quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Terceiro dia da primeira semana (conhecimento de si mesmo) - Consequência dos nossos maus hábitos

TERCEIRO DIA 

Meditação - Consequêncla dos nossos maus hábitos

PREPARAÇÃO

Se os maus hábitos são conseqüências em nós do pecado original e dos necados próprios, por sua vez eles causam frutos de perdição, cuja meditação aumentará o conhecimento de nós mesmos. De fato pelo orgulho nos esquecemos de Deus e do próximo. Pela fraqueza de nossa vontade, concebemos horror ao sofrimento, tão necessário, todavia para nossa salvação e santificação. Maria Mãe de Deus e Mãe dos homens, Maria Rainha dos Mártires será o antídoto contra esses males.


MEDITAÇÃO

Prelúdios
• Imagino-me discípulo de Jesus, na noite da Paixão, fugindo ao Mestre e à dor, mas detido pelo olhar de Maria que me exorta à Fé e à coragem.
- Mãe de Jesus, Virgem das Dores, tomai-me com doce violência, amparai-me nesta meditação reveladora de minha miséria, para me fixardes nas resoluções de voltar a Jesus, pelo vosso Coração.


PONTO I
ESQUECIMENTO DE DEUS E DO PRÓXIMO

O mau hábito do orgulho nos volta para nós mesmos, na consideração de nossa falsa excelência. O primeiro fruto dessa atitude soberba é o esquecimento de Deus. Especulativo, enquanto nos ensoberbecemos com a presumida ciência deste mundo, que inflama e obscurece nossa mente, impossibilitando a vista de Deus. Prático, enquanto em todas as ações e atitudes, nos acostumamos a agir como se Jesus Cristo nunca existira, nem tivera direito nenhum a nossas homenagens. E nos parece que fazemos grande favor a Deus, quando uma ou outra vez pronunciamos o seu Santo Nome, ou damos alguma mostra de religiosidade... exterior apenas, para honrar um cristianismo de herança, ou o costume ou o ambiente em que vivemos. O segundo fruto da soberba é o esquecimento do próximo. Como se nós somente existíssemos, mais ninguém com iguais direitos. Como se fôssemos o centro do universo, em palavras, opiniões, atitudes...
E todavia, o homem deveria realizar-se como imagem criada de Deus, refletindo em si mesmo e na convivência com seus irmãos, o mistério Divino da comunhão, através de uma atuação que chegasse a transformar o mundo.
Assim deveria ter, na terra, o lar de sua felicidade, e não um campo de batalha onde reina a violência, o ódio, a exploração e a escravidão (Cfr. Puebla, 184).
Entremos em nós mesmos, a examinar se esta idolatria do nosso eu não nos tem assim endurecido o coração e entenebrado a mente, afastando-nos de Nosso Pai, de nossos irmãos...


PONTO II
HORROR AO SOFRIMENTO

A debilidade de nosso querer tem por resultado nefasto a ávida procura de tudo quanto satisfaz os nossos sentidos e a nossa natureza. Estremecemos ao ouvir falar sequer da necessidade da dor, do sofrimento, do papel providencial da expiação e da cruz.
E nos revoltamos ante os espinhos da existência. Procuramos fugir-lhes, antes buscando o que dá satisfação aos sentidos, escravizando-nos. E aceitamos a preguiça, a indolência, o amor ao conforto, a sensualidade. E louvamos nosso século, porque ele sabe anestesiar as dores do corpo, cercar de confortos materiais a nossa vida, proporcionando-nos viagens cômodas, gosto refinado no vestuário, na alimentação, no repouso...
E não queremos ouvir aquela palavra severa de Jesus Cristo, ameaçando- nos da perda de nossa alma se não fizermos penitência: “se não fizerdes penitência, perecereis todos igualmente” (Lc 13,5). E procuramos uma explicação tranquilizadora para esta expressão austera: “Aquele que quer salvar sua vida, perdê-la-á" (Lc 9,24). A meditação da Paixão de Jesus e das Dores de Maria nos é penosa e difícil. Preferimos ler as páginas gloriosas da Ressurreição, da Ascensão, do Triunfo, deslembrados de que se quisermos ser glorificados com Jesus Cristo é preciso primeiro que morramos com Ele. Penetremos em nossa consciência, tenhamos neste momento a coragem cristã de um exame sincero de nossa vida. Não experimentamos a confusão de ser “membros delicados de um Mestre Crucificado”?


