quinta-feira, 22 de junho de 2017

Meditação - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 22º dia

Meditação - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 22º dia



Vamos ao Altar; ali acharemos o Coração de Jesus dando-se a nós


    Assim como Jesus nasceu de Maria em Belém, assim nasce todos os dias sacramentalmente entre as mãos do sacerdote, na Missa, no momento da consagração. Sim, pela virtude das palavras sagradas, o padre muda o pão e o vinho no corpo e no sangue de Jesus Cristo; ela manda a Jesus vir do céu sobre o altar e este Coração manso e humilde obedece, sem resistir nunca. Assim então o Sagrado Coração se acha perpetuamente entre nós, segundo esta consoladora promessa do Senhor: Meus olhos e meu Coração estarão ali todos os dias, ao santo sacrifício da Missa é que devemos isto.
    Ó sublimes mistérios, ó sacerdócio mil vezes bendito, vós é que nos dais no altar o Coração de nosso Deus! Como se explica este poder incomparável do sacerdócio? Assim: Jesus Cristo, o sacerdote único e eterno, o sacerdote por excelência, acha-se moralmente presente nos seus ministros, a fim de cumprir por meio deles as augustas funções sacerdotais. Ai está porque os santos, esquecendo de algum modo o que há de home no sacerdote, para verem nele só Jesus Cristo, não temem chamar-lhe homem divino, e declarar-lhe que sua dignidade é divina, infinita, suprema. Partindo deste pensamento, S. Bernardo diz que Deus elevou o sacerdote acima de Maria; e a razão que dá é ma seguinte: Maria não concebeu Jesus Cristo senão uma só vez ao passo que o sacerdote, consagrando, concebe-o tantas vezes, para assim dissermos, quantas quer; e isto de tal modo que, se a pessoa do Redentor não tivesse ainda existido no mundo, o sacerdote, pronunciando as palavras da consagração, produziria realmente a sublime pessoa do Homem Deus. Dai esta bela exclamação de Santo Agostinho: "Ó venerável dignidade dos sacerdotes, em cujas mãos o Filho de Deus se encarna como no seio da Virgem!" Por isto é que os sacerdotes são chamados pais de Jesus, como fala São Bernardo: Parentes Christi; de fato, eles são a causa ativa da existência de Jesus Cristo na hóstia consagrada. O sacerdote pode até ser chamado, em algum sentido, criador de seu Criador, pois que, pronunciando as palavras da consagração, ele cria, permitam-nos a expressão, Jesus Cristo sobre o altar, dando-lhe o ser sacramental e pondo-o em estado de vítima oferecida ao Pai eterno. Deus, para criar o mundo, só teve que dizer uma palavra: Ipse dixit et facta sunt. Da mesma sorte basta ao padre dizer sobre o pão: Hoc est corpus meum; e eis que não é mais pão: é o corpo do Salvador.
    Assistindo a missa, o fiel tem, pois, a mesma felicidade que teria se tivesse presente em Nazaré no momento da encarnação, ou em Belém no momento do nascimento do divino Salvador; e se ele é deoto do Sagrado Coração, tem a alegria de se ver em presença desse Coração, objeto de suas adorações, de suas piedosas homenagens e de seu amor, fonte de todos os bens que já possui e dos que espera no futuro.
    Quando então assistirmos a Missa, pensemos, no momento da consagração, que o anjo nos vem dizer o que dizia outrora aos pastores de Belém: Eu vos anuncio e a todo povo uma grande alegria: é que hoje vos nasceu um Salvador e de cotação amabílissimo e amantíssimo.
    Que festa num reino em o nascimento do primeiro filho do Rei! Mas muito mais devemos nos regojizar, vendo nascer cada dia em nossas Igrejas, durante a Missa, o Filho de Deus, que vem nos visitar, urgido pelas entranhas de sua misericórdia, como dizia o santo profeta Zacarias, isto é, urgido por seu misericordiosissimo Coração. É o bom Pastor que em salvar suas ovelhas da morte, dando pela salvação delas sua vida sacramental. É o Cordeiro de Deus, que em se imolar de novo, para nos obter a graça divina, para ser nosso libertador, nossa luz, e até nosso alimento.

Prática

    Esforçar-me-ei por assistir cada dia a santa Missa. Como poderia dizer que tenho fé viva, e especialmente que tenho grande amor ao Sagrado Coração, se desprezasse este ponto tão capital na devoção?

Afetos e Súplicas

    Ó meu Jesus, que amorosa invenção a do santo sacrifício em que vos tornais presente sob as aparências do pão, para que os homens vos amem e encontrem quando quiserem! Com razão é que o Profeta os exortava a levantarem a voz e publicarem em todo o mundo a que extremo chegaram as invenções do amor que nos tem nosso Deus Salvador. Ó Coração amantíssimo de meu Jesus, digno de possuir todos os corações das criaturas, ó Coração todo cheio das chamas do mais puro amor, ó fogo ardente, consumi-me inteiramente, e dai-me vida nova, vida de amor e de graça. Uni-me de tal modo a vós, que não possa mais separar-me. Ó Coração, aberto para ser o refúgio das almas, recebei-me. Ó Coração tão penetrado de dor sobre a cruz pelos pecados do mundo, dai-me verdadeira dor de meus pecados. Sei, ó meu Salvador, que, nesse divino sacrifício, conservais os mesmos sentimentos de amor que tínheis ao morrerdes por mim na cruz; sei, por conseguinte, que tendes grande desejo de me unir inteiramente a vós: posso então tardar mais em me dar completamente a vosso amor e desejo? Ah! por vossos merecimentos, amadíssimo Jesus meu, feri-me, ligai-rne, apertai·me, uni-me todo ao vosso Coração. Hoje proponho, com o auxilio de vossa graça, dar-vos toda a satisfação possível, calcar aos pés o respeito humano, minhas inclinações viciosas, minhas repugnâncias, meus prazeres, minhas comodidades, tudo o que poderia impedir-me de vos contentar plenamente; fazei, Senhor, que eu seja fiel a esta resolução, de sorte que no futuro, todas as minhas ações, todos os meus pensamentos e afetos, sejam inteiramente conformes ao vosso beneplácito. Ó amor de Deus, bani de meu coração todo outro amor. O' doce esperança de minha alma, ó Maria, tudo podeis junto de Deus: obtende-me a graça de ser até a morte servo fiel do Coração amantíssimo de Jesus.


Oração Jacularória


     Ó Coração de Jesus, antes morrer que viver privado de vosso amor!

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Meditação - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 21º dia

Meditação - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 21º dia



Vamos ao Calvário, ali acharemos o Coração de Jesus aberto para todos



    Quando os soldados foram quebrar as pernas aos dois ladrões, vendo que Jesus já estava morto, não lhe aplicaram o mesmo tormento. Mas um deles abriu-lhe o lado com a lança, e no mesmo instante correu sangue e água. Conforme S. Cipriano, a lança foi diretamente ferir o Coração de Jesus Cristo de tal modo que foi dividido em duas partes, segundo a revelação feita a Santa Brígida. Crê-se por conseguinte, que a água saiu do lado de Nosso Senhor com o sangue, visto que a lança, para atingir o Coração, teve de ferir primeiro o pericardio, isto é, a membrana que o cerca.
    Santo Agostinho nota que o evangelista se serviu da palavra abrir: Aperuit, porque então se abriu no Coração do Salvador a porta da vida, por onde saíram os sacramentos, sem os quais não se pode chegar a vida eterna. Diz-se que o sangue e a água correram do lado de Jesus Cristo, foram a figura dos sacramentos, porque a água é a figura do batismo, que é o primeiro dos sacramentos, e o sangue do divino Salvador é contido na Eucaristia, que é o maior dos sacramentos.
    São Bernardo ajunta que Jesus Cristo quis receber a lançada que lhe fez uma chaga visível para nos dar a entender que sue Coração trazia uma chaga invisível de amor para com os homens. Quem então, conclua este grande santo, não amaria este Coração ferido de amor?
    Ó meu Redentor, de tal maneira tendes amado os homens, que não é possível que deixe de amar-vos  quem pensa nisto, porque vosso amor faz violência a nossos corações, como diz o Apóstolo. Este amor do Coração de Jesus aos homens vem do amor que ele tem a seu Pai, por isso é que ele dizia depois da ceia: A fim de que o muno saiba que amo a meu Pai, levantai-vos; vamos. E onde queria ir? Morrer pelos homens sobra a cruz.
    Nenhuma inteligência pode compreender o ardor deste fogo divino no Coração de Jesus Cristo. Se, em vez de uma só morte, necessário lhe fosse padecer mil, Jesus tinha amor bastante para sofre-as. Se lhe fosse preciso sofrer para salvação de um só homem, o que ele sofreu por todos, nossos Salvador não se teria negado a uma só de suas imensas dores, necessário lhe fosse ficar até o dia do juízo, Jesus amorosamente padeceria ainda este longo suplício. De sorte que o Coração de Jesus amou muito mais do que padeceu. Ó Coração de Jesus, vossa ternura é muito maior do que todos os sinais que me tendes feito dela. Estes sinais são grandes, porque tantas chagas, tantas machucaduras; entretanto só descobrem um fraca parte da realidade, nós temos visto sair apenas uma centelha deste imenso fogo de amor. A maior prova de amor é dar a vida pelos amigos; isto não bastou a Jesus para exprimir toda a ternura do seu Coração: ele foi morto pelos seus mais cruéis inimigos. Este prodígio de amor assombra as almas santas, e as arrebata fora de si mesmas; faz nascer nelas os abrasados afetos, o desejo do martírio, a alegria nos padecimentos, ele é que faz triunfar nas grelhas ardentes, caminhar sobre os carvões acesos como sobre rosas, suspirar pelos tormentos, amar o que o mundo aborrece. Por quanto Santo Ambrósio diz que uma alma unida a Jesus na cruz não acha nada mais glorioso que trazer sobre si as insignias de seu Esposo crucificado Como, ó terno Coração de meu Esposo, como poderei vos pagar este amor incomparável que me haveis testemunhado? Justo é que o sangue compense o sangue. Ah! Não me ver eu coberto deste sangue divino e cravado nesta cruz, que abraço! Ó Cruz santa, recebe-me com Aquele que em ti está cravado para a minha salação; ó coroa, alarga-te, para que eu possa unir minha cabeça a do meu terno Senhor. Ó cravos crudelíssimos, sai das mãos inocentes de meu Deus, vinde penetrar meu coração de compaixão e amor.
    S. Paulo nos afirma, ó meu Jesus, que vós morrestes para reinar sobre os vivos e sobre os mortos, não pelos castigos, mas pela doçura de vosso amor. Ó conquistador dos corações, a força de vosso amor soube quebrar a dureza dos nossos. Vós abrasastes o mundo inteiro com vosso amor. Ó Jesus, vossa Cruz é um arco armado para ferir os corações. Saiba o mundo todo que eu tenho co oração ferido... Ó Coração amantíssimo, que fizestes? Viestes para me curar, e me feristes! Viestes para me ensinar a bem viver e me tornastes como insensato! Ó loucura cheia de sabedoria, não viva eu jamais sem vós! Senho, tudo o meu olhar descobre na Cruz, convida-me a vos amar; os cravos, os espinhos, o sangue, as chagas, principalmente vosso Coração transpassado, tudo me convida a vos amar e não vos esquecer jamais.

