quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Sétimo dia preparatório (12 dias preliminares) - Vida mundana e vida marial

Meditação - Vida mundana e Vida Maríal
PREPARAÇÃO

Já de posse do conhecimento vivo da oposição entre o espírito do mundo o Espírito de Jesus, meditaremos como, na vida de todos os dias, estes espíritos tomam caminhos diferentes, cujo resultado é inteiramente diverso também. Viver para o mundo é adorar o que é fugaz, viver para
Jesus e Maria é cultivar o que é eterno, os bens da ferra degradam, os de Jesus nobilitam sumamente. O mundo cansa e atormenta, Jesus e Maria replenam de paz.


MEDITAÇÃO

Prelúdios

- Sou pequenina ovelha, ferida e cansada, que se acolhe ao regaço da Pastora, na resolução de nunca mais me apartar de seu serviço.
- Maria, Porta do Céu, voltando dos caminhos erradios do mundo e do demônio, imploro-vos sejais para mim a Entrada iluminada do Paraíso.

PONTO
ADORAR O QUE É FUGAZ, OU VIVER O QUE É ETERNO

São transitórios os bens do mundo. Por imensos que pareçam, no seu falso brilho que tenta deslumbrar nossos olhos, eles não alcançam mais do que a nossa vida tão curta. Se ao menos durassem todo o espaço de nossa existência! Não. Eles são fugazes e enganadores. Tanto prazer transformado em lágrimas, tanta honra em vitupério, tanta riqueza em miséria sórdida...
Não nô-lo ensina a experiência de todos os dias? No entanto, essa é a vida dos mundanos, a correr atrás de ilusões e miragens. Mas o servo de Maria se inspira na Sabedoria celeste, que o leva a procurar o que é eterno e permanente. Quanto dura o amor de Nossa Senhora? Tanto quanto a eternidade. Por isso Ela multiplica os desvelos, a fim de que passemos santamente nossa vida tão breve. E nos faz estimar a Graça de
Nosso Senhor, moeda de nossa perene bem-aventurança. Sejamos sábios. Não ouçamos o mundo. Seja nosso exclusivo cuidado de vida possuir a Graça de Deus e o Amor de Maria.


PONTO I
DEGRADAR NOSSO SER OU EXALTÁ-LO
SOBRENATURALMENTE

Nossas capacidades, como nossos desejos se medem pelo que aspiram e procuram. Somos o que amamos. Quando os mundanos se voltam para o lado dos prazeres, das honras e das riquezas, não recuando ante os meios de os obter, sua alma se nodoa e se apouca, porquanto fomos criados para as coisas muito mais altas e mais nobres. O amor às coisas da terra enche o coração de uma multidão de pecados, desordens, apegos vergonhosos, - que nos perturbam e enchem de nojo de nós mesmos. Como parece vazia, tenebrosa, árida uma vida que se ajusta aos princípios mundanos! Quanta melancolia, sobretudo, na velhice ou na hora terrível da morte... Aquele que se escraviza de amor a Maria coloca no alto os seus anelos. O servo de Nossa Senhora sabe que é um príncipe do céu, que não se deve arrastar em imundícies repugnantes. Nem considerar como valor senão o tesouro que lá acima os ladrões não podem roubar, nem a ferrugem consumir. Não quer outra honra e dignidade senão pertencer a Jesus por Maria. Que exaltação verdadeira! Aos olhos de Deus, de Maria, dos anjos, aos nossos próprios olhos! E diremos como nossa Mãe, Tão humilde e tão exaltada:
“Porque olhou a humildade de sua serva, fez grandes coisas em mim. Aquele que é poderoso. A minha alma glorifica o Senhor!" (Lc 1,46-47).


PONTO II
TÉDIO E TORMENTO, OU PAZ E DOÇURA

A ordem essencial das coisas faz com que não haja tranquilidade senão quando elas repousam no objetivo a que são destinadas. Os escravos do mundo procuram substituir por outros os fins altíssimos que Deus nos assinalou, na ordem natural e na ordem sobrenatural, • conhecimento, amor e serviço de Deus. Mas assim como a fome não se sacia senão com o alimento, e o coração senão com amor, assim a alma não tem paz nem tranquilidade senão quando descansa em Deus. “Fizestes-nos para vós, Senhor, exclama Santo Agostinho com conhecimento experimental do que afirmava, e nosso coração anda inquieto enquanto não repousa em vós!” Entediam-se os mundanos e se atormentam, na procura de bens falsos. Porque estes não satisfazem nosso coração. Porque maltratam e ferem. Qs que servem Nossa Senhora gozam de inalterável paz. Sabem destinar sua \rida e todas as suas ações e pensamentos ao fim verdadeiro: Deus. Até os sofrimentos, inseparáveis de nossa condição de prova neste mundo, são para eles, diz Grignion de Montfort, transformados de frutos amargos em casta doçura, graças ao mel suavíssimo do amor de Maria. Ainda nos maiores sofrimentos e afiições, o servo de Maria sabe dizer, a exemplo da Mãe das Dores; A amargura de minhas provações não me tira a paz (Is 38,17).
Que Sabedoria Divina, viver como escravo do amor de Maria!

