sábado, 23 de setembro de 2017

Quinto dia da primeira semana (conhecimento de si mesmo) - Nossa impossibilidade na vida sobrenatural


QUINTO DIA


Meditação - Nossa impossibilidade na vida sobrenatural

PREPARAÇÃO

     O conhecimento necessário de nós mesmos nos deve levar a consider mais especialmenle quão indigentes somos na ordem sobrenatural. Nossa elevação pela graça é inteiramente gratuita. Aqui, nada absolutamenie podemos, sem a graça que previne e que acompanha as nossas ações Impossível a perseverança sem graças especiais. Nossa indigência absoluta comensura-se, porém, com a etusão larguíssima da Bondade Divina, mercê da Mediação de Maria.


MEDITAÇÃO

Prelúdios
- Maria repete-nos as palavras de Jesus, apontando-nos seu Filho Divino: Sem Mim, nada podeis fazer.
• Divina Jardineira, como a plantas enfezadas e raquíticas, enxertai- nos na vida pujante da Graça de Jesus Cristo.

PONTO I
NOSSA ELEVAÇÃO PELA GRAÇA
É INTEIRAMENTE GRATUITA

     Se na ordem natural pode o homem fazer alguma coisa, algum bem, alguns atos de virtude, morais, na ordem sobrenatural sua incapacidade é total e absoluta. Sobrenatural é o que ultrapassa pura e simplesmente a ordem criada, de tal sorte que para essa elevação não temos direito nem disposição alguma, senão somente uma capacidade obediencial, o que quer dizer, a possibilidade de sermos elevados acima de nossa natureza pela onipotência de Deus. Essa elevação não é apenas à natureza tão alta dos anjos, mas à própria essência de Deus, de que participamos realmente, na medida dos limites de nosso ser finito.
A graça habitual assim nos elevou, de maneira estável. Mas temos ainda necessidade das graças atuais, para agir sobrenaturalmente: Nem o Santo Nome de Jesus podemos pronunciar meritoriamente sem o Espírito Santo, Isto é sem o auxílio atual da graça. Mas todas essas graças são inteiramente gratuitas, não devidas a nossa natureza, provindas tão só da livre vontade de Deus.
Como é total a nossa incapacidade, na ordem sobrenatural!


II PONTO
NECESSIDADE da GRAÇA QUE ANTECEDE
E ACOMPANHA AS NOSSAS AÇÕES

“O mais bem conformado olhar, diz Santo Agostinho, nada pode ver sem auxílio da Luz. O homem ainda o mais santo, nada pode fazer na ordem sobrenatural sem o socorro Divino da eterna luz da graça”.
Graça antecedente, primeiro. É Deus quem move a nossa alma no ato virtude. Nós o queremos também. Deus respeita a nossa livre eleição: eu quero, mas Deus quer comigo e mais do que eu. Minha cooperação aceita o impulso Divino e o torna eficaz. Mas, a parte misteriosa que teve o mesmo Deus na minha própria livre eleição?
Graça concomitante, depois. Movida pela graça, minha alma não poderá continuar um alo sobrenatural se a mesma graça se retira. Nada sem Mim, disse Jesus, vós podereis fazer. Nada. Nem a continuação de uma ação começada pela graça... Porque é Deus quem em mim começou o livre querer e Ele é ainda quem o leva ao fim; Ê Deus quem opera, em mim, o querer e o agir (Fl 2,13).
A que ponto somos dependentes de Deus, em tudo quanto anelamos fazer para o céu!


III PONTO
NECESSIDADE DE GRAÇA ESPECIAL
PARA A PERSEVERANÇA

Não posso pretender ao menos a perseverança no bem sobrenatural sem mais auxílio da Graça de Deus? Não. Assim diz o Concilio de Trento; Seja anátema quem disser que uma vez justificados podemos perseverar na justiça recebida, sem especial socorro de Deus (sess 6, can 22). Como esta afirmação de nossa fé nos atira humilhados aos pés de Deus! Não se trata de progredir, subir mais. Apenas de ficar no estado de justiça que recebemos... Não. Por nós, não o poderemos. Nem basta graça ordinária e preciso auxílio especial.
Graça especial que Jesus Cristo quer dar-me, mas que espera que eu Lhe peça, com humilde confiança. Graça especial, que será para mim de inestimável preço, sobretudo quando se trata de perseverança final, que absolutamente não posso merecer por justiça...
E agora, buscarei libertar-me de meu orgulho, de minha suficiência presunçosa, tola e soberba. Gravarei fundo em minha mente a força terrível desta palavra  nada. Nada posso sem Deus. Mas Deus resiste aos soberbos,  concede sua graça preciosa somente aos humildes de coração.