Prática

    Por amor do Sagrado Coração, perdôo desde já a todos os meus inimigos. Minha reconciliação com eles se fará quanto antes possível, procurarei até esquecer as ofensas que eles me fizeram. - Perdoai, e sereis perdoados, diz Jesus.

Afetos e Súplicas

   Eu me compadeço, ó Mãe aflitíssima, da dor pungente que sentistes, quando vistes transpassar o doce Coração de vosso Filho já morto, e morto por esses ingratos que, depois de lhe terem tirado a vida, procuravam ainda atormenta-lo. Por este cruel tormento, cuja pena sentistes, ó Mãe das dores, eu vos suplico me obtenhais a graça de habitar no Coração de Jesus ferido e aberto para mim, nesse Coração que é o belo asilo, o retiro de amor, onde vão repousar todas as almas que tem verdadeiro amor a Deus, e onde Deus só, enquanto eu ai ficar, será o objeto de meus pensamentos e afetos. Virem Santíssima, vós podeis alcançar-me esta felicidade, de vós a espero.

Oração Jaculatória

    Ó Coração de aberto para ser refúgio das almas, recebei-me.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Meditação - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 20º dia

Meditação – Mês Sagrado Coração de Jesus – 20º dia


Vamos ao calvário, ali acharemos o Coração de Jesus morrendo por todos.


    Aproxima-se a hora da morte de Jesus. Contempla-o, alma cristã, seus olhos se obscurecem, sua bela face empalidece, seu Coração bate mais lentamente, seu corpo sagrado abandona-se a morte. Jesus vai pois dar o último suspiro. Vinde, anjos do céu, vinde assistir a morte do vosso Deus. E vós, ó Maria, Mãe das dores, aproximai-vos da Cruz, erguei os olhos para Vosso Filho, que vai expirar. Já nosso Redentor permite que a morte venha feri-lo: “Vem, ó morte, diz-lhe, faze teu ofício, corta-me o fio da vida e salva minhas ovelhas.” Nesse momento a terra treme, os túmulos se abrem, o véu do templo rasga-se. Logo, abatido pela violência das dores, o Salvador sente desfalecer suas forças; o calor natural o desampara; sua respiração para; seu corpo se alue; ele solta de seu Coração aflito um profundo suspiro; sua cabeça cai sobre o peito, abre a boca e expira! Sai, ó bela alma de meu Salvador, sai e vai nos abrir o paraíso até agora fechado para nós. As pessoas presentes, observando que ele não faz mais movimento, dizem “Ele morreu! Ele está morto!”. Maria ouve estas palavras e diz a seu turno: “Ah! Meu Filho está morto!” Ele morreu! Ai! Quem morreu? O autor da vida, ó Filho único de Deus, o Senhor do universo. Ó morte, que assombra os céus e pasma a natureza! Um Deus morrer por suas criaturas! Ai! Quem então o conduziu a morte? É seu Coração, é seu amor. Ó caridade infinita! Um Deus que se imola inteiramente, sacrifica suas delícias, sua honra, seu sangue, sua vida, por quem? Pelas criaturas ingratas.
   Ó minha alma, eleva os olhos e contempla o Homem Deus crucificado; vê o divino Cordeiro imolado sobre o altar da dor, é o Filho amadíssimo do Pai eterno, ele morreu por amor de ti! Vê como ele tem os braços abertos para ti receber, a cabeça inclinada para te dar o ósculo da paz, o lado aberto para te dar entrada  no seu Coração! Que dizes? Mereces ser amado um Deus tão bom e amante? Ouves que teu Senhor te diz do alto da Cruz? “Meu filho, vê se no mundo inteiro alguém te dá provas de mais amor do que eu, que sou teu Deus.”
   Por esta morte Jesus Cristo fez desaparecer tudo o que nossa morte tinha de horrível. Antes a morte era um suplício infligido a rebeldes; mas pela graça e pelos merecimentos de nosso Salvador, tornou-se sacrifício de tal maneira agradável a Deus, que, unindo-a a morte de Jesus Cristo, nós nos tornamos dignos de ir gozar da glória de Deus que ele também goza.
    Assim, graças a morte de Jesus Cristo, nossa morte cessou de ser motivo de dor e temor; o Coração de Jesus converteu-a em meio de passarmos das misérias deste mundo para as delícias inefáveis do céu.
    Dai vem que os justos olham a morte não com temor, mas com alegria. Santo Agostinho diz que aqueles que amam a Jesus Crucificado, suportam a vida com paciência e recebem a morte com prazer. E a experiência ordinária faz ver que as pessoas virtuosas, que tem mais que sofrer durante a vida, por causa das perseguições, tentações, escrúpulos ou outras coisas incômodas, são as que Jesus Crucificado consola mais em seus últimos momentos.
   Oh! Que duro era morrer antes da morte de Jesus Cristo! Mas por esta morte tão salutar para nós, o inferno foi vencido, a graça foi comunicada as almas, Deus se reconciliou com os homens, e a celeste pátria foi aberta a todos que morrem na inocência ou penitência.
    Procuremos, pois, almas cristãs, em quanto vivemos neste exílio, procuremos olhar a morte não como desgraça, mas como fim de nossa peregrinação tão cheia de angústias e perigos; olhemo-la como a porta da eterna felicidade que esperamos obter um dia pelos merecimentos do Coração tão caridoso de Jesus.

 Prática

Oferecer-me-ei a Deus protestando querer morrer no tempo e da maneira que lhe agradar, e rogando-lhe pelos merecimentos infinitos do Coração de Jesus, fazer que eu saia desta vida em estado de graça.

Afetos e Súplicas


    Ó meu Jesus, recordai-vos que prometestes atrair a vós todos os corações quando fosseis elevado na cruz. Eis aqui meu coração; entercido a vista de vossa morte, ele não quer mais vos resistir; dignai-vos atrai-lo completamente a vosso amor. Por mim morrestes, meu Jesus, e por isso só para vós quero viver. Ó dores de Jesus, ó ignominias de Jesus, ó morte de Jesus, ó amor de Jesus, fixai-vos no meu coração; vossa lembrança esteja sempre nele presente para me estimular e inflamar continuamente no amor a Jesus. Ó Pai eterno, pelos merecimentos de Jesus, vosso divino Filho, morto por amor de mim, usai de misericórdia comigo. Minha alma, não percas a confiança por causa dos pecados que cometeste. Deus mesmo é que enviou seu Filho a terra para te salvar; e este Filho de Deus se ofereceu voluntariamente em sacrifício para expiar tuas faltas. Ah! Meu Jesus visto que para me perdoar não poupastes a vós mesmo, inclinai para mim vossos olhos hoje tão afetuosamente como no dia em que agonizastes por mim na cruz; e perdoai-me especialmente a ingratidão de que me tornei culpado para convosco no passado, pensando tão pouco em vossa Paixão e no amor de que então me destes prova. Eu vos agradeço me terdes mostrado, através de vossas chagas e membros lacerados, os ternos afetos de vosso Coração para comigo. Desgraçado de mim, se, depois de tal favor, cessasse de vos amar, ou se amasse outro objeto mais do que a vós. Permiti que eu vos diga com vosso fervoroso servo S. Francisco de Assis: Morra eu por amor de vosso amor, ó meu Jesus, que vos dignastes morrer por amor de meu amor! Ó Coração de meu Redentor, feliz morada das almas amantes, não vos digneis de receber também minha pobre alma? Ó Maria, Mãe das dores, recomendai-me a vosso Divino Filho, cujo coração consumiu de amor para comigo. Contemplai essas carnes em pedaços, vede seu precioso sangue derramado por mim, e conclui quanto lhe é agradável que lhe recomendeis minha salvação. Minha salvação é amá-lo; obtende-me então o amor a Jesus Cristo mas um amor ardente e eterno.


Oração Jaculatória

    Ó meu Amor Crucificado, desde já vos recomendo minha última hora.
    

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Meditação - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 19º dia

Meditações – Mês do Sagrado Coração de Jesus – 19º dia 

Vamos ao Calvário; ali acharemos o Coração de Jesus abandonado de todos


    São Lourenço Justiniano diz que a morte de Jesus Cristo foi mais amarga e dolorosa que era possível; porque Nosso Senhor morreu na Cruz sem receber o menor alívio. Nos outros pacientes, a pena é sempre mitigada, ao menos por algum pensamento consolador; mas ao Coração de Jesus moribundo, não vejo senão dor pura, tristeza pura, sem alívio algum. O que principalmente angustia este Coração tão amante, e o abandono em que se acha; disto se queixa Jesus pela boca do Salmista: Busquei alguém que me consolaste e não encontrei. Que digo? No momento mesmo em que ele ia expirar, os Judeus e os Romanos lançavam contra ele maldições e blasfêmias. É verdade que Maria se conservava ao pé da Cruz, a fim de lhe procurar algum alívio, se pudesse mas esta terna Mãe, por sua aflição, contribuía antes para aumentar a pena de seu Filho do que para diminui-la. São Bernardo diz que as dores de Maria não fizeram senão afligir mais o Coração de Jesus. Por quanto, Nosso Salvador, vendo a Maria entregue a tão profunda dor, sentia ainda mais vivamente a pena de sua Mãe que seus próprios padecimentos; de sorte que se pode dizer que Jesus sofreu mais no seu Coração do que no seu corpo. Ah! Quem poderia toda a amargura que encheu os Corações tão ternos de Jesus e Maria, principalmente no momento em que o Filho, antes de expirar, despediu-se de sua Mãe! Eis aqui as últimas palavras que Jesus dirigiu neste mundo a Maria: Mulher, eis aqui vosso Filho. Por esta palavra “filho”, ele designava São João e nele todos os fiéis.
    Jesus não achando ninguém na terra que o consolasse, elevou seus olhos e seu Coração para seu Pai, a fim de lhe pedir consolação; mas o Pai Eterno, vendo seu divino Filho sob a forma de pecador, disse-lhe: “Não, meu Filho, não posso te consolar, pois que satisfazes agora a minha justiça por todos os pecados dos homens; justo é que eu te abandone a todos os padecimentos, e te deixe morrer sem alivio.”  Então foi que Nosso Salvador proferiu estas palavras: “Meu Deus, meu Deus, porque me haveis abandonado?” Ó cruel abandono para o Coração de Jesus!
    Paremos aqui um instante para sondarmos a terrível desgraça de uma alma eternamente abandonada de Deus no inferno, em meio de tantos réprobos. Lá, ela se vê afundada num abismo de fogo, vítima de agonia perpétua, porque esse fogo vingador lhe faz experimentar todos os gêneros de dores. Lá, ela está sob as mãos dos demônios, que, cheios de insaciável furor, só buscam atormenta-la. Lá, mais que pelo fogo e todos os outros tormentos, ela é afligida pelos remorsos de sua consciência, pela lembrança dos pecados cometidos, funesta causa de sua condenação. Lá, ela se vê para sempre privada de todo meio de sair desse horroroso abismo. Lá, ela se vê banida para sempre da sociedade dos santos e da pátria celeste, para a qual tinha sido criada. Mas, o que mais a aflige, o que constitui seu verdadeiro inferno, é ver-se abandonada de Deus, reduzida a não poder mais amá-Lo, e não poder mais pensar Nele senão com ódio e raiva de desprezo.
     Tal é a desgraça de que o Coração de Jesus nos quis preservar, aceitando tão cruel abandono na Cruz.