COLÓQUIO

Senhora dulcíssima, vinde romper de lodo as cadeias que me prendem ao espírito nefasto do século. Abomino esse esplendor mentiroso do fausto mundano. Ele me degradou e me apunhalou de remorsos. Afastado de vós, de Jesus, tentei provar do cálice dourado que o mundo me apresentava. Confesso-vos, Senhora minha, que no fim encontrei uma via amarga, da amargura do inferno... Indócil experimentei fugir ao vosso doce aprisco. E agora vos declaro, minha Divina Pastora, que as flores do mundo me feriram, as miragens das riquezas se abriram em abismos aos meus pés, o brilho das honras se transmudou em vitupério atroz... Mas quero emendar-me de todo. Consagrar-me a vosso serviço, amar os bens verdadeiros e eternos, ser coroado da nobreza de vossa casa, experimentar a liberdade dulcíssima de vossa escravidão de amor!


RAMILHETE

Maria é a fonte Viva da Graça, que expele lodos os erros (Passaglia, Hymn. Ecol. Lat).

SANTO EVANGELHO (Mt, 13,24-30)
MUNDANOS E DEVOTOS VIVEM
MISTURADOS COMO A BOA E MÁ SEMENTE

Propos-lhes outra parábola, dizendo; O Reino dos Céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo; e enquanto os homens dormiam, veio o seu inimigo e lançou o joio no meio do trigo, e foi-se. E tendo crescido a erva, e dado fruto, apareceu também o joio. E chegando os servos do pai de família, lhe disseram; Senhor, porventura não semeaste boa semente no teu campo? Pois, donde lhe veio a cizânia? E lhes disse: O homem inimigo fez isto. E os servos lhe disseram: Queres que vamos e arranquemos? E respondeu-lhes; Não, para que talvez não suceda que, arrancando o joio, arranqueis também o trigo. Deixai crescer um e outro até a ceifa, e no tempo da ceifa, direi aos segadores; colhei primeiramente o joio, atai-o em feixes para o queimar; o trigo porém, recolhei-o no meu celeiro.



IMITAÇÃO DE CRISTO (L. I, c. X)
EVITAR AS RELAÇÕES MUNDANAS

Evita, quanto puderes o bulício do mundo; porque estas relações mundanas causam muitos embaraços ainda mesmo quando se travam com intenção sincera.
Bem depressa somos manchados e cativos da vaidade. Muitas vezes quisera ter-me calado, e não ter estado entre os homens. Porém, qual é a causa porque de tão bom grado falamos e praticamos uns com os outros, vendo quão poucas vezes voltamos ao silêncio sem dano da consciência?
A razão disto é porque pretendemos ser consolados uns pelos outros, com semelhantes conversações, e desejamos aliviar o coração cansado de sensações diversas.
E de boa vontade nos detemos em falar ou pensar das coisas que amamos ou desejamos, ou das adversas que sentimos.
Mas, aí muitas vezes debalde e sem fruto, porque esta exterior consolação é de grande detrimento à interior e Divina.
Por esta causa, vigiemos e oremos para que não se passe o tempo ociosamente.
Se te for licito e conveniente falar, dize coisas que edifiquem.
O mau costume e o descuido de nosso aproveitamento são causa do pouco cuidado com que guardamos a nossa língua.
Porém, não pouco servirá para o nosso aproveitamento espiritual a devota prática de coisas espirituais, especialmente quando muitos dum mesmo Espírito e coração se juntam em Deus.


