terça-feira, 15 de agosto de 2017

15 de Agosto - Assunção de Nossa Senhora

Morte e Assunção de Maria

Como terminou a vida da SS. Virgem?

    Como a de todos os filhos de Adão, a vida da SS. Virgem terminou com a morte.
    Maria Imaculada deveria ser isenta da morte que é consequência do pecado. Deus, porém, quis que ela morresse a fim de que sua Mãe imitasse Jesus morto na cruz, e para dar-nos o exemplo da morte ideal, a que devemos aspirar.

Como morreu Maria Santíssima?

    Maria não morreu de doença ou de velhice; consumiu-a a veemência do amor a Jesus que ardia em seu coração.
    São Bernardo diz que era preciso um milagre contínuo para que os laços naturais que o uniam a alma de Maria ao seu corpo pudessem subsistir, tal era a chama de amor divino. Pela cessação desse milagre, ela terminou os seus dias.
    Maria tinha cerca de 72 anos de idade quando o anjo Gabriel - conta o histórico Nicéforo - lhe apareceu e lhe anunciou estar próximo o dia em que poderia unir-se para sempre ao Filho querido.
    Como terá vibrado o seu coração! Com que alegria terá repetido o "fiat" decisivo da Encarnação! 
    Os apóstolos, milagrosamente reunidos, se entristeciam ao pensar que muito em breve teriam de separar-se daquela a quem chamavam Mãe..
    Maria, conta São João Damasceno, consolou-os, encorajou-os a perseverar nos esforços compreendidos em prol da conversão dos gentios e prometeu que do céu os protegeria. Aproximava-se o momento supremo; a Virgem, com os olhos voltados para o alto, rezou assim: "Meu Filho, esta alma por ti preservada de toda mancha e que te é tão cara, eu a ponho nas tuas mãos. Este corpo, incorruptível porque foi a tua morada, eu te confio. Fruto bendito do meu seio, atrai-me para ti, tu que tantas vezes procuraste descanso nos meus braços! Consola, ó meu Filho, estes a quem chamaste irmãos e amigos e que agora choram a minha partida. Que a minha mão se erga para os abençoar e tu enchas de graça esta bênção!"
    Aqui se ouviu a voz de Jesus: "O Mãe bendita, santa entre todas as criaturas, ergue-te e vem comigo para a glória".
    A esse doce convite de Jesus, Maria estendeu os braços e, num supremo transporte de amor, sem dor e sem agonia, adormeceu na paz do Senhor.
    Os Apóstolos depositaram com grande pompa aquele corpo venerável num sepulcro do Getsêmani.

Quanto tempo o corpo de Maria permaneceu no sepulcro?

    O corpo de Maria devia ser poupado à humilhação infligida ao homem pecador: "Tu és pó e em pó voltarás".
    E assim foi: três dias depois da morte, seu corpo ressuscitou, belo e glorioso. Reuniu-se à alma e foi transportada em triunfo para o céu.
    Conta São João Damasceno que, segundo uma tradição, só o Apóstolo São Tomé faltou à morte da Virgem.
    Chegou três dias mais tarde, triste por não ter presenciado os últimos instantes da Mãe do seu Divino Mestre. Pediu aos Apóstolos que o deixassem ver os despojos mortais da Virgem Santíssima.
    O seu pedido foi atendido; mas quando removeram a pedra que fechava a entrada do sepulcro, procuraram em vão o corpo de Maria; encontraram só os linhos que o tinham envolvido, cobertos de rosas e de lírios de suave perfume. Os Apóstolos, admirados, buscavam uma explicação para o acontecido, quando lhes chegou aos ouvidos uma melodia dulcíssima. Ergueram os olhos para o céu e viram os anjos que, entoando cânticos de alegria, transportavam para o céu a sua Rainha.

Por que Maria mereceu a honra da ressurreição antecipada?

    Mereceu-a pela sua maternidade divina e pela sua pureza. 
    "O corpo sagrado da Virgem, diz Bossuet, o trono da castidade, o templo da Sabedoria Encarnada, aquele corpo do qual o Salvador tirou o seu, não devia permanecer no túmulo; do contrário, o triunfo da redenção teria sido incompleto."

A Assunção de Maria é verdade de fé?

   Sim, a Assunção de Maria é verdade de fé definida no dia 1º de novembro de 1950 pelo Papa Pio XII.

Com que honras Maria foi recebida no céu?

    Maria entrou no céu como Rainha. A sua chegada o próprio Jesus foi recebê-la para introduzi-la na Jerusalém celeste, no meio de aclamações, cantos e harmonias. Jesus a fez sentar à sua direita, num trono resplandecente, colocou-se na cabeça a dúplice coroa das Virgens e dos Mártires, deu-lhe um cetro e lhe disse: "Reina soberana sobre todos os anjos e os santos, minha Mãe, reina sobre todas as criaturas com a sua bondade".
    Naquela dia Maria foi constituída:
    1) Onipotente junto de Deus, podendo, com suas preces, obter tudo o que desejar. No céu, apesar de não ter sobre o Filho autoridade que tinha na terra, os seus rogos são sempre de mãe e não recebem recusas.
    2) Dispensadora de todas as graças: "Deus, diz Bossuet, tendo querido, uma vez por todas, dar-nos Jesus por Maria, não modificará mais essa ordem; por isso, aquele que nos deu o princípio universal da graça, também nos dará as diversas aplicações desta, nos diversos estados de vida".

