quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Festa de Santo Afonso Maria de Ligório - 2 de Agosto


Timenti Dominum bene erit in extremis – “Aquele que teme o Senhor será feliz no fim” (Eclo 1, 13)
(2) Or. Fest.


Sumário. Afiguremo-nos que presenciamos a morte de Santo Afonso. Morre todo desapegado dos bens terrestres, com perfeita paz de consciência, com certeza da glória eterna, assistido por grande número dos seus filhos espirituais, e sobretudo, consolado pela doce presença da Santíssima Virgem. Ó morte preciosa! Se desejamos uma morte semelhante à do Santo, imitemos a sua vida. Sejamos devotos de Jesus Sacramentado e de Maria Santíssima, e, à imitação do Santo, procuremos promover estas devoções também nos outros.


I. A vida do nosso santo não foi senão uma preparação continua para a morte, e nos seus escritos pede inúmeras vezes a graça de bem morrer. Não é, pois, de admirar que Deus tenha atendido aos rogos do seu Servo e no-lo proponha hoje como modelo da morte preciosa, que será também a nossa, se soubermos imitar o Santo.
Santo Afonso morre todo desapegado dos bens terrestres, com paz perfeita de consciência e com a certeza da glória eterna. – Conforme seu desejo manifestado incessantemente vê ao redor do seu leito, não parentes interessados, mas os irmãos da sua congregação, que não têm outro interessem senão o de o ajudarem a bem morrer. Qual novo Jacó abençoa os seus filhos amados, recomenda-lhes a santa perseverança e fica inundado de consolação ao pensar que deixa atrás de si tantos operários na vinha mística do Senhor.
Durante a sua vida, Afonso sempre foi devotíssimo da Santíssima Virgem e muitas vezes lhe tinha dirigido este pedido:
“Senhora, perdoai minha audácia; antes da minha morte, vinde vós mesma consolar-me com a vossa presença; concedestes esta graça a tantos devotos vossos; também eu a quero e desejo obtê-la. Ó Maria, espero-vos; não me deixeis ficar desconsolado.”

Assim é que o Santo rogara à Virgem Maria. E esta Mãe amorosa atende agora ao pedido do seu Servo, consolando-o pela sua doce presença. O Santo, ao vê-la, regozija-se, e, com o rosto infamado, sorri-lhe docemente, fala-lhe e fica longo tempo em atitude de êxtase, tendo um antegozo do paraíso.
Entra finalmente em agonia, e, por entre as orações, as ternuras, as lágrimas de todos, como que adormecendo suavemente, exala a sua bela alma no seio de Deus. Como defensor da Igreja, morre na festa de São Pedro ad Vincula (“São Pedro acorrentado”); como amante entranhado de Maria, numa quarta-feira, dia de São José; como grande devoto do mistério da Encarnação, ao som do Angelus. – Alegra-te com o Santo, agradece a Deus em seu nome, e põe-te debaixo da sua proteção especial. Para ganhares mais a sua benevolência, pede a Deus aumente o número de seus filhos espirituais e lhes conserve sempre o bom espírito.
II. Se desejas uma morte semelhante à de Santo Afonso, aplica-te à imitação das suas virtudes, e especialmente daquelas doze que nas Regras ele inculca tanto aos membros da sua Congregação. Imita-o sobretudo na sua devoção a Jesus Sacramentado e a Maria Santíssima, a protetora dos agonizantes, e também, à imitação do Santo, procura promover o mais possível estas devoções nos corações dos outros. – O que não se sentir com forças suficientes para imitar um modelo tão perfeito, implore a intercessão do próprio Santo Doutor.
 Ó Santo Afonso, meu glorioso e amado Protetor, que trabalhastes e sofrestes tanto para assegurar aos homens os frutos da Redenção! Vede a miséria da minha pobre alma e tende piedade de mim. pela vossa poderosa intercessão junto de Jesus e Maria, obtende-me, com um sincero arrependimento, o perdão das minhas faltas passadas, um vivo horror do pecado, e a força de resistir sempre às tentações. Comunicai-me, eu vo-lo suplico, uma faísca da ardente caridade com que foi sempre abrasado o vosso coração, e fazei, que à vossa imitação, a vontade divina seja a única regra da minha vida. Obtende-me também um ardente e constante amor a Jesus Cristo, e uma terna e filial devoção a Maria, a graça de orar sem cessar, e de perseverar no serviço de Deus até à hora da minha morte, para que um dia unir-me a vós no céu, para cantar os louvores de Deus e Maria por toda a eternidade (1).
“Ó Deus, que, pelo bem-aventurado Afonso Maria, vosso confessor e pontífice, inflamado de zelo pela salvação das almas, destes novos filhos à vossa Igreja, concedei-nos, nós vo-lo pedimos, que, instruídos pelos seus salutares avisos, e fortificados pelos seus exemplos, possamos chegar felizmente a Vós” (2). Fazei-o pelo amor de Jesus e Maria.
Referências:

(1) Indulgência de 200 dias

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo III: Desde a Décima Segunda Semana depois de Pentecostes até o fim do ano eclesiástico. Friburgo: Herder & Cia, 1922, p. 343-345)