. C. dos Bispos e Religiosos, 28 de Janeiro de 1850; S. C. Ind., 26 de novembro de 1876; S. P. Ap., 29 de junho de 1932) V Raccolta 396

Os fiéis que resolverem realizar um exercício de devoção em honra a Nossa Senhora do Rosário por quinze ininterruptos Sábados (ou sendo impedidos, por quantos respectivos Domingos imediatamente seguintes), se devotamente recitarem no mínimo a terça parte do Rosário ou meditarem seus mistérios em alguma outra maneira, podem lucrar: 

- Uma indulgência plenária sob as condições usuais, em qualquer destes quinze Sábados ou Domingos correspondentes (S. C. Ind., 21 de setembro de 1889 e 17 de setembro de 1892; S. P. Ap.. 3 de agosto de 1936). Raccolta 397

Os fiéis que durante o mês de Outubro recitarem no mínimo a terça parte do Rosário, pública ou privadamente, podem lucrar: 

- Uma indulgência de 7 anos por dia;
- Uma indulgência plenária, se realizarem este devoto exercício na Festa do Rosário e em sua Oitava, e além disso, forem à confissão, receberem a Santa Comunhão e visitarem uma igreja ou oratório público; 
- Uma indulgência plenária, juntamente com confissão, Santa Comunhão e visita a uma igreja ou oratório público, se realizarem a mesma recitação do Santo Rosário por no mínimo dez dias depois da Oitava da supracitada Festa ((S. C. Ind., 23 de Julho de 1898 e 29 de Agosto de 1899; S. P. Ap., 18 de Março de 1932). Raccolta 398
-Uma indulgência de 500 dias pode ser lucrada uma vez ao dia pelos fiéis que, beijando o Santo Rosário que carregam consigo, ao mesmo tempo recitarem a primeira parte da Ave Maria até “Jesus”, inclusive. (Sagrada Congregação da Penitenciária Apostólica. 30 de março de 1953)

Fonte: Montfort

terça-feira, 18 de outubro de 2016

AVISO: SANTA MISSA HOJE ÀS 19H!

Caríssimos,

Informamos que HOJE, terça feira, 18/10/2016, haverá missa na Capela São José às 19h!

Confissões a partir das 18h.

Salve Maria!

Travessa Santo Amaro, 31, fundos - Bairro Jardim - Santo André  - SP

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Santa Missa e 2º Domingo de Formação



Salve Maria!

Informamos que em 16/10 haverá missa na Capela São José às 17h, rezada por Dom André, OSB.

Nesse mesmo dia, a partir das 9h30min, faremos nosso "2º Domingo de Formação", que visará esclarecer as principais dúvidas dos fiéis que se aproximaram recentemente da Tradição: O que é a tradição? Por que guardar a Missa Tridentina? Por que não a missa nova? Qual a posição dos tradicionalistas na Igreja?

Haverá almoço na capela. Aos que forem almoçar pedimos a contribuição de R$ 5,00 para custear os gastos.

Que Viva Cristo Rei!

Capela São José
Travessa Santo Amaro, 31 - Fundos, Bairro Jardim - Santo André/SP
Referências: Subindo a Rua Catequese é na segunda travessa à direita. A 5 minutos da Estação Prefeito Celso Daniel (CPTM).

sábado, 1 de outubro de 2016

Novo Pentecostes

Novo Pentecostes
Gustavo Corção

É a última espetacular novidade religiosa que se espalha com grande sucesso no mundo inteiro. Num recorte recente de "Le Monde" lemos a notícia desse movimento cujo sucesso se contrapõe, na pena de Henri Fesquet, "ao declínio das grandes Igrejas" mais ou menos institucionalizadas. Esse movimento de origem protestante, nascido antes do século, cresceu agora rapidamente. O número de "Assembléias de Deus" que era de 264 em 1963 ultrapassa o número de 400 em 1972. Calcula-se em dez milhões o número de praticantes no mundo inteiro", diz "Le Monde"; e como era de esperar anuncia que o movimento já entusiasmou o mundo católico onde ganha o nome de "renovação carismática" e até reclama o mais ousado título de "novo pentecostes".
   
Em Junho reuniu-se na Universidade Notre Dame, nos Estados Unidos, um "congresso de renovação carismática" com o comparecimento de 25.000 participantes entre os quais figuravam muitos padres, Bispos, e o Cardeal Suhenens, Primaz da Bélgica.
   
