domingo, 17 de setembro de 2017

Décimo primeiro dia preparatório (12 dias preliminares) - O Paraíso

DÉCIMO PRIMEIRO DIA (11)

Meditação - O Paraíso
PREPARAÇÃO

Se a escravidão ao mundo e ao demônio leva para o inferno, a suave escravidão de amor a Maria conduz ao céu. Esta meditação, baseada em nossa fé, enriquece a nossa esperança e inflama nosso amor a Deus e a Nossa Senhora. Além do gozo nosso próprio no céu, seremos bem- aventurados com a felicidade dos herdeiros da mesma glória, e sobretudo com a dita incomparável da visão de Deus e de Nossa Senhora.


MEDITAÇÃO


Prelúdios
- No esplendor glorioso da Jerusalém celeste, Maria com incomparável magnificência de Rainha, vai introduzir-me ante a face de Deus.
- Minha Mãe, rogai a Jesus que me conceda o amor de seu Paraíso, para que eu possa achar-me um dia no paraíso de seu Amor.


PONTO I
MINHA BEM-AVENTURANÇA NO CÉU

A felicidade é a soma de todos os bens, com a remoção de todos os males. Nenhum mal no céu. Nem do corpo, nem da alma, nem da parte dos homens, ou da natureza, ou dos demônios inimigos, nem de espécie alguma.
Nenhum receto, nenhuma trepidação, nenhuma expectativa ansiosa. Porque todas essas coisas já passaram... (Apc 21, 5). A soma abençoada de todos os bens.
Bens do corpo, agora impassível, sem saudade dos antigos sofrimentos; sutil, inteiramente sujeito à alma espiritualizado; ágil, desconhecendo o peso dos anos e o torpor dos achaques, dominando todo o universo criado; luminoso, em si recebendo por via de redundância toda a glória que premeia na alma.
Bens da alma, com a ciência perfeita na mente; firmeza no bem, na vontade; tudo querendo e amando em Deus, ornada dos dotes magníficos da visão, contemplando a Deus; da compreensão, possuindo o Sumo Bem; da fruição, amando-o como se pode amar no céu...
Mas tudo isso que me ensina a Sagrada Teologia não é senão notícia muito apagada da bendita realidade; "Nenhum olho jamais viu, nenhum ouvido jamais ouviu, nenhuma inteligência nunca pode escrutar o que Deus prepara para os que O amam" {1 Cor 2, 9).


PONTO II
A FELICIDADE SOCIAL NO CÉU

Indivíduos de uma só e mesma natureza humana, no Paraíso não seríamos de todo felizes se estivéssemos inteiramente sós. Mas não será assim. A companhia dos santos, dos anjos, dos nossos queridos, dos que nos deveram sua salvação, há de aumentar ainda mais nossa felicidade.
A recompensa de nosso amor e dedicação, talvez heróica e martirizada aos irmãos carentes, sofredores, humilhados e oprimidos, agora herdeiros conosco da mesma luminosa recompensa!
Saberemos, - com que enternecimento! - o que devemos aos outros, na ordem da graça, o que os outros a nós também deveram. Esse conhecimento por certo será das mais delicadas venturas da Pátria.
Jesus descreve o céu ccmo uma sociedade, a Casa do Pai, onde há muitas moradas, um grande banquete de inúmeros convidados, uma cidade, um Reino de inefável amor...
Nossa alegria ao reencontrarmos nossos caros, nossos santos de predileção, nosso Anjo da Guarda, que nos saudará com um ósculo de luz à entrada de nossa eternidade...
E sobretudo, que há de ser nosso encontro com Maria, nossa Mãe, nossa amantíssima Senhora, cujos escravos de amor nos gloriamos de ser? Que êxtase vê-la, saudá-la, receber seus carinhos... se é tão doce lembrar-nos Dela nas trevas do desterro, que há de ser estreitá-la na intimidade da Pátria?


