sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Comunicado da ANSRL sobre o Pe. Rodrigo


Caros fiéis, benfeitores e amigos,

Dada a posição sedevacantista adotada pelo Rev. Pe. Rodrigo Henrique Ribeiro da Silva, informamos que os membros da Associação Nossa Senhora do Rosário de Lepanto (ANSRL) não colaborarão mais com as questões administrativas e financeiras, nem com o apostolado desenvolvido pelo referido sacerdote em Atibaia/SP.

Nossos próximos passos serão: registrar nossos estatutos em cartório; gerar CNPJ; arrecadar fundos e conseguir um novo local para reiniciar nossa Capela.

Lembramos aqui o importante conselho de nosso diretor espiritual, Dom Tomás de Aquino:

“Quanto aos que defendem o sedevacantismo, temos um conselho a dar. Um conselho de prudência e de humildade. Se a Santa Igreja não definiu as condições em que um Papa deixa de ser Papa, convém não se avançar neste terreno, pois isto seria também amar novidades e abandonar os caminhos seguros da doutrina já definida.”

Que o bom Deus nos abençoe e nos dê a graça da perseverança.

Para colaborar com nossa Associação:

Banco do Brasil
Agência 4055-X
C/C 15.846-1
Felipe Pereira Ferraz de Oliveira
Tesoureiro da ANSRL

Salve Maria

Comunicado sobre o Pe. Rodrigo Ribeiro da Silva


PAX
“Devido às atuais atitudes de inteira independência tomadas pelo padre Rodrigo Ribeiro da Silva, assim como, pela sua nova posição, a sedevacantista, nós nos vemos na obrigação de avisar aos fiéis que não nos responsabilizamos mais pelas palavras e atos do referido padre e daqueles que o seguem. Lembramos aos fiéis que Dom Lefebvre não admitia que nenhum de seus sacerdotes se recusassem a rezar pelo Papa na missa. O padre Rodrigo foi ordenado como membro da Sociedade Sacerdotal dos Apóstolos de Jesus e Maria cujo fundador, Dom Jean Michel Faure,exige de seus membros o mesmo que exigia Dom Lefebvre.
Essa é nossa posição, dos Quatro Bispos e de todos os fiéis da Resistência Católica.
Mas, ao adotar essa posição sedevacantista e a posição de completa independência, o padre Rodrigo se separa não somente de seu superior, mas também dos outros três bispos da Resistência:  Mgr Williamson; Mgr Zendejas; e Mgr Tomás de Aquino. “
+ Tomás de Aquino OSB
U.I.O.G.D

sábado, 30 de junho de 2018

30 anos da Operação Sobrevivência!


Sagrações Episcopais de 30/06/1988
30 anos da Operação Sobrevivência de Dom Lefebvre.

Glória a Dom Lefebvre e a Dom Antônio por toda a luta para a manutenção da fé católica.
Glória a Dom Williamson pela continuidade do combate e por nos conceder mais 3 bispos para essa guerra contra o liberalismo. 
Glória a Dom Faure, Dom Tomás e Dom Zendejas. 
Que o bom Deus nos dê a graça da perseverança.


Declaração de Mgr. Lefebvre por ocasião das Sagrações de Ecône, 30/06/1988

"Lê-se, no capítulo XX do Êxodo, que Deus, depois de ter proibido o seu povo de adorar deuses estrangeiros, acrescentou as seguintes palavras: “Eu sou o Senhor teu Deus, o Deus forte e ciumento, que persegue nos filhos a iniquidade dos pais até à terceira e quarta geração daqueles que me odeiam.” E, no capítulo XXXIV, diz assim: “Não adores deus estrangeiro. Deus ciumento, eis o nome do Senhor.”
     É justo e salutar que Deus seja ciumento do que lhe pertence em próprio e desde os séculos dos séculos; ciumento do seu ser infinito, eterno, todo-poderoso; ciumento da sua Glória, da sua Verdade, da sua Caridade; ciumento de ser o único Criador e Redentor e, portanto, o fim de todas as coisas, a única via da salvação e da felicidade de todos os anjos e de todos os homens; ciumento de ser o “alfa” e o “ômega”.
      A Igreja Católica, por Ele fundada e à qual entregou todos os seus tesouros de salvação é, também ela, ciumenta dos privilégios do seu único Mestre e Senhor e ensina a todos os homens que para Ela se devem voltar e por Ela devem ser batizados, se quiserem ser salvos e participar na Glória de Deus na Eternidade bem-aventurada. A Igreja é, pois, essencialmente missionária. Ela é essencialmente Una, Santa, Católica, Apostólica e Romana.
     Ela não pode admitir que fora dela haja uma outra religião verdadeira; não pode admitir que se possa encontrar uma via de salvação fora dela, pois ela identifica-se com o seu Senhor e Deus que disse: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.”
     Ela tem, pois, horror a qualquer comunhão ou união com falsas religiões, com as heresias que afastam as almas do seu Deus que é o único Deus.
     Ela não conhece unidade senão no seu próprio seio, como no seu Deus. Para isso dá o sangue dos seus mártires, a vida dos seus missionários, dos seus padres, o sacrifício dos seus religiosos e religiosas; ela oferece o sacrifício quotidiano de propiciação.
     Ora, com o Vaticano II sopra na Igreja um espírito adúltero, espírito que admite, pela Declaração sobre a Liberdade Religiosa, o princípio da liberdade de consciência para os atos internos e externos, fora do alcance de qualquer autoridade.
     É o princípio da Declaração dos Direitos do Homem, da Revolução Francesa, contra os direitos de Deus. Ora, as autoridades da Igreja, do Estado e da família participam da autoridade de Deus e têm, portanto, o dever de contribuir para a difusão da Verdade e para a aplicação do Decálogo, bem como o de proteger os seus súditos do erro e da imoralidade.
     Esta Declaração levou à secularização dos Estados católicos, o que é um insulto a Deus e à Igreja, reduzindo a Igreja ao direito comum, juntamente com as falsas religiões. É o mesmo espírito adúltero tantas vezes censurado por Deus e pelos profetas ao povo de Israel (veja, na Nota 1, a Declaração de Paulo VI publicada no “Osservatore Romano” de 24 de abril de 1969).
     Esse espírito adúltero também se manifesta no ecumenismo instituído pelo Secretariado para a Unidade dos Cristãos. Esse ecumenismo aberrante valeu-nos todas as reformas litúrgicas, bíblicas, canônicas, com o regime colegial destruidor da autoridade pessoal do Sumo Pontífice, do Bispo e do Pároco (veja Nota 2).
     Esse espírito não é católico. É fruto do modernismo condenado por São Pio X. Está a devastar todas as instituições da Igreja e, especialmente, os seminários e o clero, de tal modo que podemos perguntar quem é ainda integralmente católico entre os clérigos submetidos ao espírito adúltero do Concílio.
     Nada é, pois, mais urgente na Igreja do que formar um clero que repudie esse espírito adúltero e modernista e salve a glória da Igreja e do seu Divino Fundador, conservando a Fé integral e os meios estabelecidos por Nosso Senhor e pela Tradição da Igreja para manter essa Fé e transmitir a vida da graça e os frutos da Redenção.
     Desde há quase vinte anos que nos esforçamos com paciência e firmeza por fazer compreender às autoridades Romanas essa necessidade do regresso à sã doutrina e à Tradição, para a renovação da Igreja, para a salvação das almas e para a glória de Deus.
     Porém, ficam surdos às nossas súplicas e, pior ainda, pedem-nos que reconheçamos a justeza de todo o Concílio e das reformas que arruinam a Igreja. Não querem ter em conta a experiência que fazemos, com a graça de Deus, da manutenção da Tradição, experiência que produz frutos verdadeiros de santidade e atrai numerosas vocações.
     Para salvaguardar o sacerdócio católico e continuar a Igreja Católica – e não uma Igreja adúltera – precisamos de bispos católicos.
     Vemos-nos, pois, obrigados, devido à invasão do espírito modernista no clero atual, e até às mais altas esferas no seio da Igreja, a consagrar bispos.
     Tendo o princípio dessa consagração sido admitido pelo Papa na carta de 30 de maio ao Cardeal Ratzinger, estas consagrações serão, não apenas válidas, como também, dadas as circunstâncias históricas, certamente lícitas. Porém, lícitas ou não, é por vezes necessário abandonar a legalidade para permanecer no direito.
     O Papa não pode deixar de desejar a continuação do sacerdócio católico. Não é, pois, de maneira nenhuma num espírito de ruptura ou de cisma que realizamos essas consagrações episcopais, mas para vir em socorro da Igreja que, sem dúvida, se encontra na mais dolorosa situação da sua história.
     Se estivéssemos no tempo de São Francisco de Assis, o Papa estaria de acordo conosco. Nesses felizes tempos, a Maçonaria não ocupava lugar no Vaticano.
     Afirmamos, pois, o nosso apego e a nossa submissão à Santa Sé e ao Papa. Ao realizar este ato temos consciência de continuar a servir a Igreja a ao Papado, como nos temos esforçado por fazer desde o primeiro dia do nosso sacerdócio.
     No dia em que o Vaticano estiver liberto dessa ocupação modernista e reencontrar o caminho seguido pela Igreja até o Vaticano II, os nossos bispos estarão inteiramente nas mãos do Sumo Pontífice, incluindo a eventualidade de deixaram de exercer as suas funções episcopais. 
     Enfim, dirigimo-nos à Virgem Maria, também Ela ciumenta dos privilégios do seu Divino Filho, ciumenta da sua Glória, do seu reino sobre a terra como no Céu.
     Quantas vezes interveio em defesa, mesmo armada, da Cristandade, contra os inimigos do Reinado de Nosso Senhor! Suplicamo-lhe que intervenha hoje para afastar os inimigos do interior que tentam destruir a Igreja mais radicalmente do que os inimigos do exterior.
     Que Ela se digne conservar na integridade da fé, no amor da Igreja, na devoção do sucessor de Pedro, todos os membros da Fraternidade São Pio X e todos os padres e fiéis que trabalham com os mesmos sentimentos, para que Ela nos guarde e nos preserve tanto do cisma como da heresia.
     Que São Miguel Arcanjo nos comunique o seu zelo pela Glória de Deus e a sua força para combater os demônios.
     Que São Pio X nos transmita sua sabedoria, a sua ciência e a sua santidade para, nestes tempos de confusão e de mentira, distinguirmos o verdadeiro do falso e o bem do mal.