    Prática

    Não deixarei passar dia algum sem recomendar os agonizantes ao Coração agonizante de Jesus.
   Misericordiosissimo Jesus, que ardeis em tão abrasado amor das almas, eu vos peço, pela agonia de vosso Santíssimo Coração e pelas dores de vossa Mãe Imaculada, purificai no vosso sangue todos os pecadores da terra que estão agora em agonia e hoje mesmo devem morrer. Assim seja.
   Coração agonizante de Jesus, tende misericórdia dos moribundos. (100 dias de indulgência cada vez. 2 Fev 1850)

    Afetos e Súplicas

    Coração de meu amadíssimo Jesus, é sem razão que vos queixais quando dizes: Deus meu, porque me haveis abandonado? Perguntais por que? Mas por que vos encarregastes de pagar por nós? Não sabeis que merecíamos por nossos pecados, ser abandonados de Deus? Com razão, pois, vosso Pai eterno os abandona e vos deixa morrer num mar de dores e amarguras. Ó meu Salvador, vosso desamparo me aflige e me consola: aflige-me  porque vos vejo morrer meio a tantos padecimentos; consola-me porque me faz esperar que, por vossos merecimentos não ficarei abandonado da divina misericórdia, como merecia por vos ter abandonado tantas vezes, para seguir meus caprichos. Ah! Se vos foi tão penoso serdes privado por alguns momentos da presença sensível da divindade, fazei-me compreender qual seria meu suplício, se houvesse de ficar privado de Deus para sempre. Eu vos conjuro por esse cruel abandono que sofrestes por mim ó meu Jesus, não me abandoneis, principalmente a hora da morte! Quando todos me tiverem abandonado, ah! Não me abandoneis, vós, meu Salvador; meu Senhor angustiado, sede minha consolação a minha agonia. Bem sei que, se vos amasse sem cosolação, agradaria mais  vosso coração; mas conheceis minha fraqueza; fortificai-me por vossa graça, concedei-me no último momento a paciência e perseverança. Maria, minha Mãe, socorrei-me no momento supremo. Desde já vos entrego meu espírito. Falai por mim ao Coração de vosso Filho; dizei-lhe que tenha piedade de mim na hora da minha morte.

Oração Jaculatória


    Ó Coração de Jesus tão penetrado de dor na Cruz pelos pecados do mundo, dai-me verdadeira dor de meus pecados.

domingo, 18 de junho de 2017

Meditação - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 18º dia

Meditação - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 18º dia




Vamos a Jerusalém, ali acharemos o Coração de Jesus aceitando a Cruz



    Jesus não esperou que a Cruz lhe fosse imposta pelos algozes; estendendo as mãos, ele a tomou com pressa, e a pôs sobre os ombros cobertos de chagas. "Vem, diz ele então, vem querida Cruz, há trinta e três anos que suspiro por ti e te busco; eu te abraço, eu te aperto contra meu Coração, pois tu és o altar do qual resolvi sacrificar minha vida por minhas ovelhas".
    Fizeram sair os condenados, e, no meio deles, vê-se também caminhar para a morte o Rei do céu, o Filho único de Deus, carregado de sua Cruz. Eis ai o Messias, que há alguns dias, foi proclamado o Salvador do mundo e recebido com tantos aplausos e bençãos pelo povo! Chamava-se então na sua passagem: Hosana ao Filho de Davi! Bendito aquele que vem em nome do Senhor! E agora, ei-lo que se vai, amarrado, escarnecido e amaldiçoado de todos, com uma cruz nos ombros, morrer como um criminosos. Ó excesso de amor divino! Um Deus que vai ao último suplício para salvar os homens! E haveria um homem que não amasse este Deus?
    Imagina, minha alma, que vês Jesus passar pela rua da amargura. Como um cordeiro que se leva ao matadouro, assim teu amável Redentor se deixa conduzir para a morte. Já ele perdeu tanto sangue e está tão enfraquecido pelos tormentos, que dificilmente pode ficar em pé. Contempla-o coberto todo de chagas, com coroa de espinhos na cabeça, pesado madeiro sobre os ombros, e precedido por um algoz que o puxa por uma corda. Vê como ele caminha, o corpo pendido, as pernas trêmulas, escorrendo sangue, e andando com tanta dificuldade, que parece espirar a cada passo. - Aonde ides, ó meu Jesus? - Alma querida, eu vou morrer por ti; não me impeças; não te peço e recomendo senão uma coisa: quando me vires morto na cruz por ti, lembra-te do amor que te consagro, e não te esqueças de me dar o teu. - Ó amor, ó doçura, ó paciência do Coração de Jesus.
    Jesus, caminhando com sua Cruz, convida-nos a segui-lo: Se alguém quer vir após mim, tome a sua cruz e siga-me. Persuadamo-nos aqui do que diz Santo Agostinho; a saber, que toda a vida de um cristão deve ser uma cruz contínua. Esta cruz, são nossas penas de cada dia. Deus no-las envia como remédio e esperança.
    Se nos lembramos de ter ofendido a Deus, devemos nos alegrar de ver que ele nos faz padecer neste mundo. O pecado é um abscesso na alma: se a tribulação não vem para vazar o pus, a alma está perdida. Desgraçado daquele que depois de ter pecado, não é punido nesta vida! É certo que Deus não nos envia a Cruz para nos perder, mas para nos salvar, se não sabemos aproveitar-nos dela, nossa é a culpa. O Senhor se queixava a Ezequiel de que os Israelitas se haviam tornado ferro e chumbo na fornalha. Deus procura purifica-los e converte-los em ouro pelo fogo da tribulação. Ai! Eles tinham se tornado chumbo. Tais são os pecadores que se impacientam quando são afligidos. A maior desgraça que pode acontecer a um pecador, é não ser castigado na terra; Deus nunca está mais irritado do que quando o deixa em paz, é o médico que abandona o enfermo, porque perdeu esperança de cura-lo. Assim, pois, quando o Senhor nos visita pelas enfermidades, revezes ou perseguições, humilhemo-nos, dizendo com o bom ladrão: Digna factis reci pimus. Senhor, eu bem mereço esta cruz, orque vos ofendi. Julguemo-nos então felizes de sermos castigados nesta vida, para escaparmos as penas da outra.
    Além disto, a esperança do paraíso nos faça amar a Cruz. Para ganhar o céu, toda a pena é pouca, dizia S. José Calazans. Feliz, exclama São Tiago, aquele que sofre com paciência, porque depois de ter sido provado, receberá a coroa eterna. O pensamento do céu encheu sobre-humana coragem o jovem Santo Agapito, martirizado na idade de quinze anos; enquanto lhe amontoavam sobre a cabeça carvões acesos, ele dizia ao juiz: Bem pouca coisa é que minha cabeça seja queimada neste mundo, pois há de ser coroada de glória no céu. A tribulações que se sofrem na vida presente são grande sinal de predestinação; porque todos os predestinados devem ser semelhantes a Jesus Cristo; ora Jesus Cristo não levou sua Cruz, e não nos convida a levarmos a nossa, se queremos ser do número de seus discípulos? Se alguém quer vir após a mim, diz ele, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.

Prática

    Irei muitas vezes fazer a Via Sacra; o Coração de Jesus me ensinará a maneira de santificar as penas da vida.

Afetos e Súplicas

    Ah! Meu Divino Redentor, já que inocente como sois, quisestes ir adiante com vossa Cruz e me convidais a vos seguir com a minha, ide, meu bom Mestre, eu não quero separar-me de vós. Se até aqui recusei vos seguir, confesso que fiz mal; dai-me agora a cruz que quiserdes, eu a abraço, e com ela quero vos acompanhar até a morte; pois que! Vós amastes tanto os padecimentos e humilhações para bem da minha salvação; e eu, não os amarei na intenção de vos agradar? Ah! Se vós mechamais para vos seguir, certamente quero vos seguir para ir convosco a morte; mas dai-me a força que é necessária; por vossos merecimentos vo-la peço e espero alcança-la. Eu vos amo, ó meu amável Jesus; de toda a minha alma vos amo, e não quero mais vos abandonar. Muito tempo andei longe de vós; prendei-me agora ao vosso Coração. Arrependo-me de ter assim desprezado vosso amor; ao presente eu o aprecio mais que todos os bens. Pai eterno, pela Cruz que vosso divino Filho levou ao Calvário, dai-me o amor dos padecimentos a viva dor de meus pecados. E vós, terníssimo e afetuosissímo Coração de meu Jesus, tende compaixão de mim, detesto profundamente os desgostos que vos causei, e tomo a resolução de não amar daqui em diante senão a vós.

Oração Jaculatória

    Ó Soberano Bem, fazei que eu morra completamente a mim mesmo e viva somente para vós.

sábado, 17 de junho de 2017

Meditação - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 17º dia

Meditação - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 17º dia


Vamos a Jerusalém, ali acharemos o Coração de Jesus aceitando as cadeias.


