domingo, 16 de julho de 2017

A Crucifixão - Pe Frederick William Faber

A Crucifixão


    O mundo é um mistério. A vida, o tempo, a morte, a dúvida, o bem e o mal e a incerteza que pairam sobre nosso destino eterno são mistérios. Ardem ocultamente no coração dos tempos. Mas o Crucifixo é seu significado, a solução para todos eles. Ele põe as questões, e responde a elas também. É a solução de todos os enigmas, a certeza de todas as dúvidas, o centro de todas as fés, a fonte de todas as esperanças, o símbolo de todos os amores. Revela o homem a ele mesmo, e Deus ao homem. Lança luz ao tempo, para que possa contemplar a eternidade e acalmar-se. É uma vista doce de olhar em tempos de alegria, pois torna a alegria mais terna sem reprová-la, eleve-a sem extenuá-la. Na dor não há vista como esta. Ela arranca nossas lágrimas, e fá-las cair mais rapidamente, e tão suavemente, que se tornam mais doces que sorrisos. Dá luz na escuridão, e o silêncio de sua pregação é sempre eloquente, e a morte é vida em face da grave seriedade da vida eterna. O Crucifixo é sempre o mesmo mas sempre varia sua expressão segundo nossa disposição, conformando-se ao que mais queremos e a que é melhor para nós. Não é surpreendente que os santos se tenham agarrado ao Crucifixo com tais transes de amor satisfeito. Mas Maria é parte da realidade deste símbolo a Mãe e o Apóstolo ficam, por assim dizer, ao pé do Crucifixo ao longo de todas as eras, símbolos do grande mistério, da única religião verdadeira, do que Deus fez pelo mundo que criara. Assim como não podemos pensar no Menino de Belém sem a sua Mãe, assim tampouco os Evangelhos nos permitem imaginar ao Homem no Calvário sem sua Mãe. Jesus e Maria eram sempre um; mas havia uma união peculiar entre eles no Calvário. A esta união chegamos agora, à quinta dor de Maria, à Crucifixão.
    A Via-Crúcis acabara, e eles chegaram ao cimo da colina um pouco antes do meio-dia. Se a tradição é verdadeira, aquele lugar era um memorial apropriado para ser o santuário do mundo; pois se diz que foi o lugar do túmulo de Adão, o lugar onde repousou quando a misericórdia de Deus o acolheu e encerrou seus novecentos anos de penitência heroica. Próximo estava a cidade de Davi, que era antes a cidade de Deus, o centro de uma história tão maravilhosa, o objeto de um amor divino tão patético. A cena por representar agora descoroaria a cidade real; mas apenas para coroar com uma coroa muito mais gloriosa de luz, de esperança, de verdade e de beleza de todas as cidades do mundo onde o Cristo Crucificado seria pregado e onde o Santíssimo Sacramento moraria. Passou pouco tempo, talvez uma hora, desde a última dor; e assim passaram somente quatro horas desde a quarta dor até a consumação da quinta. Mas, com respeito ao sofrimento e à santificação, foi o período mais longo que os dezoito anos de Nazaré. Com respeito a nenhuma outra coisa isto é mais verdadeiro que com respeito à nossa santidade: para Deus mil anos são apenas um dia. Estas horas estavam repletos de mistérios tão divinos, de realidades tão vibrantes, que o passar do tempo não era um elemento da agonia da alma de Maria. Ela chega à Crucifixão como uma maravilha da graça e um milagre de sofrimento maiores que quando, uma hora antes, encontrara a Jesus com a Cruz na esquina da estrada.
    Despiram-No de Suas vestes, e por causa disso Sua Natureza humana foi diminuída inexprimivelmente. Para sua Mãe a indignidade era uma tortura em si, e ver o Coração descoberto de seu Filho foi um horror e uma agonia que as palavras não podem expressar. Puseram-No na Cruz, cama mais dura que a Manjedoura de Belém onde primeiro fora posto. Entrega-se às mãos dos soldados com tanta docilidade como uma criança que se entrega a uma mãe que o prepara amavelmente para dormir. Parece, e foi realmente assim, que Sua vontade, e não a sua, era cumprida. Belo na desfiguração, venerável na vergonha, o Deus Eterno jaz na Cruz, com os olhos fitos nobremente nos céus. Nunca, pensava Maria, Ele tinha parecido tão adorável, tão manifestadamente Deus, como agora que estava esticado, vítima impotente, mas pronta; e ela adorava-O com o mais profundo culto. Os carrascos esticam Seu braço direito, e colocam-no na Cruz. Martelam o cravo áspero na palma de Sua Mão, na Mão de onde fluem as graças do mundo, e a primeira pancada seca do martelo é ouvida em silêncio. O tremor da dor excessiva passa a Seus membros sagrados, mas não remove a expressão doce de Seus olhos. Agora, um golpe se segue a outro, e ecoam vagamente em algum lugar. Madalena e João fecham os ouvidos; pois o som é insuportável: é pior do que se o martelo de ferro golpeasse seu coração vivo. Maria ouve a tudo. O martelo golpeia seu coração vivo; pois seu amor há muito morreu para si, e só vive para Ele. Ela olhou para o Céu. Não conseguia falar. Palavras não diriam nada. Somente o Pai entendia a oferta daquele coração, agora quebrantado tantas vezes. Para ela a Fixação dos Cravos não foi uma só ação. Cada martelada era um martírio diferente. O martelo tocava seu coração como a mão de um músico aperta variavelmente as teclas de seu instrumento.
    A Mão Direita está pregada na Cruz. A Esquerda não alcança o outro lado. Ou erraram no cálculo do orifício que abriram para facilitar a passagem do prego, ou o Corpo se contraiu pela agonia. A cena que se seguiu é temível, como os santos a descrevem em sua revelação. Os carrascos puxaram o braço esquerdo com todas as suas forças; mas ainda não alcançava o outro lado. Ajoelharam-se sobre suas costelas, que rechaçavam, conquanto não quebrassem, pela pressão violeta, e, deslocando Seu braço, conseguiram esticar a Mão até o lugar. Não se pode arrancar de Jesus mais que um olhar amável, e a expressão doce ainda estava em seus olhos. Mas para Maria - quem consegue imaginar o horror daquela vista, daquele som, para ela? Oh! Havia mais pesar neles que em todos os santos que ainda não tinham sido canonizados! Os golpes secos do martelo começavam novamente, variando o som conforme golpeavam carne ou músculo, ou a madeira dura, onde o prego abria seu caminho cruel. Suas pernas também estão esticadas pela violência; um Pé está cruzado sobre o outro, esses Pés que tantas vezes sofreram dor e a massa sólida dos músculos contraídos, vagarosamente e com uma agonia indizível, por causa da oscilação dos pés nesta posição. É inútil falar da Mãe; é inútil compadecer-se dela. Nossa compaixão não é nada em comparação com tal excesso terrível de agonia. Mas Deus susteve sua criatura, ela sobreviveu.
    Agora a Cruz está erguida da terra, com Jesus jacente nela, a mesma expressão doce nos olhos, e a cruz é levada para perto do buraco que cavaram para receber o pé da cruz. Amarraram cordas à cruz, e, prendendo-as à extremidade do buraco, começaram a levantá-la perpendicularmente por meio das cordas. Quando estava de pé, empurram a base gradualmente até a extremidade da cova, até que caiu na cavidade com um salto veemente, que deslocou todos os ossos, e quase rasgou o Corpo nos cravos. De fato, alguns contemplativos mencionam uma corda pendurada ao redor de Sua cintura tão cruelmente apertada que se escondia na carne, para impedir que o Seu Corpo se despregasse da Cruz. Assim, um horror sobrepuja outro, explorando, com impressões ardentes, como as vibrações de um terremoto, todas as capacidades sobrenaturais do sofrimento, que são como um abismo no coração arruinado da Mãe. Não comparemos seu sofrimento a nenhum outro. É único. Podemos contemplá-lo e chorá-lo com amor, com um amor que é também sofrimento. Mas não ousamos fazer nenhum comentário sobre ele. Mãe Dolorosa, bendita seja a Santíssima Trindade pelos milagres de graça realizados em vós nesta hora tremenda!
[...]
    É difícil para uma mãe ficar imóvel do lado do leito de morte de um filho. O pesar tem de mover alguma coisa. As necessidades do sofredor são a luxúria do pranteador. É preciso amaciar novamente os travesseiros, tirar o cabelo da frente dos olhos, enxugar da testa úmida as gotas da morte, umedecer continuamente os lábios exangues, esfregar as mãos pálidas, afastar uma cortina para que entre mais ar, proteger os olhos da luz, remover as roupas que dificultam a respiração. Ainda quando é claro que o toque mais leve, o mais gentil desses serviços, é causa de dor para o sofredor, a mão da mãe não consegue refrear-se; pois seu coração está em todos os dedos. Ficar imóvel é uma desolação para sua alma. Ela pensa que não é a habilidade ou experiência da enfermeira o que deve ditar seus movimentos, mas sim sua teimosia, pois a enfermeira não é a mãe desse belo menino; e assim se rebela contra a autoridade da enfermeira, ainda que as possibilidades de ser cruel lhe refreiem as mãos. É certo que se deve retirar a espuma da sua boca, é verdade que o longo cacho de cabelos está coçando ao cair entre os olhos e dividir sua visão, é certo que se deve trazer de volta, com delicadeza, com muita delicadeza, o sangue à mão gelada. E assim ela se senta murmurante, condensada toda a sua dor na imobilidade obrigatória. Pensai, então, quanto Maria sofreu nas três longas horas sob a Cruz! Existiu alguma vez leito de morte tão incômodo, tão desconfortável como aquele madeiro áspero? Existiu alguma vez postura mais torturante do que estar dependurado com cravos nas mãos, sendo puxado mais e mais para baixo pelo peso do Corpo? Onde estava o travesseiro para Sua cabeça? Se tentasse repousar sobre o Título da Cruz, a coroa de espinhos empurrava-O para frente de novo; se se prostrasse sobre o Peito, não poderia alcança-lo, e o peso despregaria o Corpo dos cravos. Correntes vagarosas de Sangue escorriam sobre seu Corpo ferido, fazendo-O tremer a seu toque, com irritação e desconforto muito dolorosos. O Sangue lhe irritava os olhos, um líquido quase congelado. Sua Boca, tremendo de sede, era também tocada pelo Sangue, que Sua respiração umedecia cada vez menos. Não havia membro que não reclamasse a mão terna da Mãe, e sua mão não conseguia alcançar tão alto. Seu toque aliviaria multidão de dores. Ó mães, há algum nome para expressar o desejo intolerável de Maria de alisar aquele cabelo, de limpar aqueles olhos, de umedecer aqueles lábios que havia pouco tinham dito palavras tão belas, de soltar as mãos latejantes e de segurar por um tempo a sola dos pés esmagados e lacerados?



Ao Pé da Cruz - Pe Frederick William Faber

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Programação - Santa Missa


Sábado - 01/07 - (Primeiro do mês - Festa do Preciosíssimo Sangue de N.S.J.C):

17:30 - Rosário, Confissões e Meditação dos mistérios do rosário
19:00 - Santa Missa

Após a Missa haverá adoração ao Santíssimo Sacramento durante toda a madrugada.

Domingo - 02/07

09:00 - Rosário, Confissões
10:00 - Santa Missa

Aos que puderem, pedimos ajuda para os gastos com as passagens do padre.

Meditações - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 30º dia

Meditações - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 30º dia


Aproximemo-nos da santa Mesa: ali acharemos o Coração de Jesus desejoso de nos comunicar suas graças.  

