quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Oitavo dia preparatório (12 dias preliminares) - Morte do escravo do mundo e do escravo de amor a Maria

OITAVO DIA


Meditação - Morte do Escravo do mundo e do Escravo de Amor a Maria


PREPARAÇÃO

Toda vida humana se termina com a morte. A vida do que é escravo do
 mundo, como a do que é escravo de amor de Maria. Para uns e outros, a morte é absolutamente certa. Entanto, ela há de vir como um ladrão, em época incerta. Para que ela não seja a porta de uma infelicidade eterna, a Devoção a Maria nos será garantia segura e abençoada.

MEDITAÇÃO

Prelúdios
- Estou no meu leito de morte, já na hora suprema, e beijo com amor e ilimitada confiança o Crucifixo de meu terço.
- Nossa Senhora da Boa Morte, rogai por nós. pecadores, agora e na hora de nossa morte.


PONTO I
A MORTE É CERTA PARA TODOS

Nosso ser aspira a viver perenemente. Deus realmente ornara a natureza humana com o dote da imortalidade, condicionada, porém, à obediência fiel de seu preceito. Pecaram nossos primeiros pais, e nossa morte corporal é hoje castigo do pecado (Rm 6,23). Assim como ninguém escapa à lei do pecado original, assim igualmente ninguém foge à lei universal da morte. O mesmo Jesus e sua Mãe Imaculada, que não foram atingidos pelo pecado original, - Um pela natureza mesma da união hipostática, na Pessoa Divina impecável, e Outra em virtude de singular privilégio, - o próprio Jesus sua Mãe Santíssima passaram, todavia, pelos umbrais da morte. O escravo do mundo e o escravo de amor de Maria morrerão. É certo que a lei a ambos atinge, por igual. Mas, que diferença, nos sentimentos que essa certeza desperta! Que aflição, que angústia, para os que se comprazem nos gozos do mundo, dos quais não se querem separar, porque neles puseram toda a sua felicidade... “Não se deixa sem dor, o que se retém com sumo deleite", dizem os Santos Padres.
Mas para o escravo de amor de Maria, a certeza da morte é a certeza do Paraíso, do termo das dores, o fim das possibilidades de pecado e das trevas do exílio.
A certeza da morte é a certeza da Vida!

PONTO II
É INCERTA A HORA DA MORTE

A incerteza da hora da morte, comum aos escravos do mundo e aos escravos de amor de Maria, é a graça de que podemos abusar e que podemos usar com Sabedoria.
Os do mundo abusam dessa incerteza, cuidando que sempre haverá tempo, e que. entrementes, cumpre coroar-se de rosas e gozar a vida (Sb 2, 8). Na juventude, opinam que é preciso viver a mocidade, dela extraindo toda a soma possível de prazer. Na idade madura, acham que é Sabedoria reunir riquezas e tranquilidade que lhes prolongará indefinidamente a existência.
Na velhice, esperam sempre viver ao menos mais um ano e então, depois, pensarão em morrer... E a todos, a morte salteia como o ladrão noturno que escolhe as horas mais descuidadas...
Os escravos de amor de Maria usam como de uma graça, da incerteza da morte. Porque ouvem a recomendação de Jesus: “Estai preparados” (Mt24, 44). E todos os dias, renovando seus exames de consciência, seus atos de amor e de confiança, rogam, sobretudo a Maria que por eles interceda “agora e na hora de nossa morte". E “vivem em castidade, choram como se não chorassem, riem-se como se não se alegrassem, compram como se não possuíssem, usam deste mundo como se não usassem, - porque passa rápida esta vida" (1 Cor 7, 29). Destarte, a incerteza da hora da morte lhes faz procurar, cada vez com maior ardor as certezas da graça de Deus, das bênçãos de Maria.

PONTO III
A ESCRAVIDÃO DE AMOR A MARIA,
PENHOR DE BOA MORTE

Para todos os riscos deste mundo, procuram os homens fazer seguros.
Contra incêndios, contra desastres, contra a própria morte, - não para libertar- se deles, mas para lhes atenuar os resultados funestos. A Escravidão de amor Marial é o melhor “seguro contra a morte”. O que mais eficientemente conjura suas consequência funestas. E que, ao contrário, garante a
transformação dessa morte em Vida verdadeira. Porque esta Devoção é um contínuo morrer a si mesmo. Morrer para os bens da terra, para os gozos de sensualidade, para as satisfações do orgulho. As afeições más não existem já na alma de escravo de amor a Maria. As lícitas, a Ela estão entregues, de tal sorte que não haverá na hora da morte nenhuma renúncia custosa. A morte será apenas uma passagem da sala de espera para a sala do Eterno Banquete. Um contemplar enfim sem véus a Realidade que se vivia com a Fé. Um amar com supremo gozo e que se desejava ansiosamente!
Servir a Maria é sinal de predestinação. Ser verdadeiro escravo de amor a Maria é sinal infalível de predestinação.

COLÓQUIO

Vida, Doçura, e Esperança minha, salve! A triste condição da morte é para mim compensada com a Vida que me prometeis. A amargura desse transe doloroso: vós a transformareis com a doçura de vossa presença. As trevas e angústias com que talvez o tentador me queira lançar no desespero, se hão de dissipar com vosso amor terníssimo, esperança de minha vida, de minha morte, de minha eternidade!


