domingo, 10 de setembro de 2017

Quarto dia preparatório (12 dias preliminares) - As máximas do mundo


QUARTO DIA


Meditação - As máximas do mundo

PREPARAÇÃO

O espírito do mundo se concretiza em dez mandamentos, que os mundanos seguem com escrupulosa fidelidade. Eles são contrários à Divina Sabedoria, favorecendo todos os nossos pendores maus. O espírito de Maria. Trono da Sabedoria Encarnada, nos ensinará a combater com decisão e vitória as máximas errôneas do espírito mundano.

MEDITAÇÃO
Prelúdios

- Assento-me aos pés da Virgem Santíssima, que se inclina maternalmente a fechar com suas mãos queridas meus ouvidos às doutrinações importunas dos sequazes do demônio.
- Trono da Sabedoria, Mestra bendita, fazei-me ouvir vossas lições somente e fugir à falsa vergonha de desprezar os mandamentos do mundo.

PONTO I
OS DEZ MANDAMENTOS DO MUNDO

Segundo São Luís Maria Grignion de Montfort (A.S.E., pág.121); estes são os mandamentos do mundo e seu verdadeiro significado:
1) Conhecer o mundo, isto é, estar ao par das finezas amaneiradas do século e demonstrar esse conhecimento.
2) Viver honestamente, isto ó, contentar-se com aparências de honestidade.
3) Realizar seus negócios, isto é, tomar o dinheiro por fim último da vida, sem deixar transparecer.
4) Conservar o que é seu, isto é, ignorar a caridade, sob pretexto de direito de propriedade, interesses de família, negócios, etc.
5) Adiantar na vida, isto é, ter ambições, ousadias, conseguir sem mérito pessoal nenhum.
6) Fazer amigos, isto é, não desdenhar relações de nenhuma espécie, ainda à custa de consciência, para obter os desejados fins.
7) Freqüentar altas rodas, andar atrás das pessoas eminentes ou em evidência, a fim de brilhar ao menos com a auréola dos outros
8) Viver confortavelmente, isto é, ter boa mesa, com pretexto de conservar a saúde, manter as relações sociais, tratar de negócios, ou saborear coisas boas para glorificar o Criador.
9) Não ser desmancha-prazeres, isto é, cultivar o bom humor mediante toda sorte de prazeres, mesmo culpáveis, embora seja preciso negligenciar os deveres do próprio estado.
10) Evitar singularidades, isto é, rejeitar a piedade, religião, obras de caridade, todo o “exagero” das pessoas devotas.

PONTO I
ESTES MANDAMENTOS
SÃO CONTRÁRIOS À DIVINA SABEDORIA

Todos eles se baseiam em pontos de vista naturalistas e pagãos. - questão de “honra", “o que vão dizer”, “não fica bem", “todos fazem assim”, “é preciso aproveitar a vida”, “ocasiões de bons negócios não se repetem”, “é preciso aparecer”, “não quero ser ridículo", etc.
Há virtudes particulares que os mundanos canonizam, como a bravura, o destemor, a habilidade, a política, a elegância, a sociabilidade, a arte de fazer amigos...
Como todas essas considerações são contrárias à Divina Sabedoria! Que pensa o mundo da vida da graça, da intimidade com Deus, da renúncia de si mesmo, desprezo dos bens materiais, do critério sobrenatural na apreciação de tudo, da Divina loucura do sofrimento e da cruz! Deveras, a “Sabedoria da carne é inimiga de Deus" (Rm 8,7).


