domingo, 11 de junho de 2017

Meditação - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 11º dia

Meditação - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 11º dia




Vamos a Nazaré, ali acharemos o Coração de Jesus, glorificando seu pai pela oração.


    O silêncio condiz ao recolhimento e a oração. Também que o silêncio na casa de Nazaré, onde todos oram! Maria e José, de seu lado, contempla o Pai celeste; sua boca fala pouco com os homens, mas seu coração fala continuamente com seu Pai. Oh! Quão belas, perfeitas, agradáveis a Deus, eram as orações do Coração de Jesus! Ele orava em todos os instantes, e suas orações eram todas para nós, e até para cada um de nós em particular. Todas as graças que cada um de nós recebeu do Senhor, como a de ter sido chamado a verdadeira fé, ter sido esperado para a penitência, as luzes, o arrependimento, o perdão, os santos desejos, as vitórias contra as tentações, e todos os outros atos de virtude que temos feito ou que faremos, atos de confiança, de humildade, de amor, de agradecimento, de oferenda, de resignação; tudo nos foi obtido pelo Coração de Jesus, tudo é efeito das orações saídas do Coração de Jesus.
    Ainda dormindo, este divino Salvador, pensava em nós e orava por nós; porque o sono de Jesus diferia muito dos outros filhos de Adão. O sono de outros homens lhes é útil para a conservação da vida, mas não para as operações da alma, que ficam impedidas pelo entorpecimento dos sentidos. Tal não era o sono de Jesus: Eu durmo, dizia Ele, mas meu Coração vela. (Can 5,2) Enquanto seu corpo repousava, seu Coração velava, porque em Jesus, a natureza humana era unida a pessoa do Verbo, que não podia dormir nem ser entorpecida pelos sentidos. Jesus Cristo dormia então, mas enquanto dormia, considerava todas as penas que devia padecer por amor de nós, durante sua vida e na sua morte. Ele pensava nos açoites, nos espinhos, nos opróbrios e na morte dolorosa que devia sofrer um dia na cruz; e oferecia tudo a seu eterno Pai, para nos obter o perdão de nossos pecados e a salvação. Assim, seja dormindo, seja trabalhando, o Coração de Jesus merecia por nós,aplacava seu Pai enos obtinha graças.
    Embora Jesus tenha orado tanto por nossa salvação, nem por isso estamos dispensados de orar de nossa parte, como no-lo ensina o divino Mestre: Pedi e recebereis. Não somos mais que pobres mendicrantes, que só temos o que Deus nos dá por esmola. O Senhor, diz Santo Agostinho, deseja e quer nos dar suas graças, mas com a condição de lhe as pedrimos. Como umidade é necessária as plantas para se conservarem no estado de frescura e vida, assim a oração é necessária para nos salvarmos. A alma dá a vida ao corpo, e a oração dá vida a alma, de sorte que a alma que não ora, lança de si fétidas emanações de cadáver, infeccionada como ela e pelo pecado. Desta necessidade absoluta em que estamos de orar, nasce a necessidade moral da meditação. Com efeito, quem não medita e vive constantemente distraído pelos negócios do mundo, não conhece as próprias necessidades espirituais, nem os perigos que ocorre quanto a salvação, nem os meios que deve empregar para vencer as tentações, nem sequer essa necessidade de orar que diz respeito a todos os homens: neste estado de cegueira, abandona o exercício da oração, e não orando, perde-se inevitavelmente.
    Oremos, pois, e oremos muito. A oração é uma embaixadora fiel, perfeitamente conhecida do Rei Jesus; ela tem direito de penetrar até no seu gabinete; e, por suas importunações, nunca deixa de enternecer o Coração deste bom Senhor e alcançar dele todas as graças.

Prática
Lerei hoje com atenção o método de oração que se encontra no princípio deste devocionário, ali verei que a meditação é uma coisa fácil para todos; e, por conseguinte, esforçar-me-ei por adquirir o piedoso hábito de meditar, cada dia durante algum tempo, ainda que seja um quarto de hora. Para adquirir gosto de praticar este santo exercício, direi mutias vezes hoje ao Coração de Jesus: Mestre, ensina-me a orar.

Afetos e Súplicas
Coração fidelíssimo de meu Jesus, pronto estavas a me conceder todas as graças; para isso só esperavas uma oração minha; mas ai! Só pensei em contentar meus sentidos, em pouco avaliando ser privado de vosso amor e benefícios. Senhor, esquecei minhas ingratidões tão multiplicadas, e tende compaixão de mim; fazei-me a graça de pedir continuamente vosso socorro, afim de não vos ofender mais: ó Deus de minha alma, não permitais que eu me descuide deste dever no futuro, como fiz no passado. Esclarecei-me e dai-me a força de me recomendar sempre a vós, especialmente quando meus inimigos me provocarem para o pecado. Ó meu Deus, concedei-me esta graça em consideração dos merecimentos do Coração de Jesus, vosso Filho amadíssimo. Ah! Muito vos hei ofendido, bom Senhor meu, quero amar-vos agora durante o resto dos meus dias. Dai-me vosso santo amor; e este amor me faça recorrer a vossa proteção, todas as vezes que eu me achar em perigo de vos perder pelo pecado. Ó Maria, minha esperança,  por vossa intercessão espero obter a graça de me recomendar sempre a vós e a vosso Divino Filho nas minhas tentações. Isto vos peço por todo o amor que tendes ao Coração de Jesus.