     Na derradeira noite de sua vida, nosso amantíssimo Redentor, vendo que era chegado o tempo dele morrer pelos homens, tempo pelo qual tão ardentemente suspirava, não pode consentir em nos abandonar sós neste vale de lágrimas; para que nem a morte o separasse de nós, quis deixar-nos em alimento no Sacramento do altar seu corpo, sangue, alma e divindade. 
    Mas qual é seu intento dando-se a nós deste modo? Ah! sabemos que é próprio daquele que ama querer bem a pessoa amada. O Cora­ção de Jesus quer então vir a nós para nos fazer bem; ele tem, para isto, todas as riquezas do Pai eterno. Assim, quando ele visita nossas almas sacramentalmente, vem com tesouros imensos de graças. Depois da comunhão bem podemos dizer: Todos os bens me vieram com ela. O efeito principal operado pelo Sagrado Coração neste divino banquete, é entreter em nós a vida da graça. Dai o nome de Pão de vida dado á Eucaristia, porque, assim como o pão material sustenta a vida do corpo, assim o pão espiritual sustenta a vida da alma, mantendo-a na graça de Deus.
    Mas, para um organismo doentio não basta o pão; necessários lhe são ainda remédios próprios para combater eficazmente as causas que destroem a saúde. A comunhão satisfaz também a esta necessidade de nossas almas, cuja vida é posta em perigo pelos pecados veniais e pelas paixões. Este alimento divino e, com efeito, conforme o Concilio de Trento, o antidoto que nos livra das faltas veniais e nos preserva dos pecados mortais. A Comunhão nos livra das faltas veniais, porque este divino Sacramento leva o homem a fazer atos de amor que apagam os pecados veniais; preserva-nos também das faltas graves, pelo aumento da graça que ela produz em nós. Uma fonte d'agua sai do Coração de Jesus e pára o fogo das paixões que nos consomem: aquele que sente arder em si este fogo, chegue-se á comunhão, e verá logo sua paixão, se não morta, ao menos muito amortecida. Se algum entre nós, dizia S. Bernardo, sente-se menos vezes e menos violentamente levado á ira, á inveja, a impureza e a outros vícios, dê graças ao Sacramento de amor: ele é que opera estes felizes efeitos.
     Não contente de extinguir em nós os impuros ardores da concupiscencia Jesus, na Eucaristia, acende ainda em nossas a mas a celeste chama do divino amor, o qual é o mais seguro preservativo contra o pecado. Deus é amor;" é um jogo que consome em nossos corações todas as afeições terrestres ; ora, o Filho de Deus declara que que veio trazer fogo sobre a terra, e que todo seu desejo é ver todas as almas abrasadas. Com efeito, quão salutares ardores o Coração ardente de Jesus faz experimentar aqueles que comungam com fervor! Quando deixamos esta sagrada mesa, diz S. João Crisostomo, as chamas d' amor que se erguem de nossos corações, nos tornam temíveis ao inferno mesmo. Então, não somente os demônios fogem logo que nos veem, mas os santos anjos vem colocar-se em torno de nós.
     Enfim, pela santa comunhão, o Coração de Jesus nos eleva a dignidade tal, que apenas podemos conceber, porque o pão celeste tornase a mesma coisa conosco se é que assim me posso exprimir, como o alimentocorporal se muda em nosso sangue; mas com esta diferença que os alimentos terrestres tomam nossa natureza, ao passo que, recebendo este alimento divino, nós tomamos a natureza de Jesus Cristo. Nosso Senhor, convidando-nos ao celeste banquete, parece dizer-nos : Comei, e sereis por minha graça o que eu sou por natureza. Tais são as palavras que ele se dignou dizer certo dia a Santo Agostinho : Eu não serei mudado em ti, mas tu serás mudado em mim. Assim é que o Sagrado Coração virá reformar todo nosso ser, dando-nos, segundo sua promessa, um coração novo.
     Se a comunhão é tão vantajosa, d'onde vem, pergunta o Cardeal Bona, que tantas almas tiram dela tão poucos frutos? Não é falta de virtude no alimento, responde ele, mas é falta de disposição no que o recebe. O fogo pega depressa na madeira seca e dificilmente na verde, porque esta não está disposta para arder. Se os santos tiraram tão grandes frutos de suas comunhões, é porque punham muito cuidado em se preparar. S. Luiz de Gonzaga empregava três dias nesta preparação, e outros três dias na ação de graças ; nesta mesma intenção ele oferecia a Jesus Cristo todas as ações do dia.

Prática

    Preparar-me-ei com todo o cuidado para a comunhão, primeiro desapegando-me cada vez mais das criaturas, e depois, desejando vivamente crescer no amor divino. Desde a véspera, suspirarei pela vinda de meu Deus, dizendo:Ó Coração de Jesus, vinde, minha alma suspira por vós. - Para Ação de graças direi muitas vezes durante minhas ocupações : Ó doce Coração de Jesus, não permitais que eu me separe jamaisde vós pelo pecado: fazei, ao contrário, que eu vos ame cada vez mais.

Afetos e Súplicas

    Ó Senhor, cheio de bondade, amabilíssimo Salvador meu, com que amor me visitais, quando vindes á minha alma pela santa comunhão! então, vós não me honrais somente por vossa presença, mas vos tornais meu alimento, vos unis e vos dais inteiramente a mim, de sorte que eu posso dizer com verdade: Meu Jesus, pois que vos dais todo a mim, justo e que eu me dê todo a vós. Mas ai! eu sou um miserável verme, e vós, vós sois meu Deus! Deus de amor, ó amor de minha alma, quando e que me verei todo vosso, não somente de palavra, mas de fato? Ah! e o que podeis fazer, Senhor : aumentai em mim, pelos merecimentos de vosso Coração a confiança de que tenho necessidade, a fim de que obtenha de vós esta grande graça de me ver todo vosso antes de morrer, todo para vós e mais de modo nenhum para mim mesmo. Meu Deus, que atendeis a todos aqueles que vos invocam, escutai hoje a oração desta pobre alma que deseja vos amar verdadeiramente. Eu quero vos amar com todas as minhas forças, quero vos obedecer em tudo, sem interesse, sem consolação, sem recompensa; quero vos servir por amor, unicamente para vos agradar, para satisfazer vosso Coração de que sou tão ternamente amado. Minha recompensa será vos amar. Ó Filho querido do Padre eterno, apoderai-vos de minha liberdade, de minha vontade, de tudo o que me pertence, de todo o meu ser, e dai-vos a mim; eu vos amo, eu vos busco, por vós suspiro, e desejo ser todo vosso! Ó Mãe de meu Redentor, rogai por mim, a fim de que, por vossa assistência, eu receba vosso divino Filho com amor perfeito, e minha alma se torne segundo o seu Sagrado Coração.

Oração Jaculatória

Amante Coração de meu Jesus, fazei que meu coração seja todo para vós. 

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Meditação - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 29º dia

Mês do Sagrado Coração de Jesus - 29º dia

   Aproximemo-nos da santa Mesa: ali acharemos o Coração de Jesus desejoso de se unir a nós muito frequentemente. 


      O amor tende naturalmente a união com o objeto amado, ou antes, segundo o pensamento de santo Agostinho, o amor é uma cadeia de ouro que une o coração da pessoa que ama, e o da pessoa amada. E como esta união não se pode efetuar de longe, aquele que ama, deseja sempre a presença da pessoa amada. A esposa sagrada, quando separada do seu Amado, enlanguecia, e rogava a suas companheiras para que lhe contassem seus padecimentos, afim de obrigar a consola-la por sua presença: eu vos conjuro, filhas de Jerusalem, se encontrardes meu Amado, dizei-lhe que enlangueço de amor. 
    Ora, a união do homem com seu Deus faz-se na santa comunhão, como a palavra o indica. Mas notemos aqui um prodígio de ingratidão e outro de amor. De um lado, o coração do homem, apesar da extrema necessidade que tem de seu Deus, separa-se da mesa santa, ou se aproxima o mais raramente que pode; e de outro lado o Coração amante de Jesus deseja, busca, solicita esta união de todas as maneiras possíveis.
    Ele manifesta neste sentido o mais vivo desejo. Ardentemente desejei, diz ele, comer esta
pascoa convosco. Estas palavras foram pronunciadas na ultima ceia; mas o fogo que abrasava então o Coração de Jesus, não é menor hoje. Eis porque ele não cessa de nos fazer os mais ternos convites: Vinde, comer o pão e beber o vinho que eu vos preparei. Não contente de nos convidar, Jesus nos impõe obriga­ção d'isto por um preceito formal : Tomai e comei, este é meu corpo. De mais ,  ele nos atrai pela promessa da vida eterna: Aquele que come este pão, viverá eternamente. Chega até a nos ameaçar de nos excluir do paraíso se recusamos comer sua carne sagrada. Se não comeis da carne do Filho do homem, não tereis a vida em vós. Que nos dizem estes convites, estas promessas, estas ameaças? Revelam-nos o desejo que tem o Coração do Jesus de se unir a nós na Eucaristia, desejo que nasce do grande amor que ele nos tem. E evidente que só a comunhão frequente pode satisfazer tal desejo. 
     Mas não é verdade que o coração do homem evita o mais que pode a doce união solicitada pelo Coração de seu Deus? Ó insensatos partidários do mundo, exclama santo Agostinho, desgraçados, aonde ides para satisfazer os desejos de vosso coração? Vinde ao Coração de Jesus, único que pode vos dar a felicidade que buscais. Ó vós que ledes estas linhas, não sigais estes transviados; vinde ao banquete sagrado buscar este único bem em que se acham todos os bens. Temeis! Ah! durante os primeiros seculos da Igreja, os fieis rompiam todos os dias este pão celeste em suas reuniões, como no-lo ensina S. Lucas dos de Jerusalem. Sim, este é o nosso pão quotidiano, nos diz Santo Ambrósio ; ide então recebe-lo quotidianamente, a fim de que cada dia vos seja ele proveitoso.
    Se não podeis comungar todos os dias, como os fervorosos cristãos dos grandes seculos de fé, comungai ao menos todas as vezes que puderdes. Não vos esqueçais, principalmente, da comunhão da primeira sexta feira de cada mês, a qual o Coração de Jesus concede as maiores graças. Fazei-apenas três intenções já citadas, isto é: 1°. em reconhecimento do dom inefável que Jesus nos fez na Eucaristia, de seu corpo, de seu sangue, de sua alma, de sua divindade, de seu Coração ; 2°. em compensa­ção da negligência que tinheis outrora em vos aproximar da santa mesa. Pedi o ardor de uma santa Catarina de Sena, que ia ter-se com seu confessor, exclamando : Ó meu Pai, dai a minha alma seu nutrimento muito amado ; dai a minha alma seu nutrimento. Pedi a fé de uma santa Maria Magdalena de Pazzi, que chorava de dor vendo desprezar-se a comunhão : Eu antes quisera morrer do que faltar a uma só das comunhões que meu confessor me concede; 3º em reparação de vossas faltas e de tantos sacrilégios ·que se cometem contra este adorável Sacramento. Nosso divino Salvador se dignou um dia dizer estas consoladoras palavras a venerável Irmã Prudenciana Zagnoni: Se comungardes muitas vezes, esquecerei todas as vossas ingratidões. Obriga-vos também a vos aproximar do divino banquete a compaixão para com o Divino Salvador. Santa Teresa percebeu, certo dia, com horror um desgraçado sacrilego cer­cado de dois demônios que tremiam diante do Santissimo Sacramento ; e então ouviu, do meio da hoótia, Jesus dirigir-lhe estas pala nas: Vê, Teresa, até onde chega minha bondade, pois que, para teu bem e para o de todos os homens, consinto em me pôr assim entre as mãos de meu inimigo.