     Céus! Que vejo? Um Deus amarrado! E por quem? Pelos homens, pelos vermes da terra que ele mesmo criou!Anjos do paraíso, que dizeis a isto? E vós, meu Jesus, porque vos deixais amarrar? Que tem que ver convosco, pergunta São Bernardo, os ferros dos escravos e criminosos, sendo vós o Santo dos santos, o Rei dos reis, o Senhor dos senhores? AH! Se os homens vos amarram com cordas, porque as não desfazeis? Porque não vos livrais dos tormentos e da morte que vos preparam? Que tenhais sido envolvido e atado nas faixas da infância por vossa Mãe, quando ereis recém-nascido, passe, que vos tenhais como que ligado e aprisionado por vosso amor no Sacramento do Altar, sob as santas espécies, passe ainda; mas que sejais amarrado como um malfeitor pelos Judeus ingratos, para serdes arrastado a Jerusalém, de rua em rua, de tribunal em tribunal, para serdes enfim amarrado no pretorio a coluna e ali padecer a mais horrível das flagelações, ó Jesus o mais terno dos filhos dos homens, não o sofrais. - Mas vós não me escutais: quereis ser encadeado. Ah! Eu compreendo, não são as cordas, é o amor só, é vosso Coração muito amante que vos tem cativo, que vos força a sofrer e morrer por nós. Ó amor divino, exclama S. Lourenço Justiniano, vós só pudestes encadear assim um Deus e conduzi-lo a morte por amor dos homens.
   Jesus se submeteu voluntariamente a ignominia de ser amarrado como um malfeitor e insensato, a fim de nos merecer a graça de sacudirmos as cadeias que nos escravizam ao pecado, e que se chamam más ocasiões. Estas cadeias são fortes e difíceis de quebrar; só consegue desfaze-las quem as rompe de golpe. Inútil é dizer que até o presente nada se passou de inconveniente, porque cumpre saber que o demônio não nos impele logo nos últimos excessos, ele vai levando pouco a pouco as almas imprudentes até a beira do precipício, depois o menor choque basta para faze-las cair. É máxima comum entre os mestres da vida espiritual que, em matéria de impureza principalmente não há outro remédio que fugir da ocasião, meio único de nos livrarmos dos apegos terrenos. Dir-se-há talvez: Se despeço tal pessoa, se quebro estas relações familiares, será um escândalo, darei muito o que falar. - Respondo: Mais escândalo haverá se não separeis esta ocasião, estai certo que, se não falam diante de vós, falam na vossa ausência.
   Mas, dir-se-há ainda: despedir tal pessoa é uma incivilidade, uma ingratidão até, porque ela me presta auxílios. - Sim, mas em que? Em vos separar de Deus, em levardes uma vida desgraçada neste mundo, e em vos preparar uma ainda mais desgraçada no outro. - É uma incivilidade, uma ingratidão!
    Nós devemos praticar a civilidade e gratidão antes de tudo para com Jesus Cristo, cujo afetuoso Coração nos cumulou de tantos benefícios.
    Mas replicar-se-há, eu lhe dei minha palavra de não deixa-la. - E não destes antes vossa palavra a Jesus Cristo? Não vedes que a paixão é que vos faz falar assim? Ah Cessai de afligir o Coração do divino Esposo; porque Jesus sente-se ferido no Coração, vendo uma alma se apegar loucamente aquilo que pode perde-la. É o que ele fez ver um dia a santa Ludgarda: ela era então desgraçadamente encadeada por uma frívola amizade, e Jesus lhe apareceu, mostrando-lhe seu Coração profundamente ferido. A esta vista ela entrou em si, rompeu com a ocasião, chorou sua falta, e por atos de virtudes atingiu a perfeição.
    Se estais presta nestas cadeias de morte, alma cristã, escutai o que vos diz o Divino Coração de Jesus: Rompe teus laços (Is. 52,2) pobre alma; quebra estas cadeias que podem te arrastar ao suplício eterno, e vem a mim; deixa prender teu coração ao meu por minhas cadeias, que são de ouro, de amor, de paz, cadeias de salvação.
    Como as almas se apegam ao Coração de Jesus? Pelo amor, que é o laço da perfeição. Em quant uma alma não se liga a Deus senão pelo temor dos castigos, corre sempre grande perigo; mas quando se une a Deus pelo amor, está segura de não o perder mais, uma vez que ela não cesse de o amar.

     Prática

     Se estou enredado em alguma criminosa ou perigosa relação, quero renuncia-la desde hoje. Há tantos que estão no inferno por terem dito: Amanhã! Amanhã!


     Afetos e Súplicas

     Ó Cordeiro cheio de mansidão, posso temer ainda que me firas? Vejo vossas mãos atadas; vós vos privais de algum modo do poder de levantar o braço sobre minha cabeça culpada. Deste modo me dais a entender que não tendes a intenção de me castigar, com tanto que eu queira sacudir o jugo de minhas paixões para me unir a vós. Sim, meu Jesus, quero livrar-me delas; arrependo-me de toda a minha alma de ter-me separado de vós, abusado da liberdade que me destes. Vós me ofereceis outra liberdade, mais perfeita, que me livrará das cadeias do demônio, e por-me-há em o número dos filhos de Deus. Vós vos deixastes ligar por meu amor: quero ser ligado por vosso amor. Ó felizes cadeias, belos laços de salvação, que prendeis as almas ao Coração de Jesus; apoderai-vos também de meu pobre coração; apertai-o tão fortemente que ele não posso mai separar-se deste Coração tão amante. Meu Jesus, eu vos amo, a vós me uno, e vos dou todo o meu coração, toda a minha vontade. Resolvido estou,  amadíssimo Senhor meu, a não vos deixar mais. Ah! Meu terno Salvador, vós, para pagar minhas dívidas, quisestes ser amarrado como um criminoso pelos algozes, e arrastado neste estado pelas ruas de Jerusalém, para serdes em seguida conduzido a morte, como um inocente cordeiro que levam ao matadouro; vós quisestes ser cravado na cruz e a não deixastes senão depois de terdes deixado a vida; oh! Não permitais que eu tenha de novo a desgraça de me separar de vós, e de me ver privado de vossa graça e vosso amor. Ó Maria, prendei-me ainda que pecador, prendei-me ao Coração de vosso Filho Jesus, a fi de que não me separe mais dele, unido a ele viva e morra, para ter a felicidade de entrar um dia na pátria da bem-aventurança, onde não terei mais que temer separar-me de seu santo amor.

Oração Jaculatória

Ó meu Jesus, ligai-me, prendei-me estreitamente a vosso Coração.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Meditação - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 16° dia

Meditações - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 16° dia

Vamos a Jerusalém, ali acharemos o Coração de Jesus aceitando todos os desprezos

    Sabendo que Judas se aproximava, acompanhado de um tropel de Judeus e soldados para prende-lo, o divino Redentor levanta-se ainda banhado todo de suor e sangue, o rosto pálido, mas o Coração inflamado em amor, e diz a seus discípulos: Levantai-vos, vamos (Marc. 14,42). E aonde ia com tanta pressa? Ia ao encontro de todos os desprezos que ele se resolvera a sofrer por nós. Os desprezos causam mais dor aos grandes corações que os padecimentos corporais, porque tocam diretamente na alma, infinitamente mais nobre e por conseguinte  mais sensível que o corpo. Mas quem poderia imaginar que a mais augusta personagem da terra e do céu, o Filho único de Deus, que viera ao mundo fazer-se homem por amor dos homens, teria de receber da parte deles desprezos e injúrias como se fosse o último e mais vil de todos os homens? Tal foi entretanto o acolhimento feito a nosso divino Salvador: Nós o vimos, diz Isaías, desprezado e feito o último dos morais. (Is 53,2). Santo Anselmo assegura que Jesus Cristo quis sofrer na sua Paixão tão profundas humilhações, que não era possível que ele fosse mais humilhado.
    Jesus foi traído e vendido por tinta dinheiros por um de seus discípulos, e negado por outro. Foi arrastado pelas ruas de Jerusalém, amarrado como um malfeitor, e abandonado de todos. Foi indignamente flagelado como vil escravo, esbofeteado em público, tratado como louco por Herodes, que mandou vesti-lo de túnica branca, querendo por este modo faze-lo passar por homem ignorante e estúpido. Foi tratado como rei de teatro, na mão puseram-lhe uma cana grosseira a guisa de cetro, nas espadoas um pedaço de estofa vermelha em lugar de púrpura, e na cabeça, por motejo de sua dignidade real, coroa de espinhos; depois disto, saudavam-no chamando-lhe, por escarneo, Rei dos judeus, cobriam-no de escarros e desfechavam-lhe golpes.
    Nosso Senhor quis enfim morrer por nós, e qual foi a sua morte? A mais ignominosa de todas, o suplício da cruz. Ele se humilhou, diz São Paulo, obedecendo até a morte, e morte de cruz. Só eram crucificados os criminosos mais vis e dignos de ódio; seus nomes eram para sempre malditos e infamados, conforme aquilo que se lê: Maldito o que pende na cruz. Eis ai a razão pela qual São Paulo diz que Jesus se tornou-se maldição para nós. Ah! O Coração de Jesus qusi toamr sobre si esta maldição para nos salvar da maldição eterna. Mas, Senhor, neste estado de ignominia, que é feito de vossa glória, vossa majestade? Não busquemos aqui em Jesus glória nem majestade; porque ele vem nos dar o exemplo da humildade, e manisfetar-nos o amor que tem aos homens, amor que o pôs de certo modo fora de si mesmo, diz Santo Tomás de Vilanova. Ó graça! Ó força do amor de um Deus! Exclama São Bernardo, eis que o soberano Senhor, de todos os homens, tornou-se o último de todos! E quem fez isto? É o amor de Deus para com os homens. Jesus quis nos provar assim quanto nos ama, e nos ensinar por seu exemplo a suportarmos com paciência os desprezos e as injúrias. Visto como um Deus assim se humilhou por amor do homem, repugnará ao homem humilhar-se por amor de Deus? Nós devemos ter sentimentos conformes aos do Coração de Jesus, diz o Apóstolo. (Phil. 2,5). Não merece uma pessoa o nome de Cristão senão quando se humilha e procura imitar o exemplo de Jesus Cristo.
    Escolhendo morte tão ignominiosa, o Coração de Jesus enobreceu e nos tornou amáveis os desprezos e as ignominias. Também todos os santos de tal modo se cativaram e foram ávidos dos desprezos, que pareciam não ambicionar nada neste mundo senão serem humilhados e calcados aos pés por amor de Jesus Cristo. As pessoas do mundo são menos felizes nas honras que se lhes dão do que os santos nos desprezos que recebem. Quando o irmão Junipero franciscano, era injuriado, tomava sua túnica e a conservava como para recolher pérolas. Cada vez que esta santa alma recebia uma injúria, corria alegre para ante o Santíssima Sacramento, e dizia: Senhor, muito pobre sou para ter alguma coisa do preço que possa vos oferecer, mas ofereço-vos este pequeno presente que acabo de receber. Oh! Quão agradável é ao Coração de Jesus a alma que se compraz nos desprezos! São Paulino não teme dizer que ela fica sendo o Coração mesmo de Jesus Cristo: Humilis corde Cor Christi est. O santo quer dar a entender por estas palavras o amoroso amplexo com que Deus abraça uma alma humilde.

Prática

    Observarei a excelenta prática ensinada pelo padre Torres aseus penitentes; consiste em rezar cada dia um Pai Nosso e Ave Maria, em honra das humilhações do Coração de Jesus, e receber por seu amor com paciência e alegria todas as afrontas que nos podem ser feitas.