PONTO II
O ESPÍRITO DE MARIA NOS AJUDA
A VENCER AS MÁXIMAS DO MUNDO

Trono da Divina Sabedoria, Maria nos aparta do clamor nefasto do século, para nos repetir como aos servos de Caná: “Fazei tudo o que meu Filho vos disser" (Jo 2,5). Ela foi a primeira a fazê-lo. Por isso mereceu a dupla bem-aventurança daquela palavra do Evangelho; Feliz, porque trouxe no seio castíssimo a Jesus e O alimentou virginalmente a seu peito. Mais feliz ainda porque ouviu a Palavra de Deus e a guardou fidelissimamente em seu coração, em toda a sua vida (Lc 11,27). Não seguiu o mundo, mas a Jesus: procurou o escondimento, a mortificação, a vida interior com seu Filho, a comunicação afetuosa às suas dores e ignomínias.
Eis o meu modelo, meu caminho e meu roteiro. Seu escravo de amor, proponho corajosamente desprezar a atoarda insistente do mundo, e examinar-me com diligência, não venha a dominar minha vida alguma das máximas odiosas dos que desconhecem a Jesus e recusam ser filhos de Nossa Senhora.


COLÓQUIO

Maria, Trono abençoado da Sabedoria Encarnada, agradeço-vos as luzes que me alcançais do céu. Até hoje. talvez, tenho permitido que, entre os móveis de minhas ações e razões de minhas atitudes, se infiltrem os péssimos mandamentos do século. Agora que me concedestes ver com mais nitidez
quanto eles são contrários a vós, ao Espírito de Jesus Cristo, quero tomar resoluções firmes e claras, embora me custem porque virão alterar maneiras naturais de pensar e falar. Não importa. Quero libertar-me do mundo, e sagrar esta libertação com a escravidão amorosa ao vosso trono e ao vosso Coração.

RAMILHETE

Seja vossa vida escondida com Jesus Cristo em Deus(CI 3, 3).

SANTO EVANGELHO (Mt 5, 38-48)
OPOSIÇÃO ENTRE O ESPÍRITO DO MUNDO
E O ESPÍRITO DE JESUS

Ouvistes o que foi dito: olho por olho, e dente por dente. Eu, porém vos digo: não resistais ao homem mau; pelo contrário, se alguém te ferir na tua face direita, ofereça-lhe também a outra. E ao que tenciona citar-te em juízo e tirar-te a túnica, deixa-lhe também a capa. E se alguém te requisitar para mil passos, anda com ele ainda mais dois. Dá ao que te pede, e não voltes as costas ao que deseja fazer um empréstimo contigo. Ouvistes o que foi dito: amarás ao teu próximo, e aborrecerás ao teu inimigo. Mas eu vos digo: amais a vossos inimigos, fazei bem aos que vos têm ódio, e orai pelos que vos perseguem e caluniam, para serdes filhos do vosso Pai que está nos céus, o qual faz nascer o seu sol sobre bons e maus, e vir a chuva sobre justos e injustos. Porquanto, que recompensa haveis de ter, se amais somente os que vos amam? Não fazem o mesmo também os publicanos? E se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis, nisso de especial? Não agem assim também os gentios? Portanto, sede perfeitos, como também é perfeito vosso Pai dos céus.


IMITAÇÃO DE CRISTO (L I, c. 1,3 a 5)
AS VAIDADES DO MUNDO

Vaidade das vaidades, tudo é vaidade, exceto amar a Deus e só a Ele servir(Ecl I, 2).
A suma Sabedoria é, pelo desprezo do mundo, caminhar para o reino dos céus.
E assim vaidade é buscar riquezas perecedouras e pôr nelas a esperança.
Vaidade é também desejar honras e desvanecer-se com elas.
Vaidade é seguir os apetites da carne e desejar aquilo por onde depois hás de ser gravemente castigado.
Vaidade é desejar vida larga, e cuidar pouco de que seja boa.
Vaidade é também olhar somente a esta presente vida, e não prover a que virá depois.
Vaidade é amar o que tão depressa passa, e não buscar com fervor a felicidade que sempre dura.
Lembra-te amiúde daquele provérbio: “Não se farta a vista de ver, nem o ouvido de ouvir” (Ecl 1, 8).
Procura pois desapegar o teu coração das coisas visíveis e afeiçoá-lo às invisíveis, porque os que seguem o atrativo dos sentidos mancham sua consciência e perdem a graça de Deus.