Prática

     Farei a comunhão reparadora na primeira sexta feira de cada mês. O Coração de Jesus é que m'o pede. Poderei recusar-lhe uma coisa que redundará toda em meu proveito?

Afetos e Súplicas

     Ó Coração de meu amadissimo Jesus, ó mais terno e generoso de todos os corações, que coisa então vos levou a vos dardes todo a nós em nutrimento? e depois deste dom inefável, que vos resta ainda fazer para nos obrigar a vos amar? Ah! esclarecei-nos e fazei-nos conhecer este excesso de amor que vos transformou em alimento para vos unirdes a nós, pobres pecadores! Mas se vos dais todo a nós, justo é que nós também nos demos inteiramente a vós. ó Coração de meu Redentor, como pude vos ofender vendo que me tendes amado tanto, e nada haveis poupado para ganhar meu amor! Vós vos fizestes homem por mim, vós vos fizestes meu nutrimento; dizei-me, que poderieis fazer ainda? Oh! eu vos amo, bondade infinita, eu vos amo, amor infinito : vinde, Senhor, vinde muitas vezes á minha alma: quero unir-me muitas vezes a vós na santa comunhão, para me desapegar de tudo, e para amar a vós somente, que sois minha vida. Ó Maria, por vossa intercessão, tornai-me digno de receber muitas vezes vosso divino Filho no Sacramento de seu amor.

Oração Jaculatória

Coração amável de meu Jesus, bem pobre e desgraçado é o coração que vos não ama. 

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Meditação - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 28º dia

Meditação - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 28º dia


Aproximemo-nos da santa Mesa: ali acharemos o Coração de Jesus desejoso de se unir estreitamente a nós.


    Quão belo é o pensamento de São Lourenço Justiniano, quando exclama: Ó Deus de amor, vós quisestes que nosso coração fosse um só com o Vosso! 
   Um só coração! Ó santa fé ! falai : Aquele, diz Jesus Cristo, que come minha carne, mora em mim e eu nele.  Assim, aquele que comunga, está verdadeiramente em Jesus, e Jesus nele. Jesus está no meu coração, e meu coração está no Coração de Jesus.
    Um só coração ! Sim, diz São Cirilo de Alexandria, da mesma sorte que dois pedaços de cera derretidos se unem, assim aquele que comunga, torna-se a mesma coisa com Jesus Cristo.
    Um só coração! Ah! quem então fez esta maravilha inefável? é o amor. S. Dionisio Areopagita diz que o efeito principal do amor é produzir a união ; também o Coração amante de Jesus quis instituir a santa comunhão precisamente para se unir ás nossas almas da maneira a mais íntima. Corno ele nos amava ardentemente quis se unir a nós na eucaristia, a fim de que fossemos uma só coisa com ele. Tal é o pensamento de S. João Crisóstomo.
    Um só coração! Vede como esta união é estreita; Jesus se nos tinha dado como vítima, exemplar e mestre; restava-lhe ainda transpor o último grau de amor: era dar-se a nós em alimento, a fim de tornar-se a mesma coisa conosco, como o alimento se torna uma só coisa com quem o toma. Ora, é o que ele fez instituindo, sob a forma de pão, este admirável Sacramento de amor. Não, dizia S. Francisco de Sales, arrebatado por amor tão prodigioso, não, o Salvador não pode ser considerado n'alguma ação nem mais amorosa nem mais terna que esta, na qual ele se aniquila, para assim dizer 1 e se reduz a comida, a fim de penetrar nossas almas e unir-se intimamente ao coração e ao corpo dos fiéis.
    Um só coração!Cumpre exclamarmos aqui com S. Lourenço Justiniano: Vimos um Deus, que é a sabedoria mesma, feito como insensato pelo autor excessivo que tem aos homens. tal excesso não convinha a vossa majestade, ó meu Senhor! Convinha a meu Coração cheio de amor, responde Jesus pela boca de S. Pedro Crisologo: ignorais então que quando um coração está apaixonado, não atende ao que convém? Vai, não aonde a razão o chama, mas aonde o leva seu amor.
    Um só coração!  E irei comungar sem amor ? É então possível ocultar fogo no seio sem queimar as vestes? Nosso Deus é fogo consumidor, diz S. Paulo ; pela comunhão ele vem a minha alma para a abrasar com seu amor, e no meio deste fogo divino minha alma ficaria gelada? Não, quando eu receber meu Salvador, pensarei que ele me diz como a sua fiel serva Margarida de lpres: Vê, minha filha, a bela união que existe entre nós, entre meu Coração e o teu, consagra-me, pois, o teu amor, fiquemos sempre unidos pelo amor e não nos separemos mais.
     Um só coração! Disto não me esquecerei jamais. Um só coração no tempo! E depois, um só coração na eternidade! porque a eucaristia é o penhor da gloria futura: Pignus futurre glorire.

Prática

     Cada vez que eu for comungar, direi: Ó Maria, minha mãe, dai-me vosso terno Jesus, como outrora o destes aos Pastores e aos Magos. Quisera ter vosso Coração para o amar. Dizei-lhe que sou vosso servo dedicado, e ele me unira mais estreitamente a seu divino Coração.

Afetos e Súplicas

    Verdadeiro e único amigo de minha alma, ó meu Jesus, que mais podeis fazer para serdes amado de mim? Não vos contentastes de morrer para mim: quisestes ainda instituir este augusto Sacramento para vos dardes todo a mim, e, d'ste modo, vos unir intimamente, coração com coração, a uma criatura tão desprezível e ingrata como eu; ainda mais, vós mesmo me convidais a vos receber, ardentemente o desejais! Ó amor imenso, amor incompreensível, amor infinito! Um Deus quer se dar a mim! Tu, minha a ma crês este prodígio de amor, e que fazes? Que dizes? Ó Deus! Ó Deus! Ó amabilidade infinita, único objeto digno do amor de todas as criaturas! Eu vos amo de todo meu coração, eu vos amo mais que a mim mesmo, mais que minha vida! Oh! quem me dera vos ver amado de todo o mundo ! Oxalá pudesse vos fazer amar de todos os corações quanto o mereceis! Eu vos amo, í Deus infinitamente amável e uno o amor de meu pobre coração ao amor dos serafins,  ao amor do Coração de Maria, ao amor do Coração de Jesus, vosso Filho amantíssimo, de sorte que eu vos amo, ó bondade infinita, com o amor que abrasa os santos, a Maria e a Jesus ; eu vos amo unicamente porque mereceis ser amado, e para vos agradar.
    Sai de meu coração, afetos que não sois para Deus. Ó Mãe do belo amor, amável Virgem Maria, ajudai-me a ter amor a este Deus que tão ardentemente desejais ver amado.

Orações Jaculatórias

   Ó belas chamas do Coração ardente de Jesus, infiamai meu coração.

terça-feira, 27 de junho de 2017

Meditação - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 27º dia

Meditações - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 27º dia

Aproximemo-nos do tabernáculo : ali acharemos o Coração de .Jesus esperando de nós uma visita de amor.

 
     O padre Baltasar Alvares chorava vendo os palácios dos grandes cheios de pessoas que vão fazer corte a um homem de quem esperam alguma miserável satisfação, ao passo que ficam abandonadas as Igrejas as onde habita o soberano Senhor do mundo.Que triste solidão, de ordinário, ao redor de nossos tabernáculos! Vinde, alma piedosa, vinde fazer companhia a Jesus Cristo, vinde consolai-o por vossa presença: seu divino Coração e quem vo-lo pede, prometendo-vos a abundância de suas graças, se lhe dais esta consolação.
    Vinde a este amante Coração; ele vos receberá com bondade e a toda hora. Ai está ele para quem o deseja. Eu sou, nos diz ele no livro dos Cânticos, eu sou a flor dos campos e o lírio dos vales. Ele se chama o lírio dos vales, para nos dar à entender que ele é humilde de coração, e não se deixa achar senão pelos humildes. Ele se chama flor dos campos, porque é acessível a todos. As flores dos jardins são reservadas e cercadas de muros; nem a todos é permitido colhei-as nem vê-las. As flores dos campos, ao contrário, são expostas aos olhos de todos que passam, e cada um pode toma-las : assim é que o Coração de Jesus está ao alcance de todos os que desejam acha-lo. Quando se quer entrar nos palácios dos grandes, encontra-se muitas vezes á porta um guarda que diz : Não é hora: mas quando se quer entrar no Coração de Jesus, basta dirigir-se a Maria; no mesmo instante a audiência é dada.
    Vinde a este Coração tão acessível, que está no tabernáculo para vos enriquecer, porque ele é tão bom, diz Santo Agostinho, que deseja mais nos dar suas graças do que nós recebe-las. De outro lado, no Santissimo Sacramento é que ele atende mais de vontade nossos rogos, como afirma o Bemaventurado Henrique Suso. Jesus, na Eucaristia, está ansioso por nos comunicar seus favores, mais ainda do que a mãe que tendo leite em extraordinária abundância, deseja descarregar-se desse doce peso. Santa Teresa dizia que este Rei de glória se ocultou sob as espécies do pão deste Sacramento do altar, e velou assim sua majestade para nos animar a nos aproximarmos de seu adorável Coração com mais confiança. Aproximemo-nos, pois, dele com muita confiança, e peçamos-lhe suas graças.
    Vinde a este Coração tão rico e tão bom: ele lá está para vos consolar. Ah! se o houvésseis experimentado , ouvir-se-vos-ia dizer com a condessa de Feria, apelidada esposa do Santissimo Sacramento : eu ficaria lá toda a eternidade! Se, pois, quereis agradar ao Coração amantíssimo · de vosso Deus, procurai entreter-vos com ele as mais vezes que poderdes, e falar-lhe com toda a confiança possível; de seu lado, ele não desdenhara vos responder e entreter-se convosco. Jesus não fará ouvir sua voz de modo exterior e sensível, mas falar-vos-a interiormente uma linguagem que vosso coração compreendera bem, uma vez que vos separeis do comércio das criaturas para tratardes de coração a coração com vosso Deus: eu a conduzirei á solidão, diz ele pela boca do profeta, e falarei a seu coração.  Então ele vos falará pelas inspirações, pelas luzes interiores, pelos testemunhos de bondade, pelos toques suaves que penetram o coração pelas seguranças de perdão, pelos penhores de paz, pela esperança da felicidade eterna, pelas alegrias intimas, pelas carícias de sua graça, pelos abraços afetuosos. Jesus vos fará ouvir as palavras de amor, que sempre compreendem as almas que o buscam e são por ele amadas. Numa :palavra, na solidão das Igrejas, achareis o Coração do Verdadeiro e Único Eterno Amigo.
    Não deixeis então de agora em diante passar dia algum sem irdes a uma Igreja para vos entreter algum tempo ainda que seja um quarto de hora só, diante do Santíssimo Sacramento. Oh! quão delicioso é ficar ao pé d'um altar com fé ! oh! quão salutar e consolador é derramar o próprio coração no Coração de Jesus!


Prática

    O Coração de Jesus é fiel e constante no seu amor, pois que nunca deixa nossas Igrejas, apesar dos ultrajes que recebe nelas. Porque eu não seria constante no meu? Se ele o merece hoje, porque não amanhã e depois de amanhã? Visita-lo-hei cada dia, e para lhe agradar mais, darei a mesma homenagem a sua santa Mãe e a S. José.

