quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Há purgatório, sim ou não?

HÁ PURGATÓRIO, SIM OU NÃO?
Os incrédulos, que só acreditam no que veem com os olhos, que a terra há de comer, claro está que negam a existência do Purgatório. Negam pelo prazer de negar, assim sem mais nem menos; não tem, porém nenhuma razão, nenhum argumento plausível para provar que não existe o Purgatório.
Os protestantes negam agora a existência do Purgatório. Em outros tempos, contudo, o admitiam. Na controvérsia de Leipsig, Lutero o admitiu; mais tarde admitia-o ainda, mas já com bastantes erros acerca dele, até que por fim o negou por completo.
O dogma do Purgatório é um dos pontos em que os protestantes vulgares costumam recorrer ao escárnio e zombar da Igreja Católica, das missas, dos sufrágios e das indulgências. E o mais interessante é ver como muitos desses infelizes protestantes, que não creem na Igreja Católica, não hesitam em prestar fé a um pastor, que lhes ensina a doutrina de um herege da laia do apóstata Lutero.
EXISTE O PURGATÓRIO
1º A BÍBLIA
No livro 2º dos Macabeus, refere-se que numa batalha morreram muitos soldados, debaixo de cujas túnicas foram encontrados objetos consagrados aos ídolos de Jamnia, coisa que a lei proibia aos Judeus. Todos, pois entenderam claramente que esta havia sido a causa da sua morte e era castigo deste pecado. Judas Macabeu, porém, recordando que afinal de contas tinham morrido pela religião e que pelo menos muitos se teriam arrependido, ainda que precisariam de sufrágios, conforme diz a Bíblia, colocou-se com os seus em oração “pedindo que seu pecado lhes fosse inteiramente perdoado... E havendo recolhido de uma esmola que mandou tirar, doze mil dracmas, as enviou a Jerusalém, para que se oferecesse um sacrifício pelos pecados daquelas pessoas que haviam morrido, tendo bons e religiosos sentimentos a respeito da ressurreição; pois se ele não esperasse que aqueles soldados mortos ressuscitariam algum dia, teria sido coisa  vã e supérflua orar pelos mortos. Desta maneira considerava que uma grande misericórdia estava reservada para os que eram mortos na piedade. É, pois santo e salutar pensamento o rogar pelos mortos, para que sejam livres de seus pecados”. (Cap. XII, 38-43 inclusive)
Bem claramente se acha expresso nestas linhas a existência do purgatório. Trata se de soldados que tinham morrido com algum pecado, mas que deveram ou puderam arrepender-se morrendo pela religião. Aqueles soldados mortos na peleja não estavam no inferno, onde não lhes teriam aproveitado as orações, não estavam tão pouco no céu, onde não precisariam de sufrágios. Logo estavam em algum PURGATÓRIO em que se purificassem de suas dívidas temporais.
2º A TRADIÇÃO
Na Igreja tudo o que se disse desde o principio e se creu desde os primórdios é de fé.
Os protestantes diziam que o Purgatório era invenção dos católicos, e os Metodistas chegaram até a marcar como data da tal invenção o ano de 1438. Estavam, porém inteiramente equivocados.
Na Igreja, sempre e desde os princípios, foi admitida e crida a existência do Purgatório, e os testemunhos, além da Bíblia, da antiguidade são os mais antigos que se possam desejar. Desde os primeiros séculos, a história da Igreja apresenta cerimônias em que os sacerdotes e os fiéis oram pelos mortos, dão esmolas pelos mortos, louvam o aliviar aos mortos com orações, escrevem sobre a lembrança que se deve ter dos mortos.
Em todas as liturgias e rituais se encontra na missa o sufrágio ou “memento” pelos mortos. Nas inscrições antiquíssimas das Catacumbas está muitas vezes uma súplica para que Deus refrigere os espíritos daquele defunto: “Refrigera (alivia, consola) ó Senhor, a alma de.... Todos os irmãos rogam a Deus para que este defunto seja recebido em Deus com santo e inocente espírito...”
Estas e outras inscrições do mesmo gênero aparecem nos lóculos e túmulos antiquíssimos.
3º A CRENÇA UNIVERSAL
Nem só os católicos, mas o mundo inteiro tem crido em algum Purgatório. Uns o põem de um modo, outros de outro, mas todas as religiões e todos os países, egípcios, indianos, gregos, latinos, americanos, japoneses, orientais e ocidentais, todos tem entre as suas tradições e lendas algumas sobre o Purgatório; sinal evidente de que tinham recebido essa ideia desde o princípio, ainda que a deturparam com o andar dos tempos.
4º O BOM SENSO
Por si, é mais fácil crer na existência do Purgatório do que na do Inferno. Tanto se deve crer, pela fé, na existência do Purgatório como na do Inferno; pela razão, porém e pelo bom senso é mais natural crer no Purgatório. Com efeito, reflitamos um instante: Deus é justo, e, portanto há de castigar de algum modo os pecados. Ora, entre os pecados, uns são de vulto e graves, outros, porém, são leves e veniais. Muitos homens há que não são bastante bons e puros de poderem ir para o céu, nem tão maus que mereçam ir para o Inferno. Para onde irão então estes? Para o Inferno? Não, porque não morreram em estado de pecado mortal. Para o céu? Tão pouco, porque tem algum pecado.