PONTO III
CONTEMPLAÇÃO DE MARIA

Nossa Senhora nos faz compreender, ao contrário, quanto nos devemos esquecer de nós mesmos, por amor a Deus, por amor a nosso próximo. Ela se entregou inteiramente à vontade do Senhor: "Faça-se em mim, segundo a tua palavra” (Lc 1,38). E por amor aos homens também, consentiu na imolação
do meigo Fruto de suas entranhas... Busquemos Maria. É o caminho de retorno a Deus: “Maria não foi feita senão para Deus". Muito ao invés de deter alguém que se lhe confia, Ela o projeta em Deus, une-o ao Senhor com perfeição proporcionada à generosidade dessa entrega (Segredo de Maria, 25}.
A Mãe dos homens ensina com seu exemplo a renúncia aos próprios direitos, em favor do próximo. Amando-a, sentir-nos-emos levados a dedicar- nos igualmente a nossos irmãos, a esquecer nossos direitos para nos lembrar dos nossos deveres... felizes de imitar nossa renúncia a Nossa Mãe terníssima a cujo manto se acolhem todos os pequeninos, todos filhos de seu amor, todos nossos irmãos...
Ainda, Nossa Senhora nos ensina a virilidade cristã em face do sofrimento. "Ela nos faz morrer à vida do homem velho. Ela nos despoja de nossas inclinações naturais, do amor próprio, da própria vontade, de qualquer apego à criatura" (T.V.D.). E destarte nos dispõe a tomar parte em sua Compaixão dolorosíssima, a recolher sobre nossos corações as suas lágrimas de amor e de dor. Ah! Como a Verdadeira Devoção a Maria nos vai ensinar a via certa dos nossos destinos!

COLÓQUIO

Maria, Guarda fidelíssima de minha alma, lanço-me em vosso regaço, a nimplorar vosso compassivo olhar. Como celestial Rebeca a vosso Jacó pequenino e amoroso, despojai-me de mim mesmo, de meu orgulho e de minha sensualidade. Revesti-me de Jesus, para que eu aprenda a amar a Deus, a devotar-me a meu próximo. Alentai-me, Mãe das Dores e confortai meu coração, no incêndio de caridade do vosso Coração Imaculado. E que eu aceite morrer sempre a mim mesmo, dócil a todas as vossas suaves austeridades para comigo, no aprendizado da virtude. Preparai-me à Consagração que vos quero jurar, de tudo o que tenho e de quanto sou, encaminhando meus passos na vereda das virtudes difíceis para minha pobre natureza. Vosso amor me assista e me oriente com segurança para Jesus.


RAMILHETE

“Quem quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome a sua cruz e Siga-Me" (Mt 16,24).


SANTO EVANGELHO (Jo 13,21-35)
JUDAS E O MANDAMENTO NOVO

Tendo dito estas palavras, turbou-se-lhe o Espírito, protestou e disse: em verdade Eu vos digo: um de vós me há de trair. Olhavam pois os discípulos, uns para os outros, na dúvida sobre quem falava Ele. Ora, um dos seus discípulos, ao qual Jesus amava, estava recostado à mesa, no peito de Jesus. A este fez Símão Pedro um sinal e disse-lhe: De quem é que Ele fala? Tendo então reclinado sobre o peito de Jesus, perguntou-Lhe; Senhor, quem é? Respondeu-lhe Jesus: É aquele a quem Eu der o pão molhado. E tendo Jesus molhado o pão, deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes. E atrás do bocado entrou nele satanás. Disse-lhe Jesus; O que fazes, faze-o depressa. Nenhum porém, dos que estavam à mesa percebeu a que propósito Ele lhe dizia isto porque alguns, visto como Judas era quem levava a bolsa, cuidavam que lhe dissera Jesus: Compra o que havemos mister para o dia da festa; ou que
desse alguma coisa aos pobres. Tendo pois Judas recebido o bocado, saiu logo para fora. E era noite.
E depois que ele saiu, disse Jesus: Agora é glorificado o Filho do Homem e Deus é glorificado Nele. Se Deus é glorificado Nele, também a Ele o glorificará Deus em si mesmo; e glorificá-Lo-á logo. Filhinhos, ainda estou convosco um pouco. Buscar-me-eis. E como Eu disse aos Judeus; vós não podeis vir para onde Eu vou; repito-o também agora. Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis, uns aos outros assim com Eu vos amei, para que vós também mutuamente vos ameis. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.