Afetos e Súplicas

    Permiti que eu vos fale, ó Coração amantíssimo de meu Jesus, de onde sairam todos os Sacramentos, e principalmente este Sacramento de amor! Quisera vos dar tanta honra e glória quanto rendeis nas Igrejas ao Padre eterno. Sei que vosso amor para comigo, neste altar, é o mesmo de que me destes prova quando sacrificastes vossa vida na cruz num abismo de dores. Ó Coração adorável, esclarecei aqueles que não vos conhecem, e fazei que eles vos conheçam. Livrai por vossos merecimentos, ou ao menos aliviai nas suas penas as almas do purgatório, que são já vossas esposas eternas. Eu vos adoro, agradeço e amo, com todas as almas que, neste momento, vos amam na terra e no céu. Ó Coração puríssimo, purificai meu cora­ção de todo o apego ás criaturas, e enchei-o de vosso santo amor. Ó Coração ternissimo, tornai-vos tão por completo senhor de meu coração, que ele seja todo para vós, e possa eu dizer: Nada é capaz de me separar do amor de Deus que é um em Jesus Cristo.  Ó Coração santíssimo, gravai no meu coração as penas acerbíssimas de vossa vida mortal; vós as sofrestes por mim durante tantos anos e com tão grande amor! Isto me fará desejar ou ao menos suportar com paciência por amor de vós todas as penas desta vida. Coração humilimo, ensinai-me vossa humildade. Coração mansíssimo, comunicai-me vossa mansidão. Tirai de meu coração tudo o que vos não é agradável; convertei-o tão perfeitamente a vosso amor, que ele não queira e não deseje senão o que quereis. Fazei, em suma, que eu via unicamente para vos obedecer, amar e agradar. Reconheço que não me é possível amar-vos como devo : vós me haveis cumulado de tantos benefícios; pouco é que eu me sacrifique e me consuma inteiramente por vós.

Oração Jaculatória

Ó Amadíssimo de meu coração, quanto desejo que todos os homens conheçam a ternura do amor que lhes tendes. 


segunda-feira, 26 de junho de 2017

Meditação - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 26º dia

Meditações - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 26º dia


Aproximemo-nos do tabernáculo : ali acharemos o Coração de Jesus esperando de nós uma visita de reparação. 


     Oh! Quem me dera ter o coração, a voz e as lágrimas de um S. Francisco de Assis, para bradar por todo o mundo:  O amor não é amado! O amor não é amado! Não há pena mais cruel para um coração amante do que ver seu amor desprezado e seus benefícios pagos com ingratidão. Se o Coração de Jesus pudesse ainda agradecer agora como na sua vida mortal, a maior parte de nossos tabernáculos seriam para ele outros tantos jardins de Oliveiras. 
   Notai os extremos de seu amor para com os homens! Por causa deles, o divino Coração chegou a velar no Santíssimo Sacramento sua majestade, a obscurecer sua glória; chegou a consumir, aniquilar sua vida sagrada; numa palavra, sobre os altares, ele parece não ter outra ocupação que amar os homens. Mas que reconhecimento lhe testemunham esses ingratos?
    Sim, sua ternura é excessiva, pois ele preferiu nossa vantagem á sua própria dignidade. Não sabia Jesus então a que desprezos devia expo-lo esta invenção de seu amor? Nós somos testemunhas, e ele bem o viu antes de nós, a maior parte dos homens não o adoram e não querem reconhece-lo por aquilo que ele é n'este Sacramento. Mais de uma vez, sabemos, estes mesmos homens ousaram calcar aos pés as hóstias con­sagradas, lança-las na terra, atira-las no fogo. Vemos ainda que grande número daqueles que creem n'ele, ó Céus! Longe de repararem tantas injúrias, por suas piedosas homenagens, aumentam suas penas por suas irreverencias nas Igrejas, ou ao menos o abandonam só sobre os altares, algumas vezes até sem lâmpada e sem os ornamentos necessários.
     A esta lembrança, um grito deve repercutir no fundo de toda alma generosa: Reparação! Reparação! Aliás qual é o meio mais eficaz de reparar tantos ultrajes? é prostrarmo-nos muitas vezes ao pé dos altares, e rogarmos ao Coração de Jesus a conversão daqueles que o ofendem. Com efeito, quando um pecador se converte, quando lava seus pecados passados nas lágrimas de seu arrependimento, e começa uma vida toda nova, faz a mais bela das reparações Aquele que veio entre nós, não tanto para os justos como para os pecadores, Aquele cuja gloria é salvar as almas. O Senhor dizia um dia á santa Maria Magdalena de Pazzi: Almas queridas de meu Coração, a vós é que confiei a cidade de Refúgio (isto é a Paixão, ou a memoria a Eucaristia renova continuamente) a fim de que saibais aonde podeis vir em socorro as minhas criaturas; ide então e dai vosso socorro a essas pobres almas que perecem, oferecendo vossa vida por elas. Dai, inflamada em ardente zelo, a santa oferecia a Deus cinquenta vezes por dia, o sangue do divino Redentor pela salvação dos pecadores, e não deixava quase passar uma hora do dia sem orar por eles; muitas vezes ainda, ao bater meia noite, ela ia aos pés do Santíssimo Sacramento interceder em favor deles. Apesar de tanto fervor encontraram-na um dia toda em lacrimosa, e como lhe perguntassem a causa de sua dor, respondeu: Choro, porque me parece que não faço nada pela salvação dos pecadores. Ela se oferecia muitas vezes como vítima, chegando a dizer: Senhor, fazei-me morrer e reviver bastantes vezes para satisfazer a vossa justiça em favor deles. Assim é que esta grande santa compreendia a reparação dos ultrajes feitos ao Coração de Jesus Cristo.
    Reparação! Reparação! Tal deve ser o grito de toda alma que se lembra de ter sido outrora ingrata para com Jesus no seu Sacramento. E se, no futuro, tivéssemos ainda a desgraça de lhe causar mágoa, excelente meio de consolação seria irmos, com inteira confiança, lançar-nos a seus pés para lhe pedirmos perdão. O Coração de Jesus é fonte aberta para todos os homens, fonte onde podemos, quantas vezes quisermos, limpar nossas almas de todas as manchas que contraimos cada dia pecando. O mais pronto remédio nas faltas em que cai o christão, é recorrer logo ao Sagrado Coração de Jesus no Santíssimo Sacramento.

Prática

     Nas minhas visitas de cada dia ao Santíssimo Sacramento farei reparação ao Sagrado Coração de Jesus pelos pecados que se cometem no mundo, principalmente por tantos sacrilégios, que nascem quer da falta de sinceridade na confisão; quer da falta de verdadeira conversão. 
Direi muitas vezes, como reparação, a seguinte oração jaculatória: Meu .Jesus, misericórdia ! (100 dias de indulg., 23 Setembro de 1846.) 

Afetos e Súplicas

     Ó Jesus, meu amabilíssimo, dulcíssimo e amadíssimo Salvador, vida, esperança, tesouro, único amor de minha alma, quanto vos tem custado ficar entre nós neste Sacramento! foi necessário que morresseis para permanecerdes sobre nossos altares. E depois, neste Sacramento mesmo, quantos ultrajes tendes sofrido para nos dardes o beneficio de vossa presença! Tudo cedeu ao vosso amor e ao desejo que tendes de ser amado de nós. Ah! Meu terno Salvador, quem me dera poder lavar com minhas lágrimas e até com meu sangue esses tristes logares em que vosso Coração cheio de amor recebeu tantos ultrajes no Santíssimo Sacramento! Mas se esta consolação não me é concedida, desejo ao menos, Senhor, e proponho visitar-vos muitas vezes para vos adorar, em compensação dos desprezos que recebeis da parte dos homens n'este divino mistério. Dignai-vos, ó Padre eterno, acolher esta fraca homenagem que vos rende hoje o mais miserável dos homens, em reparação das injúrias feitas a vosso divino Filho sobre nossos altares: aceitai-a, dignando-vos uni-la a honra infinita que Jesus Cristo vos deu na Cruz, e vos dá ainda todos os dias no seu Sacramento. Ó meu Jesus, pudera eu inspirar a todos os homens o mais ardente amor para com vosso Sacramento de amor.


Oração Jaculatória

Ó meu Salvador, em amor para convosco ardam todos os corações, como o Vosso arde em amor para conosco!

domingo, 25 de junho de 2017

Meditação - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 25º dia

Meditações - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 25º dia


    Aproximemo-nos do tabernáculo: ali acharemos o Coração de Jesus esperando de nós uma visita de reconhecimento. 


    Agradecer a Jesus Cristo o grande dom que ele fez aos homens, dando-lhes a Eucaristia. reparar as injurias que ele recebe neste Sacramento, enfim, amai-o, em compensação do culto que muitos deixam de dar-lhe nas Igrejas, tal e o tríplice fim para o qual o Salvador mesmo quis que a festa de seu Sagrado Coração fosse instituída. Mas uma coisa digna de ser notada, é que ele prometeu derramar com abundância as riquezas de seu Coração sobre os que lhe tributassem esta tríplice homenagem, não somente no dia mesmo desta festa, mas ainda em todos os outros dias. E que é necessário para merecer os efeitos desta promessa? É necessário visita-lo no Santíssimo Sacramento, nos três fins acima ditos.
    Que amor e ações de graças devemos ao Coração de Jesus, por ter instituído este adorável Sacramento! Sem esta amorosa invenção, quão  triste seria nosso desterro! A quem nos dirigiríamos nos males de que esta vida está cheia? Onde acharíamos um Coração tão bom para se compadecer das misérias de todos, tão poderoso para consolar todos os que implorassem seu socorro! Jesus só pode dizer e diz com efeito : Vinde a mim, vós todos que gemeis sob o fardo de vossas penas, e eu vos alentarei. Ora, esta palavra, esta boa palavra saída do bom tesouro do seu Coração, ele no-la repete continuamente do fundo do seu tabernáculo.
    Porque lá está este Coração tão amável e tão amante; lá está, esperando, chamando e acolhendo todos aqueles que o vem visitar. Meus olhos e meu Coração estarão ali em todos os tempos. Consoladora promessa, cujo cumprimento Jesus nos mostra no Sacramento do altar, onde ele está por nós noite e dia! Lembremo-nos aqui do doloroso momento, em que o Redentor disse adeus a seus discípulos antes de ir para a morte. Eles choravam pensando que deviam se separar de seu Mestre querido; mas Jesus os consolou por estas palavras, dirigidas também a todos os fiéis : «Meus Filhos, eu vou morrer, para vos provar o amor que vos tenho; mas, ainda morrendo, não quero vos deixar sós; em quanto estiverdes sobre a terra, quero ficar comvosco : Ecce ego vobiscum sum. Eu vos deixo na Eucaristia meu corpo, minha alma, minha divindade, e este Coração que tanto amor vos tem.»
    Lá esta pois o Coração de Jesus ; mas por quanto tempo? Ah! é o Coração de um amigo fiel; ele lá está dia e noite; lá estará até o fim do mundo : Usque ad consummationem sceculi. Mas, ó Coração divino, para que ficar em nossas Igrejas durante a noite, pois fecham-se as portas e ficais só? Bastante era que ficasseis somente durante o dia. Não, responde ele, quero ficar também de noite, sempre esperando, a fim de que, de manhã, quem me buscar me ache logo sem me esperar. A esposa sagrada ia buscando por toda parte seu Amado, e perguntando aqueles que encontrava, se não o tinham visto : Não vistes Aquele a quem minha alma consagra seu amor? Não o achando, erguia a voz e exclamava: Ó meu Amado, fazei-me saber onde estais. Então, isto é, antes do nascimento do Salvador, a esposa , por mais que procurasse, não podia achar o esposo, por que não havia ainda o Santíssimo Sacramento ; mas agora, desde que uma alma queira achar a Jesus Cristo, basta-lhe ir a uma Igreja onde repousa a divina Eucaristia, e ali achará seu Amado que a espera, com o Coração inflamado e desejoso de a ver chegar-se para junto dele.
    Ele lá está! Mas quem então o retem entre nós? Quem o encadeia? É o amor que ele nos tem. Por que o amor, diz Santo Agostinho, é uma cadeia de ouro. S. Pedro de Alcântara, em êxtase diante deste amor inefável, dizia: «Língua nenhuma poderia exprimir a grandeza do amor que Jesus Cristo tem a cada uma das almas que estão em graça; por isso, este terno Esposo, deixando a terra, não pôde sofrer que sua separação lhe fizesse esquecer a esposa querida, e deixou-lhe como lembrança este divino Sacramento, onde ele mesmo reside. Este bom Salvador, para que sua esposa amadissima se lembrasse sempre dele, não quis deixar outro penhor senão sua divina pessoa realmente presente na Eucaristia.» O Coração de Jesus é assim nosso cativo, como dizia Santa Teresa; o tabernáculo é sua prisão, e o amor é sua cadeia!