LEITURA (Montforl, Amour de la Sagesse Eternelle, pág. 117 e ss)
A FALSA SABEDORIA DO MUNDO

Deus tem sua Sabedoria. É a única e verdadeira, que há de ser amada e buscada como um grande tesouro. Mas o mundo corrompido tem ígualmente sua Sabedoria. E ela deve ser condenada e detestada, como falsa e perniciosa.
A Sabedoria do mundo é uma perfeita conformidade com as máximas do mundo; - uma contínua tendência para as grandezas e estima; uma busca infatigável e secreta do próprio prazer e interesse próprio, não de maneira grosseira e chocante, em pecados escandalosos, mas de modo elegante,
falacioso e político; porque, de outra sorte, já não seria, como diz o mundo, Sabedoria, mas libertinagem.
Um sábio do século é um homem que conhece bem seus negócios e deles sabe tirar todo proveito temporal, sem o dar a perceber; que conhece a arte de dissimular e enganar finalmente, sem que os outros suspeitem; que diz ou faz uma coisa e pensa outra; que nada ignora dos ares e etiquetas
mundanas; que a todos se acomoda para seus intentos, sem ponderar muito em honra e interesse de Deus; que leva a cabo um secreto, mas funesto pacto da verdade com a mentira, do Evangelho com o mundo, da virtude com o pecado, de Jesus Cristo com Belial; que quer passar por honesto, mas não por devoto; que despreza, envenena ou condena facilmente todas as práticas de piedade que não se adaptam às suas. Enfim, um sábio mundano é um homem que, guiando-se somente pela luz dos sentidos e da razão humana, não pretende senão revestir-se das aparências de cristão e honesto, sem se preocupar muito em agradar a Deus e expiar pela penitência os pecados com que ofendeu a Divina Majestade.


É tríplice a Sabedoria do mundo:
1) Ela é terrestre. Os bens da terra. E desta Sabedoria fazem secreta profissão os sábios mundanos, quando apegam o coração aos que possuem e se empenham para tomar-se ricos. Quando intentam processos e demandas inúteis para obter dinheiro ou para conservá-lo. Quando não pensam, não falam, não agem, senão para alcançar ou conservar qualquer ganho terreno, não se importando de sua salvação e dos meios de a conseguir, - a confissão, oração, etc., que fazem superficialmente, como quem se desempenha de um ônus, a raros intervalos, e para salvar as aparências.

2) A Sabedoria do mundo é carnal. O amor do prazer. E desta Sabedoria fazem profissão os sábios mundanos, quando buscam apenas os prazeresdos sentidos. Quando gostam de boa mesa. Quando de si afastam tudo o que podería mortificar ou incomodar o corpo, como os jejuns e as austeridades. Quando, ordinariamente, não pensam mais que em comer, beber, divertir-se, rir, passar agradavelmente o tempo. Quando andam em busca de leitos confortáveis, jogos que divirtam, festas agradáveis, companhias mundanas. E depois que sem escrúpulo se deram todos esses prazeres, vão atrás de um confessor "o menos escrupuloso que encontrarem”, a fim de obter assim, por pouco preço, a paz em sua vida sensual e fútil, e a indulgência plenária de todos os pecados.

3)A Sabedoria do mundo é diabólica. O amor da estima e das honras. E desta Sabedoria fazem profissão os sábios mundanos, quando aspiram, muito embora secretamente, grandezas, honras, dignidades e cargos elevados.
Quando se esforçam para serem vistos, estimados, louvados e aplaudidos pelos homens. Quando não colimam em seus estudos, trabalhos, lutas, senão a estima e louvor dos homens, a fim de que sejam tidos por honestos, sábios, grandes lideres, sábios jurisconsultos, pessoas de infinito mérito e grande consideração. Quando não podem suportar o desprezo e a repreensão. Quando escondem o que têm de defeituoso e mostram o que possuem de belo.
É preciso, com Jesus Cristo, detestar e condenar estas sabedorias falsas, a fim de obter a verdadeira - que não busca seu interesse, que não é da terra, nem se encontra no coração dos que vivem em seus cômodos, e que abomina tudo o que é grande e prestigioso aos olhos dos homens.