Afetos e Súplicas

    Ó Coração de Jesus, que gostes tão desprezado, quanto vosso exemplo tornou os desprezos agradáveis e caros aqueles que vos amam! Como é então que, em vez de os receber com alegria como vós, procedi com tanto orgulho para com aqueles que me desprezaram! Ai! Cheguei até a ofender vossa Majestade infinita: sou pecador e soberbo! Ah! Senhor, agora compreendo, não tive a força de suportar as afrontas com paciência, porque não soube vos amar; se vos tivera amado, preciosas as tivera achado! Mas, pois que prometeis o perdão a quem se arrepende, arrpendo-me de toda a minha alma das desordens de toda a minha vida, que tem sido tão diferente da vossa. Decidido está, quero corrigir-me, por isso vos prometo sofrer de agora em diante com resignação todos os ultrajes, e isto por vosso amor, ó meu Jesus, que fostes tão desprezado por amor de mim! Sei que as humilhações mereço por ter desprezado vossa graça. mereço ser calcado aos pés dos demônios. Mas na inexaurível misericórdia de vosso Coração ponho a minha esperança, ó Salvador meu. Quero mudar de vida e não quero mais vos ofender, de agora em diante nada procurarei senão fazer vossa vontade. Tantas vezes mereci ser precipitado nas chamas do inferno! Ó vós que vos dignastes esperar-me até este dia, e ainda perdoar-me como tenho confiança, fazei que, em vez de arder nesse horrível fogo, eu me abrase no suave fogo de vosso santo amor. Não quero mais vos amar senão a vós só: quero que meu coração pertença a vós só; por piedade, tomai posse dele, e possui-o eternamente: seja eu sempre para vós e vós sempre para mim, ame-vos eu sempre e vós a mim também. De mim fazei o que for de vosso agrado; uma vez que me deis a graça de vos amar, fazei de mim o que quiserdes; vosso amor será para sempre meu único amor. Maria, minha esperança, Mãe do belo amor, fazei que ame com amor ardente e eterno o Coração infinitamente amável de Jesus.

Oração Jaculatória

Ó Coração criado de propósito para amar os homens, como podem os homens vos desprezar?

Meditação - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 15º dia

Meditações - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 15º dia

Vamos ao Getsemani; ali acharemos o Coração de Jesus cheio de tristeza.


    Com o temor e tédio, o Coração de Jesus começou a experimentar grande tristeza; Coepit moestus esse. Mas, Senhor, vós é que daveis a vossos mártires tão grande alegria nos seus padecimentos, de modo que desprezavam os tormentos e a morte! São Vicente falava com tanta alegria durante seu martírio, que parecia que ele falava mas outro o que sofria. Conta-se de S. Lourenço  que, ardendo na grelha, experimentava tal consolação, que desafiava o tirano e lhe bradava: Vira-me e come. A visto disto, ó Coração de meu Jesus, como é que vós,que destes a vossos servos tão grande alegria nos seus suplícios, coube nos vossos tão amarga tristeza? Ah! Eu o compreendo: um Deus continuamente ofendido, a multidão de nossos pecados, nossa insensibilidade, tais foram as causa desta profunda aflição.
    Quem mais amava o Pai Eterno que o Coração de Jesus? Pois bem! Tanto ele amava seu divino Pai, quanto detestava o pecado, cuja maldade conhecia perfeitamente. Para tirar o pecado do mundo e não ver mais ofendido este Pai amadíssimo, é que ele se tinha feito homem aceitando a Paixão tão dolorosa. Ora, vendo que os homens não cessariam de ofender a Majestade divina, ele sentiu tão viva amargura, que declarou experimentar tristeza bastante para lhe tirar a vida: Minha alma dizia ele, está triste até a morte. Segundo Santo Tomás, a dor que Jesus sentiu de nossos pecados, excedeu a de todos os penitentes quanto a seus próprios pecados. Foi maior do que todas as penas que podem afligir um coração humano. A razão é que todos os padecimentos dos homens são sempre acompanhados de alguma consolação, ao passo que a dor de Jesus foi dor pura, sem alívio algum.
    Lê-se na história que certos penitentes,esclarecidos por luz divina sobre a malícia de seus pecados, penetraram-se de tal arrependimento, que morreram. Qual foi então o suplício de Jesus a vista de todos os pecados do mundo, de todas as blasfêmias, de todos os sacrilégios, de todas as impurezas, de todos os crimes que seriam cometidos pelos homens, e cada um dos quais foi então, como besta feroz, rasgar-lhe o Coração por um tormento particular.
    Lá, no Jardim, agonizando de tristeza, nosso Salvador dizia: Ó homens, é isto que tendes para me dar em troca do amor imenso que vos tenho? Ah! Se eu vos visse a responder a minha caridade pela fuga do pecado e consagração ao meu amor com quanta alegria iria agora morrer por vós! Mas ver tantos pecados após tantos padecimentos, tanta ingratidão após tanto amor, isto é o que me aflige sobremaneira, isto é o que me torna triste até a morte e me faz suar sangue! Este suor de sangue foi tão abundante, conforme o Evangelho, que molhou primeiro todas as suas vestes, e correu depois sobre a terra.
    Pelo horror que ele teve então de nossos pecados, e que lhe causou tão dura agonia, o Coração de Jesus nos mereceu a graça da contrição. Ah! Quão fácil nos seria chorar com ele os pecados de nossa vida, se compreendêssemos o que é um Deus ofendido!
    Lembremos muitas vezes que o arrependimento é a principal condição requerida para obtermos a remissão de nossos pecados. Não são as longas confissões que são as melhores, mas aquelas em que há maior dor. O sinal de uma boa confissão, diz São Gregório, não está no grande número de palavras do penitente, mas no arrependimento que ele tem. Aliás, as pessoas que se confessam frequentemente e tem horror até das faltas veniais, não tem motivo para duvidar se tem verdadeira contrição. Há entre elas algumas que se afligem pelo não senti-las; quereriam, cada vez que se confessam, ter lágrimas de enternecimento; e como, apesar de seus esforços, não podem consegui-las, ficam sempre inquietas quanto ao valor de suas confissões. Ora, o verdadeiro arrependimento não está no senti-lo, mas no quere-lo. O santo rei Ezequias dizia que sentia de seus pecados dor muito amarga, mas acompanhada de paz.

Prática
   Antes de minhas confissões, representar-me-ei ao vivo Jesus chorando meus pecados no jardim das Oliveiras, depois disto, pedirei a Deus a graça de sincero arrependimento, oferecendo-lhe aflição do Coração de Jesus e as lágrimas de Maria.

Afetos e Súplicas
    Terno Salvador meu, eu não percebo nesse jardim nem açoites, nem espinhos, nem cravos, que rasgam vossa carne; como então vos vejo coberto de sangue, da cabeça aos pés? Ah! Meus pecados foram o cruel lagar que, a força de aflição e tristeza, fez correr do vosso Coração tão grande abundância de sangue! Eu, então, fui também um de vossos mais cruéis algozes; ajudei, por meus pecados, a vos atormentar mais cruelmente! É certo que, se eu houvesse pecado menos, menos tereis sofrido, ó meu Jesus; assim, quanto maior prazer pus em vos ofender, tanto mais aumentei a aflição e angústias de vosso Coração. Ai! Como não me faz morrer de dor este pensamento, que respondi a vosso amor trabalhando para aumentar vossas penas. Eu, pois, afligi este Coração tão amável e tão terno, que me tem dado provas de tão grande amor. Senhor, já que não tenho outro meio de vos consolar senão arrependendo-me de vos haver ofendido, sinceramente me arrependo, ó meu Jesus, disto tenho o mais vivo pesar. Concedei-me dor tão forte, que me faça chorar sem cessar, até o último suspiro de minha vida, os desgostos que vos causei, ó meu Deus, meu amor, meu tudo!

Oração Jaculatória
    Meu Jesus, como pude afligir assim vosso Coração tão rico em amor para comigo!

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Meditações - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 14º dia

Meditações - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 14º dia

Vamos a GetsemanI, ali acharemos o Coração de Jesus cheio de tédio.


O Coração de Jesus começou também a sentir grande tédio por causa dos tormentos que lhe eram preparados: Caepit taedere. Quando nos vem dissabores, as delícias mesas mudam-se em amargura. E donde podia vir a Jesus esta repugnância? Provinha da triste previsão que ele tinha da inutilidade de sua Paixão para muitas almas. Nosso Senhor revelou a venerável Águeda da Cruz, que este pensamento o afligiu desde o seio de sua mãe, e foi a maior pena de toda a sua vida: já ele o predissera muito tempo antes pela boca de Davi: Que proveito tirarei da efusão do meu sangue? Para que servirá o sacrifício da minha vida? Os homens, em grande maioria, não farão caso algum de minha Paixão; continuarão a me ofender e perder-se eternamente, como se eu nada houvesse feito por eles; Esta pena formou o cálice tão amargo do qual Jesus, no Jardim das Oliveiras, rogou a seu eterno Pai o livrasse: Pater mi, si possibile est, transeat a em calix iste. Em que consistia este cálice? Consistia em ver, de um lado, tantas dores, tantas ignominias, tanto sangue derramado, uma morte tão cruel e infame, e de outro, tão poucos frutos: Qual será o proveito do meu sangue? Ah! Quanto é grande o amor do Coração de Jesus para com as almas! Quanto é grande a compaixão deste divino Coração para com os pecadores! E nós temeríamos não alcançar o perdão, uma vez que lho peçamos? Ah! Ele é de tal sorte inclinado a perdoar aos pecadores, que geme por causa de sua perda, e chora quando os vê longe de seu amor, privados de sua graça. Então com ternura os chama, exclamando: Por que quereis morrer, ó filhos de Israel? Volvei-vos para mim e vivei. Oh! Se os pecadores soubessem com que bondade o Senhor os espera para lhes dar o perdão! Oh! Se soubessem com ele deseja, não puni-los, mas os ve-los mudar de proceder, a fim de poder abraça-los e os apertar no seu Coração! Eu protesto com juramento, diz o Senhor Deus, não quero a morte do pecador, mas sim que se converta e viva. Ele chega até a dizer: Pecadores, arrependei-vos de me ter ofendido; e então, e vos não perdôo, vinde e acusai-me de mentira. Mas não, longe de faltar a minha promessa, se vierdes a mim, tornarei vossas almas tão brancas como a neve, ainda quando se tenham tornado pelos pecadores tão vermelhas como o escarlate. Urgido pela mesma misericórdia ele declara formalmente que esquece todos os pecados da alma que se arrepende.
    Com que caridade este Coração tão misericordioso perdoou Madalena, logo que ela se arrependeu de suas faltas! Com que bondade perdoou ao paralítico, dando-lhe ao nosso tempo a saúde do corpo! De que bondade usou Jesus principalmente para com a mulher adúltera! Os sacerdotes lhe conduziram como pecadora, para que lhe a condenasse. Mulher, perguntou-lhe, ninguém te condenou? - Não, Senhor, responde ela. - Pois bem! Nem eu te condenarei; vai em paz, e não peques mais.
   Muitas vezes, Jesus concedeu aos pecadores convertidos as graças mais abundantes e assinaladas, que ele costuma conceder somente as almas de sua predileção. E o que sucede quando quando, cheio de reconhecimento para com sua bondade, uma pessoa se consagra com fervor e sem reserva a seu amor, como o fizeram S. Paulo, Santa Maria Madalena, Santa Maria Egípcia, Santo Agostinho, Santa Margarida de Cortona. O Coração de Jesus manifestou particularmente sua ternura a respeito desta última santa, que tinha antes passado muitos anos no pecado, ele chegou a lhe fazer ver o lugar que lhe tinha preparado no céu entre os serafins, e enquanto não chegava a hora do prêmio eterno, não cessava de lhe prodigalizar novas graças. Vendo-se tão favorecida de Deus, Margarida lhe disse um dia: Que! Senhor, tantas graças a mim! Já vos esquecestes das ofensas que vos fiz? E o Senhor se dignou responder-lhe: Não sabes que, quando uma alma se arrepende de seus pecados, eu esqueço todos os ultrajes que ela me fez? - Assim já o declara Deus pelo profeta Ezequiel: Se o pecador faz penitência, esquecerei todas as suas iniquidades.