Prática

Visitarei todos os dias o Santíssimo Sacramento, dizendo comigo : Que! O Coração de Jesus faz consistir suas delícias em estar comigo, e as minhas não serão estar junto do Cora­ção de Jesus?! 

Afetos e Súplicas

    Senhor, muito nos tendes amado; não bastava ficardes neste augusto Sacramento durante o dia, quando podeis ter adoradores de vossa divina presença para vos fazerem companhia? Que necessidade havia de ficardes ainda a noite toda, quando as Igrejas estão fechadas e os homens se recolhem ás suas casas, deixando vos inteiramente só ? Ah! Eu vos compreendo : o amor vos tornou nosso prisioneiro; o terno amor que nos tendes, enlaça vosso Coração com prisões tão fortes, que não vos permite separar de nós, nem de dia nem de noite. Ah ! Amabilíssimo Salvador, este só sinal de vossa afetuosa ternura deveria o brigar todos os homens a ficarem continuamente em adoração diante do santo cibório, a ponto de não poderem ser arrancados dali senão a força; ainda assim não deveriam separar-se senão deixando ao pé do altar todos os afetos de seus corações para com este Deus feito homem, que se digna ficar só e encerrado num pequeno tabernáculo, todo olhos para velar sobre nossas necessidades e acudir a elas, e todo coração para nos amar, esperando o dia para receber a visita de suas almas queridas. Sim, meu Jesus, quero vos satisfazer; a vós consagro toda a minha vontade e todos os meus afetos. Tudo o que existe em mim. Redentor meu, tudo cedo a vosso amor : tomai posse de minhas satisfações, prazeres, vontade, enfim de tudo. Ó amor, ó Deus de amor, reinai em mim, triunfai de todo o meu ser; destrui, sacrificai em mim tudo o que não é para vós. Ó meu amor, não permitais que minha alma se apegue ainda ás criaturas. Eu vos amo, meu Deus, eu vos amo, e não quero amar senão a vós para sempre. 

Oração Jaculatória

Ó Maria, quão feliz sois por terdes tido o Coração perfeitamente conforme ao Coração de Jesus.

sábado, 24 de junho de 2017

Meditação - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 24º dia

Meditações - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 24º dia


    Aproximemo-nos do Altar; ali acharemos o Coração de Jesus desejo de nos unir a seu Apostolado.


    O grande apostolado do Coração de Jesus se exerceu sobre a Cruz. A oferenda que ali fez então a seu Pai, de seu corpo, de seu sangue, de sua vida e seus merecimentos, teve por efeito a salvação do mundo e o cumprimento da obra tão necessária da Redenção.
    Não julguemos entretanto que este apostolado de redenção tenha terminado no Calvário; o Coração de Jesus o exerce continuamente sobre nossos altares por meio da Missa. Para bem compreende-lo, é necessário recordar que o sacrifício do altar é o mesmo que foi oferecido na Cruz, com esta diferença que, na Cruz, o sangue de Jesus Cristo foi derramado realmente, ao passo que no altar o é só misticamente. Se estivesseis no calvário no momento da morte de vosso Salvador, com que devoção e enternecimento alma fiel, teríeis assistido a esse grande sacrifício! Pois bem! Reanimai vossa fé, e pensai que o que se fez então para a salvação das almas se faz ainda agora na Missa.
    Mas eis aqui grande motivo de consolação para vós: este apostolado redentor podeis exerce-lo com Jesus. Por quanto, devemos notar que o augusto sacrifício não é oferecido somente pelo sacerdote, mas ainda pelos fieis, como claramente o insinuam S. Pedro e S. João, o primeiro na sua epístola, o segundo no Apocalipse. 
    Cada vez, por tanto, que tendes a felicidade de vos achar presente á imolação do Cordeiro divino, concorreis com ele na redenção do mundo, sua ocupação de cada instante. Para este fim, quando ouvirdes a Missa, uni-vos as intenções de seu adorável Coração. Ele se oferecia sobre o Calvário, e ainda se oferece cada dia em nossos altares, para expiar todos os pecados que se cometem continuamente na terra; porque só ele pode satisfazer á justiça divina. Pois bem! durante a Missa, oferecei ao Padre eterno o Sagrado Coração com todos os seus merecimentos, e assim dareis a Deus satisfação completa por todos os pecados dos homens; fareis o que pode mais eficazmente aplacar a ira de Deus contra os pecadores e abater as forças do inferno, a coisa que grangeia as graças mais abundantes para os homens na terra e os maiores alívios para as almas do purgatório! Enfim. executareis a obra de que depende a salvação do mundo inteiro. Por uma Missa ouvida desta maneira, satisfareis a .justiça divina por vossas faltas, de modo muito melhor que por outras obras expiatórias quaisquer que sejam. Bem que a Missa seja de valor infinito, é contudo verdade que Deus não a aceita senão de maneira finita segundo as disposições daquele que assiste a e a estas disposições são como o vaso que cada um leva para receber os dons de Deus, e que o Senhor enche sempre: quanto maior é o vaso, tanto maior a abundância das graças que se obtém; esta é a razão pela qual é útil ouvir muitas Missas. O célebre duque, Afonso de Albuquerque, atravessando os mares, viu um dia seu navio despedaçar-se contra os escolhos. Por perdido já se considerava o grande homem, quando, percebendo um menino que chorava toma-o em seus braços, e, elevando-o para o Céu, exclama: «Se não mereço ser ouvido, ouvi ao menos os choros d'este menino inocente, e salvai-nos.» No mesmo instante a tempestade se acalma e o perigo desaparece.
    Tenhamos a peito operar nossa salvação, contribuir para a do próximo, e aproveitemos deste exemplo. Nós temos ofendido a Deus, merecemos ser condenados a morte eterna; a justiça divina quer ser satisfeita; que havemos de fazer? Desesperar? Oh! não, vamos prostrar-nos diante do trono da graça, isto é, ao pé do altar onde o Sacerdote eterno se sacrifica e ora por nós; ofereçamos a Deus o Coração amabilíssimo de Jesus que é seu Filho. Oh! com quanto interesse e eficácia este divino Coração pleiteará nossa causa! Este meio de salvação nos é aconselhado por Santo Anselmo. Ele diz que Jesus mesmo, urgido pelo desejo que tem de não nos ver abandonados a nossa ruma e perdição, dirige-se da seguinte maneira a quem esta curvado para com Deus: Pecador, tranquiliza-te: Se tuas iniquidades te tornaram escravo do inferno, oferece-me a meu Pai ; por este meio, escaparás á morte e serás salvo. Pode-se, acrescenta o santo Doutor, pode-se imaginar maior misericórdia que a do Filho de Deus, dizendo ao homem: Eis-me aqui, resgata-te! 

Prática

    Direi cada manhã com os membros do apos­tolado da oração: Divino Coração de Jesus, eu vos ofereço, pelo Coração imaculado de Maria, todas as minhas orações, ações e padecimentos deste dia, em união com todas as intenções que tendes imolando-vos sem cessar sobre nossos Altares. Depois disto, direi o Pai Nosso, a Ave Maria, Creio em Deus Padre, e ajuntarei: Divino Coração de Jesus, fazei que eu vos ame cada vez mais. É tão belo salvar as almas! ouvirei cada dia a Missa nesta intenção. 

Afetos e Súplicas

    Pai celeste, eu, miserável pecador digno do inferno, nada tenho para vos oferecer em expiação de meus pecados; mas, ofereço-vos o Coração inocente de vosso Filho que se imola sobre nossos altares, e por seus merecimentos vos peço misericórdia. Se eu não tivesse este divino Coração para vos oferecer, estaria perdido, não haveria mais esperança para mim; mas vós m'o destes, para que eu possa esperar minha salvação por seus merecimentos. Senhor, minha ingratidão tem sido enorme, mas vossa misericórdia é maior ainda. E que maior misericórdia podia eu esperar de vós do que a que me haveis feito, dando vosso próprio Filho como vítima digna de vos ser oferecida em expiação de meus pecados? Pelo amor então de Jesus Cristo, perdoai minhas iniquidades, concedei-me a santa perseverança. Ah! meu Deus, se vos ofendesse ainda depois de me haverdes esperado com tanta paciência, depois de me haverdes perdoado com tanto amor, não mereceria que um inferno fosse criado de proposito para mim? Por piedade, meu Pai, não me abandoneis; tremo em pensar nas infidelidades de que me fiz culpado contra vós: quantas vezes voltei-vos minhas costas depois de haver prometido vos amar! Ó meu Criador, não permitais que eu tenha a desgraça de me ver de novo privado de vossa graça! oh! não, dir-vos-hei com Santo Inácio: Não permitais que eu me separe de vós; Não permitais que eu me separe de vós. Repito e quero repetir esta súplica até o derradeiro suspiro de minha vida: Não permitais que eu me separe de vós. Meu Jesus, ó caro amor de minha alma, prendei-me a vosso divino Coração pelas cadeias. do vosso amor; eu vos amo e quero vos amar eternamente: Não permitais que eu me separe jamais de vós.

Oração Jaculatória

    Ó conquistador dos corações, reinai sobre os corações dos homens.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Meditação - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 23º dia