Não é porventura justo, natural, necessário que haja um lugar onde paguem temporariamente as penas devidas por esses pecados leves? Pois, esse lugar é o PURGATÓRIO. É tão forte esta razão, que muitos protestantes por ela admitem o purgatório, porque reconhecem que é mesmo necessário.
5º ESTE DOGMA É MUITO CONSOLADOR
Porque se não houvesse purgatório, poderíamos todos temer que, depois da morte, haveríamos de estar eternamente privados da felicidade e condenados ao inferno, porque, sem ofender a ninguém, todos somos maus e temos boa carga de faltas e de pecados. Ora, o inferno é terrível e espantosa é a pena eterna. Com a existência do PURGATÓRIO temos uma suavíssima consolação para nós e para os outros, pois esperamos que, não obstante os nossos deslizes e pecados, Deus misericordioso, ainda que nos haja de castigar, por fim há também de nos perdoar e destarte devidamente purificados, não penaremos eternamente.
6º ESTE DOGMA HARMONIZA A JUSTIÇA E A MISERICÓRDIA
Entre nós não falta quem diga: Isso de condenar tantos ao inferno é muito duro. Para todo o sempre!
Não falta, porém quem diga também, e com razão: - Isso de gozarem tanto os maus como os bons, os perversos como os virtuosos, os que neste mundo vivem em gozos sensuais, atolados num muladar de vícios, tanto como os que aqui trabalham e sofrem e que assim, com um ato de arrependimento vão para o céu como aqueles.... é muito duro, e não parece justo.
Não vos agonieis. Os que neste mundo se entregarem aos prazeres e gozos sensuais compensarão com o purgatório as suas faltas. Assim não serão condenados ao inferno muitos pecadores que, mesmo à última hora de sua vida, se arrependeram e voltaram aos braços de Deus, mas ainda assim padecerão graves penas temporais e até anos e anos de purgatório. Nesse lugar de purificação, os que neste mundo foram muito bons e virtuosos não terão que padecer ou pelo menos padecerão muito pouco; os que forem tíbios terão que padecer mais, e os maus terão que padecer muitíssimo, isso quando tiverem a ventura de se salvar.
Amigo leitor, o PURGATÓRIO existe realmente e é escusado nega-lo. Procuremos deveras viver virtuosa e santamente, tratemos de salvar a nossa alma, único negócio importante neste mundo, e ria-se dos incrédulos e protestantes que escarnecem do purgatório e dos católicos. Na hora da morte veremos todos de que lado está a verdade e quem teve juízo.
FALEM PROTESTANTES
HASE – “A maior parte dos que morrem, diz o protestante Hase, são demasiado bons para o inferno, mas não é menos certo que são demasiado maus para que possam entrar no céu. Cumpre, portanto confessar franca e lealmente que, sobre este assunto, há certos pontos obscuros na doutrina protestante” (Hase, Polêmica protestante, 1864).
BURNET – Este bispo protestante de Salzburgo afirma que até o tempo de Eduardo VI, filho e sucessor de Henrique VIII, os anglicanos recomendavam as almas dos defuntos à infinita misericórdia de Deus.
GROCIO – O mesmo protestante Grocio assegura que era universal entre os judeus o costume de orar pelos mortos.
LEIBNITZ, protestante também, admite igualmente um estado de expiação depois da morte, e recomenda a oração em sufrágio pelos defuntos.
Na apologia da Confissão de Ausburgo (parágrafo 33) lê-se o seguinte: – “Sabemos que os antigos têm falado da oração pelos defuntos, e nós não nos opomos de forma alguma a ela”.
FATO CURIOSO
Como celebram os protestantes os seus enterros? Não é curioso ver o chamado pastor de livro na mão a rezar os seus salmos, ou coisa parecida, ao dar sepultura a algum de seus sectários!... Por quem ora aquele herege, se a sua seita lhe manda crer firmemente que não há purgatório? Porque, se não há purgatório, isto é, se aquela alma pela qual está orando está já para sempre no céu, ou para sempre no inferno, é evidente que nenhuma oração lhe há de aproveitar. Que tal?
RAIOS DE SOL - Folhas Populares de Propaganda Católica - Padre Amando Adriano Lochu, S.J. Primeira Série - Coleção dos 100 primeiros números - São Paulo - 1931
Folheto nº 75 – “Há purgatório, sim ou não”

Oração de Santa Gertrudes pelas almas do Purgatório
(Nosso Senhor prometeu à Santa Gertrudes que salvaria mil almas do purgatório cada vez, que cada pessoa rezar com fervor esta Oração.)

Eterno Pai, Ofereço-Vos o Preciosíssimo Sangue de Vosso Divino Filho Jesus, em união com todas as Santas Missas que hoje são celebradas em todo o mundo; por todas as Santas almas do purgatório, pelos pecadores de todos os lugares, pelos pecadores de toda a Igreja, pelos de minha casa e de meus vizinhos. Amém.

União Sacerdotal Marcel Lefebvre – Resistência Católica
Capela São José – Santo André / SP

www.capelasaojose.com.br