     + Marcel Lefebvre

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Festa do Sagrado Coração - 08 de Junho

Plano da divina Providência relativamente ao reinado de Jesus Cristo

Qual é o plano divino com relação ao reinado de Nosso Senhor Jesus Cristo no mundo?

     O plano divino resume-se nestas palavras do Apóstolo S. Paulo: "É necessário que Jesus Cristo reine. Oportet illum regnare (I Cor XV, 25).
     Todas as obras do filho de Deus, principiando pelas três principais, a Encarnação, a Redenção e a Igreja, tem por fim estabelecer o seu reinado neste mundo. Jesus Cristo não trabalhou nem trabalha senão para estabelecer seu reinado. A sua vida mortal foi como uma tomada de posse do seu trono; depois de a ter selado como sangue, subiu ao Céu, sem contudo deixar o seu reino terrestre. Para em certo modo vigiar de perto os seus servos deixou-se ficar na Eucaristia. porque, no dia a Ascensão a posse do seu reino estava tomada, a conquista ainda não tinha sido levada a cabo. "Ide por toda a terra, tinha ele dito aos apóstolos, e pregue o Evangelho". (S. Mar. XVI, 15)

Qual é o fim único da ação do demônio neste mundo?

     Se toda a ação da Providência divina neste mundo tem em vista o estabelecimento do reinado de Jesus Cristo, o único fim que Satanás, com as suas legiões visíveis e invisíveis, intenta com furor, é impedir o advento deste reino bendito. Se a contra senha dos amigos do Salvador é: "Oportet illum regnare!" O grito de guerra dos inimigos do divino Rei é: Nolumns hunc regnare supere nos. Não queremos que Ele reine sobre nós. (S. Luc. XIV, 14). Daqui nasce uma guerra perpétua.

Como terminará a luta entre Nosso Senhor e o demônio? 

     O combate encarniçado destes dois exércitos inimigos deve terminar pelo triunfo final do nosso divino Salvador, triunfo tão seguro, que Nosso Senhor o dá como certo: "Confidite, ego vici mundum"; tende confiança, diz ele, eu venci o mundo". (S João, XXI, 16-33)
     Contudo, a luta sustentada em favor da causa do divino Redentor tem alternativas de vitórias e de revezes parciais, mas, quando os inimigos parece estão prestes a vencer, e o exército dos amigos afrouxa, Deus por qualquer meio providencial restabelece o combate, e a vitória pertence aquele que se chama "Rex regum, Dominus dominantium": O Rei dos Reis e o Senhor dos senhores". Os meios sobrenaturais escolhidos ordinariamente para alcançar este fim são as novas devoções.

Qual foi a primeira fase do reinado de Jesus Cristo?

     Os três primeiros séculos foram uma era de conquista e de preparação; três milhões de fiéis compraram a custa do seu sangue a entrada no reino de Jesus Cristo.

Qual foi a segunda fase do reinado de Jesus Cristo?

    Foi uma era de triunfo; então o reino de Jesus Cristo tomou a sua forma regular. Era preciso uma bandeira que o simbolizasse e representasse; com efeito, os cristãos não tinham ainda um sinal oficial. Qual será ele? Um milagre vai designá-lo No dia 28 de Outubro de 312 a cruz apareceu a Constantino com estas palavras: "Por este sinal vencerás". A cruz, que até ali tinha sido um objeto de horror (era o patíbulo dos criminosos), transformou-se então num objeto de admiração.
     Apoderou-se logo dos cristãos um santo entusiasmo por este sinal de salvação; por meio dele operavam maravilhas de virtude e heroísmo, e, muitas vezes, verdadeiros milagres. Reinava a santa loucura da cruz, que transformava os fiéis em crucificados vivos; e muitas vezes esta crucifixão interior apareceu exteriormente; S. Francisco de Assis fornece-nos um exemplo, mas houve muitos outros santos que receberam os santos estigmas.
     Satanás, não podendo sofrer tal entusiasmo pela cruz, declarou-lhe guerra de morte. Incitou os hereges, especialmente os protestantes, que a proscreveram, os jansenistas que a desfiguraram, os filósofos que a escarneceram; e mais ainda, até os cristãos, por mero respeito humano, deixaram esfriar o santo amor da cruz! Que há de fazer o divino Rei para reunir o seu exército fiel, e fortificá-lo para os combates dos últimos tempos?

Qual é a terceira fase do reinado de Jesus Cristo?

    Ai pelo ano de 1637, Nosso Senhor Jesus Cristo apareceu a Beata Margarida Maria; e, apresentando-lhe a imagem do seu divino Coração, disse-lhe:"Eis um novo mediador: é o último esforço do meu amor para salvar ainda uma vez o mundo. Por ele quero reinar. Sim! O meu divino Coração reinará!"
    Revelou-lhe então numa série de visões, que se repetiram durante quase vinte anos, o programa da nova forma do seu reinado neste mundo, e encarregou-a de o realizar. Deu-lhe a conhecer que nos últimos séculos queria reinar pelo seu divino Coração, como nos primeiros tinha reinado pela devoção a Santa Cruz. A devoção ao Sagrado Coração deve produzir uma efusão tão abundante dos frutos da Redenção, que Beata Margarida Maria diz que o Sagrado Coração é como que um novo Mediador.

Qual é então rigorosamente o fim que levou Nosso Senhor a querer que a devoção ao Sagrado Coração se espalhasse por todo o mundo?