Que dizem de si mesmos esses católicos empenhados em tal movimento? Várias publicações, entre as quais destaco a do jovem casal americano Kevin e Dorothy Ranaghan, num livro traduzido em francês com o título "Le Retour de l'Esprit", apresentam o movimento pura e simplesmente como uma descontinuidade explosiva surgida na História do Cristianismo e produzida, nem mais nem menos, por uma nova descida do Espírito Santo sobre os milhares de adeptos que recebem, por imposição das mãos de outros, o "batismo do Espírito" e subitamente se convertem, mudam de vida, passam da mais profunda depressão à mais jubilosa exaltação, e começam a "falar em línguas", como os cristãos da Igreja nascente, e como os apóstolos no dia de Pentecostes (At 2, 1)
  
Uma as características do estado de espírito produzido nas assembléias carismáticas é a predominância da exteriorização sobre a interiorização, e a marcada emotividade que leva os adeptos a sentirem a presença do Espírito Santo, e a declararem essa convicção com uma espontaneidade — cada um contando sua experiência própria — que se liberta de qualquer compromisso de submissão à aprovação da Igreja.
  
Até aqui o nosso espanto não foi excessivo porque este fim de século e o mundo católico dito "progressista" já nos saturaram de extravagâncias, e já nos embotaram a manifestação do espanto. A nossa preocupação começou a ganhar dimensões de alarme quando vimos que o prudente hebdomadário "L'Homme Nouveau", dirigido por Marcel Clement, enviou 7 representantes ao Congresso de "renovação carismática" na UniversidadeNotre Dame, e que o próprio Marcel Clement, no seu editorial de 1o. de Julho, não hesita em falar de "novo Pentecostes" e de fazer este estranho pronunciamento:
   
"É uma realidade de Igreja. Equilibrada, serena, poderosa. Não se trata de misticismo exaltado. É verdadeiramente o Espírito Santo que os invade e os faz caminhar muito depressa até à única e verdadeira Igreja de Jesus Cristo."
   
A nós nos parece que depressa demais pronunciou-se o Prof. Marcel Clement, como também nos parece incompreensível que se diga "cheminement très vite jusqu'à la seule et veritable Église de Jesus Christ" de pessoas já nela inseridas pelos sacramentos.
  
Prevemos o caminho de uma luta mais difícil do que as outras que até agora tivemos de enfrentar porque todos terão pressa excessiva de marcar pontos positivos num movimento em que os rapazes e as moças só dizem que querem rezar em "comunidade carismática", porque receberam do próprio Espírito Santo, num novo Pentecostes, dons maravilhosos que os tiraram dos mais profundos abismos e os elevam à mais pura alegria. Quem quererá cobrir-se do negrume de todas as antipatias para enfrentar tão maravilhosa transformação do mundo com um mínimo de reserva ou de exigência?
  
Para encaminhar adequadamente a questão, amigo leitor, começo por lhe lembrar alguns títulos que nos dão direitos a certas exigências. Somos um povo que há 2 mil anos segue a pista de um Deus flagelado; pertencemos à forte raça daqueles mártires que deram o sangue para testemunhar a verdadeira Religião e para resistir a todas as fraudes; descendemos também daqueles outros que silenciaram nos mosteiros os seus próprios sentimentos e as suas próprias emoções para deixar que só o Espírito de Deus falasse por eles. Pertencemos a um Povo ainda mais antigo que ouviu do próprio Deus o trovão de uma identidade absoluta:
  
"Eu sou aquele que sou", e o preceito da mais inquebrantável intolerância: "não terás outro deus diante de minha face".
  
Tudo isto, amigo leitor, nos inclina a uma profunda aversão por tudo que pareça equívoco, e que, em matéria de Religião, mais manifeste as turbulências da pobre alma humana torturada por um mundo encandecido do que as grandezas de Deus manifestas pelos Apóstolos no dia do único e verdadeiro Pentecostes.
  
Logo a seguir tentarei expor as razões que me levam a ver nesse movimento uma nova feição da "revolução" que quer por vários processos destruir a Igreja.
  
Aqui trago apenas os títulos que me dão o direito de exprimir tais reservas, e que me lembram o dever de as exprimir. Pecador e inútil servidor, pertenço todavia àquela raça exigente. Sou homem de Igreja que só quer nela viver e nela morrer.
  
Para comparar o movimento chamado "pentecostismo" com a Igreja de Jesus Cristo, comecemos por comparar a descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos, no dia de Pentecostes ao "novo pentecostes" que desce sobre cada um dos 25 mil membros do encontro realizado na Universidade Notre Dame (USA).
  