Meditação - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 23º dia


Aproximemo-nos do Altar; ali acharemos o Coração de Jesus oferecendo-se por nós


    A ação mais santa, mais sublime que existe, é a santa Missa. Deus mesmo não pode fazer que haja ação mais santa do que esta. Todos os sacrifícios da antiga lei não foram senão sombra e figura dela. Santo Agostinho nos faz notar que o sacrifício da Missa não é menos eficaz hoje diante de Deus que a oblação que Jesus fez de si na Cruz, quando o sangue e a água correram da chaga do seu Coração. E porque? Ah! é que a Missa é o sacrifício do corpo e sangue do Filho de Deus, e por conseguinte, sacrifício perfeito, supremo, infinito. Sim, a instituição do augusto sacrifício da lei nova é a maior, a mais espantosa de todas as maravilhas inventadas pelo amor do Coração de Jesus! E que faz na Missa esse Coração Divino? Primeiro, oferece a seu Pai adorações dignas Dele. Todas as honras que tem dado a Deus os anjos por suas homenagens e os homens por suas virtudes, suas austeridades, seus martírios e suas santas obras, não puderam dar-lhe tanta gloria como uma só Missa; porque todas as honras que provém das criaturas são honras finitas, ao passo que a honra que resulta para Deus do sacrifício de nossos altares, sendo-lhe tributada pelo Coração d'um Deus, é infinita. É então a obra mais santa, mais divina e mais agradável a Deus. 
    Incapazes somos de agradecer a Deus, como Ele merece, os inúmeros benefícios a nós prodigalizados; mas consolemo-nos: O Coração de Jesus na Missa lhe dá por nós dignas ações de graças. Este divino sacrifício, diz Santo Irineu, foi instituído precisamente a fim de Podermos pagar a Deus a divida de nosso reconhecimento. Este divino Coração na Missa aplaca também a ira de Deus. Desgraçados de nós, se não tivéssemos este grande sacrifício para impedir que a divina justiça nos inflija os castigos que nossos pecados merecem! porque o sacrifício das vidas de todos os homens e de todos os anjos não poderia satisfazer dignamente a justiça de Deus por uma só falta cometida por uma criatura contra seu Criador; só o Coração de Jesus pode satisfazer por nossos pecados. Cada vez que se celebra a Missa, ele oferece a seu Pai seus merecimentos infinitos, e então o Senhor é levado a conceder aos pecadores a luz e a força necessárias para se arrependerem, e dai o perdão de seus pecados.
    Durante a Missa podemos enfim obter para nós e para os outros todos os favores que desejamos. Sem dúvida, somos indignos de receber graças; mas o Coração de Jesus as merece por nós. Ele mesmo nos deu o meio de obte-las: é pedi-las em seu nome, oferecendo sua pessoa ao Pai Eterno, no sacrifício da Missa; porque então ele se une a nós e roga conosco. Se soubesseis que quando orais ao Senhor, a Mãe de Deus e todo o paraíso se une a vós para apoiar vossa súplica, com que confiança a não apresentarieis? Pois bem! Quando assistis á Missa para pedir a Deus alguma graça, o Sagrado Coração de Jesus, cujas orações valem infinitamente mais que as do paraíso inteiro, ora por vós e oferece em vosso favor os merecimentos de sua Paixão. 
    Numa palavra, a Missa é, segundo a expressão do profeta Zacharias, o que há de mais excelente e belo na Igreja; ela é que nos dá a santa Eucaristia, fim e consumação de todos os outros sacramentos; ela, a que nos dá o Coração de Jesus; ela, o epilogo de todo o amor divino e de todos os benefícios de que Deus cumulou os homens.

Prática

    Quero e proponho revestir-me do espirito de sacrifício e devotamento. O Coração de um Deus que se imola para mim cada dia, não merece que eu me sacrifique e me mole por ele? Pois bem! que vou fazer por Deus, por meu próximo, pelos pobres, pelas almas do purgatório? 

Afetos e Súplicas

    Pai eterno, hoje vos ofereço todas as virtudes, todos os atos, todos os afetos do Coração de vosso amadissimo Jesus. Aceitai-os por mim; e por seus merecimentos que me pertencem, pois ele m'os deu, concede-me as graças que ele vos pede para mim. Eu vos ofereço estes merecimentos, para vos agradecer tantas misericórdias que me tendes feito. Ofereço-os também para satisfazer-vos pelo que vos devo por meus pecados. Por estes merecimentos, enfim, espero de vós todas as graças, o perdão, a perseverança, o paraíso, e mais que tudo, o dom supremo de vosso amor. Bem sei, que sou eu que ponho obstaculo a vossa graça: mas dignai-vos ainda remediar este mal; em nome de Jesus Cristo vo-lo peço; ele nos prometeu que nos concedereis tudo o que vos pedirmos em seu nome; não podeis então m'a recusar. Todo o meu desejo, ó meu Deus, é amar-vos, dar-me inteiramento a vós, e não ser mais ingrato para convosco, como até o presente fui. Escutai-me, atendei minha suplica: fazei que este dia seja o de minha inteira conversão; fazei que, a partir d'este momento, não cesse eu de vos amar. Oh! eu vos amo, meu Deus, eu vos amo, bondade infinita, eu vos amo, meu amor, meu paraíso, minha felicidade, minha. vida, meu tudo!

Oração Jaculatória

    Coração de Jesus, vítima de amor, ofereço-vos em sacrifício minha alma, minha vontade e minha vida.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Meditação - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 22º dia

Meditação - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 22º dia



Vamos ao Altar; ali acharemos o Coração de Jesus dando-se a nós


    Assim como Jesus nasceu de Maria em Belém, assim nasce todos os dias sacramentalmente entre as mãos do sacerdote, na Missa, no momento da consagração. Sim, pela virtude das palavras sagradas, o padre muda o pão e o vinho no corpo e no sangue de Jesus Cristo; ela manda a Jesus vir do céu sobre o altar e este Coração manso e humilde obedece, sem resistir nunca. Assim então o Sagrado Coração se acha perpetuamente entre nós, segundo esta consoladora promessa do Senhor: Meus olhos e meu Coração estarão ali todos os dias, ao santo sacrifício da Missa é que devemos isto.
    Ó sublimes mistérios, ó sacerdócio mil vezes bendito, vós é que nos dais no altar o Coração de nosso Deus! Como se explica este poder incomparável do sacerdócio? Assim: Jesus Cristo, o sacerdote único e eterno, o sacerdote por excelência, acha-se moralmente presente nos seus ministros, a fim de cumprir por meio deles as augustas funções sacerdotais. Ai está porque os santos, esquecendo de algum modo o que há de home no sacerdote, para verem nele só Jesus Cristo, não temem chamar-lhe homem divino, e declarar-lhe que sua dignidade é divina, infinita, suprema. Partindo deste pensamento, S. Bernardo diz que Deus elevou o sacerdote acima de Maria; e a razão que dá é ma seguinte: Maria não concebeu Jesus Cristo senão uma só vez ao passo que o sacerdote, consagrando, concebe-o tantas vezes, para assim dissermos, quantas quer; e isto de tal modo que, se a pessoa do Redentor não tivesse ainda existido no mundo, o sacerdote, pronunciando as palavras da consagração, produziria realmente a sublime pessoa do Homem Deus. Dai esta bela exclamação de Santo Agostinho: "Ó venerável dignidade dos sacerdotes, em cujas mãos o Filho de Deus se encarna como no seio da Virgem!" Por isto é que os sacerdotes são chamados pais de Jesus, como fala São Bernardo: Parentes Christi; de fato, eles são a causa ativa da existência de Jesus Cristo na hóstia consagrada. O sacerdote pode até ser chamado, em algum sentido, criador de seu Criador, pois que, pronunciando as palavras da consagração, ele cria, permitam-nos a expressão, Jesus Cristo sobre o altar, dando-lhe o ser sacramental e pondo-o em estado de vítima oferecida ao Pai eterno. Deus, para criar o mundo, só teve que dizer uma palavra: Ipse dixit et facta sunt. Da mesma sorte basta ao padre dizer sobre o pão: Hoc est corpus meum; e eis que não é mais pão: é o corpo do Salvador.
    Assistindo a missa, o fiel tem, pois, a mesma felicidade que teria se tivesse presente em Nazaré no momento da encarnação, ou em Belém no momento do nascimento do divino Salvador; e se ele é deoto do Sagrado Coração, tem a alegria de se ver em presença desse Coração, objeto de suas adorações, de suas piedosas homenagens e de seu amor, fonte de todos os bens que já possui e dos que espera no futuro.
    Quando então assistirmos a Missa, pensemos, no momento da consagração, que o anjo nos vem dizer o que dizia outrora aos pastores de Belém: Eu vos anuncio e a todo povo uma grande alegria: é que hoje vos nasceu um Salvador e de cotação amabílissimo e amantíssimo.
    Que festa num reino em o nascimento do primeiro filho do Rei! Mas muito mais devemos nos regojizar, vendo nascer cada dia em nossas Igrejas, durante a Missa, o Filho de Deus, que vem nos visitar, urgido pelas entranhas de sua misericórdia, como dizia o santo profeta Zacarias, isto é, urgido por seu misericordiosissimo Coração. É o bom Pastor que em salvar suas ovelhas da morte, dando pela salvação delas sua vida sacramental. É o Cordeiro de Deus, que em se imolar de novo, para nos obter a graça divina, para ser nosso libertador, nossa luz, e até nosso alimento.

Prática

    Esforçar-me-ei por assistir cada dia a santa Missa. Como poderia dizer que tenho fé viva, e especialmente que tenho grande amor ao Sagrado Coração, se desprezasse este ponto tão capital na devoção?

Afetos e Súplicas

    Ó meu Jesus, que amorosa invenção a do santo sacrifício em que vos tornais presente sob as aparências do pão, para que os homens vos amem e encontrem quando quiserem! Com razão é que o Profeta os exortava a levantarem a voz e publicarem em todo o mundo a que extremo chegaram as invenções do amor que nos tem nosso Deus Salvador. Ó Coração amantíssimo de meu Jesus, digno de possuir todos os corações das criaturas, ó Coração todo cheio das chamas do mais puro amor, ó fogo ardente, consumi-me inteiramente, e dai-me vida nova, vida de amor e de graça. Uni-me de tal modo a vós, que não possa mais separar-me. Ó Coração, aberto para ser o refúgio das almas, recebei-me. Ó Coração tão penetrado de dor sobre a cruz pelos pecados do mundo, dai-me verdadeira dor de meus pecados. Sei, ó meu Salvador, que, nesse divino sacrifício, conservais os mesmos sentimentos de amor que tínheis ao morrerdes por mim na cruz; sei, por conseguinte, que tendes grande desejo de me unir inteiramente a vós: posso então tardar mais em me dar completamente a vosso amor e desejo? Ah! por vossos merecimentos, amadíssimo Jesus meu, feri-me, ligai-rne, apertai·me, uni-me todo ao vosso Coração. Hoje proponho, com o auxilio de vossa graça, dar-vos toda a satisfação possível, calcar aos pés o respeito humano, minhas inclinações viciosas, minhas repugnâncias, meus prazeres, minhas comodidades, tudo o que poderia impedir-me de vos contentar plenamente; fazei, Senhor, que eu seja fiel a esta resolução, de sorte que no futuro, todas as minhas ações, todos os meus pensamentos e afetos, sejam inteiramente conformes ao vosso beneplácito. Ó amor de Deus, bani de meu coração todo outro amor. O' doce esperança de minha alma, ó Maria, tudo podeis junto de Deus: obtende-me a graça de ser até a morte servo fiel do Coração amantíssimo de Jesus.


Oração Jacularória


     Ó Coração de Jesus, antes morrer que viver privado de vosso amor!