     Estabelecer o reinado do Coração de Jesus nas almas, no lar doméstico, nas nações e na Igreja, tal é o fim da devoção ao Sagrado Coração; reinado admirável cujas leis fundamentais e caráter distintivo a Beata Margarida Maria vai indicar-nos.


As duas leis fundamentais do reinado do Sagrado Coração

     O princípio fundamental que deve governar os vassalos deste divino Rei, pode enunciar-se desta forma: O Sagrado Coração de Jesus quer reinar por amor.
     E quer assim por dois motivos: porque nos ama, e porque não é amado. Daqui se deduzem duas leis gerais: o amor e a reparação.
     Porque nos ama, quer que lhe paguemos amor com amor; porque não é amado, pede que lhe ofereçamos reparações, e essas reparações devem ser feitas especialmente por amor. Rei incomparável assim nos diz: "Amai-me, porque eu vos amo! Amai-me, porque eu não sou amado!"



Retirado do livro: O Coração de Jesus, segundo a doutrina da Beata Margarida Maria Alacoque, por um oblato de Maria Imaculada, capelão de Montquarire.
Com Imprimatur de Cardeal Ricard Francisco, Arcebispo de Paris, em 8 de Julho de 1902.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Novena ao Sagrado Coração de Jesus - 9º dia



Novena ao Sagrado Coração de Jesus - 9º dia
Coração de Jesus, penhor da vida eterna

Pondera, minha alma, que assim como o coração humano é o princípio da vida temporal, assim o Coração de Jesus é para nós o princípio da vida eterna. Se para a vida eterna é necessário o perdão das culpas e a remissão dos pecados, saindo deste coração sangue e água (sangue que é o fundamento da nossa redenção e água, representação do batismo, sem o qual ninguém entra para a glória), segue-se daqui que este coração é a porta por onde todos entram para a vida eterna. Pois, minha alma, se tu crês tudo isso, saibas que se amares a este divino Coração e o imitares, alcançarás a graça e conservarás a glória na vida eterna.

Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai

Oração pelos agonizantes do dia


Ó misericordioso Jesus, vós que ardeis em amor pelas almas, peço-vos pela agonia de vosso Santíssimo Coração e pelas dores de vossa Mãe Imaculada, que purifiqueis no vosso sangue todos os pecadores que estão agora em agonia e hoje mesmo hão de morrer. Amém.

Coração Agonizante de Jesus, compadecei-vos dos moribundos. 

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Novena ao Sagrado Coração de Jesus - 8º dia

Novena ao Sagrado Coração de Jesus - 8º dia
Coração de Jesus, atrativo dos nossos corações

Pondera, minha alma, como disse Nosso Senhor, que soh! depois de se ver exaltado na Cruz, e não antes, é que lhes abririam o lado, ficando assim patente o seu amante Coração. Porque julgou o Senhor que quem pusesse os olhos nele atraído por suavíssima violência, certissimamente se havia de render. E se tu, minha alma, te não rendes, é porque não pões nele os olhos. Se tu visses que deste Coração manam as celestiais verdades com que se afugentam as trevas das culpas; se visses como dele emana o fogo que abrasa as almas frias, as luzes que desterram as nossas ignorâncias, as misericórdias que lavam as nossas culpas, as doçuras, os auxílios, as inspirações; E enfim se visses que deste Coração mana todo bem, deixarias de amar este Coração? Deixarias de ficar presa com laços de tanto amor?

Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai

Oração pelos agonizantes do dia


Ó misericordioso Jesus, vós que ardeis em amor pelas almas, peço-vos pela agonia de vosso Santíssimo Coração e pelas dores de vossa Mãe Imaculada, que purifiqueis no vosso sangue todos os pecadores que estão agora em agonia e hoje mesmo hão de morrer. Amém.

Coração Agonizante de Jesus, compadecei-vos dos moribundos. 

terça-feira, 5 de junho de 2018

Novena ao Sagrado Coração de Jesus - 7º dia

Novena ao Sagrado Coração de Jesus - 7º dia
Coração de Jesus, abismo de imensa piedade


Pondera, minha alma, que é tão piedoso este amante Coração, que a ninguém recusa a sua piedade; logo que alguma alma aflita recorre a ele, com fé viva, logo acode a consolá-la com o remédio, tanto que vê alguma atribulada, logo piedoso para ela corre com o seu afeto para a socorrer. Vendo-se ofendido com as nossas culpas dissimula tudo, e espera o arrependimento para nos perdoar. Se depois de arrependidos tornamos a recair nas mesmas misérias, ainda não cansa a sua paciência, ainda não se esgota a sue misericórdia, ainda não nos fecha as portas da piedade; mas antes busca-nos com auxílios, e chama-nos com repetidas inspirações; e se tornamos a ele, logo se alegra, e se põe bem conosco. E crendo tu, minha alma, tudo isto ainda não morres de amor por este Coração?

Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai

Oração pelos agonizantes do dia


Ó misericordioso Jesus, vós que ardeis em amor pelas almas, peço-vos pela agonia de vosso Santíssimo Coração e pelas dores de vossa Mãe Imaculada, que purifiqueis no vosso sangue todos os pecadores que estão agora em agonia e hoje mesmo hão de morrer. Amém.

Coração Agonizante de Jesus, compadecei-vos dos moribundos. 

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Novena ao Sagrado Coração de Jesus - 6º dia

Novena ao Sagrado Coração de Jesus - 6º dia
Coração de Jesus, riquíssimo de tesouros e graças

Pondera, minha alma, que assim como o tesouro é um agregado de muitas riquezas, também o Coração de Jesus é um depósito de infinitas graças. Aqui acharás uma inocência suma, uma humildade de profundíssima, uma fortaleza imensa, uma sabedoria infinita; e enfim para fazeres conceito das graças e riquezas deste tesouro, hás de primeiro considerar quem as comunicou e a quem se comunicaram. O Eterno Pai foi quem as comunicou, e foi ao Filho de Deus humanado a quem elas se comunicaram. E tendo o Eterno Pai uma liberdade infinita, que graças não receberia o Filho de Deus desta infinita liberdade? Aqui se perde o entendimento e se abisma a consideração humana. Minha alma, se as graças deste tesouro são tantas, ama a este Coração, para poderes participar das suas riquezas.

Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai


Oração pelos agonizantes do dia


Ó misericordioso Jesus, vós que ardeis em amor pelas almas, peço-vos pela agonia de vosso Santíssimo Coração e pelas dores de vossa Mãe Imaculada, que purifiqueis no vosso sangue todos os pecadores que estão agora em agonia e hoje mesmo hão de morrer. Amém.

Coração Agonizante de Jesus, compadecei-vos dos moribundos

domingo, 3 de junho de 2018

Novena ao Sagrado Coração de Jesus - 5º dia

Novena ao Sagrado Coração de Jesus - 5º dia 

Coração de Jesus, Paraíso de Celestiais Delícias


Pondera, minha alma, que neste suavíssimo Coração se encerram todas as delícias do paraíso. Ele é o mar onde entram e donde saem todos os rios dos divinos regalos; entram nele comunicados por Deus, e saem dele para deliciarem as almas justas. No paraíso deste Coração deu o Senhor entrada a muitos Santos, que se singularizaram em virtudes eminentes, e vendo-se eles quase submergidos em um mar de consolações, pediam ao Senhor que lhes moderasse, porque sem desfalecerem, não podiam suportar abundância tão excessiva. Pobre de ti, minha alma, que tão pouco participas destas riquezas! Mas de que te admiras se tu não amas aquele amor? Aprende a amá-lo e serás digna das delícias deste paraíso.

Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai


Oração pelos agonizantes do dia


Ó misericordioso Jesus, vós que ardeis em amor pelas almas, peço-vos pela agonia de vosso Santíssimo Coração e pelas dores de vossa Mãe Imaculada, que purifiqueis no vosso sangue todos os pecadores que estão agora em agonia e hoje mesmo hão de morrer. Amém.