Prática
Vou começar desde este momento vida nova, vida conforme aos desejos do Coração de Jesus. Virá o momento em que não poderei mais. Ai! Quem sabe se é chegado o fim dos meus dias? Quem sabe se amanhã viverei ainda? Na hora da morte estarei tranquilo ao considerar que quase não pensei no grande negócio de minha eternidade?

Afetos e Súplicas
Coração afligido de meu amadíssimo Jesus, a multidão de minhas faltas torna-me indigno de vossas graças, mas pelo merecimento da pena que sofrestes no Jardim de Getsamani, vendo todos os meus pecados, concedei-me vossa luz, a fim de que, conhecendo sua malícia, tenha deles, como vós, grande horror. Ó amável Salvador meu, eu, pois, fui o algoz de vosso Coração,e  algoz mais cruel do que todos os que vos crucificaram! E este suplício, renovei e aumentei tantas vezes, quantas vos ofendi! Senhor, morrestes para me salvar, mas vossa morte não basta para minha salvação, se, do meu lado, não tenho sincero arrependimento dos pecados que cometi, e não os detesto mais que tudo. Esta disposição é ainda uma graça que devo esperar de vosso Coração misericordiosissimo; vós a concedeis a quem vo-la pede; pois bem! Eu vo-la peço pelo merecimento de todos os padecimentos que sofrestes na terra; concedei-me a dor de meus pecados, e dor proporcionada a malícia deles. Meu Jesus, ajudai-me a fazer neste momento um ato de contrição que seja digno de vós. Pai Eterno, supremo e infinito Bem, eu, miserável verme da terra, tive a audácia de vos ultrajar e desprezar vossa graça; agora detesto e aborreço sobre todas as coisas as injúrias que vos fiz; delas me arrependo de todo o coração, menos por causa do inferno que mereci, que pela desgraça de vos haver ofendido. Bondade infinita, espero, pelos merecimentos de Jesus Cristo, que me perdoeis, e com o perdão de minhas faltas, concedeis a graça de vos amar. Eu vos amo, ó Deus digno de infinito amor, e quero repetir sem cessar: eu vos amo, eu vos amo, eu vos amo. O que dizia Santa Catarina de Gênova, quando estava aos pés de Jesus Crucificado, digo-vos também agora: Não, Senhor, não mais pecados, não, não mais pecados. Ah! Vós mereceis, meu terno Jesus, não ser ofendido, mas ser único objeto de nosso amor. Meu Redentor, vinde em meu socorro. Minha terna Mãe Maria, prestai-me vossa assistência; só vos peço passar o resto da minha vida no amor de Deus.

Oração Jaculatória
Ó Coração de Jesus, ponde termo as minhas ingratidões, ferindo meu coração com vosso santo amor.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Meditação - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 13º dia

Meditações - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 13º dia


Vamos ao Getsemani; ali acharamos o Coração de Jesus cheio de temor.   


   O suor de sangue que Nosso Senhor teve no Jardim das Oliveiras, não se pode explicar senão por um violento aperto do coração, que suspendeu a corrente do sangue e o forçou a derramar-se fora; e este aperto de Coração de que Jesus foi então salteado, não provinha com certeza de outra causa que das penas interioresde temor, desgosto e tristeza, que ele padeceu, segundo a narração dos evangelistas: Caepit pavere et taedere... et maestus esse. (Mar 14,33)
   O temor lhe vinha da vista de seus tormentos; o desgosto, da inutilidade de seus padecimentos para muitas almas; e a tristeza, da imensa dor que ele tevede nossos pecados. O Coração de Jesus começou então a sentir grande temor da morte e dos tormentos que devia dali a pouco sofrer; Caepit pavere. Mas como! Não era ele quem se oferecera de bom grado a tais padecimentos? Não era ele que tinha tão ardentemente desejado o tempo de sua Paixão, como pouco antes havia declarado? Como entãoestá agora tomado de tão vivo temor da morte, que chega até a pedir a seu Pai para que lhe poupe de tão dolorosa angústia: Meu Pai, se é possível passe de mim este cálice (Mat 26,4).
    Primeiro, Jesus Cristo quis por este meio nos mostrar que ele era verdadeiramente homem, diz o venerável Beda. Este Senhor cheio de ternura não recusava de modo algum morrer: ele aceitava voluntariamente a morte para nos provar seu amor; mas, para que os homens não pensassem que ele tinha tomado um corpo fantástico, como certos hereges disseram nas suas blasfemias, ou que, pela virtude de sua divindade, morrera sem dor alguma, dirigiu a oração a seu Pai não para ser atendido, mas para nos fazer compreender que ele morria como homem com grande horror da morte. Em segundo lugar, este temor provinha da previsão dos horríveis tormentos que lhe eram preparados. Jesus previa que seria atormentado em todos os seus sentidos; no tato, todas as suas carnes devendo ser laceradas; no paladar, pelo fel e vinagre; no ouvido, pelas blasfêmias e irrisões; na vista, vendo sua mãe que assistiria a sua morte. Previa que todos os seus membros seriam atormentados: sua cabeça sagrada, pelos espinhos; suas mãos e seus pés, pelos cravos; seu rosto; pelas bofetadas e escarros, e todo o seu corpo pelos açoites, exatamente como Isaias predissera. Este profeta tinha anunciado que nosso Redentor seria, na sua Paixão, semelhante a um leproso, cuja carne não tem parte alguma e causa horror ver-se, não oferecendo ao olhar senão chagas das cabeças aos pés. (Is 53). Ele previa então que ia tornar-se o Homem das dores. Também pode-se aplicar justamente ao Coração de Jesus este texto de Jeremias: Vossa aflição é semelhante ao mar. (Thren 2,13). Assim como todas as águas vão se lançar no mar, assim também reuniram-se no Coração de Jesus,para o afligir, todos os padecimentos dos enfermos, todas as austeridades dos anacoretas todos os tormentos dos mártires. Ele foi saciado de dores, de modo que podia dizer a seu Pai estas palavras do Profeta Rei: Meu Pai, fizestes passar sobre mim todas as ondes de vossa ira.  
    E em que condições se achava o Coração de Jesus entregue as imensas angústias de então? Apesar de todas as repugnâncias da natureza, ele submetia-se inteiramente a vontade de seu Pai: Meu Pai, não cessava de dizer ele, faça-se a vossa vontade e não a minha. Quando padecemos aflições de espírito, e Deus nos priva de sua presença sensível, unamos nossa pena a do Coração de Jesus no Jardim das Oliveiras. Algumas vezes o Senhor se oculta aos olhos das almas dele mais amadas, mas não se aparte de seu coração, e continua a suste-las interiormente pela graça. Jesus não se ofende se lhe dizemos, nesse abandono, o que eme mesmo dizia no Jardim de Getsemani: Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice! Mas então é necessário ajuntar logo com ele: contudo faça-se a vossa vontade e não a minha! E se a angústia continua, é necessário também continuar a repetir este ato de resignação, como Jesus, durante as três horas de sua agonia: Ele orou pela terceira vez, repetindo as mesas palavras. Os atos de resignação são os atos de amor mais caros e agradáveis ao Sagrado Coração de Jesus. São Francisco de Sales diz que Jesus, quer se mostre quer se oculte, é sempre igualmente amável. Enfim, quem merece o inferno e se vê livre dele, só uma coisa tem que dizer: Senhor, louvarei vosso nome em todo o tempo, não sou digno de consolações; concedei-me a graça de vos amar, e consinto em viver no meu padecimento pelo tempo que vos aprouver. Ah! Se os condenados pudessem, nos seus tormentos, conformar-se com a vontade de Deus, seu inferno deixaria de o ser.

Prática
Habituar-me-ei a repetir, em todas as contrariedades que me sobrevierem, o que dizia o Coração agonizante de Jesus: Faça-se a vossa vontade, ó meu Deus, e não a minha.

Afetos e Súplicas
    Divino Redentor meu, Vós estais nas agonias da morte, e orais; dizei-me: por quem tanto orais? Ah! Se orais nesse momento não é de tando para vós como para mim: vós ofereceis ao eterno Pai vossas poderosas súplicas unidas as vossas dores; para obterdes para mim, miserável pecador, o perdão de meus pecados. Terno Salvador meu, como vosso Coração divino pôde amar tanto a quem tanto vos ofendeu? Como pudestes aceitar tantos padecimentos por mim, vendo desde então a ingratidão que eu usaria convosco? Eu vos suplico, ó meu Coração afligido de meu bom Senhor, fazei-me participar da dor que então sentistes de meus pecados; o horror que agora experimento uno ao que então experimentastes no Jardim das Oliveiras. Não olheis para meus pecados, o inferno seria muito pouco para puni-los; considerai os tormentos que padecestes por mim. Ó Coração cheio de amor de meu Jesus, vós sois meu amor e minha esperança. Eu vos amo de toda a minha alma e quero vos amar sempre. Ah! Pelos merecimentos do desgosto e da tristeza que padecestes no Jardim, concedei-me o fervor e a coração de trabalhar para vossa glória. Pelos merecimentos de vossa agonia, dai-me a força de resistir a todas as tentações da carne e do inferno; fazei-me a graça de nunca cessar de me recomendar a vós, e repedir sempre seguindo vosso exemplo: Meu Pai, faça-se a vossa vontade e não a minha!

Oração Jaculatória
Ó Coração amante de Jesus, fazei que a minha vontade seja inteiramente unida a vossa.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Festa Junina da Capela São José


Aceitamos a doação de prendas para as brincadeiras (pescaria e bingo) e de roupas para o bazar.
Todo o dinheiro arrecadado será revertido para os gastos da Capela (aluguel e passagem dos padres).

Viva São João!