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Meditação - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 21º dia

Meditação - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 21º dia



Vamos ao Calvário, ali acharemos o Coração de Jesus aberto para todos



    Quando os soldados foram quebrar as pernas aos dois ladrões, vendo que Jesus já estava morto, não lhe aplicaram o mesmo tormento. Mas um deles abriu-lhe o lado com a lança, e no mesmo instante correu sangue e água. Conforme S. Cipriano, a lança foi diretamente ferir o Coração de Jesus Cristo de tal modo que foi dividido em duas partes, segundo a revelação feita a Santa Brígida. Crê-se por conseguinte, que a água saiu do lado de Nosso Senhor com o sangue, visto que a lança, para atingir o Coração, teve de ferir primeiro o pericardio, isto é, a membrana que o cerca.
    Santo Agostinho nota que o evangelista se serviu da palavra abrir: Aperuit, porque então se abriu no Coração do Salvador a porta da vida, por onde saíram os sacramentos, sem os quais não se pode chegar a vida eterna. Diz-se que o sangue e a água correram do lado de Jesus Cristo, foram a figura dos sacramentos, porque a água é a figura do batismo, que é o primeiro dos sacramentos, e o sangue do divino Salvador é contido na Eucaristia, que é o maior dos sacramentos.
    São Bernardo ajunta que Jesus Cristo quis receber a lançada que lhe fez uma chaga visível para nos dar a entender que sue Coração trazia uma chaga invisível de amor para com os homens. Quem então, conclua este grande santo, não amaria este Coração ferido de amor?
    Ó meu Redentor, de tal maneira tendes amado os homens, que não é possível que deixe de amar-vos  quem pensa nisto, porque vosso amor faz violência a nossos corações, como diz o Apóstolo. Este amor do Coração de Jesus aos homens vem do amor que ele tem a seu Pai, por isso é que ele dizia depois da ceia: A fim de que o muno saiba que amo a meu Pai, levantai-vos; vamos. E onde queria ir? Morrer pelos homens sobra a cruz.
    Nenhuma inteligência pode compreender o ardor deste fogo divino no Coração de Jesus Cristo. Se, em vez de uma só morte, necessário lhe fosse padecer mil, Jesus tinha amor bastante para sofre-as. Se lhe fosse preciso sofrer para salvação de um só homem, o que ele sofreu por todos, nossos Salvador não se teria negado a uma só de suas imensas dores, necessário lhe fosse ficar até o dia do juízo, Jesus amorosamente padeceria ainda este longo suplício. De sorte que o Coração de Jesus amou muito mais do que padeceu. Ó Coração de Jesus, vossa ternura é muito maior do que todos os sinais que me tendes feito dela. Estes sinais são grandes, porque tantas chagas, tantas machucaduras; entretanto só descobrem um fraca parte da realidade, nós temos visto sair apenas uma centelha deste imenso fogo de amor. A maior prova de amor é dar a vida pelos amigos; isto não bastou a Jesus para exprimir toda a ternura do seu Coração: ele foi morto pelos seus mais cruéis inimigos. Este prodígio de amor assombra as almas santas, e as arrebata fora de si mesmas; faz nascer nelas os abrasados afetos, o desejo do martírio, a alegria nos padecimentos, ele é que faz triunfar nas grelhas ardentes, caminhar sobre os carvões acesos como sobre rosas, suspirar pelos tormentos, amar o que o mundo aborrece. Por quanto Santo Ambrósio diz que uma alma unida a Jesus na cruz não acha nada mais glorioso que trazer sobre si as insignias de seu Esposo crucificado Como, ó terno Coração de meu Esposo, como poderei vos pagar este amor incomparável que me haveis testemunhado? Justo é que o sangue compense o sangue. Ah! Não me ver eu coberto deste sangue divino e cravado nesta cruz, que abraço! Ó Cruz santa, recebe-me com Aquele que em ti está cravado para a minha salação; ó coroa, alarga-te, para que eu possa unir minha cabeça a do meu terno Senhor. Ó cravos crudelíssimos, sai das mãos inocentes de meu Deus, vinde penetrar meu coração de compaixão e amor.
    S. Paulo nos afirma, ó meu Jesus, que vós morrestes para reinar sobre os vivos e sobre os mortos, não pelos castigos, mas pela doçura de vosso amor. Ó conquistador dos corações, a força de vosso amor soube quebrar a dureza dos nossos. Vós abrasastes o mundo inteiro com vosso amor. Ó Jesus, vossa Cruz é um arco armado para ferir os corações. Saiba o mundo todo que eu tenho co oração ferido... Ó Coração amantíssimo, que fizestes? Viestes para me curar, e me feristes! Viestes para me ensinar a bem viver e me tornastes como insensato! Ó loucura cheia de sabedoria, não viva eu jamais sem vós! Senho, tudo o meu olhar descobre na Cruz, convida-me a vos amar; os cravos, os espinhos, o sangue, as chagas, principalmente vosso Coração transpassado, tudo me convida a vos amar e não vos esquecer jamais.

Prática

    Por amor do Sagrado Coração, perdôo desde já a todos os meus inimigos. Minha reconciliação com eles se fará quanto antes possível, procurarei até esquecer as ofensas que eles me fizeram. - Perdoai, e sereis perdoados, diz Jesus.

Afetos e Súplicas

   Eu me compadeço, ó Mãe aflitíssima, da dor pungente que sentistes, quando vistes transpassar o doce Coração de vosso Filho já morto, e morto por esses ingratos que, depois de lhe terem tirado a vida, procuravam ainda atormenta-lo. Por este cruel tormento, cuja pena sentistes, ó Mãe das dores, eu vos suplico me obtenhais a graça de habitar no Coração de Jesus ferido e aberto para mim, nesse Coração que é o belo asilo, o retiro de amor, onde vão repousar todas as almas que tem verdadeiro amor a Deus, e onde Deus só, enquanto eu ai ficar, será o objeto de meus pensamentos e afetos. Virem Santíssima, vós podeis alcançar-me esta felicidade, de vós a espero.

Oração Jaculatória

    Ó Coração de aberto para ser refúgio das almas, recebei-me.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Meditação - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 20º dia

Meditação – Mês Sagrado Coração de Jesus – 20º dia


Vamos ao calvário, ali acharemos o Coração de Jesus morrendo por todos.


    Aproxima-se a hora da morte de Jesus. Contempla-o, alma cristã, seus olhos se obscurecem, sua bela face empalidece, seu Coração bate mais lentamente, seu corpo sagrado abandona-se a morte. Jesus vai pois dar o último suspiro. Vinde, anjos do céu, vinde assistir a morte do vosso Deus. E vós, ó Maria, Mãe das dores, aproximai-vos da Cruz, erguei os olhos para Vosso Filho, que vai expirar. Já nosso Redentor permite que a morte venha feri-lo: “Vem, ó morte, diz-lhe, faze teu ofício, corta-me o fio da vida e salva minhas ovelhas.” Nesse momento a terra treme, os túmulos se abrem, o véu do templo rasga-se. Logo, abatido pela violência das dores, o Salvador sente desfalecer suas forças; o calor natural o desampara; sua respiração para; seu corpo se alue; ele solta de seu Coração aflito um profundo suspiro; sua cabeça cai sobre o peito, abre a boca e expira! Sai, ó bela alma de meu Salvador, sai e vai nos abrir o paraíso até agora fechado para nós. As pessoas presentes, observando que ele não faz mais movimento, dizem “Ele morreu! Ele está morto!”. Maria ouve estas palavras e diz a seu turno: “Ah! Meu Filho está morto!” Ele morreu! Ai! Quem morreu? O autor da vida, ó Filho único de Deus, o Senhor do universo. Ó morte, que assombra os céus e pasma a natureza! Um Deus morrer por suas criaturas! Ai! Quem então o conduziu a morte? É seu Coração, é seu amor. Ó caridade infinita! Um Deus que se imola inteiramente, sacrifica suas delícias, sua honra, seu sangue, sua vida, por quem? Pelas criaturas ingratas.
   Ó minha alma, eleva os olhos e contempla o Homem Deus crucificado; vê o divino Cordeiro imolado sobre o altar da dor, é o Filho amadíssimo do Pai eterno, ele morreu por amor de ti! Vê como ele tem os braços abertos para ti receber, a cabeça inclinada para te dar o ósculo da paz, o lado aberto para te dar entrada  no seu Coração! Que dizes? Mereces ser amado um Deus tão bom e amante? Ouves que teu Senhor te diz do alto da Cruz? “Meu filho, vê se no mundo inteiro alguém te dá provas de mais amor do que eu, que sou teu Deus.”
   Por esta morte Jesus Cristo fez desaparecer tudo o que nossa morte tinha de horrível. Antes a morte era um suplício infligido a rebeldes; mas pela graça e pelos merecimentos de nosso Salvador, tornou-se sacrifício de tal maneira agradável a Deus, que, unindo-a a morte de Jesus Cristo, nós nos tornamos dignos de ir gozar da glória de Deus que ele também goza.
    Assim, graças a morte de Jesus Cristo, nossa morte cessou de ser motivo de dor e temor; o Coração de Jesus converteu-a em meio de passarmos das misérias deste mundo para as delícias inefáveis do céu.
    Dai vem que os justos olham a morte não com temor, mas com alegria. Santo Agostinho diz que aqueles que amam a Jesus Crucificado, suportam a vida com paciência e recebem a morte com prazer. E a experiência ordinária faz ver que as pessoas virtuosas, que tem mais que sofrer durante a vida, por causa das perseguições, tentações, escrúpulos ou outras coisas incômodas, são as que Jesus Crucificado consola mais em seus últimos momentos.
   Oh! Que duro era morrer antes da morte de Jesus Cristo! Mas por esta morte tão salutar para nós, o inferno foi vencido, a graça foi comunicada as almas, Deus se reconciliou com os homens, e a celeste pátria foi aberta a todos que morrem na inocência ou penitência.
    Procuremos, pois, almas cristãs, em quanto vivemos neste exílio, procuremos olhar a morte não como desgraça, mas como fim de nossa peregrinação tão cheia de angústias e perigos; olhemo-la como a porta da eterna felicidade que esperamos obter um dia pelos merecimentos do Coração tão caridoso de Jesus.

 Prática

Oferecer-me-ei a Deus protestando querer morrer no tempo e da maneira que lhe agradar, e rogando-lhe pelos merecimentos infinitos do Coração de Jesus, fazer que eu saia desta vida em estado de graça.

Afetos e Súplicas


    Ó meu Jesus, recordai-vos que prometestes atrair a vós todos os corações quando fosseis elevado na cruz. Eis aqui meu coração; entercido a vista de vossa morte, ele não quer mais vos resistir; dignai-vos atrai-lo completamente a vosso amor. Por mim morrestes, meu Jesus, e por isso só para vós quero viver. Ó dores de Jesus, ó ignominias de Jesus, ó morte de Jesus, ó amor de Jesus, fixai-vos no meu coração; vossa lembrança esteja sempre nele presente para me estimular e inflamar continuamente no amor a Jesus. Ó Pai eterno, pelos merecimentos de Jesus, vosso divino Filho, morto por amor de mim, usai de misericórdia comigo. Minha alma, não percas a confiança por causa dos pecados que cometeste. Deus mesmo é que enviou seu Filho a terra para te salvar; e este Filho de Deus se ofereceu voluntariamente em sacrifício para expiar tuas faltas. Ah! Meu Jesus visto que para me perdoar não poupastes a vós mesmo, inclinai para mim vossos olhos hoje tão afetuosamente como no dia em que agonizastes por mim na cruz; e perdoai-me especialmente a ingratidão de que me tornei culpado para convosco no passado, pensando tão pouco em vossa Paixão e no amor de que então me destes prova. Eu vos agradeço me terdes mostrado, através de vossas chagas e membros lacerados, os ternos afetos de vosso Coração para comigo. Desgraçado de mim, se, depois de tal favor, cessasse de vos amar, ou se amasse outro objeto mais do que a vós. Permiti que eu vos diga com vosso fervoroso servo S. Francisco de Assis: Morra eu por amor de vosso amor, ó meu Jesus, que vos dignastes morrer por amor de meu amor! Ó Coração de meu Redentor, feliz morada das almas amantes, não vos digneis de receber também minha pobre alma? Ó Maria, Mãe das dores, recomendai-me a vosso Divino Filho, cujo coração consumiu de amor para comigo. Contemplai essas carnes em pedaços, vede seu precioso sangue derramado por mim, e conclui quanto lhe é agradável que lhe recomendeis minha salvação. Minha salvação é amá-lo; obtende-me então o amor a Jesus Cristo mas um amor ardente e eterno.


Oração Jaculatória

    Ó meu Amor Crucificado, desde já vos recomendo minha última hora.
    

