sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Nono dia preparatório (12 dias preliminares) - Julgamento do escravo do mundo e do escravo de amor a Maria

Meditação - Julgamento do escravo do mundo
e do escravo de amor a Maria

PREPARAÇÃO

Com a morte não se acaba tudo. Antes, a morte é o início real da existência definitiva... O Supremo Juiz, no limiar da Eternidade, vai pronunciar a sentença
inapelável. Ela será a conseqüência lógica da escolha que se fez entre o espírito do mundo e o Espírito de Jesus Cristo. Exame rigoroso, sentença terrível, definitiva. Maria, Rainha e Senhora, é nossa Advogada em face de Deus.

MEDITAÇÃO

Prelúdios
• Acabo apenas de expirar, e sinto-me ante a presença de Jesus Juiz. Procuro o carinho de Minha Mãe, e sua defesa.
- Refúgio dos pecadores, amparo dos aflitos. Mana, algemaí*me a vosso coração, de tal sorte que, no meu Juízo, eu me veja inseparavelmente unido a vós.


PONTO I
EXAME RIGOROSO DE NOSSA VIDA


Grande é a emoção dos réus que são arrastados à barra dos tribunais humanos. Ali se vai decidir de sua felicidade e honra. Contudo, eles podem nutrir a esperança de que talvez os juizes ignorem toda a sua culpabilidade... Não assim ante o julgamento clarividente de Deus, naquele momento ]á eterno em que nos fixamos no que tivermos escolhido durante a existência terrena. Deus nada ignora. Palavras, ações, pensamentos, motivos inconfessados de nosso procedimento, profundezas do nosso ser... Tudo veremos num instante, na luz reveladora de Deus! Todos os erros dos nossos pecados,
todas as omissões dos nossos deveres, todas as consequências previstas por nós, de desorientação, de escândalo, de descrença, de desamor para o nosso próximo...
As graças recebidas e desprezadas, as luzes misericordiosas, escurecidas pelo fumo de paixões, os exemplos e estímulos dos bons, tornados em ridículo. Toda a vida, como uma imensa ruína cheia de devastações... O escravo do mundo temia os juízos dos homens; “que dirão?" E agora treme ante o juízo terrível de Deus.
Mas o escravo de amor a Maria desprezou o juízo fátuo dos mundanos, agora é misericórdia para ele o exame minucioso de todas as suas pequeninas vitórias, virtudes ocultas, renúncias quotidianas, a que Nossa Senhora deu fielmente, tão dourado valor...

PONTO II
A SENTENÇA DEFINITIVA DE NOSSA ETERNIDADE

A morte fixou nosso estado interior. Onde cai a árvore, aí fica. Eu mesmo verei, iluminado pelo fulgor deslumbrante da Verdade Divina, a sorte que mereci e de que vou tomar posse.
O escravo do mundo, verá com espantosa claridade a loucura com que pretendeu abraçar os bens perecedouros. Mas verificará também, com desengano e tristeza irremediável, a insensatez com que ridicularizava os servos de Jesus, os servos de Maria. Os devotos de Maria!... “Loucos que fomos! Julgávamos insânia a vida deles, e sem honra a sua morte. E eis que agora são numerados entre os filhos de Deus e sua sorte será a felicidade dos santos. Ai de nós, insensatos!” (Sb 5, 4).
O escravo de amor a Maria contemplará com alvissareira alegria a sua boa escolha, agora definitiva. Como lhe será doce a lembrança dos atos de amor de Deus, dedicação e serviço dos irmãos, de resolução de servir Maria, - atos em que punha todo o ser, tudo quanto de decisivo e definitivo podia haver em sua vontade amparada pela Graça! A sentença irrecorrível do Juiz que se não corrompe, vai fixar para a eternidade a eleição, a vida. o último ato de abandono confiante nos braços de Nossa Senhora!