PONTO III
A FELICIDADE ESSENCIAL DO PARAÍSO

Os dotes de nosso corpo, ressuscitado em transfigurações; as qualidades de nossa alma, iluminada de exaltação; a ventura coletiva dos bem- aventurados habitantes da Jerusalém Celeste, todavia são apenas a felicidade acidental do Paraíso.
Nossa Senhora há de conduzir-me a Jesus, a Deus!
E nos deslumbraremos com a visão eterna da Santíssima Trindade...
Nessa visão face a face da Suma Verdade, conhecendo Deus como Ele nos conhece (1 Cor 13,12), na posse amorosa do Bem Supremo, por quanto o amor é eterno, no gozo e louvor do Dom Inefável (Jo 16, 22), gozo que jamais ninguém nos poderá arrancar, vai consistir toda a nossa ventura eterna.
Repousaremos, contemplaremos, amaremos, louvaremos(Santo Agostinho: De Civit. Dei. XXII, 30)...
E tudo em nós será plenamente saciado. Todas as nossas capacidades, todos os nossos anelos, superando a magnificência do nosso Deus quanto pudéssemos imaginar de bom, de amável, de deleiloso para nós (S116. 15).
Oh! A Divina Sabedoria de desprezar as míseras satisfações do mundo e da carne, em troca da esperança luminosa dessa Ventura sem preço!


COLÓQUIO

Maria, meu Caminho Imaculado, minha Estrela ideal. Meu Modelo querido, amo a vós, ainda da terra de exílio, em suspiros e lágrimas, anelando a pátria- Volvei benigna os olhos de vossa misericórdia para me alentardes e soerguei meus olhos na direção do céu. E depois deste desterro, ó ó Clemente, ó Mãe Piedosa, ó Mãe dulcíssima, mostrai-me Jesus, o bendito fruto de vosso ventre, a fim de que eu possa emoldurar também a vossa coroa nas jubilações inefáveis da Eterna Recompensa!


RAMILHETE

Maria, minha Mãe, é que me há de levar à palma da Vitória.

Santo Evangelho (Lc 12, 32. 38)
O REINO DOS CÉUS

Não temais, ó pequenino rebanho, pois foi do agrado de vosso Pai dar-vos o seu Reino. Vendei o que possuis, e dai-o de esmolas; provede-vos de bolsas que não envelhecem; de tesouro inexaurível, onde não chega o ladrão, e que a traça não rói. Porque onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração. Estejam cingidos os vossos rins e (tende) nas vossas mãos tochas acesas. E fazei como os homens que esperam o seu Senhor de volta das bodas, para que, quando chegar e bater à porta, logo lha abram. Bem- aventurados aqueles servos a quem o Senhor achar vigiando quando vier.
Na verdade eu vos digo que ele se cingirá e os fará sentar à mesa, e, passando por entre eles, os servirá. E se vier na segunda vigília, e se vier na terceira vigília, e assim os achar, bem-aventurados serão tais servos.


IMITAÇÃO DE CRISTO (L III, c. XLVIII e XLIX)
A ETERNIDADE BEM-AVENTURADA

Fiel: Ó bem-aventurada mansão da cidade celestial! Ó dia claríssimo da eternidade, que nenhuma noite obscurece, mas que sempre brilha com os raios da soberana verdade! Dia sempre alegre, sempre seguro, cuja felicidade não terá mudança.
Oh! Quem me dera ver amanhecer este dia, e passarem já as sombras das coisas perecedouras! Este ditoso dia já luz para os santos com seu eterno resplendor: porém, para nós, viajores no desterro deste mundo, só de longe vislumbra, e como entre sombras nos aparece.
Quando gozarei da verdadeira liberdade, sem impedimento nem embaraço de corpo e Espírito?
Quando possuirei essa paz sólida, essa paz imperturbável e segura; essa paz interior e exterior, paz de todo permanente e invariável?
O bom Jesus! Quando me será dado ver-vos! Quando contemplarei a glória do vosso reino! Quando me sereis tudo em todas as coisas!
Quando estarei convosco no "reino que preparastes desde toda a eternidade para os que vos amam!" (Mt 25, 34).
Ai! Pobre e desterrado me vejo em terra inimiga, onde há guerra contínua e grandes infortúnios.
Jesus Cristo:  Porém considera, amigo, qual será o fruto destes trabalhos, quando o seu fim estiver pronto, e quão grande será a sua recompensa, e não só te não serão pesadas, mas a tua paciência achará neles grande alívio. Pois por teres renunciado agora a alguns vãos apetites, farás eternamente
tua vontade no céu. Ali, acharás tudo o que quiseres, e quanto puderes desejar.
Ali, possuirás todo o bem, sem medo de perdé-lo. Ali, tua vontade, estando como absorta na minha para sempre, não apetecerá coisa alguma particular.
Ali, ninguém te resistirá, ninguém se queixará de ti. ninguém te suscitará contrariedades nem obstáculos; mas terás presentes todas as coisas desejadas e será satisfeito em todo o teu afeto.
Ali. dar-te-ei honra pela afronta padecida, vestidura de glória pela aflição e pelo ínfimo lugar um trono de reino eterno.
Ali, brilhará o fruto da obediência; a penitência se alegrará de seus trabalhos, e a humilde dependência será gloriosamente coroada.
Inclina-te agora humildemente debaixo da mão de todos, e não cuides em saber quem disse ou manda o que se te ordena. Cuida só em fazer de boa vontade o que se te manda, seja o prelado, seja o mais moço, seja o teu igual quem to manda.
Busque cada um o que quiser, glorie-se este duma coisa, aquele de outra e receba por isso mil louvores; tu, porém, não te alegres senão no desprezo de ti mesmo, e só em minha vontade e glória.
Qutra coisa não deves desejar, senão, que, “Deus seja sempre glorificado em ti, assim na vida como na morte" (Fl 1, 20).

