segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Décimo segundo dia (12 dias preliminares) - As promessas do Batismo

Meditação - As promessas do Batismo
PREPARAÇÃO

     Chegamos ao último dia deste período preliminar, em que nos esforçamos por libertar-nos do espírito do mundo e do egoísmo. Após as meditações sobre as diferenças profundas entre o espírito mundano e o de Jesus Cristo aplicadas à vida e aos novíssimos, meditemos um último argumento para nos afastarmos de tudo quanto nos impede de chegar ao Senhor. É a consideração do juramento que fizemos, logo ao iniciar nossa vida, de renúncia ao demônio, às suas pompas e obras, concretizadas no espirito do mundo. Não sejamos pequros. O Batismo nos introduziu na Igreja. A fidelidade às promessas que então juramos e renovamos depois nos levará para o Céu.

MEDITAÇÃO

Prelúdios

- Em nosso Batismo, Maria, representada pela nossa madrinha, jura por nós a renúncia a satã, às suas obras e às suas pompas.
- Mãe verdadeira de minha vida sobrenatural, Maria, querida Madrinha de meu Batismo e doce Anjo de minha Primeira Eucaristia, fazei-me fiel aos sagrados juramentos que me consagraram irremissivelmente a Nosso Senhor Jesus Cristo.

PONTO I
A RENÚNCIA ÀS OBRAS E POMPAS DE SATANÁS

     Ao entrarmos na Igreja de Jesus Cristo, pela porta lustral do Batismo, pedimos a Fé, para a vida eterna. E, solícita, a Igreja nos explicou que a Fé que leva à vida eterna é operosa e observa os mandamentos divinos. Nem nos admitiu ao santo sacramento, sem que antes tivéssemos jurado nossas renúncias “a satã, suas pompas e suas obras". Mais tarde, quando, iluminada já a nossa razão nos enchíamos de auroras do céu, no dia da nossa Primeira Eucaristia, de novo pediu-nos a Igreja o mesmo juramento. Para que por nossos lábios, fizéssemos o que no Batismo por nós prometeram nossos padrinhos. Ora, as obras e pompas de satanás, são o espírito do mundo, contrário ao Espírito de Jesus Cristo. E pois, além de todas as razões que temos de odiar o século, acrescenta-se mais esta, de nosso juramento, em troca das inefáveis graças do Batismo e da Primeira Eucaristia. Entre as grandes graças de nossa vida, contaremos também a nossa Consagração total a Maria. Tal favor reclama igualmente uma jurada renovação de nossas ablução batismal, porquanto, Maria é a inimiga do demônio, “porei inimizade entre ti Mulher”. Escravos de amor de Nossa Senhora, seremos ainda mais seus filhos sua progênie. Mas a raça eleita da Mulher bendita, é adversária inconciliável dos filhos da serpente (Gn 3,15).

PONTO II

A PROMESSA DE ADESÃO A JESUS CRISTO

     Nosso juramento não foi negativo apenas. Mas prometemos também inviolável fidelidade a Nosso Senhor Jesus Cristo. Na mesma hora celeste de nossa ablução batismal, a Igreja nos pediu a fé operosa em Deus Pai, em Jesus Cristo, no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica e nos seus dogmas
infalíveis. De novo afirmamos nosso Credo, e recebemos então o sacramento de nossa regeneração espiritual. Nem nos afastáramos ainda, quando o sacerdote nos revestiu de branco, anelando que assim comparecêssemos ante o tribunal de Cristo, e nos colocou nas mãos a vela ardente para que,
observando os mandamentos de Deus, pudéssemos ir ao encontro do Esposo, na hora Divina das Núpcias eternas. Para nossa felicidade. Deus entornou profundamente em nós a sua Graça Divina, incorporando-nos a Jesus Cristo, membros de seu Corpo Místico... Mas Jesus Cristo é primariamente a “Progênie da Mulher”, que havia de esmagar a cabeça da serpente. Unidos a Jesus, feitos seus membros, nós nos integramos nessa Divina progênie, nós nos constituímos também filhos de Maria.
Temos observado a fidelidade que juramos a Jesus Cristo? Temos sido dignos de Nossa Mãe Imaculada, tão intimamente unida a seu Filho?