RAMILHETE

Nossa Senhora das Dores fará, da morte de nosso corpo, a eterna glória de nossa alma.

SANTO EVANGELHO (Mt 24. 36-51)
VIGILÂNCIA CRISTÃ

Quanto ao dia e a hora. porém, ninguém o sabe. nem os anjos dos céus, mas somente o Pai. Como aconteceu nos dias de Noé, assim também será a vinda do Filho do Homem. Porque, assim como nos dias que precederam o dilúvio, estavam os homens comendo e bebendo, casando-se e dando-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não entenderam enquanto não veio o dilúvio e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem. Então de dois que estiverem no campo, um será tomado, e o outro será deixado: de duas mulheres que estiverem moendo em um moinho, uma será tomada, e a outra será deixada. Velai, portanto, porque não sabeis a que hora há de vir vosso Senhor. Mas sabei que se o pai de família soubesse a que hora haveria de vir o ladrão, vigiaria sem dúvida, e não deixaria invadir sua casa. Por isso, estai atentos, porque não sabeis em que hora há de vir o Filho do Homem. Quem crê que é servo fiel e prudente, a quem seu Senhor constituiu sobre a sua família, para que lhes dê de comer a tempo? Bem-aventurado aquele servo a quem seu Senhor achar ocupado quando vier. Na verdade vos digo que ele o constituirá administrador de todos os seus bens. Mas se aquele servo, sendo atau, disser no seu coração: Meu Senhor tarda em vir, e começar a maltratar aos seus companheiros, e a comer e beber com os que se embriagam; virá o Senhor daquele servo no dia em que ele o não espera, e numa hora inesperada; e movê-lo-á, e porá a sua parte com os hipócritas. Ali haverá choro e ranger de dentes.


IMITAÇÃO DE CRISTO (L I. c. XX, 4, 8. 9)
REFLEXÕES SOBRE A MORTE

Que ditoso e prudente é aquele que procura ser na vida qual deseja que Deus o ache na morte!
Grande confiança lhe darão de morrer felizmente o perfeito desprezo do mundo, o ardente desejo de aproveitar nas virtudes, o amor de observância, o trabalho da penitência, a prontidão da obediência, a negação de si mesmo, a paciência em toda adversidade por amor de nosso Senhor Jesus Cristo.
Muito bem podes fazer enquanto tens saúde; porém quando estiveres enfermo não sei o que poderás.
Poucos se emendam com as enfermidades; e os que andam em muitas peregrinações, raras vezes chegam a ser santos.
Quem se lembrará de ti depois da morte, e quem rogará por ti?
Faze, faze agora, o que puderes; pois não sabes quando morrerás, nem o que te acontecerá depois da mone.
Enquanto tens tempo entesoura riquezas imortais. Seja teu único cuidado tratar de tua salvação e das coisas de Deus. “Obtém agora por amigos os santos de Deus, venerando suas moradas eternas”(Lc 16,9). Vive como hóspede e peregrino sobre a terra, a quem nada interessam os negócios do mundo.
Conserva o teu coração livre e levantado a Deus, porque “não tens aqui domicílio permanente" (Hb 13,14).
A ele endereça tuas orações e gemidos cada dia com lágrimas, para que mereça tua alma depois da morte passar ditosamente ao Senhor.

LEITURA (Montfort, T.V.D. 0“ 39,40,41)
MARIA, NECESSÁRIA PARA CONSEGUIRMOS
NOSSO ÚLTIMO FIM

Deve-se concluir que, sendo a Santíssima Virgem necessária a Deus, por uma necessidade chamada hipotética, em conseqüéncia de sua vontade, é Ela muito mais necessária aos homens para que atinjam seu último fim. É preciso, pois, não confundir a Devoção à Santíssima Virgem Nossa Senhora, com a Devoção aos outros santos, como se a primeira não fosse muito mais necessária, ou como se fosse de mera super-rogação.
O douto e piedoso Suarez, da Companhia de Jesus, o erudito e devoto Justo Lípsio, doutor de Lovaina, e muitos outros provaram de um modo irrefutável, apoiando-se na opinião dos Santos Padres da Igreja, entre outros de Santo Agostinho, de Santo Efrém, diácono de Edessa, de São Cirilo de Jerusalém, de São Germano de Constantinopla, de São João Damasceno, Santo Anselmo, de São Bernardo, de São Bernardino, de Santo Tomás e São Boaventura, que a Devoção à Santíssima Virgem é necessária à salvação; que é um sinal infalível de reprovação, como o reconheceram vários hereges, não ter estima e amor à Virgem Santíssima; e que, pelo contrário, é sinal infalível de predestinação ser-lhe inteira e verdadeiramente dedicado ou devoto.
Provam-no as figuras e palavras do Antigo e do Novo Testamento, confirmam-no o parecer e os exemplos dos santos, ensinam-no e demonstram- no a razão e a experiência; até o próprio demônio e seus sequazes, compelidos ela força da verdade, tem-se visto muitas vezes forçados a confessá-lo, mau grado seu. De todas as passagens dos Santos Padres e dos Doutores da Igreja, compiladas por mim para provar esta verdade, só citarei uma, para não ser prolixo: “Ser vosso devoto, ó Virgem Santíssima, diz são João Damasceno, é uma arma de salvação que Deus dá àqueles que quer salvar".