LEITURA (Montfort, T.V.D. n» 106. 107, 108, 109, 110)
A VERDADEIRA DEVOÇÃO, ESPERANÇA DO CÉU

A Verdadeira Devoção a Nossa Senhora é interior, isto é, parte do Espírito e do coração; vem da estima que temos à Santíssima Virgem, da alta idéia que formamos de suas grandezas, e do amor que lhe dedicamos. E terna, isto é, cheia de confiança na Santíssima Virgem, assim como
um filho deve ter em sua boa mãe. Faz que uma pessoa recorra a Ela em todas as suas necessidades de corpo e de Espírito, com grande simplicidade, confiança e ternura; que implore o auxílio de sua boa Mãe em todos os tempos,em todos os lugares, em todas as coisas; em suas dúvidas, para ser
esclarecidas; em seus erros, para ser emendada; em suas tentações, para ser amparada; em suas fraquezas, para ser fortalecida; em suas quedas, para ser levantada; em seus desalentos, para ser animada; em seus escrúpulos, para ser liberta; em suas cruzes, trabalhos e contrariedades da vida.para ser consolada. Enfim, em todos os males do corpo e do Espírito, Maria Santíssima é seu refúgio habitual, sem que tema com isto importunar essa boa Mãe e desagradar a Jesus Cristo.
A Verdadeira Devoção a Nossa Senhora é santa, isto é, leva a pessoa a evitar o pecado e a imitar as virtudes da Santíssima Virgem, particularmente a profunda humildade, a viva fé, a obediência cega. a oração contínua, a mortificação universal, a pureza incomparável, a caridade ardente, a paciência heróica, a mansidão angélica e a Sabedoria Divina. São estas as dez principais virtudes da Santíssima Virgem.
A Verdadeira Devoção a Nossa Senhora é constante; consolida uma alma no bem, leva-a a não deixar facilmente as práticas de Devoção; torna-a corajosa para opor-se ao mundo, em suas modas e máximas; à carne, em seus apetites e paixões; e ao demônio, em suas tentações; de modo que uma alma verdadeiramente devota à Santíssima Virgem não é inconstante, nem melancólica, nem pusilânime. Não é que não caia e não mude, algumas vezes, em sua sensibilidade e Devoção; quando cai, levanta-se estendendo a mão a sua boa Mãe; se está sem consolações ou Devoção sensível, não se aflige, porque o justo e o fiel devoto de Maria vive da té em Jesus e em Maria e não nos sentimentos da natureza.
Finalmente, a Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem é desinteressada, isto é, inspira à alma buscar, não a si, mas só a Deus, em sua Santa Mãe. Um verdadeiro devoto de Maria não serve a esta augusta Rainha por espírito de lucro ou de interesse, nem para seu bem temporal, ou corporal, ou espiritual, mas unicamente porque Ela merece ser servida, e
Deus só nela; não ama a Maria precisamente porque Ela lhe faz benefícios ou porque dela espera benefícios. É por isto que a ama tão fielmente nas desconsolações e securas espirituais, como nas doçuras e nos fervores sensíveis; ama-a tanto no Calvário como nas bodas de Caná. Ohl Como este devoto da Santíssima Virgem, que não se busca em nada nos serviços que lhe presta, é agradável e precioso aos olhos de Deus e de sua Santa Mãe!