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Meditação - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 19º dia

Meditações – Mês do Sagrado Coração de Jesus – 19º dia 

Vamos ao Calvário; ali acharemos o Coração de Jesus abandonado de todos


    São Lourenço Justiniano diz que a morte de Jesus Cristo foi mais amarga e dolorosa que era possível; porque Nosso Senhor morreu na Cruz sem receber o menor alívio. Nos outros pacientes, a pena é sempre mitigada, ao menos por algum pensamento consolador; mas ao Coração de Jesus moribundo, não vejo senão dor pura, tristeza pura, sem alívio algum. O que principalmente angustia este Coração tão amante, e o abandono em que se acha; disto se queixa Jesus pela boca do Salmista: Busquei alguém que me consolaste e não encontrei. Que digo? No momento mesmo em que ele ia expirar, os Judeus e os Romanos lançavam contra ele maldições e blasfêmias. É verdade que Maria se conservava ao pé da Cruz, a fim de lhe procurar algum alívio, se pudesse mas esta terna Mãe, por sua aflição, contribuía antes para aumentar a pena de seu Filho do que para diminui-la. São Bernardo diz que as dores de Maria não fizeram senão afligir mais o Coração de Jesus. Por quanto, Nosso Salvador, vendo a Maria entregue a tão profunda dor, sentia ainda mais vivamente a pena de sua Mãe que seus próprios padecimentos; de sorte que se pode dizer que Jesus sofreu mais no seu Coração do que no seu corpo. Ah! Quem poderia toda a amargura que encheu os Corações tão ternos de Jesus e Maria, principalmente no momento em que o Filho, antes de expirar, despediu-se de sua Mãe! Eis aqui as últimas palavras que Jesus dirigiu neste mundo a Maria: Mulher, eis aqui vosso Filho. Por esta palavra “filho”, ele designava São João e nele todos os fiéis.
    Jesus não achando ninguém na terra que o consolasse, elevou seus olhos e seu Coração para seu Pai, a fim de lhe pedir consolação; mas o Pai Eterno, vendo seu divino Filho sob a forma de pecador, disse-lhe: “Não, meu Filho, não posso te consolar, pois que satisfazes agora a minha justiça por todos os pecados dos homens; justo é que eu te abandone a todos os padecimentos, e te deixe morrer sem alivio.”  Então foi que Nosso Salvador proferiu estas palavras: “Meu Deus, meu Deus, porque me haveis abandonado?” Ó cruel abandono para o Coração de Jesus!
    Paremos aqui um instante para sondarmos a terrível desgraça de uma alma eternamente abandonada de Deus no inferno, em meio de tantos réprobos. Lá, ela se vê afundada num abismo de fogo, vítima de agonia perpétua, porque esse fogo vingador lhe faz experimentar todos os gêneros de dores. Lá, ela está sob as mãos dos demônios, que, cheios de insaciável furor, só buscam atormenta-la. Lá, mais que pelo fogo e todos os outros tormentos, ela é afligida pelos remorsos de sua consciência, pela lembrança dos pecados cometidos, funesta causa de sua condenação. Lá, ela se vê para sempre privada de todo meio de sair desse horroroso abismo. Lá, ela se vê banida para sempre da sociedade dos santos e da pátria celeste, para a qual tinha sido criada. Mas, o que mais a aflige, o que constitui seu verdadeiro inferno, é ver-se abandonada de Deus, reduzida a não poder mais amá-Lo, e não poder mais pensar Nele senão com ódio e raiva de desprezo.
     Tal é a desgraça de que o Coração de Jesus nos quis preservar, aceitando tão cruel abandono na Cruz.

    Prática

    Não deixarei passar dia algum sem recomendar os agonizantes ao Coração agonizante de Jesus.
   Misericordiosissimo Jesus, que ardeis em tão abrasado amor das almas, eu vos peço, pela agonia de vosso Santíssimo Coração e pelas dores de vossa Mãe Imaculada, purificai no vosso sangue todos os pecadores da terra que estão agora em agonia e hoje mesmo devem morrer. Assim seja.
   Coração agonizante de Jesus, tende misericórdia dos moribundos. (100 dias de indulgência cada vez. 2 Fev 1850)

    Afetos e Súplicas

    Coração de meu amadíssimo Jesus, é sem razão que vos queixais quando dizes: Deus meu, porque me haveis abandonado? Perguntais por que? Mas por que vos encarregastes de pagar por nós? Não sabeis que merecíamos por nossos pecados, ser abandonados de Deus? Com razão, pois, vosso Pai eterno os abandona e vos deixa morrer num mar de dores e amarguras. Ó meu Salvador, vosso desamparo me aflige e me consola: aflige-me  porque vos vejo morrer meio a tantos padecimentos; consola-me porque me faz esperar que, por vossos merecimentos não ficarei abandonado da divina misericórdia, como merecia por vos ter abandonado tantas vezes, para seguir meus caprichos. Ah! Se vos foi tão penoso serdes privado por alguns momentos da presença sensível da divindade, fazei-me compreender qual seria meu suplício, se houvesse de ficar privado de Deus para sempre. Eu vos conjuro por esse cruel abandono que sofrestes por mim ó meu Jesus, não me abandoneis, principalmente a hora da morte! Quando todos me tiverem abandonado, ah! Não me abandoneis, vós, meu Salvador; meu Senhor angustiado, sede minha consolação a minha agonia. Bem sei que, se vos amasse sem cosolação, agradaria mais  vosso coração; mas conheceis minha fraqueza; fortificai-me por vossa graça, concedei-me no último momento a paciência e perseverança. Maria, minha Mãe, socorrei-me no momento supremo. Desde já vos entrego meu espírito. Falai por mim ao Coração de vosso Filho; dizei-lhe que tenha piedade de mim na hora da minha morte.

Oração Jaculatória


    Ó Coração de Jesus tão penetrado de dor na Cruz pelos pecados do mundo, dai-me verdadeira dor de meus pecados.

domingo, 18 de junho de 2017

Meditação - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 18º dia

Meditação - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 18º dia




Vamos a Jerusalém, ali acharemos o Coração de Jesus aceitando a Cruz



    Jesus não esperou que a Cruz lhe fosse imposta pelos algozes; estendendo as mãos, ele a tomou com pressa, e a pôs sobre os ombros cobertos de chagas. "Vem, diz ele então, vem querida Cruz, há trinta e três anos que suspiro por ti e te busco; eu te abraço, eu te aperto contra meu Coração, pois tu és o altar do qual resolvi sacrificar minha vida por minhas ovelhas".
    Fizeram sair os condenados, e, no meio deles, vê-se também caminhar para a morte o Rei do céu, o Filho único de Deus, carregado de sua Cruz. Eis ai o Messias, que há alguns dias, foi proclamado o Salvador do mundo e recebido com tantos aplausos e bençãos pelo povo! Chamava-se então na sua passagem: Hosana ao Filho de Davi! Bendito aquele que vem em nome do Senhor! E agora, ei-lo que se vai, amarrado, escarnecido e amaldiçoado de todos, com uma cruz nos ombros, morrer como um criminosos. Ó excesso de amor divino! Um Deus que vai ao último suplício para salvar os homens! E haveria um homem que não amasse este Deus?
    Imagina, minha alma, que vês Jesus passar pela rua da amargura. Como um cordeiro que se leva ao matadouro, assim teu amável Redentor se deixa conduzir para a morte. Já ele perdeu tanto sangue e está tão enfraquecido pelos tormentos, que dificilmente pode ficar em pé. Contempla-o coberto todo de chagas, com coroa de espinhos na cabeça, pesado madeiro sobre os ombros, e precedido por um algoz que o puxa por uma corda. Vê como ele caminha, o corpo pendido, as pernas trêmulas, escorrendo sangue, e andando com tanta dificuldade, que parece espirar a cada passo. - Aonde ides, ó meu Jesus? - Alma querida, eu vou morrer por ti; não me impeças; não te peço e recomendo senão uma coisa: quando me vires morto na cruz por ti, lembra-te do amor que te consagro, e não te esqueças de me dar o teu. - Ó amor, ó doçura, ó paciência do Coração de Jesus.
    Jesus, caminhando com sua Cruz, convida-nos a segui-lo: Se alguém quer vir após mim, tome a sua cruz e siga-me. Persuadamo-nos aqui do que diz Santo Agostinho; a saber, que toda a vida de um cristão deve ser uma cruz contínua. Esta cruz, são nossas penas de cada dia. Deus no-las envia como remédio e esperança.
    Se nos lembramos de ter ofendido a Deus, devemos nos alegrar de ver que ele nos faz padecer neste mundo. O pecado é um abscesso na alma: se a tribulação não vem para vazar o pus, a alma está perdida. Desgraçado daquele que depois de ter pecado, não é punido nesta vida! É certo que Deus não nos envia a Cruz para nos perder, mas para nos salvar, se não sabemos aproveitar-nos dela, nossa é a culpa. O Senhor se queixava a Ezequiel de que os Israelitas se haviam tornado ferro e chumbo na fornalha. Deus procura purifica-los e converte-los em ouro pelo fogo da tribulação. Ai! Eles tinham se tornado chumbo. Tais são os pecadores que se impacientam quando são afligidos. A maior desgraça que pode acontecer a um pecador, é não ser castigado na terra; Deus nunca está mais irritado do que quando o deixa em paz, é o médico que abandona o enfermo, porque perdeu esperança de cura-lo. Assim, pois, quando o Senhor nos visita pelas enfermidades, revezes ou perseguições, humilhemo-nos, dizendo com o bom ladrão: Digna factis reci pimus. Senhor, eu bem mereço esta cruz, orque vos ofendi. Julguemo-nos então felizes de sermos castigados nesta vida, para escaparmos as penas da outra.
    Além disto, a esperança do paraíso nos faça amar a Cruz. Para ganhar o céu, toda a pena é pouca, dizia S. José Calazans. Feliz, exclama São Tiago, aquele que sofre com paciência, porque depois de ter sido provado, receberá a coroa eterna. O pensamento do céu encheu sobre-humana coragem o jovem Santo Agapito, martirizado na idade de quinze anos; enquanto lhe amontoavam sobre a cabeça carvões acesos, ele dizia ao juiz: Bem pouca coisa é que minha cabeça seja queimada neste mundo, pois há de ser coroada de glória no céu. A tribulações que se sofrem na vida presente são grande sinal de predestinação; porque todos os predestinados devem ser semelhantes a Jesus Cristo; ora Jesus Cristo não levou sua Cruz, e não nos convida a levarmos a nossa, se queremos ser do número de seus discípulos? Se alguém quer vir após a mim, diz ele, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.

Prática

    Irei muitas vezes fazer a Via Sacra; o Coração de Jesus me ensinará a maneira de santificar as penas da vida.

Afetos e Súplicas

    Ah! Meu Divino Redentor, já que inocente como sois, quisestes ir adiante com vossa Cruz e me convidais a vos seguir com a minha, ide, meu bom Mestre, eu não quero separar-me de vós. Se até aqui recusei vos seguir, confesso que fiz mal; dai-me agora a cruz que quiserdes, eu a abraço, e com ela quero vos acompanhar até a morte; pois que! Vós amastes tanto os padecimentos e humilhações para bem da minha salvação; e eu, não os amarei na intenção de vos agradar? Ah! Se vós mechamais para vos seguir, certamente quero vos seguir para ir convosco a morte; mas dai-me a força que é necessária; por vossos merecimentos vo-la peço e espero alcança-la. Eu vos amo, ó meu amável Jesus; de toda a minha alma vos amo, e não quero mais vos abandonar. Muito tempo andei longe de vós; prendei-me agora ao vosso Coração. Arrependo-me de ter assim desprezado vosso amor; ao presente eu o aprecio mais que todos os bens. Pai eterno, pela Cruz que vosso divino Filho levou ao Calvário, dai-me o amor dos padecimentos a viva dor de meus pecados. E vós, terníssimo e afetuosissímo Coração de meu Jesus, tende compaixão de mim, detesto profundamente os desgostos que vos causei, e tomo a resolução de não amar daqui em diante senão a vós.

Oração Jaculatória

    Ó Soberano Bem, fazei que eu morra completamente a mim mesmo e viva somente para vós.