COLÓQUIO

     Virgem cheia de graça, cuja união com a fonte da Graça, Jesus, vos fo penhor inefável de confirmação na amizade Divina e na altíssima elevação vossa aos confins da Divindade. • em vós saúdo, entretanto, a humílima dentre todas as criaturas... como vos ocultastes sempre, de todos os olharas dos vossos próprios, a fim de permanecerdes escondida a todos e conhecioá somente de Deus! Dai-me que participe de vossa humildade e amor ao escondimento, para que, despido de minha soberba, veja também Deus que se inclina amorosamente para mim a elevar-me à graça, à perfeição e a santidade. Porque as riquezas divinas somente descerão a meu coração, quando eu não for mais ladrão da glória de Deus e tudo souber atribuir exclusivamente ao Pai Celeste.


RAMILHETE

A profunda humildade é condição necessária para as grandes realidades da graça de Deus. “Porque olhou para a humildade de sua serva, fez em mim grandes coisas" (Lc 1, 48).

SANTO EVANGELHO (Mt 25. 14-30)
A PARÁBOLA DOS TALENTOS

     O Reino dos céus será como um homem que, ao se ausentar para longe, chamou seus servos e lhes entregou os seus bens. E a um deu cinco talentos, e a outro dois, e a outro um, a cada um segundo a sua capacidade e partiu logo. O que recebera cinco talentos, saiu e entrou a negociar com eles, e ganhou outros cinco. Da mesma sorte também o que recebera dois, ganhou mais dois. Mas o que havia recebido um, saindo, cavou a terra, e escondeu o dinheiro do seu Senhor. E passando muito tempo, veio o Senhor daqueles senros, e os chamou às contas. E chegando-se a ele o que havia recebido cinco talentos, apresentou- lhe outros cinco, dizendo: Senhor, tu me entregaste cinco talentos; aqui tens outros cinco a mais que lucrei. Disse-lhe seu Senhor: Muito bem, servo bom e fiel; já que foste fiel nas coisas pequenas, dar-te-ei a gerência das grandes. Entra no gozo do teu Senhor. Da mesma sorte apresentou-se também o quehavia recebido dois talentos e disse: Senhor, tu me  entregaste dois talentos; eis aqui outros dois que lucrei com eles. Seu amo lhe disse: Bem está, senro bom e fiei; já que foste fiel nas coisas pequenas, dar-te-ei a gerência das grandes. Entra no gozo do teu Senhor. E chegando também o que havia recebido um talento, disse: Senhor, sei que és um homem de dura condição; ceifas onde não semeaste, e ajuntas o que não espalhaste. E por temor fui e escondi o teu talento na terra. Eis, aqui está o que é teu. E respondendo o Senhor lhe disse: Servo mau e preguiçoso! Sabias que eu ceifo onde não semeio, e que recolho onde tenho espalhado. Devias, portanto, dar o meu dinheiro aos banqueiros, e tinha volta, feria recebido certamente, com juros, o que era meu. Tirai-lhe, talento, e dai-o ao que tem dez talentos; porque a todo o que já tem, dar-lhe-ã. e terá em abundância: e ao que não tem, tirar-se-lhe-à até o que o possuir. E ao sendo inútil, lançai-o nas trevas exteriores onde haverá choro e ranger de dentes.


