quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Consagração a Nossa Senhora segundo o método de São Luis Maria Grignon de Montfort - Dom Antonio Alves Siqueira


   Consagração a Nossa Senhora segundo o método de São Luis Maria Grignon de Montfort
Dom Antônio Maria Alves Siqueira


Introdução


  Ensina a Santa Igreja de Jesus Cristo que devemos tributar a Maria Santíssima, Mãe de Deus e Mãe Nossa, culto particular de veneração, de afeto e imitação de suas virtudes. Porque, embora pudesse Deus restaurar o estado de queda do homem sem Nossa Senhora, e vir imediatamente a nós sem intermédio de nenhuma pura criatura, entretanto, por disposição amorosa de sua Providência, Ele
quis colocar Maria no plano de nossa Redenção, de maneira singular. Pois, assim como Eva, nossa primeira mãe, foi pelo demônio posta no plano de nossa ruína, assim Maria, nossa Mãe verdadeira, foi por Deus colocada no plano de nossa Reparação. Foi por Maria que Jesus veio ao mundo e a
nós. É por Maria que nós havemos de voltar a Jesus e a Deus. Desta vontade manifesta de Deus se deduz que a Devoção a Nossa Senhora nos é indispensável para a salvação. Assim Deus o quer.

Mas para que seja essa Devoção meio seguro de conseguir nosso fim sobrenatural, é preciso que conte qualidades que a demonstrem verdadeira;
- Deve ser interior, não se limitando a expressões externas sem alma, sem sentido profundo.
- Deve ser terna, aproximando-nos de Maria como filhos amorosos que de todo se entregam à sua Mãe carinhosíssima.
- Deve ser santa, afeiçoando-nos à imitação das virtudes perfeitas de Nossa Senhora.
- Deve ser firme, não se contentando de fervor passageiro ou sentimental, mas ser disposição habitual e decisiva de servir Nossa Mãe e Rainha.
- Deve ser desinteressada, não tendo em mira principalmente nosso proveito, mas antes a glória de Nossa Senhora.

Dentre as devoções a Maria, que contam todos esses predicados, salientamos a Escravidão de Amor.

Por esta Devoção:
- Entregamo-nos inteiramente a Nossa Senhora, mercê de um Ato de Consagração, após exercícios preparatórios.
- Vivemos habitualmente nossa inteira entrega, procedendo em tudo como Escravos de amor desta amável Soberana.
- A Escravidão de amor é um estado de total dependência de Maria, no qual, embora conservando a nossa liberdade, no entanto, dela não nos queremos servir senão para glória de Deus e de Maria, estreitando o mais intimamente possível os laços que, já como filhos, a Ela nos prendiam afetuosamente.



A Ela nos entregamos para que mais seguramente reine em nós Jesus Cristo, nosso último fim e único Senhor.
A Consagração total a Nossa Senhora nos faz imitar a Jesus Cristo, que se quis submeter a Ela, por nosso amor. Faz-nos reconhecer os sublimes direitos e glórias de Maria, Mãe de Deus, Rainha dos Corações. Faz-nos receber mais graças, porquanto, mercê de sua cooperação na obra redentora, Maria é a Mediadora universal de todas as graças e favores divinos. E nos une mais fortemente entre nós, venturosos filhos da mesma incomparável Mãe.

Esta Devoção nos traz preciosas vantagens:
- Melhor honraremos a Deus, porque Maria dirigirá todas as nossas ações, com perfeição, para a glória Divina.
- Santificar-nos-emos mais depressa e com maior segurança, pois esta Devoção nos faz morrer inteiramente a nós mesmos e assemelhar-nos a Jesus e Maria.
- Nossas boas obras, passando por Maria, antes de chegar a Deus, serão por Ela purificadas, acrescidas e aformoseadas, mais seguramente aceitas por Jesus, que ama divinamente a sua Mãe.
- Ajudaremos mais eficazmente o nosso próximo, pois Maria saberá bem empregar nossos bens em favor dos que nos são caros, e de todos a quem devemos ajudar.
- Em troca da generosa renúncia que de nós fazemos por sua honra, Nossa Senhora saldará nossas dívidas para com Deus nesta vida, e não permitirá que soframos por muito tempo no Purgatório.


Para obter vantagens tão preciosas, entregamo-nos de todo a Nossa Senhora, mediante o Ato de Consagração, confiando-Lhe: nosso ser inteiro, com suas potencialidades, a inteligência, a vontade,
nossos membros, nossa capacidade de afeto, nossa sensibilidade, enfim, o nosso eu total.
nossos bens temporais, dos quais nos consideraremos depois, apenas ecónomos e não proprietários.
nossos bens espirituais, merecimentos e virtudes, para que Ela os guarde e multiplique, para maior glória sua e de Deus o valor de nossas boas ações, passadas, presentes e futuras.
Dos nossos bens espirituais damos a Nossa Senhora o valor de satisfação (para remissão das penas temporais que nossos pecados merecem) e o de impetração (para alcançar de Deus novos favores), - para que Ela deles use como propriedade sua. Mas o valor de merecimento (aumento da graça
santificante e glória no céu) nós Lhe confiamos para que o guarde para nós, uma vez que este valor nos é pessoal e inalienável.