Há fenômenos semelhantes, como a "glossolalia" ou língua estranha falada pelos crentes do Cristianismo no primeiro século, pelos Apóstolos no dia de Pentecostes, e hoje pela multidão dos pentecostistas. Mas a semelhança termina quando ponderamos que Pentecostes foi, para a Igreja nascente, não uma explosão de manifestações espontâneas e multiplicadas, mas, ao contrário, um atingimento de maturidade e de esplendor de ordem. Foi mais uma cristalização eclesial do que uma explosão carismática. Diríamos até que esse grande dia da Confirmação da Igreja vinha pôr termo à anarquia ou à dispersão informe dos primeiros tempos. Assinalemos que, em Pentecostes, com a evidência das línguas de fogo, a descida do Espírito Santo se fazia sobre a Hierarquia para bem marcar o caráter da Igreja Católica. E as "línguas" que também os Apóstolos nesse dia falaram, usando o dom das línguas que S. Paulo não reprova mas não estimula? Ora, esse ponto de semelhança é na verdade um ponto de oposição porque, enquanto os "pentecostistas" de hoje falam línguas que ninguém entende, nem eles mesmos, os Apóstolos falavam uma "língua que todos os vários estrangeiros presentes ouviram e entenderam como a própria". Torna-se evidente que o Espírito Santo, nesse dia, usou o mesmo dom para exprimir a "unidade de língua" da Igreja e a sua destinação universal. Formalmente, essa "unidade de língua" significa "unidade de doutrina", mas também pode significar a real unidade de língua que a Igreja teria quando recebesse seu o cunho Romano e portanto latino.
  
Vê-se assim que o "novo pentecostes" é dispersador quando o verdadeiro Pentecostes foi congraçador; que o moderno fenômeno é anarquista onde o autêntico é ordenador e hierárquico; que o moderno fenômeno se traduz em manifestações emotivas diversas e mais ou menos chocantes, enquanto o verdadeiro Pentecostes se arremata por um discurso de Pedro que imprime ao mistério pentecostal todo o seu sentido de unidade eclesial. É especialmente digno de nota o arremate do discurso de Pedro e do capítulo II dos "Atos".
  
Vale a pena comparar esses textos sagrados com a narração de Irling Shelton, uma das representantes de "L'Homme Nouveau" no congresso de Notre Dame:
  
"A oração perde seu ritualismo, seu formalismo, sua rotina." (Por que rotina?) Sem rejeitar completamente a oração ritual (...) a tônica é posta na espontaneidade (...)  "a expressão dessa efusão anterior pode então se acompanhar de movimentos da sensibilidade. Cantam, riem, choram, batem as mãos, prosternam-se no chão ou elevam os braços (...) Essas manifestações incontroladas da emotividade podem degenerar em atitudes grotescas e até em histeria de grupo. Mas quando o líder (?) controla bem seu grupo de orações, e sua emotividade, as manifestações sensíveis da efusão do Espírito poderão aquecer os corações e servir de edificação para todos".
  
Chamo a atenção do leitor católico alfabetizado na boa doutrina para a sem-cerimônia com que a autora dessas linhas atribui tais efusões ao Espírito, em vez de atribuí-las à Carne que costuma opor às obras do Espírito esse tipo de exteriorização. Na sadia espiritualidade traçada na Igreja pelos santos doutores aprendemos que os dons do Espírito Santo são recebidos por todos desde o seu batismo, e sabemos também que a espontaneidade sobrenatural é o chamado "modo dos dons" que opera nas almas longamente trabalhadas, arduamente purgadas. Há uma espontaneidade animal, sensível que precede a maturidade e a espiritualização. Qualquer criança a possui. Mas a espontaneidade dos dons é uma longa conquista que só os grandes santos atingem através da noite dos sentidos e da subida do Carmelo.
  
Estas poucas considerações tecidas no plano da teologia mística servem para mostrar que não há nada mais diverso e distante da verdadeira espontaneidade dos santos do que essa dos novos carismáticos.
  
Essas e outras notas do movimento chamado "Pentecostismo" mostram, a quem conheça os rudimentos da sagrada doutrina, que se trata de mais uma subversão contra a Igreja, disfarçada na falsa sublimidade de manifestações temerariamente atribuídas ao Espírito Santo. Explicam-se talvez pela extrema miséria a que chegou esta infortunada geração condenada às oscilações vertiginosas que vão da mais profunda depressão à mais delirante exaltação. Dá pena. Sim, dá-nos uma imensa tristeza esse quadro — mais esse! — de uma geração que se precipita na degradação dos mais altos dons naturais e sobrenaturais com uma espécie de irresponsabilidade, de subinocência que nos leva à vertiginosa indagação sobre a origem desse mal. Quem será então o culpado do rapto de crianças? Quem serão os culpados da perversão de toda essa geração dos que já não sabem de que espírito são? Deverei procurar entranhas de misericórdia para não ver culpas nos erros e nas quedas? Não seriam antes entranhas de indiferença que de bondade?
  
Ah! Se pudéssemos deixar os "pentecostistas" fazerem a grande antepenúltima asneira do século! Se pudéssemos apenas suspirar e lamentar o misterioso consentimento divino! O dia correria mais doce e o crepúsculo da vida teria a suavidade das tardes em que o Céu e a Terra parecem festejar o feliz amadurecimento de um dia do mundo. Mas que contas prestaria eu a Quem me pôs esta pena na mão e esse papel estendido sobre a mesa?

(Gustavo Corção - Revista "Resistência", 15 de Janeiro de 1974)