quinta-feira, 29 de junho de 2017

Meditação - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 29º dia

Mês do Sagrado Coração de Jesus - 29º dia

   Aproximemo-nos da santa Mesa: ali acharemos o Coração de Jesus desejoso de se unir a nós muito frequentemente. 


      O amor tende naturalmente a união com o objeto amado, ou antes, segundo o pensamento de santo Agostinho, o amor é uma cadeia de ouro que une o coração da pessoa que ama, e o da pessoa amada. E como esta união não se pode efetuar de longe, aquele que ama, deseja sempre a presença da pessoa amada. A esposa sagrada, quando separada do seu Amado, enlanguecia, e rogava a suas companheiras para que lhe contassem seus padecimentos, afim de obrigar a consola-la por sua presença: eu vos conjuro, filhas de Jerusalem, se encontrardes meu Amado, dizei-lhe que enlangueço de amor. 
    Ora, a união do homem com seu Deus faz-se na santa comunhão, como a palavra o indica. Mas notemos aqui um prodígio de ingratidão e outro de amor. De um lado, o coração do homem, apesar da extrema necessidade que tem de seu Deus, separa-se da mesa santa, ou se aproxima o mais raramente que pode; e de outro lado o Coração amante de Jesus deseja, busca, solicita esta união de todas as maneiras possíveis.
    Ele manifesta neste sentido o mais vivo desejo. Ardentemente desejei, diz ele, comer esta
pascoa convosco. Estas palavras foram pronunciadas na ultima ceia; mas o fogo que abrasava então o Coração de Jesus, não é menor hoje. Eis porque ele não cessa de nos fazer os mais ternos convites: Vinde, comer o pão e beber o vinho que eu vos preparei. Não contente de nos convidar, Jesus nos impõe obriga­ção d'isto por um preceito formal : Tomai e comei, este é meu corpo. De mais ,  ele nos atrai pela promessa da vida eterna: Aquele que come este pão, viverá eternamente. Chega até a nos ameaçar de nos excluir do paraíso se recusamos comer sua carne sagrada. Se não comeis da carne do Filho do homem, não tereis a vida em vós. Que nos dizem estes convites, estas promessas, estas ameaças? Revelam-nos o desejo que tem o Coração do Jesus de se unir a nós na Eucaristia, desejo que nasce do grande amor que ele nos tem. E evidente que só a comunhão frequente pode satisfazer tal desejo. 
     Mas não é verdade que o coração do homem evita o mais que pode a doce união solicitada pelo Coração de seu Deus? Ó insensatos partidários do mundo, exclama santo Agostinho, desgraçados, aonde ides para satisfazer os desejos de vosso coração? Vinde ao Coração de Jesus, único que pode vos dar a felicidade que buscais. Ó vós que ledes estas linhas, não sigais estes transviados; vinde ao banquete sagrado buscar este único bem em que se acham todos os bens. Temeis! Ah! durante os primeiros seculos da Igreja, os fieis rompiam todos os dias este pão celeste em suas reuniões, como no-lo ensina S. Lucas dos de Jerusalem. Sim, este é o nosso pão quotidiano, nos diz Santo Ambrósio ; ide então recebe-lo quotidianamente, a fim de que cada dia vos seja ele proveitoso.
    Se não podeis comungar todos os dias, como os fervorosos cristãos dos grandes seculos de fé, comungai ao menos todas as vezes que puderdes. Não vos esqueçais, principalmente, da comunhão da primeira sexta feira de cada mês, a qual o Coração de Jesus concede as maiores graças. Fazei-apenas três intenções já citadas, isto é: 1°. em reconhecimento do dom inefável que Jesus nos fez na Eucaristia, de seu corpo, de seu sangue, de sua alma, de sua divindade, de seu Coração ; 2°. em compensa­ção da negligência que tinheis outrora em vos aproximar da santa mesa. Pedi o ardor de uma santa Catarina de Sena, que ia ter-se com seu confessor, exclamando : Ó meu Pai, dai a minha alma seu nutrimento muito amado ; dai a minha alma seu nutrimento. Pedi a fé de uma santa Maria Magdalena de Pazzi, que chorava de dor vendo desprezar-se a comunhão : Eu antes quisera morrer do que faltar a uma só das comunhões que meu confessor me concede; 3º em reparação de vossas faltas e de tantos sacrilégios ·que se cometem contra este adorável Sacramento. Nosso divino Salvador se dignou um dia dizer estas consoladoras palavras a venerável Irmã Prudenciana Zagnoni: Se comungardes muitas vezes, esquecerei todas as vossas ingratidões. Obriga-vos também a vos aproximar do divino banquete a compaixão para com o Divino Salvador. Santa Teresa percebeu, certo dia, com horror um desgraçado sacrilego cer­cado de dois demônios que tremiam diante do Santissimo Sacramento ; e então ouviu, do meio da hoótia, Jesus dirigir-lhe estas pala nas: Vê, Teresa, até onde chega minha bondade, pois que, para teu bem e para o de todos os homens, consinto em me pôr assim entre as mãos de meu inimigo.

Prática

     Farei a comunhão reparadora na primeira sexta feira de cada mês. O Coração de Jesus é que m'o pede. Poderei recusar-lhe uma coisa que redundará toda em meu proveito?

Afetos e Súplicas

     Ó Coração de meu amadissimo Jesus, ó mais terno e generoso de todos os corações, que coisa então vos levou a vos dardes todo a nós em nutrimento? e depois deste dom inefável, que vos resta ainda fazer para nos obrigar a vos amar? Ah! esclarecei-nos e fazei-nos conhecer este excesso de amor que vos transformou em alimento para vos unirdes a nós, pobres pecadores! Mas se vos dais todo a nós, justo é que nós também nos demos inteiramente a vós. ó Coração de meu Redentor, como pude vos ofender vendo que me tendes amado tanto, e nada haveis poupado para ganhar meu amor! Vós vos fizestes homem por mim, vós vos fizestes meu nutrimento; dizei-me, que poderieis fazer ainda? Oh! eu vos amo, bondade infinita, eu vos amo, amor infinito : vinde, Senhor, vinde muitas vezes á minha alma: quero unir-me muitas vezes a vós na santa comunhão, para me desapegar de tudo, e para amar a vós somente, que sois minha vida. Ó Maria, por vossa intercessão, tornai-me digno de receber muitas vezes vosso divino Filho no Sacramento de seu amor.

Oração Jaculatória

Coração amável de meu Jesus, bem pobre e desgraçado é o coração que vos não ama.