PONTO III
A CONSAGRAÇÃO A MARIA
E AS PROMESSAS DO BATISMO

Toda a Devoção Verdadeira deve unir-nos a Deus, afastando-nos do mal. E precisamente o que vamos realizar em nossa Consagração a Maria. Porque, mediante Nossa Mãe e pelo seu Coração Imaculado, renovamos as promessas é o nosso Batismo, reiterando nossa aversão ao pecado e a satã, e dando-
nos de todo a Jesus, Deus encarnado. Se em nosso Batismo, Maria, ao nosso lado, como verdadeira e meiga Madrinha nossa, recebeu as promessas e juramentos; se em nossa Primeira Eucaristia, como Anjo querido daquela festa de amor, formou em nossos lábios as renovadas juras de ódio ao pecado e entrega a seu Filho, Hóspede de nosso coração, - com que especial carinho há de ouvir nossas palavras de Consagração inteira e total a Jesus, a Sabedoria Encarnada!
Porque não serão apenas promessas que outros fazem em nosso nome.
Nem palavras ainda esmaecidas pelas inconstâncias de juvenis adolescências.

Mas um juramento novo, bem nosso, do íntimo profundo do nosso ser, após reflexão consciente e meditações prolongadas... Um ato em que colocaremos deveras, toda a nossa personalidade, escravizando-nos, sem reservas e sem atenuantes, a seu amor, para serviço eterno de Jesus!


COLÓQUIO

Maria, Mãe tão amada, é tão doce evocar as graças inefáveis do Batismo e da Primeira Eucaristia! Dai-me, entretanto, que juntamente eu me lembre de meus sagrados compromissos. A fim de que não seja um pérfido traidor de juramentos tão solenes... E se até hoje não tenho vivido as promessas de meu Batismo, renovadas em minha Primeira Eucaristia, a lembrança da
Consagração total que farei a vós, venha avivar a determinação de fugir, todos os dias, ao espírito do mundo e do demônio, para me dar inteiramente a Jesus Cristo, por vós. Madrinha de meu Batismo, ensinai-me os meus deveres. Dai-me o presente continuado da Graça que me faz filho de Deus. Anjo de minha Primeira Eucaristia, conservai minha alma com alvura das minhas vestes e do meu coração, naquela manhã lirial... E serei, dignamente vosso escravo de amor, para melhor ser vosso filho.

RAMILHETE

O caminho para a Vida eterna é a observância dos mandamentos.

SANTO EVANGELHO (Mt 25, 1-13)
AS VIRGENS PRUDENTES E AS VIRGENS LOUCAS

Então será semelhante o Reino do Céu a dez virgens, que tomando suas lâmpadas, saíram a receber o esposo e a esposa. Mas cinco dentre elas eram loucas, e cinco prudentes. As cinco loucas, ao tomar suas lâmpadas, não levaram consigo o azeite. Mas as prudentes levaram azeite nas suas vasilhas, juntamente com as lâmpadas. E tardando o esposo, começaram todas a dormitar e se entregaram ao sono. Quando, à meia noite, se ouviu gritar: Eis, vem o esposo, saí a recebê-io; então se levantaram todas aquelas virgens, e prepararam as suas lâmpadas. E as loucas disseram às prudentes:
Dai-nos do vosso azeite, porque se nos extinguiram as lâmpadas. Responderam as prudentes, dizendo: Para que talvez não suceda faltar-nos ele a nós e a vós, ide antes aos que o vendem, e comprai o de que haveis mister. E enquanto elas o foram comprar, veio o esposo; e as que estavam apercebidas, entraram com ele a celebrar as bodas e fechou-se a porta. Pox fim, vieram também as outras virgens, dizendo: Senhor, Senhor, abre-nos.
Mas ele respondendo, lhes disse. Na verdade vos digo que não vos conheço. Vigiai, pois, não sabeis o dia nem a hora.