LEITURA (Montfort, T.V.D. nO 196. ss)
VIDA DOS SERVOS DE JESUS EM MARIA

Eles permanecem, a exemplo de Jacó, em casa com sua mãe, isto é, amam o retiro, são interiores, aplicam-se à oração; mas a exemplo também de sua Mãe, a Santíssima Virgem, cuja glória é toda interior, e que durante sua vida tanto amou o retiro e a oração. Se aparecem, é para obedecer à vontade do Eterno Pai e à de sua querida Mãe, a fim de cumprirem os deveres
de seu estado.
Por maior que seja em aparência aquilo que fazem exteriormente, estimam muito mais quando fazem no seu interior, em companhia da Santíssima Virgem, pois aí operam a grande obra de sua perfeição, comparadas com a qual. todas as outras não passam de brinquedos de criança. Eis porqua algumas vezes, enquanto seus irmãos e irmãs trabalham para o exterior com intensidade, indústria e êxito, louvados e aprovados pelo mundo, eles, ao invés, conhecem pelas luzes do Espírito Santo que é muito mais glorioso.
Melhor e mais satisfatório permanecer oculto no retiro com Jesus Cristo seu modelo, numa completa submissão a sua Mãe, do que, no meio do mundo, fazer por si mesmo maravilhas, como tantos Esaús e reprovados. “A glória e as riquezas para o homem encontram-se na casa de Maria".
Senhor Jesus! Quão amáveis são os vossos tabernáculos! O passarinho encontrou uma casa em que se abrigasse, e a rolinha um ninho, onde colocasse seus filhinhos. Ohiquão feliz é o homem que habita na casa de Maria, que foi a vossa primeira morada! Nessa casa dos predestinados é que recebe socorro de vós só, e onde encontra os graus de todas as virtudes para elevar-se em seu coração ao cimo da perfeição.
Amam ternamente e honram, verdadeiramente a Santíssima Virgem, como sua Mãe e Senhora; amam-na não só de boca, mas realmente, efetivamente; honram-na não só exteriormente, mas no íntimo do coração; evitam, como Jacó tudo o que pode desagradar-lhe, e praticam com fervor tudo quanto julgam que possa agradar-lhe; trazem-lhe e dão-lhe, não dois cabritos, como Jacó a Rebeca, mas seu corpo, sua alma e tudo o que deles depende. Os réprobos repetem frequentemente que amam e honram a Maria, mas não até o sacrifício de seu corpo com todos os sentidos, de sua alma com todas as paixões, do modo por que fazem-no os predestinados. Estes são submissos à Santíssima Virgem, como a sua boa Mãe, a exemplo deJesus Cristo, que. dos trinta e três anos que viveu na terra, empregou trinta em glorificar seu Eterno Pai, submetendo-se perfeita e inteiramente a sua
Bem-aventurada Mãe. Obedecem-lhe, seguindo exatamente seus conselhos, como Jacó, quando menino, seguia os de Rebeca, que lhe diz; "Meu filho, segue meus conselhos”; ou como os convivas das núpcias de Caná, aos quais a Santíssima Virgem disse; “Fazei tudo quanto meu Filho vos disser".
Por ter obedecido a sua mãe, recebeu Jacó a benção como que por milagre; os convivas das núpcias de Caná, por terem seguido o conselho da Santíssima Virgem, foram honrados com o primeiro milagre de Jesus Cristo, que converteu a água em vinho, a pedido de sua Santíssima Mãe.
Assim também todos aqueles que até o fim dos séculos receberem a benção do Pai Celestial, e forem honrados com as maravilhas de Deus, só receberão estas graças em virtude de uma inteira obediência a Maria. Confiam grandemente no poder e na bondade da Santíssima Virgem, sua boa Mãe; imploram sem cessar seu socorro; consideram-na sua estrela polar; para chegarem ao porto; falam-lhe de suas penas e necessidades com grande franqueza; prendem-se à sua brandura e misericórdia, para obterem, por sua intercessão, o perdão de seus pecados, ou para gozarem de seus carinhos maternos nos trabalhos e pesares.
Os réprobos, ao contrário, confiando em si mesmos, comem como olho pródigo, aquilo que comem os porcos; só amando as coisas visíveis e exteriores, não saboreiam as doçuras de Maria; não sentem, como os predestinados, certo apoio e certa confiança na Santíssima Virgem, sua boa Mãe; amam miseravelmente a fome das exterioridades, porque não querem saborear a doçura preparada no interior de si mesmos em Jesus e Maria.

Enfim, os predestinados guardam os caminhos de Maria, isto é, imitam-na; e nisso é que são verdadeiramente felizes e devotos, e trazem o sinal de predestinação, como lhes diz esta boa Mãe: “Bem-aventurados os que praticam minhas virtudes”; são felizes neste mundo, durante a vida, pela abundância das graças e suavidades que lhes comunico, fazendo-os partícipes de minha plenitude, e mais abundantemente do que a outros, que me não imitam tão de perto; são felizes na morte, que é suave e tranqüila, e à qual assisto de ordinário, para conduzi-los pessoalmente às alegrias da eternidade; enfim, são felizes na eternidade, porque nunca um só dos meus bons servos, que tenha imitado minhas virtudes durante a vida, se perdeu.
Os réprobos, pelo contrário, são infelizes durante a vida, na morte e por toda a eternidade, porque não imitam a Santíssima Virgem em suas virtudes, contentando-se algumas vezes com entrar para suas confrarias, recitar algumas orações em sua honra ou praticar outra qualquer Devoção exterior.
Ó Santíssima Virgem, minha boa Mãe, quão felizes são aqueles que. não se deixando seduzir por uma falsa Devoção para convosco, seguem fielmente vossos caminhos, vossos conselhos e vossas ordens! Porém, quão desgraçados e malditos são os que abusam de vossa Devoção e não guardam os mandamentos de vosso Divino Filho!