IMITAÇÃO DE CRISTO (L III. c. 14)
A PROFUNDEZA DO NOSSO NADA

FIEL - Vossos juízos. Senhor, me aterram como um espantoso trovão, estremecendo todos os meus ossos penetrados de temor e de tremor, e fico espavorido sem tino nem acordo.
Assim atônito considero "que os mesmos céus não são puros aos vossos olhos” (Jó 15,15).
“Se até nos anjos achastes maldade, e os castigastes sem misericórdia, que será de mim. sendo o que sou?" (Jó 4,18)
“Caíram do céu as estrelas; e eu, que sou pó, que devo esperar?" (Apc
6.13)
Precipitaram-se em profunda miséria, homens, cujas obras pareciam dignas de louvor; e aos que comiam o pão dos anjos ví deleitar-se com o manjar de animais imundos.
Não há pois santidade, Senhor, que durar possa, se a vossa mão soberana a não sustenta.
Nenhuma Sabedoria será discreta, se a vossa luz a não governa.
Não há fortaleza que ajude, se por vós não for sustentada.
Nenhuma castidade está segura, se vós a não defenderdes.
Enfim nenhuma cautela pode salvar a nossa alma, se nos falta vossa santa vigilância.
Deixados a nós mesmos, para logo nos afundamos e perecemos: visitados, porém, por vós, levantamo-nos animosos e vivemos. Inconstantes somos, mas vós nos dais firmeza; fazemo-nos tíbios, mas vós nos afervorais.
Oh! Oue baixos sentimentos não devo ter de mim mesmo! E em quão pouco devo estimar o pouco bem que em mim pode haver!
Ó Senhor! Quão profundamente me devo abismará vista de vossos juízos, onde acho que outra coisa não sou senão nada e menos que nada.
Ó peso imenso que me oprimes! Ó mar sem fundo nem margens onde nada acho de mim, senão nada em tudo!
Onde se ocultará pois em mim esta raiz de vaidade, esta confiança presunçosa no pouco bem que obro?
Toda esta vaidade se abisma na profundeza de vossos juízos sobre mim.
Que é o homem em vossa presença? “Pode porventura levantar-se obarro contra quem o formou?” (Is 29,16).
Como poderá enfatuar-se com louvores vãos aquele cujo coração verdadeiramente sujeito a Deus?
O mundo inteiro é incapaz de ensoberbecer aquele a quem a verq traz sujeito a seu império; nem se deixará nunca deslumbrar pelos apiaus ^ dos homens, aquele que em Deus pôs toda a sua esperança.
Porque os louvores nada valem; desaparecerão com o som de sua palavras; porém "a verdade do Senhor permanece para sempre" (SI 116 2)

LEITURA (Cfr. Perez, Vida Mariana, pàg. 189 ss)
COMPARAÇÃO ENTRE MARIA E NÓS
AVE-MARIA CHEIA DE GRAÇA

A Santíssima Virgem estava e estará sempre cheia de graça santificante, mais do que todos os anjos e santos. E plena de todas as graças atuais, pois que seu entendimento sempre se iluminava com a Divina luz e sua vontade era movida sempre a virtudes heróicas.
E eu, estive cheio de pecados, e pleno sempre de chagas hediondas que eles em mim deixaram. Cheio de afetos desordenados, de trevas no entendimento, de entorpecimento na vontade. Talvez exposto a novas e maiores quedas, tanto mais próximo delas quanto mais afastado me faz crer minha soberba.

O SENHOR É CONVOSCO

Esteve o Senhor com sua Mãe, mais do que com nenhuma criatura, já presente em suas puríssimas entranhas, já unido a sua alma mercê de uma contemplação altíssima que Nossa Senhora, ao que parece, nem no sono interrompia.
E eu, quando me afastei de Deus, com meus pecados, e como me expus a ficar eternamente Dele separado! E ainda agora, quão escassamente desfruto de sua Divina presença! Embora, segundo espero, por sua imensa bondade esteja agora presente em mim este Divino Sol, todavia, as nuvens que dentro de mim levantam minhas paixões não mo permitam ver.

BENDITA SOIS ENTRE AS MULHERES
De quantos dons de Deus, de quantas bênçãos está plena a Santíssima Virgem e como soube delas, aproveitar-se!
E eu, quão pobre ando de bens sobrenaturais, e quão mal sei aproveitar os que possuo! Desventurado entre os homens, como Ela foi bendita entre as mulheres. Talvez os mais desventurados e pecadores seriam melhores do que eu, se recebessem os dons que me couberam, embora não tenha o hor me concedido quantos Ele desejara porque se vê tão mal respondido... Que seria deste servo inútil, que enterra seu pequenino ^°ento, se lhe não valesse a intercessão de Maria

Bendito É o fruto do vosso ventre, JESUS

Que ditoso Fruto nos deu a Virgem Maria, fruto de salvação e de vida para todo o mundo!
E eu, que pouco fruto hei obtido, para a glória Divina e para o bem de meus irmãos! Que estéreis são meus trabalhos, por falta de alento sobrenatural que os vivifique!
Visto, pois, que a comparação com a formosura e riqueza de Nossa Senhora faz ressaltar mais e mais minha miséria e desnudez sobrenatural, quero arrojar-me a seus pés, rogando-lhe que tenha piedade de mim, que rogue por mim, pobre pecador, para que sinta interno conhecimento de meus pecados, grande horror deles, para que íntimo sentimento de minhas desordens me faça emendar e levanfar-me com decisão. - Não permitais. Senhora, que um vosso servo escureça a honra de vossa casa com tais pecados e vícios. Mas, pela vossa alvura imaculada, pelo horror que nutris pelo pecado, pela compaixão maternal com que buscai o pecador, intercedei junto a vosso Divino Filho, fazei que Ele interceda junto ao Pai, a fim de que me possa apresentar com a pureza que me fará digno escravo de vosso amor!