IMITAÇÃO DE CRISTO (L I. c. XXV, 1,4,6)
FERVOROSA EMENDA DE NOSSA VIDA

Sê vigilante e diligente, no serviço de Deus, e pensa amiúde para que vieste e porque deixaste o mundo.
Não é por ventura com o fim de viver para Deus e ser homem espiritual? Corre, pois com fervor à perfeição, que depressa receberás o galardão de teus trabalhos, e não haverá daí para diante temor nem dor para ti.
Agora trabalharás um pouco, e acharás depois grande descanso e perpétua alegria.
Se permaneceres fiel e fervoroso em operar. Deus sem dúvida será fidelíssimo e liberalíssimo em retribuir.
Porém, nem todos têm igual ânimo para vencer-se e mortificar-se. Mas 0 diligente e zeloso imitador de Cristo mais forte será para o seu aproveitamento, ainda que seja combatido de muitas paixões, do que o que tem dom natural, se é menos fervoroso em adquirir as virtudes.
Duas coisas especialmente ajudam muito a nossa emenda: apartar-se com violência de tudo aquilo para que mais pende a natureza e trabalhar com fervor por adquirir a virtude de que mais se necessita.
Lembra-te do propósito que tomaste, e propõe-te por modelo a Cristo Crucificado.
Com razão te podes envergonhar, considerando a vida de Jesus Cristo, de não ter feito até aqui bastante esforço para te conformares com ela, estando há tanto tempo no caminho de Deus.
Oh! Se viesse a nosso coração Jesus Crucificado, quão depressa e completamente seríamos ensinados!


LEITURA (Montfort, T.V.D. rt» 126,127,128,129,130)
A VERDADEIRA DEVOÇÃO,
RENOVAÇÃO DOS VOTOS DO BATISMO

Disse que esta Devoção pode ser chamada com muita justiça uma perfeita renovação dos votos ou promessas do Batismo. Porque todo o cristão, antes do Batismo, era escravo do demônio, pois lhe pertencia; porém, no Batismo, ou por si mesmo ou por seus padrinhos, renunciou solenemente a satanás, suas pompas e suas obras, tomou a Jesus Cristo por Mestre e soberano Senhor, para dele depender como escravo de amor. Ora, é isto justamente o que fazemos pela presente Devoção: renunciamos (como se pode ver na fórmula de Consagração) ao demônio, ao mundo, ao pecado e a nós mesmos, para darmo-nos inteiramente a Jesus Cristo, pelas mãos de Maria Santíssima. E até fazemos mais, pois que, no Batismo, falamos geralmente por boca de outrem, isto é, pelo padrinho e  pela madrinha, e só por procuração nos damos a Jesus Cristo; nesta Devoção, porém, fazemos tudo isto por nós mesmos, voluntariamente e com conhecimento de causa.
No Batismo não nos damos a Jesus Cristo pelas mãos de Maria Santíssima, de um modo expresso, pelo menos; e não damos a Jesus Cristo o valor de nossas boas ações: ficamos, depois do Batismo, inteiramente livres de aplicá-lo a quem quisermos ou de guardá-lo para nós; por esta Devoção, porém, damo-nos expressamente a Jesus, pelas mãos de Maria Santíssima, e a Ele consagramos o valor de todas as nossas boas obras.
Os homens, diz Santo Tomás, fazem voto, no Batismo, de renunciar ao demônio e às suas pompas. E este voto. diz Santo Agostinho, é o maior e o mais indispensável. É o que dizem também os canonistas: o maior voto é o que fazemos no Batismo. Quem, entretanto, observa esse voto tão importante?
Quem cumpre fielmente as promessas do Batismo? Não é verdade que quase todos os cristãos são traidores à fé prometida a Jesus Cristo no Batismo? De onde pode vir esta desordem, senão do esquecimento em que se vive das promessas que se fizeram e dos compromissos que se tomaram então, e de ninguém ratificar por si mesmo o contrato de aliança que, em seu nome, fizeram com Deus seu padrinho e sua madrinha? Isto é tão verdadeiro que o Concílio de Sens, convocado por ordem de Luís e Clemente, para dar remédio às grandes desordens que dominavam o reino, considerou como principal causa dessa corrupção dos costumes o esquecimento e a ignorância em que se vivia das promessas do Batismo; e não achou melhor meio de remediar a tão grande mal que induzir os cristãos a renovar os votos do Santo Batismo.
O catecismo do Concílio de Trento, fiel intérprete desse santo Concílio, exorta os párocos a adotarem essa mesma prática e a recordarem comfrequência aos fiéis que são ligados e consagrados a Nosso Senhor Jesus Cristo, como escravos a seu Redentor e Senhor(Cat. Cons. Trid. Part 1, C. 3,2. §15).
Ora, se os Concílios, os padres e a própria experiência nos mostram que o melhor meio para dar remédio às desordens dos cristãos é fazê-los lembrar as obrigações do Batismo e levá-los a renovar os votos que então fizeram, não é racional fazê-lo atualmente de um modo perfeito, consagrando-se inteiramente a Nosso Senhor Jesus Cristo por sua Santa Mãe? Digo de um modo perfeito, porque, para nos consagrarmos a Jesus Cristo, nos servimos do mais perfeito de todos os meios, que é a Santíssima Virgem.