Coração Agonizante de Jesus, compadecei-vos dos moribundos. 

sábado, 2 de junho de 2018

Novena ao Sagrado Coração de Jesus - 4º dia

Novena ao Sagrado Coração de Jesus - 4º dia
Coração de Jesus, fornalha abrasadíssima de caridade


Pondera, minha alma, que o extremo com que este Sagrado Coração amou e ama a Deus, só! O mesmo Deus, o pode compreender. 
O seu peito era fornalha abrasadora cujas chamas subiam até Deus. Veio à terra este Amor ardentíssimo para lhe atear fogo, e sendo o mundo tão grande, ainda sobrariam incêndios se o mundo fora infinitas vezes maior. As raras finezas que o Senhor operou por amor de nós e os contínuos benefícios que nos está fazendo, tudo são chamas que continuamente saem desde a fornalha de abrasadíssima caridade. E é possível minha alma, que vendo-se o teu coração rodeado de tantas chamas quantos são os benefícios que recebes do Coração de Jesus, ainda esteja frio e tíbio?

Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai


Oração pelos agonizantes do dia


Ó misericordioso Jesus, vós que ardeis em amor pelas almas, peço-vos pela agonia de vosso Santíssimo Coração e pelas dores de vossa Mãe Imaculada, que purifiqueis no vosso sangue todos os pecadores que estão agora em agonia e hoje mesmo hão de morrer. Amém.

Coração Agonizante de Jesus, compadecei-vos dos moribundos

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Novena ao Sagrado Coração de Jesus - 3º dia

Novena ao Sagrado Coração de Jesus - 3º dia

O Coração de Jesus, sarça de penetrantes espinhos

Pondera, minha alma, que desde que principiaram neste Coração os alentos da vida, até que cessaram na morte, nunca viveu sem penas este inocente Coração; 
Porque como logo que esteve animado aceitou o preceito de padecer pelos homens, logo com a vida principiaram as suas penas.
Antes que chegassem os tormentos exteriores, Jesus suportava interiormente as penas, vendo as grandes ofensas que os homens faziam a seu Eterno Pai.No horto foi tão viva a representação das penas que rompeu o sangue por todos os poros. E se as penas somente consideradas causaram tanta amargura, que seria sofrê-las na realidade!Confunde-te, minha alma, da tibieza com que amas este Divino Coração, e da negligência com que o imitas, pois tens tanta repugnância em padecer, e tanto foges de te mortificar.

Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai


Oração pelos agonizantes do dia


Ó misericordioso Jesus, vós que ardeis em amor pelas almas, peço-vos pela agonia de vosso Santíssimo Coração e pelas dores de vossa Mãe Imaculada, que purifiqueis no vosso sangue todos os pecadores que estão agora em agonia e hoje mesmo hão de morrer. Amém.


Coração Agonizante de Jesus, compadecei-vos dos moribundos. 

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Novena ao Sagrado Coração de Jesus - 2º dia

Novena ao Sagrado Coração de Jesus - 2º dia

O Coração de Jesus, Artífice do Diviníssimo Sacramento

Pondera, minha alma, que do soberano Coração de Jesus saiu o Diviníssimo Sacramento, onde temos depositado o Sangue precioso que manou do seu lado; e foi a tal fineza do Coração de Jesus, disse o Senhor a uma serva sua, que se não se deixara no Sacramento, não poderia morrer na cruz.
Tão apegado estava aquele amante Coração aos homens, que impacientemente de ausências, vendo que havia de partir para o Pai, inventou esta indústria amorosa de partir e ficar juntamente, de glorificar aos Santos no céu e nos fazer companhia na terra.Considera, minha alma, quanto deves ao abrasado Coração do teu Senhor, e confunde-te de tão pouco lhe agradeces a instituição de um Sacramento, em que ele te comunica infinitos bens.

Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai

Oração pelos agonizantes do dia

Ó misericordioso Jesus, vós que ardeis em amor pelas almas, peço-vos pela agonia de vosso Santíssimo Coração e pelas dores de vossa Mãe Imaculada, que purifiqueis no vosso sangue todos os pecadores que estão agora em agonia e hoje mesmo hão de morrer. Amém.

Coração Agonizante de Jesus, compadecei-vos dos moribundos. 

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Novena ao Sagrado Coração de Jesus - 1º dia

Novena ao Sagrado Coração de Jesus - 1º dia
O Coração de Jesus, templo da Santíssima Trindade


Pondera, alma minha, como o Sagrado Coração de Jesus foi o Templo mais sagrado, que neste mundo teve a Trindade Santíssima e Beatíssima. Um só ato de amor, ou de reverência, ou de adoração, ou de outra qualquer virtude, que saía deste Coração unido a Pessoa do Divino Verbo, era para Deus, de estimação infinitamente maior, que todos os atos que podiam formar todas as criaturas do mundo, ainda que todas fossem abrasados Serafins. Pois consideras tu, alma minha, que aumentos de glória teria a Santíssima Trindade, com as adorações e louvores que Jesus Cristo lhe deu neste templo? E se tu, alma minha, também deves ser templo da Santíssima Trindade por graça, pede a este Senhor, que faça o teu coração conforme a este ardentíssimo Coração.

Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai.

Oração pelos agonizantes do dia

Ó misericordioso Jesus, vós que ardeis em amor pelas almas, peço-vos pela agonia de vosso Santíssimo Coração e pelas dores de vossa Mãe Imaculada, que purifiqueis no vosso sangue todos os pecadores que estão agora em agonia e hoje mesmo hão de morrer. Amém.

Coração Agonizante de Jesus, compadecei-vos dos moribundos. 

segunda-feira, 14 de maio de 2018

A reforma deve começar pela reconstituição da família

Nostine, quod omne quod est, tamdiu manere atque subsistere solet,quandiu sit unum, sed interire atque dissolvi pariter, quando unun esse desieriet?

     "Não são as vitórias dos militares, diz Funk-Brentano, nem os sucessos dos diplomatas, nem mesmo as concepções dos estaditas que conservam a propriedade e a grandeza das nações - e sobretudo que podem devolvê-las quando perdidas - é a força de suas virtudes morais". Essa convicção, formada no seu espírito pelo estudo aprofundado de diversas civilizações, é a conclusão do seu livro La Civilisation et ses lois.
     É ilusão perigosa crer que um homem, seja ele um gênio, possa, da noite para o dia, tirar-nos da situação em que nos encontramos e devolver à França sua antiga grandeza. A queda é profunda demais, e data de muito tempo: começou há vários séculos. Esse homem poderia apenas levantar-nos e recolocar-nos no caminho. Ora, não há outra via de salvação senão aquela das virtudes, das virtudes morais e sociais, que se encontram na origem de todas as sociedades, propiciando-lhes o nascimento, e em seguida, construindo sua prosperidade através da concórdia e do auxílio mútuo.
     Também não é suficiente que se obtenha dos indivíduos, por mais numerosos que sejam, a prática dessas virtudes; é preciso que elas sejam incorporadas às instituições. As virtudes particulares passam com os homens que as praticam. As nações são seres permanentes. Se as virtudes são o seu sustentáculo e fundamento, devem ser perpetuadas, e essa perpetuidade só pode ser encontrada nas instituições estáveis.
     A primeira dessas instituições, a mais fundamental, aquela que é de criação divina, é a família. A família, dissemos, é a célula orgânica do corpo social. É nela que se encontra o centro das virtudes morais e sociais; é dela que as vimos espraiar-se e penetrar com sua força todos os organismos sociais e o próprio Estado.
     Passou-se dessa maneira com todos os povos que chegaram a uma civilização.
     Ora, a família não existe mais na França. Esta afirmação poderá surpreender; mas ela espanta apenas aqueles que, vendo nosso país no seu estado atual, jamais tiveram ideia do que ele era outrora e do que ele deve ser.
     Em tempos idos, a família francesa, como a família da sociedade antiga, constituía um todo denso e homogêneo, que se governava com inteira independência relativamente ao Estado, sob a autoridade absoluta de seu chefe natural, o pai, e na via das tradições e dos costumes legados por seus ancestrais. [...]
     É que não temos mais na França, acerca da família, a ideia que dela se tinha outrora, a ideia de que dela tiveram todos os povos que vivem e que progridem. Nós não a percebemos senão como ela é na presente geração. Ela não forma mais em nosso pensamento, e mesmo na realidade, com as gerações precedentes e as gerações subsequentes, esse homogêneo e solidário que atravessa os tempos com sua viva unidade.
[...]
     Os franceses eram felizes e prósperos quando a família estava solidamente constituída entre eles, quando o espírito de família animava a sociedade inteira, o governo do país, da província e da cidade, e presidia as relações das classes entre si.
     Hoje, a família existe entre nós somente no estado elementar. Reconstituí-la é obra fundamental, sem a qual toda tentativa de renovação será estéril. Jamais a sociedade será regenerada, se a família não o for em primeiro lugar.