Meditação - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 12º dia

Meditações - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 12º dia

Vamos a Nazaré, ali acharemos o Coração de Jesus glorificando seu Pai pelo trabalho

   Novo prodígio de amor; um Deus que trabalha! Sim, Jesus se submeteu a uma vida penosa para nos mostrar o amor de seu Coração. Vede o simples operário na casa de Nazaré, e empregado por Maria e José devia trabalhar, ore em reunir as maravalhas destinadas ao fogo, ora em varrer a casa, em carregar água, em abrir ou fechar a carpintaria. São Basílio diz que, sendo Maria e José pobres e obrigados a viver de seu trabalho, Jesus, para exercer a obediência e lhes testemunhar o respeito com nossos superiores, procurava fazer, quanto humanamente podia, tudo o que havia penoso na casa. Um Deus que serve! Um Deus que trabalha! Ah! Um só destes pensamentos deveria bastar para nos abrasar e consumir de amor.
    Não havia na Sagrada Família servos nem servas; o único servo que havia na casa era o Filho de Deus, que tinha querido fazer-se Filho do homem, isto é, de Maria, para tornar-se humilde servo e obedecer como tal a um homem e a uma mulher.
   Ah! Quem poderia considerar atentamente a Jesus neste estado, trabalhando com dificuldade, sem reclamar: Mas que! Amável moço, não sois aquele Deus que, por um sinal, tirou o mundo do nada? Como então vos é agora preciso suar todo o dia para desbastar esta madeira, sem contudo o conseguirdes? Como vos tornastes tão fraco? Ó santa fé! Ó amor de um Deus! Sim, repito, este pensamento, se o penetrassemos bastante, deveria, não só nos abrasar, mas ainda nos consumir de amor. Eis aqui então até onde chegou um Deus.
   Adoremos todas estas obras servis de Jesus, sabendo que todas elas eram divinas e inifinitamente agradáveis a Deus, pois eram oferecidas continuamente pelo Coração do Salvador, com o fim único de lhe agradar e operar a nossa salvação.
    Nós também trabalhamos, é verdade, mas muitas vezes sem merecimento, porque falta-nos a pureza de intenção nas nossas obras. Oh! Quão agradável é ao Sagrado Coração a intenção de agradar a Deus no trabalho! Para nos convencermos disto, escutemos as doces palavras que o Esposo divino dirige a cada um de nós: Se quereis me agradar, pode-me como um selo sobre vosso coração, como um selo sobre vosso braço (Cant. 8,6), isto é, fazei que eu seja o único fim de todos os vossos desejos e de todas as vossas obras. Ele chega até a dizer que, quando uma alma procede assim para lhe agradar; torna-se sua irmã e esposa, e faz-lhe no Coração uma ferida de amor, de sorte que ele não pode deixar de a amar: Tu feriste meu Coração, minha irmã, minha esposa, tu feriste meu Coração por um de teus olhos. (Cant. 4,6). Qual é este olho que fere o Coração de Jesus, o Esposo divino? É a intenção da alma que, em toda obra, só põe a mira em cumprir a vontade do Senhor. Esta alma não obedece aos superiores senão para obedecer a Deus; não faz todas as suas ações senão para glorificar a Deus, segundo a recomendação do Apóstolo: Ou comais, ou bebais, ou fazeis outra coisa qualauer, tudo fazeis para a glória de Deus.
    A venerável Beatriz da Encarnação dizia: Nenhum preço poderia pagar a menor coisa que se faz por Deus. Isto é verdade, porque todas as ações feitas para agradar a Deus são atos de amor divino, aos quais o Senhor reserva recompensa eterna. A pureza de intenção é então uma alquimia celeste que muda o ferro em ouro; porque as ações mais comuns, como comer, dormir, trabalhar, recrear. quando são feitas por Deus, transformam-se todas em ouro do santo amor. Também Santa Maria Madalena de Pazzi tinha como certo que uma pessoa que fizesse todas as suas obras com pura intenção, iria direto para o paraíso, sem passar pelo purgatório.

Prática
Terei cuidado, cada manhã, ao acordar, de oferecer a Deus todas as minhas ações do dia, com todas as que o Coração de Jeuss lhe ofereceu durante sua vida. Esforçar-me-ei,além disso, para renovar esta intenção no começo das principais ações, dizendo por exemplo: Tudo para vós, ó meu Deus!

Afetos e Súplicas
    Adorável Jesus, eu vos vejo trabalhando e suando numa pobre oficina, como se fosseis o mais humilde dos operários. Para mim é que vos abateis e fatigais desta maneira. Pois empregastes toda a vossa vida por meu amor, fazei, ó meu terno Jesus, que eu empregue também por vosso amor tudo o que me resta de vida. Não considerais meus anos passados, ai! De desordens, anos de pecados, motivo de dor e de lágrimas para mim como para vós. Deixai-me, de agora em diante trabalhar e sofrer em união convosco na oficina de Nazaré, e morrer depois convosco no Calvário, abraçando a morte que me destinais.
   Ó amadíssimo Jesus, meu amor, não permitais que eu vos abandone mais, como fiz outrora. Vós, Deus meu, vivestes oculto, desconhecido, desprezado, suportando numa humilde oficina a maior pobreza! E eu, desprezível verme da terra, busquei as honras e os prazeres, e por estas vaidades,  ai! Separei-me de vós, Bem Supremo! Ai, não sejais mais assim, meu Jesus; eu vos amo, e, porque vos amo, não quero viver longo de vós. Renuncio tudo o mais para me unir a vós, ó meu Salvador, oculto e humilhado por amor de mim! Vossa graça me dá muito mais contentamento do que todas as vaidades e gozos terrenos, pelos quais tive a desgraça de vos deixar. Ó Virgem Santíssima, quanto sois feliz por terdes sido a companheira de Jesus na sua vida pobre e oculta, e terdes sabido vos tornar semelhante a este divino modelo! Oh, minha Mãe, fazei que eu também empregue o resto de meus dias em me tornar semelhante a vós e a meu Redentor.

domingo, 11 de junho de 2017

Meditação - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 11º dia

Meditação - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 11º dia




Vamos a Nazaré, ali acharemos o Coração de Jesus, glorificando seu pai pela oração.


    O silêncio condiz ao recolhimento e a oração. Também que o silêncio na casa de Nazaré, onde todos oram! Maria e José, de seu lado, contempla o Pai celeste; sua boca fala pouco com os homens, mas seu coração fala continuamente com seu Pai. Oh! Quão belas, perfeitas, agradáveis a Deus, eram as orações do Coração de Jesus! Ele orava em todos os instantes, e suas orações eram todas para nós, e até para cada um de nós em particular. Todas as graças que cada um de nós recebeu do Senhor, como a de ter sido chamado a verdadeira fé, ter sido esperado para a penitência, as luzes, o arrependimento, o perdão, os santos desejos, as vitórias contra as tentações, e todos os outros atos de virtude que temos feito ou que faremos, atos de confiança, de humildade, de amor, de agradecimento, de oferenda, de resignação; tudo nos foi obtido pelo Coração de Jesus, tudo é efeito das orações saídas do Coração de Jesus.
    Ainda dormindo, este divino Salvador, pensava em nós e orava por nós; porque o sono de Jesus diferia muito dos outros filhos de Adão. O sono de outros homens lhes é útil para a conservação da vida, mas não para as operações da alma, que ficam impedidas pelo entorpecimento dos sentidos. Tal não era o sono de Jesus: Eu durmo, dizia Ele, mas meu Coração vela. (Can 5,2) Enquanto seu corpo repousava, seu Coração velava, porque em Jesus, a natureza humana era unida a pessoa do Verbo, que não podia dormir nem ser entorpecida pelos sentidos. Jesus Cristo dormia então, mas enquanto dormia, considerava todas as penas que devia padecer por amor de nós, durante sua vida e na sua morte. Ele pensava nos açoites, nos espinhos, nos opróbrios e na morte dolorosa que devia sofrer um dia na cruz; e oferecia tudo a seu eterno Pai, para nos obter o perdão de nossos pecados e a salvação. Assim, seja dormindo, seja trabalhando, o Coração de Jesus merecia por nós,aplacava seu Pai enos obtinha graças.
    Embora Jesus tenha orado tanto por nossa salvação, nem por isso estamos dispensados de orar de nossa parte, como no-lo ensina o divino Mestre: Pedi e recebereis. Não somos mais que pobres mendicrantes, que só temos o que Deus nos dá por esmola. O Senhor, diz Santo Agostinho, deseja e quer nos dar suas graças, mas com a condição de lhe as pedrimos. Como umidade é necessária as plantas para se conservarem no estado de frescura e vida, assim a oração é necessária para nos salvarmos. A alma dá a vida ao corpo, e a oração dá vida a alma, de sorte que a alma que não ora, lança de si fétidas emanações de cadáver, infeccionada como ela e pelo pecado. Desta necessidade absoluta em que estamos de orar, nasce a necessidade moral da meditação. Com efeito, quem não medita e vive constantemente distraído pelos negócios do mundo, não conhece as próprias necessidades espirituais, nem os perigos que ocorre quanto a salvação, nem os meios que deve empregar para vencer as tentações, nem sequer essa necessidade de orar que diz respeito a todos os homens: neste estado de cegueira, abandona o exercício da oração, e não orando, perde-se inevitavelmente.
    Oremos, pois, e oremos muito. A oração é uma embaixadora fiel, perfeitamente conhecida do Rei Jesus; ela tem direito de penetrar até no seu gabinete; e, por suas importunações, nunca deixa de enternecer o Coração deste bom Senhor e alcançar dele todas as graças.

Prática
Lerei hoje com atenção o método de oração que se encontra no princípio deste devocionário, ali verei que a meditação é uma coisa fácil para todos; e, por conseguinte, esforçar-me-ei por adquirir o piedoso hábito de meditar, cada dia durante algum tempo, ainda que seja um quarto de hora. Para adquirir gosto de praticar este santo exercício, direi mutias vezes hoje ao Coração de Jesus: Mestre, ensina-me a orar.

Afetos e Súplicas
Coração fidelíssimo de meu Jesus, pronto estavas a me conceder todas as graças; para isso só esperavas uma oração minha; mas ai! Só pensei em contentar meus sentidos, em pouco avaliando ser privado de vosso amor e benefícios. Senhor, esquecei minhas ingratidões tão multiplicadas, e tende compaixão de mim; fazei-me a graça de pedir continuamente vosso socorro, afim de não vos ofender mais: ó Deus de minha alma, não permitais que eu me descuide deste dever no futuro, como fiz no passado. Esclarecei-me e dai-me a força de me recomendar sempre a vós, especialmente quando meus inimigos me provocarem para o pecado. Ó meu Deus, concedei-me esta graça em consideração dos merecimentos do Coração de Jesus, vosso Filho amadíssimo. Ah! Muito vos hei ofendido, bom Senhor meu, quero amar-vos agora durante o resto dos meus dias. Dai-me vosso santo amor; e este amor me faça recorrer a vossa proteção, todas as vezes que eu me achar em perigo de vos perder pelo pecado. Ó Maria, minha esperança,  por vossa intercessão espero obter a graça de me recomendar sempre a vós e a vosso Divino Filho nas minhas tentações. Isto vos peço por todo o amor que tendes ao Coração de Jesus.

sábado, 10 de junho de 2017

Meditação - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 10º dia

Meditações - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 10º dia

Vamos a Nazaré, ali acharemos o Coração de Jesus glorificando seu Pai por sua obediência