O Ato de Consagração será precedido por uma cuidadosa Preparação de trinta dias, assim distribuídos:
- Doze dias preliminares, para nos despojarmos do egoísmo e de tudo quanto afasta do espírito das bem-aventuranças.
- Primeira semana de seis dias, para o conhecimento de nós mesmos.
- Segunda semana de seis dias, para o conhecimento de Nossa Senhora.
- Terceira semana de seis dias, para o conhecimento de Jesus Cristo.

Cada período contém orações próprias, meditações e leituras adequadas.
Ao terminar os exercícios preparatórios, recita-se a Consagração, após a santa comunhão, oferecendo nesse dia alguma coisa em honra de Maria, como testemunho de vassalagem de amor.


Após a Consagração, que convém repetir todos os anos, observando mais ou menos as mesmas práticas, cumpre que vivamos em estado habitual de dependência de Nossa Senhora, fazendo as nossas ações: por Maria, em tudo deixando-nos guiar pelo seu Espírito. com Maria, tomando-a por perfeito Modelo nosso, e renunciando a nós mesmos. em Maria, tomando nossos os sentimentos interiores de Nossa Senhora, em tudo o que fazemos. para Maria, oferecendo em sua honra quanto realizamos.
Assim, de maneira mais perfeita, tudo faremos também por Jesus, com Jesus, em Jesus e para Jesus.
E então, tudo realizaremos com suavidade e simplicidade, sem contenção de Espírito, crescendo assim cada vez mais no amor a Nossa Senhora e na fidelidade a seu serviço. Fazemo-nos seus escravos para que melhor sejamos seus filhos.

Advertência Prévia
Os dias de preparação têm um pequeno Roteiro de Piedade, que supõe uma Meditação, Orações, Leituras, possivelmente uma visita ao Santíssimo Sacramento, - tudo em espírito de recolhimento o mais profundo possível dentro das ocupações ordinárias.
Para as Meditações procuramos dispor a matéria de sorte que se facilitasse o trabalho: preparação à noite, na véspera; prelúdios com composição de lugar e súplicas; divisão em pontos; colóquios finais e ramilhetes. A quem parecerem longas as meditações, aconselhamos que as reduza a um ponto apenas, ou a dois, porquanto, o que se escreveu destina-se somente a despertar, na mente e no coração, luzes e afetos, na medida em que o Divino Espírito Santo o vai proporcionando. Por igual, os colóquios.

No fim das meditações, são esquema e modelo para os que o coração quiser livremente formar, movido pela graça, após o trabalho da inteligência e da vontade.

Dentro das grandes orientações de Montfort, esforçamo-nos ainda por obter uma sequência lógica na proposição dos vários assuntos, desde o primeiro dia até a Consagração.
As Orações propostas encontram-se todas no fim deste volume, e se podem rezar, segundo a determinação recebida. A inteligência das verdades divinas e a vontade de abraçá-las é coisa sobrenatural que só a oração nos poderá alcançar eficazmente.
As Leituras são também utilíssimas. Embora fosse mais indicado; não será, todavia, necessário que todos os dias se façam todas as leituras apresentadas. Leiam-se ao menos os trechos da Escritura e as leituras marianas, quanto possível.
Para as Visitas ao Santíssimo Sacramento, seria de todo o ponto recomendável que nos servíssemos das lembranças e das resoluções que fomulamos durante a meditação da manhã, vivificando-as com novo ardor e desejo de integrar-nos no espírito de renúncia ao egoísmo, no conhecimento de nós mesmos, de Maria e de Jesus Cristo.
Os exercícios do mês preparatório para a Consagração bem podem servir como Mês de Maria, coincidindo assim o dia da Consagração com o último dia de Maio.
Quando, todavia, são utilizados em qualquer outra época do ano, procure- se fazer coincidir o dia da Consagração, com uma das festas de Nossa Senhora.
As meditações da série preliminar de doze dias se desenvolvem mais ou menos segundo o espírito da primeira semana dos Exercícios de Santo Inácio.
Por essa razão, poderiam ser aproveitadas fora do Mês de Preparação para os dias de Retiro Espiritual, ou como meditações ou como leituras adequadas.
Seria bom lembrar, enfim, que é de toda a conveniência repetir todos os anos a Consagração a Maria, ao menos com as três semanas de preparação, para aprimorar e afervorar o nosso dom total à doce Mãe.