O espírito familiar, no lar, na cidade e no estado 
Mons. Henri Delassus

terça-feira, 8 de maio de 2018

O VERBO E AS PALAVRAS


Aquele que escreve um texto deve levar em conta um público. Atualmente a possibilidade de se expressar por meios virtuais se generalizou de tal forma que quase qualquer pessoa pode se dirigir a um número indeterminado de leitores e iniciar uma conversa pela Internet. Supostamente as redes sociais serviriam a isso e embora ninguém questione a eficácia da reprodução massiva de imagens e textos pelo ambiente virtual, o fato é que a “liberdade de expressão” tornada possível pelos veículos de comunicação em massa não está gerando progresso. A comunicação em público tornou-se uma atividade inflacionada e, portanto, perdeu parte de sua relevância. Precisamos de menos circulação da palavra externa e mais circulação da Palavra interna, precisamos de menos discursos humanos e mais do Verbo Encarnado. Conhecer-se a si mesmo, ao invés de adotar uma máscara virtual. Isso exigirá obviamente toda uma reeducação moral e intelectual que provavelmente não será efetivada nesta geração, até porque pertencemos à geração da amplificação dos discursos e não à dos contemplativos. 

Estamos a apostar sempre nos ativismos, nas estratégias de ação, na militância político-social contra inimigos conhecidos, independentemente da origem destes. É típico das épocas de desordem social como a nossa, que oradores, retóricos, “artistas” do entretenimento tornem-se celebridades. Os contemplativos, ou seja, os que priorizam a vida interior como base do nosso pensar e agir, em geral são ignorados. É mais fácil protagonizar uma polêmica do que defender a verdade, pois as massas são apaixonadas por competições fúteis, alimentadas muitas vezes pelos egos dos próprios competidores. Querer vencer o outro apenas para obter aplausos é uma das piores formas de vaidade e facilmente envenena a alma, tristes aqueles que se enveredam por este caminho.

Mas estamos em guerra, dirão alguns. Precisamos escolher um lado, aliarmo-nos contra inimigos comuns, deixar desavenças secundárias de lado e batalhar pelo que verdadeiramente importa. Isto também é vaidade se a batalha que se trava visa ao inimigo errado, afinal, antes de aprender a lutar é necessário saber contra quem. Não se vence uma guerra lutando as batalhas erradas, ou com os meios inadequados ou sem o treinamento devido. Entretanto, tal tem sido a sina dos católicos contra o liberalismo, o modernismo e a apostasia geral das nações nos últimos três séculos.

Desde o Concílio Vaticano II os católicos estão divididos grosso modo entre os que aceitam o magistério conciliar e os que rejeitam. Na primeira categoria há os que aceitam sem reservas, e outros que aceitam com reservas. Estes últimos muitas vezes são simpatizantes dos que não aceitam o magistério conciliar, mas ao contrário destes, estão dispostos a “dialogar” com a Santa Sé. Imaginam ser capazes de corrigir os erros dos seus superiores com uma boa e velha conversa democrática. Há também aqueles que acreditam combater os erros do Concílio, mas adotam as mesmas posturas daqueles que não o combatem: são guerreiros que ingenuamente trabalham para o inimigo que imaginam combater. Há ainda como já adiantado anteriormente os que rejeitam o Concílio e efetivamente o combatem com as armas espirituais tradicionais: os sacramentos e a oração. Estes também buscam estudar e usar de argumentos para mostrar aos demais católicos que a crise da Igreja é grave e não se resolverá apenas com ativismo midiático. Todavia isto não parece suficiente para aqueles que chamei de guerreiros ingênuos nem para os dialogantes democráticos. Estes dois grupos católicos elegeram, cada qual a seu modo novas armas para além das armas espirituais tradicionais: são elas a polêmica e o diálogo, a retórica e a dialética. Esquecem, entretanto, que a crise da Igreja recai sob matéria de fé, o que necessariamente implica grau máximo de certeza. Dogmas são maximamente certos porque derivam de Deus mesmo, logo, qualquer concessão ao dogma é concessão ao inimigo.

Dogmas se transmitem, não se discutem. Se o magistério não segue os dogmas tradicionais então devemos resistir a ele e não dialogar. Tampouco tem eficácia a tática de criticar polemicamente certas atitudes da hierarquia que são apenas efeito dos seus desvios doutrinais. Um erro doutrinário deve ser combatido nas suas causas e não apenas nos seus efeitos sociais, econômicos ou políticos.  Criar uma polêmica pública por tal ou qual membro da hierarquia ter agido ou deixado de agir de tal maneira é tão útil quanto retirar os frutos de uma árvore achando que está a atingir o seu tronco e suas raízes. Mas como disse mais acima, estamos em tempos de inflação comunicativa, não se busca a verdade e sim a repercussão pública dos discursos. É tentador, sobretudo aos católicos que rejeitam os erros do Concílio, buscar alguma forma de inserção no mundo, nas instituições liberais hodiernas, buscar algum público para ouvi-los. É difícil defender a verdade em tempos de apostasia, pois o catolicismo tornou-se uma religião de “outsiders” e, dada a sociabilidade natural do homem, sempre estamos a buscar algum tipo de comunidade para nos inserir. Isto posto, a tendência é que os próprios católicos busquem meios de ação não-católicos apenas para terem algum tipo de repercussão pública, tornarem-se visíveis de algum modo. Poucos estão dispostos a pagar o preço do exílio político e social numa época liberal-maçônica que visa destruir o Reinado Social do Nosso Senhor Jesus Cristo. E não basta gritar “Viva Cristo Rei!” para que Ele reine, é necessário sobretudo rezar pelo triunfo do Imaculado Coração de Maria, levar a mensagem de Fátima a sério e confiar mais em Deus do que no prestígio dos homens. Devemos combater não como guerreiros ingênuos ou dialogantes democráticos, não com palavras humanas e sim com verdadeira devoção ao Verbo Encarnado.