PONTO III
MARIA, NOSSA ADVOGADA NO JUÍZO

Os servos do mundo são acompanhados ao tribunal de Deus por todas as suas más ações, pecados renitentes, paixões soltas e obedecidas, ódio aos irmãos e opressão de seus direitos. Pelo demônio, sobretudo, a acusar com grandes clamores, exigindo a posse do que lhe pertence.
Mas o escravo de amor a Maria é apresentado ao Divino Juiz pela Mãe das misericórdias, ornado de seus pequeninos méritos e virtudes, que Maria embelezou com suas mãos imaculadas, vestido dos méritos e virtudes da própria Mãe de Jesus, reclamado por Ela como sua pertença eterna.
As mesmas pequeninas faltas e resquícios das culpas choradas, Maria as fará ainda menores, para abreviar quanto Nela estiver, o Purgatório de seus escravos de amor. Purgatório mais feliz, mais curto, mais consolado, do que o dos demais, porque são os prediletos da Rainha dos céus, cujas dores de expiação e tempo de afastamento da glória Ela se empenha por abreviar, na medida da generosidade com que eles se despojam em honra Dela, de seus pequenos méritos... Que motivo de confiança! Com que ardor quero dar-me a Maria!

COLÓQUIO

Senhora minha, Soberana amadíssima! Mais e mais me confirmo na resolução de me consagrar inteiramente a vós, como vosso escravo de amor, para sempre! Ensinai-me a desprezar os juízos do mundo, para não temer senão os juízos de Deus. Sede sempre minha luz, meu ideal, o amor de meu oração, a vida de minha vida! Para que sejais também o meu refúgio na hora da morte, a Advogada Maravilhosa junto ao coração de Vosso Filho, meu Juiz, meu Redentor... e minha Recompensa!


RAMILHETE

Seja a Virgem minha advogada no dia do meu Juízo.


SANTO EVANGELHO (Mt 25, 31-46)
O JUÍZO FINAL

Mas quando vier o Filho do Homem, na sua majestade, e todos os anjos com Ele, então se assentará sobre o trono da sua majestade. E todos os povos se concentrarão diante Dele; e separará uns dos outros, como o pastor aparta dos cabritos as ovelhas. E porá as ovelhas à direita e os cabritos à esquerda. Então dirá o rei aos que estiverem à sua direita; Vinde, benditos de meu Pai; possuí o Reino que vos está preparado desde o princípio do mundo: pois tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era hóspede, e me recebestes; estava nu, e me vestistes; estava enfermo, e me visitastes; estava no cárcere, e viestes ver-me. Então lhe responderão os justos; dizendo: Senhor, quando é que nós te vimos faminto e te demos de comer, ou sequioso e te demos de beber? E quando te vimos hóspede e te recolhemos, ou nu e te vestimos? Ou quando te vimos enfermo, ou no cárcere e te fomos ver? E respondendo o rei, lhes dirá; Na verdade eu vos digo: toda vez que isto fizestes ao menor de meus irmãos, a mim o fizestes. Então dirá também aos que hão de estar à esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, que está preparado para o demônio e para os seus anjos; porque tive fome e não me destes de comer, tive sede e não me destes de beber; era hóspede, e não me recolhestes; estava nu, e não me cobristes; estava enfermo e no cárcere, e não me visitastes. Então eles também Lhe responderão, dizendo: Senhor, quando é que nós te vimos faminto, ou sequioso, ou hóspede, ou nu, ou enfermo, ou no cárcere, e deixamos de te assistir? Então lhes responderá ele, dizendo: Na verdade eu vos digo: toda vez que deixastes de fazer ao menor destes, a mim deixastes de fazer. E irão estes para o suplício eterno, e os justos para a vida eterna.