IMITAÇÃO DE CRISTO (L I. cap.6)
OS DESEJOS DESORDENADOS

Todas as vezes que o homem deseja desordenadamente alguma coisa, logo perde o sossego.
O soberbo e o avarento nunca estão sossegados; o pobre e o humilde de Espírito vivem em muita paz.
O homem que não é perfeitamente mortificado em si, bem depressa é tentado e vencido em coisas pequenas e vis.
O fraco de Espírito, e que ainda está inclinado ao que é sensual, com dificuldade se pode desapegar totalmente dos desejos terrenos.
E quando deles se abstém, recebe muitas vezes tristeza; e até se enfada se alguém o contradiz.
Porém, se alcança o que deseja, sente logo pesar sobre si o remorso da consciência porque seguiu seu apetite, o qual de nada lhe aproveitou para alcançar a paz que buscava.
Em resistir pois, às paixões se acha a verdadeira paz do coração, e não em segui-las.
Não há paz no coração do homem carnal, nem do que se ocupa das coisas exteriores, mas no do que é fervoroso e espiritual.

Leitura (Montfort, Amour de la Sagesse Etemelte, pág. 112 ss)
CONSEQÜÊNCIAS DO ABANDONO DA SABEDORIA

À Nossa dureza e ingratidão não movem os desejos solícitos, os convites amorosos e testemunhos de amizade desta admirável Sabedoria. Mas se ao invés de ouvi-la lhe fechamos nossos ouvidos; se em lugar de buscá-la nós a fugimos; se, longe de honrá-la e amá-la nós a ofendemos e desprezamos, - que crueldade a nossa, e qual será nosso castigo, mesmo neste mundo!
Diz o Espírito Santo que aqueles que não se preocuparam de achar a Sabedoria, não somente caíram na ignorância do bem, mas ainda deixaram patentes os traços da sua loucura, nem puderam suas faltas permanecer ocultas (Sb 10,8).
Três desgraças, durante a vida, aos que não se preocupam de adquirir a Sabedoria. Eles caem na ignorância e na cegueira; na loucura; no escândalo e no pecado.
Mas, qual será sua infelicidade na morte, quando, malgrado seu horror, eles ouvirem a Sabedoria exprobar-lhes: Eu vos chamei e não quisestes ouvir (Pr 1,24). Estendi-vos os braços largamente, e me desprezastes. Esperei vos, assentada à vossa porta, e não viestes a mim. Agora, por minha vez, rio-me de vós (Pr 1,26). Já não tenho ouvidos para escutar vossos clamores, nem olhos para contemplar vossas lágrimas, nem coração pra enternecer- me de vossos gemidos, nem mãos para vos prestar socorro!
Mas, qual será a desgraça deles no inferno? Lede o que o mesmo Espirito Santo diz das desgraças, dos prantos, do desespero dos insensatos no inferno, e que reconhecem, tarde demais, sua loucura e desgraça por que desprezaram a Sabedoria de Deus. Começam a falar prudentemente, mas no inferno (Sb5,14).
Desejemos, pois, e procuremos unicamente a Divina Sabedoria (Pr 3,15). E logo, todos os tesouros de Deus, todos os dons celestes que anelardes, se não desejais a Sabedoria, suspirais por alguma coisa menor do que Ela. Ah! Se conhecêssemos que tesouro infinito é para os homens a Sabedoria, suspiraríamos, dia e noite, por Ela. Voaríamos velozmente até os confins da terra, passaríamos jubilosamente através de fogos e espadas, se fosse necessário para merecê-la.