Tal devoção requer a reza diária do Rosário, uso constante dos Sacramentos, a leitura e meditação de bons textos espirituais, uma piedade ainda mais firme e fervorosa pelo Imaculado Coração de Maria e o Sacratíssimo Coração de Jesus, o estudo do catecismo de Trento, a disseminação e estudo de textos contra o liberalismo, a maçonaria e o modernismo, tantas vezes alertado por Mons. Lefebvre e Dom Mayer. Após a solidificação de todas as etapas anteriores, se a Providência permitir, que se criem apostolados leigos sob a direção de um sacerdote, pois a estrutura da Igreja é hierárquica. Esse apostolado precisará antes de tudo servir de fortalecimento para o próprio grupo recém-formado, confirmá-los na Fé e na devoção a Nosso Senhor e a Nossa Senhora e os frutos virão naturalmente, de acordo com a benevolência da Providência. Por fim, se a ocasião se apresentar oportuna esse grupo já espiritualmente fortalecido e com frutos já comprovados poderá, com o auxílio e sob a direção de um bom sacerdote católico, pensar em articular um meio de ação com alcance social maior depois que o trabalho com as famílias já se mostrou eficiente. Sim, porque o Reinado Social de Cristo deve-se iniciar nas famílias, base das sociedades humanas, só num momento posterior é que os demais corpos sociais absorverão a doutrina e o modo de agir católicos já enraizados nas famílias. O crescimento então será orgânico, da causa para os efeitos, das raízes para os ramos: não é necessário nem se deve pular etapas quando se trata de um apostolado cujas consequências são amplas, pois afinal visa atingir toda a cultura de uma nação. Não se deve buscar um espaço midiático e depois cuidar da salvação da própria alma. Publicar livros e mais livros católicos, enquanto se continua a consumir entretenimentos liberais pela Internet e pela televisão, ou perdendo boa parte do dia com conversas fúteis em redes sociais como WhatsApp e Facebook. Apostolado é transmissão de bens espirituais, se porém, não o cultivamos em nós mesmos, o que então transmitiremos? Se Jesus Cristo não reina em nossas almas reinará na sociedade? A ação católica requer etapas, o agir segue o ser como diriam os escolásticos, e se o nosso ser e o nosso pensar ainda estiverem contaminados de liberalismo e modernismo, nosso agir refletirá esses mesmos erros.  É ingenuidade adotarmos o experimentalismo como critério para a ação católica, o famoso “fazer algo é melhor do que não fazer nada”. Fazer algo sem os princípios doutrinais corretos equivale a não agir.

E como não haverá Realeza Social de Cristo sem o triunfo do Imaculado Coração, roguemos a Nossa Senhora para que ela reine e traga em seus braços Nosso Senhor.

Por um Congregado Mariano

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Congregação Mariana Nossa Senhora de Fátima e São José

Com alegria anunciamos o início da Congregação Mariana na Capela São José, sob a direção do Rev. Pe. Joaquim Daniel Maria de Sant’Ana (FBMV). Foram admitidos 3 congregados e 1 candidato.

Iniciamos, desse modo, essa grande obra da Imaculada que santificou tantos homens ao longo da história, sem nos submeter à Confederação Nacional das Congregações Marianas, bem como a nenhuma diocese, dado o estado de crise atual da Santa Igreja, que nos obriga a resistirmos às autoridades enquanto elas não retornarem à tradição.

E nas palavras do nosso diretor, parafraseando ao que disse Mons. Lefebvre por ocasião da sagração dos 4 bispos: “Confiemos que, sem tardar, a Sé de Pedro será ocupada por um Sucessor de Pedro perfeitamente católico, em cujas mãos podereis entregar o vosso apostolado”.












“As Congregações Marianas, desde o seu aparecimento na terra, visam o apostolado. E seu apostolado específico, objetiva a incorporação da mocidade em quadros que, com todo o esmero, procurem servir a Igreja e a Cristo.
(...)
Contra dois perigos, porém, estejamos prevenidos. Primeiro, a preocupação do número, a preocupação das estatísticas vultuosas. Não aspiram os congregados marianos a conquista das massas para o galhardete azul. Os marianos querem ser o fermento transformador das massas. À quantidade, prefiram a qualidade. (...) Agora o segundo perigo: Não podemos deixar que fique em esquecimento aquilo que deve ser o nervo de todas as Congregações Mariana. Uma bandeira nos foi confiada, bandeira que não é apenas símbolo, expressão de sentimentos, ideias ou programas, mas bandeira, em cujas dobras palpita e freme a própria alma das Congregações Marianas. Essa bandeira não pode e não poderá ser relegada a segundo plano. Falo da devoção a Nossa Senhora!
(...)
Ah! A minha fita azul! A fita azul dos marianos! Saudemo-la. Ela levará a nossa alma para o Céu. Ela salvará a mocidade. A fita azul, salvará o Brasil.”


Cardeal Leme, discurso pronunciado em 1936 no Rio de Janeiro


Que Ela Reine! 

domingo, 28 de janeiro de 2018

Pergunte e Responderemos: Como se conciliam a Providência Divina e a existência de tanta desgraça no mundo?

Mãe de aviador (Rio de Janeiro)
"Como se conciliam a Providência Divina e a existência de tanta desgraça no mundo?
Meu bom filho morreu em trágico desastre. Não terá a providência errado, ao permitir isso?"

"Dizia-me um amigo: 'Não perca seu tempo, procurando saber quais são os pretensos desígnios da Providência, procure antes, dar execução às suas providências. Não confie na moral do 'Deus é grande', pois sabemos que Ele é infinitamente grande, mas que isto não impede sejam infinitamente inflexíveis as leis que regem o universo'.
Desejo, em consequência, saber como se relacionam a Providência e as leis fixas do universo."


     As questões acima tratam da Providência Divina e da sua ação neste mundo, focalizando dois aspectos do problema: "Deus e o sofrimento do homem"; "Deus e os meios de prover à felicidade humana".
     Já mais de uma vez em P.R. (Pergunte e responderemos) tivemos ocasião de abordar questões semelhantes. Assim em:
5/1957 - o mal no mundo;
32/1960 - as imperfeições do universo;
36/1960 - Deus, autor do pecado?
3/1957 - o inferno;
31/1960 - a bondade de Deus e o inferno.

    Evitando repetir sem necessidade o que já dissemos sobre o assunto, trataremos abaixo dos três seguintes pontos:
1) A realidade da Providência Divina;
2) Providência Divina e felicidade humana;
3) Providência e "Providencialismo";

1. A realidade da Providência
   A Providência é o atributo divino que preside ao governo de todas as coisas, fazendo que cada qual se encaminhe para o respectivo fim, ou seja, para Deus.
   A existência da Providência constitui uma verdade racional, professada por filósofos, for mesmo do Cristianismo. Com efeito, a ideia de um Deus desinteressado pela felicidade do gênero humano é ilógica; opor-se-ia à noção da Perfeição Divina; em verdade:

Ou Deus é o Autor do mundo e do homem. Neste caso, tendo criado em vista de determinado fim, Ele acompanha as suas criaturas até a consecução deste fim;
ou simplesmente Deus não é... Não existe. Professar um Deus sem Providência é professar um absurdo; equivale mesmo a negar a existência de Deus.

     Resta, porém, averiguar como a solicitude do Senhor para com as criaturas se concilia com as desgraças existentes no universo. É o que vamos focalizar, procurando traçar algumas grandes linhas que concorram para elucidar os casos particulares.