A que grau foi elevada Maria Santíssima?

    Superior por sua maternidade divina e por sua eminente santidade a tudo aquilo que é Deus. Maria foi elevada na glória acima de todos os coros dos anjos e dos santos.
    A glória, ou felicidade eterna, consiste essencialmente na visão de Deus, visão mais ou menos perfeita segundo o grau de santidade e do mérito de cada um.
    Ora, sendo a santidade de Maria superior à de todos os eleitos reunidos, a sua glória é por conseguinte superior à de todos.
    Maria vê Deus mais claramente; ama-o mais perfeitamente e goza dele abundantemente.

Em que dia se celebra a festa da Assunção?

    A festa da Assunção - uma das mais belas solenidades marianas estabelecidas pela Igreja - celebra-se, desde os tempos mais remotos, no dia 15 de agosto.
    Maria pode fazer-nos bem porque é onipotente sobre o coração de Jesus. Maria quer fazer-nos bem porque é nossa mãe. Ela vê em Deus, como num espelho, todas as nossas necessidades. Ouve as nossas preces. Como não termos confiança nela?

EXEMPLO

Guido de Fontgalland

    Guido de Fontgalland, almazinha privilegiada, amava Nossa Senhora como uma segunda mãe.
    Em 1924, o conde e a condessa de Fontgalland levaram seus filhos a Lourdes. Guido entusiasmou-se: comungou dois dias seguidos na gruta, bebeu muitas vezes à fonte de Massabielle. Ali de joelhos, com os braços em cruz, teve com Nossa Senhora, a sua mãe celeste, colóquios dos quais voltava com os olhos radiantes de alegria.
    Na véspera da partida de Lourdes, à mesa, enquanto se desdobrava o guardanapo, disse, muito sério e grave:
    - Nossa Senhora confiou-me um segredo!
    - Conta-me, logo qual foi, meu tesouro, disse a mãe.
    - Não, os segredos são para dois e não para três, por isso, eu não conto.
    De volta de Lourdes, Guido tornou-se de repente mais piedoso. Todas as noites, na cama, recitava uma parte do Rosário, falava mais vezes de Nossa Senhora. Solicitou que a linda imagem da Virgem da Libertação fosse colocada sobre a mesa da cabaceira "para vê-la melhor". A cabeceira, pendurou um quadro da gruta.
    No campo, muitas vezes durante o dia, viam-no recolhido diante de uma imagenzinha de Maria que ela enfeitava com flores.
    Passaram-se pouco mais de quatro meses. Na noite de 7 para 8 de dezembro, festa da Imaculada Conceição e aniversário de seu batizado, Guido, contava então onze anos, caiu improvisadamente doente.
    A doença era mortal.
    Empregaram-se todos os meios para salvá-lo. Mas Guido desde o primeiro dia, com serenidade admirável, teve com a mãe, uma séria conversa.
    - Mamãe, minha mãezinha querida, vem para os meus braços para que eu te aperte bem forte; quero confiar-te um segredo que vai te fazer chorar. Eu vou morrer... A Virgem vem buscar-me... Tu te lembras quando em Lourdes eu te disse que Nossa Senhora me tinha contado um segredo? Ela me disse "Meu querido Guido, dentro em pouco virei buscar-te; tu morrerás muito jovem; virei à tua procura para levar-te para o céu!".
    Depois de Lourdes, todas as noites eu recitei muitas Ave-Marias na cama, antes de adormecer, porque não sabia se a minha Mãe celeste viria buscar-me durante a noite. Agora que estou doente, eu lhe digo muitas vezes de dia e de noite: "ora por mim agora que chegou o momento da minha morte..." Aprendi muitas coisas bonitas recitando lentamente a Ave-Maria.
    Passaram-se dois meses em recaídas e melhoras sensíveis. Os médicos chegaram a acreditar que estivesse curado.
    O pequeno porém não se iludia.
    Um dia, despertou com a cabeça encostada ao ombro da mãe e lhe disse:
    - Que boa ideia teve o Menino Jesus levando a Mãe para o céu com o corpo também! Assim lá em cima, eu poderei apoiar a cabeça sobre o seu coração para dizer-lhe mais de perto que a amo.
    Na manhã de 24 de janeiro Guido perguntou:
    - Mamãe, que dia é hoje?
    - Hoje é sábado, 24 de janeiro.
    - Ah! É sábado! Hoje vou morrer... Hoje, no seu dia, a Virgem vem tirar-me dos teus braços.
    Ao meio-dia começou a agonizar. De quando em quando a mãe fazia-o beijar o crucifixo. Depois, repentinamente, foi visto abrir os olhos e fixá-los, como se visse alguma coisa muito linda; seus lábios pronunciaram baixinho: "Jesus, eu te amo... Mamãe..."
    Seus belos olhos, tão luminosos e puros, ficaram abertos, tinham visto Nossa Senhora, a mãe celeste que fiel à sua promessa, vinha buscá-lo para levá-lo consigo para o céu.


Na escola de Maria - André Damino -Edições Paulinas - 1º Edição, Imprimatur de 1961.-  Pág. 132 a 138