IMITAÇÃO DE CRISTO (L I. c. XXIV. 1. 4, 5. 6)
SÁBIA PREPARAÇÃO DO JUÍZO FINAL

Em todas as coisas olha o fim e de que sorte estarás diante daquele retíssimo juiz para quem nada há oculto, que não se abranda com dádivas, nem admite desculpas; mas que julgará segundo a justiça.
Ó pobre pecador! Que responderás a Deus que sabe todas as tuas maldades, tu que às vezes temes o rosto dum homem irado?
Por que não te acautelas para o dia do juízo, quando ninguém poderá ser desculpado nem defendido por outrem, mas cada um terá bastante que fazer por si?
"Pois então estarão os justos com grande constância contra os que os angustiaram e perseguiram” {Sb 5, 1).
Então se levantará, para julgar aquele que agora se sujeita humildemente ao juízo dos homens.
Então terá muita confiança o pobre humilde; mas o soberbo estremecerá
de pavor. Então se verá como foi sábio o que neste mundo aprendeu a ser louco e desprezado por Cristo.
Então agradará toda a tribulação sofrida com paciência, “e a maldade não abrirá a boca”(SI 106,42).
Então se alegrarão todos os devotos, e se entristecerão todos os irreligiosos.
Então exultará mais a carne mortificada que a que sempre viveu em deleites.
Então resplandecerá o vestido grosseiro, e parecerá vil o precioso.
Então será mais aplaudida a pobre choupana, que o suntuoso palácio.
Então aproveitará mais a constante paciência, que todo o poder do mundo.
Então será mais exaltada a simples obediência, que toda a sagacidade do século.
Então se alegrará mais a pura e boa consciência, que a douta filosofia.
Então se estimará mais o desprezo das riquezas, que todos os tesouros da terra.
Então te consolarás mais de haver orado com Devoção, que de haver comido com regalo.
Então te alegrarás mais de ter guardado silêncio, que de ter falado muito.
Então te aproveitarão mais as obras santas, que as palavras floridas.
Então agradará mais a vida estreita e a rigorosa penitência, que todas as delícias terrenas.


LEITURA (Montfort, Amour de la Sagesse Eternelle, pàg. 53 ss)
A ETERNA SABEDORIA SE OFERECE
PARA SALVAR-NOS

A Sabedoria Eterna deixou-se tocar vivamente da desgraça do infeliz Adão e de todos os seus descendentes. Viu, com sumo desagrado, quebrado aquele vaso de honra, despedaçado o retrato de Deus, destruída sua obra prima, arruinada a sua imagem na terra. Prestou ouvidos de comiseração à voz daqueles gemidos e gritos. Viu com complacência os suores na fronte do homem, as lágrimas de seus olhos, os esforços dos seus braços, a dor de seu coração, a aflição de sua alma.
Parece-me ver esta amável Soberana convocar de novo, por assim dizer, a Santíssima Trindade, para restaurar o homem, como o fizera para criá-lo.
Parece-me que neste grande conselho há um como certâmen entre a Sabedoria Eterna e a Justiça de Deus.
Parece-me ouvir que a Sabedoria Eterna, defendendo o homem, diz que ele deveras merece castigos eternos, para si e para sua posteridade, da mesma sorte que os anjos rebeldes. Mas que cumpre ter piedade dele porque pecou mais por fraqueza e ignorância do que por malícia. Ela considera que, de um lado, é grande pena destruir-se tão bem acabada obra prima, e que tantos milhões e milhões de homens para sempre se percam, pelo pecado de um só. E. de outro lado, mostra os lugares do céu, tornados vazios pela rebelião dos anjos prevaricadores que convém substituir, se o homem for salvo.
Parece-me ouvir a Justiça Divina a responder que o homem mereceu a condenação e o castigo, pena que deve ser executada sem demora, assim como o foi para satã e seus asseclas. Que o homem é um ingrato depois de tantos benefícios recebidos. Que ele obedeceu ao demônio em sua desobediência e orgulho, e portanto deve seguí-lo também na punição, uma vez que é preciso castigar sempre o pecado.
E vendo então a Sabedoria Eterna que nada no mundo poderia expiar o pecado do homem, satisfazer a justiça e aplacar a cólera de Deus, anelando todavia salvar o homem que por inclinação amava, encontra um meio admirável. Coisa espantosa, amor incompreensível que vai até o excesso!
Esta admirável Princesa oferece-se Ela mesma em sacrifício ao Pai, a fim de satisfazer sua Justiça, acalmar sua cólera, retirar-nos da escravidão do demônio e das chamas do inferno, merecer-nos uma eternidade feliz.
A oferta é aceita. Q decreto é estatuído; a Sabedoria Eterna, o Filho de Deus, far-se-á homem no tempo oportuno e nas circunstâncias escolhidas, para a Redenção e salvação dos homens.