2. Providência Divina e felicidade humana
     Antes do mais, faz-se mister recordar em que consiste o mal, evocando sumariamente o que já foi dito em P.R. (Pergunte e Responderemos) 5/1957.
     Longe de ser uma entidade ou algo positivo, o mal é uma carência de entidade divina... Da entidade que deveria estar presente em tal e em tal ser; assim, diz-se que a falta de braços, num homem, é um mal, pois os braços pertencem à integridade da natureza humana (o homem se desenvolve e afirma naturalmente mediante os seus braços); o mesmo, porém, não se dirá da falta de nadadeiras no homem, pois a natureza humana por si só não foi feita pra viver dentro da água.
     Distingue-se:
     O mal ou carência na ordem física; o mal físico, do que acima demos um exemplo (a ausência de braços);
     O mal ou a carência na ordem moral; o mal moral. Consiste na falta de harmonia de determinado ato humano com o seu Fim Supremo ou com Deus. Todo ato oposto à Lei de Deus ou pecado é um mal moral.
      O Senhor não fez o mundo mau, mas deu originalmente a cada criatura o grau de perfeição correspondente à sua essência. O mal entrou no mundo por obra do homem. Esse abusou da faculdade de livre arbítrio: em vez de a dirigir para Deus, Bem Supremo, o primeiro homem a dirigiu conscientemente para uma criatura. Rompendo assim a harmonia da natureza humana com Deus, o primeiro pai fez que se rompesse a harmonia dos elementos inferiores materiais existentes dentro do homem e em torno deste; dai os desgastes de saúde, a dor e a morte que todo homem padece;dai também as calamidades dos cosmos, como secas, enchentes, incêndios, etc.
     De todo o mal, moral e físico, assim desencadeado, a Sabedoria Divina está isenta de culpa. A raiz das desgraças é a liberdade humana, a faculdade que Deus outorgo ao homem para o dignificar, mas que este usou indevidamente. O Criador não quis entravar nem canalizar o uso dessa liberdade, pois isso seria contraditório e indigno do Todo-Poderoso. Este devia ter, e de fato tinha, recursos suficientes (mesmo sobejos) para não permitir que o mal vencesse o bem, sem que fosse necessário violentar a liberdade humana. Justamente tais recursos constituem o objetivo em torno do qual se exerce a Providência Divina...
     É portanto, a esta que vamos agora voltar nossa atenção de maneira especial.
     Os teólogos costumam afirmar, como notamos atrás, que Deus jamais haveria permitido á criatura humana desencadear o mal neste mundo, se Ele não tivesse a Sabedoria e o Poder necessários para fazer dos malesa ocasião de bens, e bens ainda maiores.
      Eis como S. Agostinho exprime essa verdade:
     "O Deus Todo-Poderoso... Sendo sumamente bom, de modo nenhum permitiria que aparecesse algum mal em suas obras, se Ele não tivesse o poder e a bondade para fazer sair do próprio mal o bem."
     Pergunta-se, porém: qual será o tipo de bem que o Criador pode querer produzir a partir dos males que as criaturas acarretam sobre o mundo?
     a) Em primeiro lugar, observa-se que não serão bens materiais (saúde, dinheiro, emprego, isenção de tribulações, etc.), porque tais valores são muito relativos; satisfazem apenas a uma parte do composto humano, ou seja, ao corpo; na verdade o ser humano só atinge a sua grandeza característica mediante o desenvolvimento da sua personalidade, a qual é marcada principalmente pelos valores da alma. Acontece mesmo não raro que os bens temporais causem detrimento, pois embotam a consciência, fazendo-lhe esquecer que há bens maiores: os bens da vida eterna. Em lugar de favorecer a formação da personalidade humana, que é essencialmente aberta para o Infinito, tendem a fechá-la na mesquinhez e no egoísmo. É, antes, pela privação desses bens temporais que o homem se torna mais perfeito homem, emancipando-se do afeto desregrado de si e das criaturas que não o podem verdadeiramente engrandecer. 
    b) Por conseguinte, os bens que a Providência Divina há de visar (se não exclusivamente, ao menos primariamente), são os bens da alma e da vida eterna, pois é somente mediante destes que a criatura humana se torna perfeita como criatura humana. A distribuição dos bens da alma vem a ser assim o critério primário, embora não exclusivo, para se aquilatar se a Providência Divina "erra ou não erra", "é justa ou injusta".
     Não há dúvida, enquanto a Sabedoria de Seus vai oferecendo ao homem os meios de santificação ou de consecução da felicidade Eterna. Ela não lhe nega, em doses oportunas, o bens temporais (saúde, solução da crise financeira, boa fama, etc.); o cristão, porém, deve ter consciência que esses valores temporais são consolações passageiras (devidas ao fato de sermos corpo e alma, e não unicamente alma), e consolações destinadas apenas a alentar o homem mortal na demanda do que é Eterno.
     Jesus Cristo propôs a seus discípulos não propriamente consolos e compensações temporais, mas simplesmente "abraçar a cruz e segui-Lo"; este é certamente um dos traços marcantes de qualquer programa de vida cristã; a fidelidade a Deus não garante necessariamente felicidade terrestre. As graças temporais não hão de faltar ao cristão, mas ser-lhe-ão dadas em função de bens maiores; em consequência, um currículo de vida que, humanamente falando, seja pouco afagado pela sorte, pode, não obstante, estar perfeitamente englobado dentro do plano da Providência Divina.
      Ninguém negará ser lícito ao cristão desejar bens temporais (a cura de urna doença, obtenção de um emprego, sobrevivência de esposo ou filho), na medida em que dão alívio estímulo para ulterior caminhada na terra; considerando-se sob esse aspecto, discípulo de Cristo pode pedi-los ao Pai do céu; mas não deve fazer da obtenção dos mesmos pedra de toque para julgar Providência Divina; mal sabemos que, na verdade, nos convém; tentamos acertar, conjeturando que saúde ou emprego seriam valiosos para melhor conseguirmos vida eterna (o único bem que em hipótese alguma podemos perder), mas facilmente nos iludimos (nem mesmo urna vida longa sobre terra pode ser tida como algo de certamente vantajoso para salvação eterna; morte prematura não é necessariamente um mal; quem pode prever uso que dos seus futuros anos de vida faria um jovem falecido na flor da idade?) Por isto asseverava S. Agostinho «haver certos bens que Deus nos denega justamente por nos ser propócio que Ele só concederia se nos quisesse punir» (Deus quaedam negat propitius quae concedit iratus», In lo tr. 73).
    Ainda em outros termos: cristão lembra-se-á de que não é o centro do mundo de modo que tudo deva acontecer de acordo com que ele julga oportuno. Critério que há de nortear os seus juízos e desejos, seja sempre seguinte: «Será que, mediante consecução de tal ou tal bem temporal, me tornarei homem mais perfeito, menos mesquinho ou apegado mim, mais aberto para Deus próximo?». certamente este critério que a Providência Divina aplica ao distribuir os seus bens, denegando por vezes que nos parece vantajoso e permitindo que nos causa repulsa momentânea.
     A situação do cristão que nesta vida temporal julga tudo luz da eternidade, empregando «estranhos» critérios para avaliar felicidade e desgraça, pode muito bem ser ilustrada por duas imagens que um escritor moderno, Antonin Eymieu, assim propõe «A vida neste mundo apenas um começo, não é o todo. É um meio, não fim. plano da Providencia não consiste um colocar céu sobre terra, mas em dar aos homens sobre terra os meios de merecer céu. Tal ponto de vista de Deus. Para compreender algo da Providência, é preciso ver mundo dentro desta perspectiva. Não entenderemos coisa alguma se considerarmos essa grande questão apenas em seus aspectos laterais, em seus pormenores, pormenores que impedem a visão do conjunto, como uma árvore diante dos olhos de alguém pode encobrir floresta. Muito menos nos havemos de deter sobre mau aspecto da questão, ou seja, sobre o ponto de vista terrestre; a realidade apareceria então como um tapete visto ás avessas. Se consideramos o mundo presente independentemente do mundo futuro, ele se torna incompreensível».
     Oportuno comentário poderia ser aqui inserido: quem considera historia deste mundo do ponto de vista meramente humano ou terrestre, é facilmente levado julgá-la um absurdo, em que tudo parece frustrado fracassado... Lembre-se, porém, de que este aspecto da realidade não é senão o avesso de um tapete cuja verdadeira face (a outra, que vem depois por cima) belíssima, rica de colorido harmonia; essa outra face da realidade que Deus, em seu sábio plano, contempla o que nós um dia veremos, quando contemplarmos as coisas diretamente sob a luz de Deus da eternidade. Se a realidade nos parece hedionda, isto se dá por que contemplamos de um ponto de vista inadequado, ou, simplesmente, do lado avesso.
    «A criancinha no seio materno, se tivesse uso da razão. Se já fosse uma espécie de sábio que conhecesse perfeitamente seu mundozinho próprio, mas nada mais soubesse, se portanto ignorasse que um dia haveria de nascer, essa infeliz criancinha não compreenderia sua situação: perguntaria por que acaso lá teria sido colocada, qual razão de ser dos choques misteriosos que afetariam, qual sentido dos seus pulmões destituídos de ar, qual valor dos seus olhos destituídos de luz, qual significado dos seus membros encolhidos destituídos de uso. Julgaria sua existência absurda, e com razão. Tal existência só se justifica luz do termo para qual ela tende. A vida fora do seio materno, eis única explicação dessa primeira etapa. A vida do céu, eis a única explicado da existência humana neste mundo. É para o céu que Providencia Divina nos vai levando, na medida em que a nossa liberdade isto não se opõe. Ela não nos lava para riqueza, o gozo ou os prazeres fúteis da terra; estas coisas, que a nos talvez apaixonem, não interessam ou só interessam na proporção em que ela (a Providência) as pode considerar como meios para determinado fim. para o céu que Providência tende, de tal sorte que os choques que nos sucedem com dor, para ela não são senão meios mais eficazes de nos levar ao termo de assegurar nossa entrada no mundo eterno» (La Providence et la guerre. París 1917. 31s).
     A imagem da criancinha no seio materno é realmente feliz, para ilustrar condição do cristão nesta vida: o discípulo de Cristo vai, sim, passando por um processo de gestação de tal modo que só ao chegar na glória celeste poderá reconhecer significado valor de cada um dos elementos e episódios que ora lhe parecem obscuros (aliás, imagem já foi utilizada por Sao Paulo em Gal 4,16; Cor 13,lls). A eternidade, e não o tempo, eis ponto de referência do modo de pensar desejar do cristão. As ideias até aqui expostas projetam luz sobre novo aspecto da questão, a saber:

