domingo, 5 de fevereiro de 2017

Comentários Eleison: Conto de Fadas? - Mons. Williamson



Comentários Eleison - por Dom Williamson
CDXCIX (499) - (4 de fevereiro de 2017): 
Conto de Fadas?


Uma moça tola pode arruinar completamente uma propriedade,
E assim pesar sobre o destino de um Reino!


Era uma vez uma moça (FSSPX) que havia sido muito bem educada por seu bom pai (Dom Lefebvre). Ele havia-a advertido sobre Dom Juan (os papas neomodernistas). Por alguns anos, a jovem foi séria e prudente, resistindo às investidas de Dom Juan. Infelizmente, um dia seu amado pai faleceu, e a jovem herdou sua fortuna. Por algum tempo ela permaneceu fiel a seus comandos. Rodeada por um grupo de outras jovens sábias (os antiliberais da FSSPX), ela continuou a administrar sua fortuna, velando pelos órfãos da propriedade de seu pai (os católicos tradicionais).

Mas o tempo passou. Ela não era mais tão jovem, e começou a sentir medo de ficar muito velha para casar. Ela estava com medo de que, fiando sua lã e trabalhando em seus bordados, logo ficaria sozinha. Pobre menina! Queria tanto ser amada, ter seus filhos legítimos (os tradicionalistas reconhecidos por Roma). Queria fazer mais que somente suas obras de caridade para com os órfãos. Ela estava cansada de sua vida. Era insultada e ridicularizada por seus vizinhos, que queriam que ela se casasse (conservadores e tradicionalistas que se submeteram a Roma).

Bem, Dom Juan já havia demonstrado repetidas vezes quão perverso era, e quanto havia arruinado e desonrado muitas boas garotas (as comunidades submetidas a Roma), mas ele era o herdeiro da maior família do Reino, com o título de Vice-rei (o Vigário de Cristo). Depois de um prolongado estudo sobre o caráter e a virtude da moça, ele decidiu usar uma tática especial para seduzi-la – apelaria a seus sentimentos mais elevados. Assim, começou a admitir que ele estava longe de ser perfeito, e até que havia cometido erros. Ele, inclusive, perguntou à jovem se poderiam encontrar-se para discutir as coisas. A jovem aproveitou a oportunidade para dizer-lhe o que pensava dele e de seus amigos (discussões de 2009-2011). E durante todo este tempo (2006-2012), ela repetiu, até mesmo em público, que o casamento estava fora de questão, a menos que ele corrigisse seus modos.

Então, Dom Juan teve uma brilhante ideia! Ele disse à garota que ela não era como as outras que havia conhecido. Disse que sua resistência teimosa havia aberto seus olhos, que somente ela poderia curar suas feridas (os desastres pós-conciliares) e fazê-lo mudar, e corrigir seus modos para o bem! A moça decidiu aconselhar-se com suas amigas. Ela reuniu-as na propriedade de seu pai (Écône, 2012). Infelizmente para ela, já estavam longe dela as jovens prudentes que seu falecido pai havia escolhido para serem suas companheiras (um bispo e padres da Resistência). Como novas amigas, ela escolhera algumas jovens tontas que estavam embriagadas com o deleite de pensar no casamento de sua amiga com o Vice-Rei. Assim, elas ajudaram a convencê-la (Capítulo Geral de 2012 e suas consequências) de que ela poderia mudar seu futuro marido, como Santa Clotilde havia transformado Clóvis. Disseram a ela que o desejo de Dom Juan de ser ajudado por ela demonstrava que ele já estava se corrigindo!

Enquanto isso, Dom Juan continuou a empresa de sedução mantendo contatos e discussões com a jovem e suas amigas mais próximas. Assim, apesar das censuras e dos repetidos avisos das jovens sábias, que agora viviam no bosque ao redor da casa na propriedade do pai, ela já havia se decidido! Ela acreditou no que Dom Juan estava lhe dizendo! Ela acreditou nos argumentos das jovens tontas! Sim, ela, e somente ela, conseguiria salvar Dom Juan de si mesmo! Como seu velho e querido pai não teria dado sua aprovação?!

Pobre jovem! Ela havia perdido seu contato com a realidade. Não podia mais ver que a natureza mesma do Vice-Rei era corrompida, e que ele estava seguro de corrompê-la também, e a todos os seus futuros filhos, e a todos os órfãos da propriedade de seu pai. E quanto às moças prudentes, elas estavam tremendo de frio no bosque ao redor da propriedade de onde haviam sido expulsas. Choraram pelo velho e bom pai, com lamentações de partir o coração. Se ao menos ele pudesse voltar! Ó Deus! Ai de nós! Mas a única resposta a seu pesaroso pranto foi o gemido do vento de inverno por entre as árvores. Era noite...

Kyrie eleison.

Fonte: Borboletas ao Luar