    Uma das principais virtudes do menino é a obediência. O Espírito Santo nos ensina qual foi a submissão do Coração de Jesus. Entrando no mundo, diz-nos ele por boca do profeta-rei, o Filho de Deus disse: Eis-me aqui, venho,conforme o que está escrito de mim a frente do meu livro, para fazer vossa vontade; esta é a minha vontade, ó meu Deus, e vossa lei se acha no meio do meu coração.
    Tendo o Pai eterno designado a São José para ocupar seu lugar na a respeito do seu divino Filho, Jesus o olhou sempre como seu pai; durante o espaço de trinta anos, prestou-lhe o respeito e obediência que um filho deve a seu pai. O Evangelho atesta que ele era submisso a Maria e a José, o que significa que, durante todo este tempo, a ocupação do Redentor foi obedecer-lhes; a José pertencia mandar como chefe desta pequena família, e a Jesus obedecer como súdito. Jesus não dava um passo, não tomava nutrimento ou repouso, senão segundo as ordens de São José. Ele lhe obedecia em tudo e logo, como Deus se dignou revelar a Santa Brigida. Muitas vezes, diz Gerson, Jesus era ocupado em preparar a comida, lavar as vasilhas, carregar água, varrer a casa. 
    Ó feliz casa de Nazaré, eu te saúdo e te venero: um tempo virá em que serás visitada pelas maiores personagens da terra, e quando os piedosos peregrinos se virem entre teus muros, não poderão conter lágrimas de enternecimento, pensando que o rei do céu passou ali toda a sua vida, obedecendo a Maria e a José. Santo Agostinho diz que como Adão pela desobediência perdeu a si o gênero humano, o fim principal do Filho de Deus, fazendo-se homem, foi ensinar a obediência por seu exemplo. Ele começou então por obedecera Maria e a José desde sua infância, continuou do mesmo modo durante toda a sua vida, e obedeceu enfim até a morte infame da cruz. E querendo nos fazer conhecer que ele tinha sempre antes os olhos a vontade de seu Pai para a cumprir fielmente, afirmou que a trazia gravada no seu divino Coração: Et legem tuam in medio cordis meo.(Ps 39,8)
    Que! Para salvar o homem, Jesus Cristo se submete as criaturas; e para salvar a alma, o homem recusaria a submeter-se a Deus mesmo? Ó injúria! Deus é o Senhor de todos as coisas, pois ele tudo criou; todas as criaturas lhe obedecem, os céus, o mar, a terra, os elementos, os animais irracionais; o homem, a criatura mais amada e favorecida de Deus, não lhe quer obedecer; não teme perder a graça divina! No momento da tentação, o pecador ouve a voz de Deus que lhe diz: Meu filho, não te vingues; evita esse prazer infame; restitui esse bem que não é teu. Mas pecando, o desgraçado lhe responde: Senhor, não quero vos obedecer: Non serviam.
    Bem longe de usar semelhante linguagem, o discípulo do Sagrado Coração se esforça por imitar seu divino modelo, cumprindo os mandamentos de Deus e as ordens de seu superior legítimo. Não procura sequer saber a razão do mandamento, porque, isto ; diz S. Bernardo, seria o sinal de uma vontade imperfeita. Assim é que o demônio tentou a Eva, e conseguiu faze-la prevaricar; começou por lhe perguntar porque Deus lhes tinha proibido comer de todos os frutos do Paraíso terrestre.Eva não teria caído no pecado, se imediatamente houvesse respondido: Não nos pertence examinar o porque; nossa obrigação é obedecer. Mas a desgraçada se pôs a considerar o porque, e esta foi a causa da sua desobediência.
    O que torna perfeita a obediência, é a simplicidade do coração; o Apóstolo no-lo afirma: Obedecei na simplicidade de vosso coração. (6,5) Eis aqui como o divino esposo ensina esta perfeita obediência a sua esposa: Se tu ignoras, ó alma cristã, quanto podes ser cara ao meu coração por tuas obras, dir-te-ei: Sai de si mesma, e segue os passos dos rebanhos. (Can 1,7) Vê como são obedientes as ovelhas a seu pastor: elas não perguntam porque são levadas para tal lugar e a tal hora, porque as levam depressa ou devagar; obedecem a seu pastor sem replicar. Oxalá nos faça obedecer deste modo o amor ao Coração de Jesus.

Prática
Não deixarei passar um dia algum sem rogar ao Coração obediente de Jesus a graça de obedecer com prontidão, exatidão, alegria e simplicidade, a tudo o que me é ordenado por meus superiores legítimos, como o Papa, o bispo da diocese, meus pais, meu confessor. Este é também o verdadeiro meio de achar a felicidade e a paz da alma.

Afetos e Súplicas
Amabilíssimo Jesus, abrasado de amor para com as almas, compreendo a ingratidão dos homens para convosco; vos os amais, e eles não vos amam; vós lhe fazeis bem, e eles vos desprezam, vós quereis lhes fazer ouvir vossa voz, e eles não vos escutam; vós lhes ofereceis graças, e eles as recusam. E eu, meu Jesus, uni-me outrora a esses ingratos para vos ofender assim! Mas quero corrigir-me, quero reparar durante o resto de minha vida os desgostos que vos dei; farei quanto puder para vos agradar e satisfazer. Dizei, Senhor, o que de mim exigis; decidido estou a tudo cumprir sem reserva; fazei-me conhecer vossa santa vontade, por meio da santa obediência; espero executa-la fielmente.
    Meu Deus, prometo-vos firmemente que de agora em diante não desprezarei a mínima coisa que me pareça ser de vosso agrado, ainda que necessário me seja perder tudo o que tenho de mais caro, pais, amigos, honra, saúde e até a vida. Perca-se tudo, com tanto que sejais satisfeito. Feliz a perda a que padecemos, quando sacrificamos tudo para contentar vosso Coração, ó Deus de minha alma! Eu vos amo, ó Soberano Bem, infinitamente mais amável que todos os bens! E amando-vos, uno meu pobre coração a todos os abrasados corações dos Serafins, ao Coração de Maria, enfim ao vosso Coração. Eu vos amo com todas as minhas forças, e só a vós quero amar, quero amar-vos sempre, e sempre a vós só.

Oração Jaculatória
Ó Coração de Jesus, abismo de misericórdia, fazei que este dia seja o de minha inteira conversão.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Meditação - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 09º dia

Meditações - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 9º Dia

Vamos ao Egito, ali acharemos o Coração de Jesus desprezando as riquezas do mundo


 A riqueza de Deus é infinita e inexaurível, porque não depende de outro : sua riqueza é ele mesmo, Bem infinito ; eis ai porque lhe dizia David : Vós sois meu Deus, necessidade nenhuma tendes do que eu possuo. Pois bem, este Deus tão rico fez-se pobre a fim de nos enriquecer.
Sim, a bondade ao Coração de Jesus competia mostrar sua predileção a pobreza, para fazer reinar o desapego nos nossos cora­ções infatuados dos bens deste mundo, que não são mais que lodo e pó. Nascido na pobreza, o Senhor foi pobre toda a sua vida, indigente até, conforme a expressão de S. Paulo: Egenus.

Mas onde ele sofreu principalmente da pobreza foi no Egito. Quão digna de lastimas é a família exilada, que se vê obrigada a partir para o desterro sem recurso algum! S. Boaventura considera compadecido a Maria e José fazendo esta longa e penosa viagem, carecendo de tudo e levando em seus braços o santo Menino, que muito teve que sofrer por causa de sua pobreza e pergunta: Onde achavam eles o nutrimento? onde passavam a noite? Mas com que podiam alimentar-se, senão com um pouco de pão duro? Onde podiam passar a noite no deserto, senão sobre a terra nua, ao relento ou sob uma árvore?


Ah! quem encontrasse no caminho estes três grandes personagens, por quem os teria tomado , senão por três pobres mendigos? E no Egito, estrangeiros, sem parentes, sem amigos, quanto não sofreram de sua indigência, durante os sete anos que lá passaram! Segundo S. Basilio, com grande custo é que eles arranjaram o necessario pelo trabalho de suas mãos. Ludolpho de Saxe afirma que mais d'uma vez o 
Menino Jesus, apertado pela fome, pediu um pouco de pão á sua mãe, e Marla teve de responder que não tinha.

Não somente nosso divino Salvador foi pobre, mas amou a pobreza e tanto a amou, que se pode dizer que ela era a esposa de predileção do Coração de Jesus. A pobreza não existia no céu diz S. Bernardo ; ela abundava na terra mas o homem ignorava seu valor. Que faz o Filho de Deus ? Amando esta pobreza desprezada, quis descer do céu, a fim de esposa-la e no-la tomou por este modo preciosa. Seu fim, nascendo pobre, foi levar-nos, por seu exemplo, a desapegar nossos corações dos bens terrenos, e consagrai-os inteiramente ao amor divino.

Nós todos somos viajantes na terra, onde apenas estamos de passagem, diz S. Agostinho. Certamente, quem está num lugar só de passagem, não se apega a objeto algum, pois sabe que deve logo deixar tudo. Ah! Se os homens não esquecessem que são viajantes neste mundo e caminham para a eternidade, quem poderia apegar-se aos bens de cá e pôr-se assim em perigo de perder os do céu? Para que servem os tesouros, as riquezas ? Para que servem bens que não podem contentar nosso coração ?Que levaremos conosco na morte?O verdadeiro tesouro da alma é Deus. Ora, Deus não pode ser o tesouro da alma que conserva apego desordenado aos bens da terra.

Eis aqui porque David fazia a seguinte suplica: Senhor, purificai meu coração dos afectos terrenos. Uma vez achado este tesouro, pode-se dizer com a esposa dos Canticos : Achei Aquele que meu Coração ama. Perca-se tudo mais: Deus só me basta. Feliz perda, a que sofremos quando sacrificamos tudo, para contentar vosso Coração, ó Deus de minha alma, ó Jesus, soberano Bem, infinitamente mais amável que todos os bens!


Prática.Para honrar a pobreza de Jesus, nada invejarei aos ricos ; e se tiver alguma fortuna, não me apegarei a ela, mas farei numerosas obras de caridade. 


Oração Jaculatória

Coração de Jesus, tirai de meu coração tudo o que não vos é agradável. 

Afetos e Súplicas
Sagrado Coração de Jesus, cheio de amor a pobreza e aos pobres, vossa vida me ensina que na terra sou viador, e que minha pátria é o céu que me viestes adquirir por vossos merecimentos! Ah, meu Jesus, eu tinha vivido na ingratidão para convosco, porque hei refletido no que fizestes e padecestes por mim.
Quando penso que vós, Filho de Deus, passastes cá no mundo vida tão pobre, como é possível que eu ande atrás dos bens terrenos? Ó terno Redentor meu, permiti-me viver sempre unido a vós na terra, a fim de ter a felicidade de ficar unido convosco no céu, amar-vos e gozar eternamente de vossa presença. Esclarecei-me e aumentai a minha fé. Bens, prazeres, dignidades, honras deste mundo, que é tudo isto senão vaidade e loucura! A única riqueza, o único tesouro verdadeiro, é possuir-vos Bem infinito! Feliz aquele que vos ama! Eu vos amo, meu Jesus e só a vós desejo. Vós me quereis, e eu vos quero. Se mil reinos tivera, todos de bom grado renunciaria para agradar vosso coração, porque sois meu Deus e meu tudo. Se corre outrora atrás das vaidades e gozos desta vida, agora os detesto, e deploro minha cegueira. De agora em diante, amável Salvador meu, sereis, vós só, meu contentamento, meu amor, meu tesouro. Ó doce Virgem Maria, rogai por mim ao Coração de Jesus que vos ama tanto: pedi-lhe que me enriqueça com seu santo amor, é tudo o que desejo.