3. Providência e Providencialismo

     Por «providencialismos entende-se mentalidade de quem julga que Deus, por ser providente, há de derrogar mesmo ás leis da natureza de maneira milagrosa.... Geralmente a fim de promover bem-estar temporal imediato dos fiéis! Vendo que na verdade Senhor não procede assim, os  «antiprovidencialistas> negam simplesmente Providência Divina, asseverando que os acontecimentos se desencadeiam cegamente segundo as inexoráveis leis da natureza. Como se compreende, ambas as posições são erróneas.
     Com efeito. Já vimos que Providencia Divina não se pode identificar com um sistema de meios que garantam felicidade temporal do homem. Portanto, não se pode esperar, sob alegação de que «Deus é grande», que seremos necessariamente isentos de alguma aflição; isto só se entenderia- se aflição fosse um mal; ora tal não se dá: a cruz freqüentemente é o melhor instrumento de quebra do egoísmo e de adesão mais plena do homem ao Supremo Bem, Deus.
     Disto se segue que não podemos contar com milagres como se fossem efeitos normais da Providência. Esta costuma, antes, exercer-se mediante concurso das causas criadas, aproveitando atividade natural, até mesmo as deficiências e falhas, de cada uma, em vez de as remover ou de as impedir portentosamente. Vê-se, pois, que, mesmo sob regime da Providência, o homem, longe de se poder isentar de colaborar ativamente, tem dever de utilizar industriosamente os recursos que Ihe estejam ao alcance a fim de obter a solução que pareça mais adequada para os seus problemas; justamente no setor dos recursos naturais que a Providencia Divina exerce primariamente sua ação.
     Fica, pois, de pé o adagio assaz divulgado entre os fiéis: «É preciso orar como se tudo dependesse de Deus, e agir como se tudo dependesse de nós». Na verdade, Providência Divina digna-se a envolver, na execução dos seus sábios planos, tanto nossa a prece quanto a nossa atividade. Uma e outra são, por livre desígnio divino, necessárias; mas nem uma nem outra é por si eficaz, sua eficácia; lhes provém unicamente do fato de que Providencia as quer utilizar. Cf. «P. R. 17/1959, qu. 2
     A fim de melhor ilustrar as proposições acima, transcrevemos aqui um ou outro dos exemplos da história universal aduzidos pelo nosso consulente «conturbado» como motivo de perturbação.
     «Veja Chile, nação católica: sacudido por terremotos. Rússia, não.
     Veja Lisboa: Em pleno dia de Todos os Santos de 1755 foi de vastada por um dos maiores cataclismas de que se tem noticia, apesar da presença real de Cristo sobre os altares...
      Veja história, veja S. Luís de Montfort: poderia ter salvo a Franca pela renovação religiosa; morreu, porém, aos 40 anos, ao passo que o satírico Voltaire se foi aos 90 anos! Por quê? Porque um cuidava da saúde, outro não...
       Mas temos exemplos de casa:
       Eduardo Prado, que tanto fez pelo Catolicismo no Brasil numa fase tão difícil no inicio da República, morre estupidamente de febre amarela só por ter passado menos de 48 horas no Rio. Ao contrário, Saldanha Marinho, arquimagónico, inimigo figadal da Igreja, residiu anos fio nesta cidade nunca foi picado pelos mosquitos.
      Veja a falta que nos faz um padre como Pe. Leonel Franca, nenhuma falta que nos faria comunista N. N. hoje ainda vivo... Mas por quê? Porque o saudoso jesuíta teve sempre coração fraco e o camarada N. N. não sofre de perturbações cardio-vasculares...
     A Providência não modifica as leis de aço do universo. Um louco ou uma criança que se pendurar numa janela além do limite exigido pela lei do equilíbrio, cairá no campo gravitacional, esborrachado Entretanto, um ladrão poderá pular de uma janela para outra, se não violar lei da gravidade, que rege todos os corpos... santificados ou não pela prática dos sacramentos...».
      Os fatos assim catalogados não dependem contra veracidade da doutrina que expusemos, nem se devem tornar motivo de perturbação. Para que leitor reconheça, bastará lembrar que: 
      a) Uma perda temporal, uma calamidade particular ou pública, nos aparecem como desastres que desconcertam. Não assim, porém, que Deus os julga; em verdade, os flagelos na ordem temporal não implicam em prejuízo na linha dos valores eternos (únicos valores que em caso algum poderiam ser negligenciados pela Providência). Ao contrário do que comumente se pensa, a experiência ensina que, em vista do egoísmo congénito do homem, a dor é a escola de engrandecimento da criatura;  a Providência, por isto, não a dispensa (dado que Ela queira proceder ordenadamente; ou sem milagres).
      b) Deus não recompensa virtude com longevidade, nem pune pecado com morte prematura ou trágica; justa sanção se exerce primariamente no plano espiritual, que é o plano onde se situam os verdadeiros valores. Note-se também que Deus não precisa necessariamente de tal ou tal instrumento humano (sacerdote ou homem público de grande valor) para realizar seus desígnios; Ele pode permitir a morte aparentemente precoce de benemérito personagem sem que com isto o plano da Providência sofra mínimo detrimento; o Senhor é assaz poderoso para suprir, como de fato supre, por outra via; a responsabilidade do reino de Deus, e em última análise, é d'Ele!
     Quanto existência, as vezes prolongada, dos homens maus neste mundo, S. Agostinho propõe as seguintes observações: Deus se serve dos homens maus, não atendendo a má intenção dos mesmos, mas reta intenção do próprio Deus. Na verdade, assim. como os maus fazem mau uso da natureza humana, ou seja, da obra boa de Deus, assim Deus bom faz uso bom até mesmo das obras más dos homens, iníquos, a fim de que de modo nenhum fiquem frustrados os desígnios do Todo-Poderoso. Se Ele, bom como é, não tivesse poder de fazer servir os maus a causa da justiça e da bondade, de modo nenhum permitiria que nascessem ou vivessem. Tais homens, Deus não os fez maus; Ele simplesmente lhes deu a natureza humana. Criou natureza de cada ser, mas não criou os pecados, que são algo de contrário da natureza. É verdade que em sua precedência Ele não podia ignorar que tais indivíduos haviam de se tornar maus e contudo, assim como sabia quais os males que eles haviam de cometer, sabia também quais os bens que desses males Ele havia de tirar» (serm. 214,3). As ideias do S. Doutor não são senão a explicação dos princípios gerais até aqui propostos. 
      c) As leis da natureza são geralmente respeitadas e aproveitadas pela Providência Divina. Isto, porém, não quer dizer que sejam inflexíveis; Deus as dobra ao seu poder, produzindo milagres segundo seus sábios desígnios. Os portentos, porém, supõem urna finalidade grande e importante ser atingida: Senhor não faz milagres a esmo, por mera ostentação de poder.
     Eis quanto se podia sumariamente dizer à guisa de elucidação das questões formuladas no cabeçalho deste artigo.