quinta-feira, 31 de maio de 2018

Novena ao Sagrado Coração de Jesus - 2º dia

Novena ao Sagrado Coração de Jesus - 2º dia

O Coração de Jesus, Artífice do Diviníssimo Sacramento

Pondera, minha alma, que do soberano Coração de Jesus saiu o Diviníssimo Sacramento, onde temos depositado o Sangue precioso que manou do seu lado; e foi a tal fineza do Coração de Jesus, disse o Senhor a uma serva sua, que se não se deixara no Sacramento, não poderia morrer na cruz.
Tão apegado estava aquele amante Coração aos homens, que impacientemente de ausências, vendo que havia de partir para o Pai, inventou esta indústria amorosa de partir e ficar juntamente, de glorificar aos Santos no céu e nos fazer companhia na terra.Considera, minha alma, quanto deves ao abrasado Coração do teu Senhor, e confunde-te de tão pouco lhe agradeces a instituição de um Sacramento, em que ele te comunica infinitos bens.

Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai

Oração pelos agonizantes do dia

Ó misericordioso Jesus, vós que ardeis em amor pelas almas, peço-vos pela agonia de vosso Santíssimo Coração e pelas dores de vossa Mãe Imaculada, que purifiqueis no vosso sangue todos os pecadores que estão agora em agonia e hoje mesmo hão de morrer. Amém.

Coração Agonizante de Jesus, compadecei-vos dos moribundos. 

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Novena ao Sagrado Coração de Jesus - 1º dia

Novena ao Sagrado Coração de Jesus - 1º dia
O Coração de Jesus, templo da Santíssima Trindade


Pondera, alma minha, como o Sagrado Coração de Jesus foi o Templo mais sagrado, que neste mundo teve a Trindade Santíssima e Beatíssima. Um só ato de amor, ou de reverência, ou de adoração, ou de outra qualquer virtude, que saía deste Coração unido a Pessoa do Divino Verbo, era para Deus, de estimação infinitamente maior, que todos os atos que podiam formar todas as criaturas do mundo, ainda que todas fossem abrasados Serafins. Pois consideras tu, alma minha, que aumentos de glória teria a Santíssima Trindade, com as adorações e louvores que Jesus Cristo lhe deu neste templo? E se tu, alma minha, também deves ser templo da Santíssima Trindade por graça, pede a este Senhor, que faça o teu coração conforme a este ardentíssimo Coração.

Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai.

Oração pelos agonizantes do dia

Ó misericordioso Jesus, vós que ardeis em amor pelas almas, peço-vos pela agonia de vosso Santíssimo Coração e pelas dores de vossa Mãe Imaculada, que purifiqueis no vosso sangue todos os pecadores que estão agora em agonia e hoje mesmo hão de morrer. Amém.

Coração Agonizante de Jesus, compadecei-vos dos moribundos. 

segunda-feira, 14 de maio de 2018

A reforma deve começar pela reconstituição da família

Nostine, quod omne quod est, tamdiu manere atque subsistere solet,quandiu sit unum, sed interire atque dissolvi pariter, quando unun esse desieriet?

     "Não são as vitórias dos militares, diz Funk-Brentano, nem os sucessos dos diplomatas, nem mesmo as concepções dos estaditas que conservam a propriedade e a grandeza das nações - e sobretudo que podem devolvê-las quando perdidas - é a força de suas virtudes morais". Essa convicção, formada no seu espírito pelo estudo aprofundado de diversas civilizações, é a conclusão do seu livro La Civilisation et ses lois.
     É ilusão perigosa crer que um homem, seja ele um gênio, possa, da noite para o dia, tirar-nos da situação em que nos encontramos e devolver à França sua antiga grandeza. A queda é profunda demais, e data de muito tempo: começou há vários séculos. Esse homem poderia apenas levantar-nos e recolocar-nos no caminho. Ora, não há outra via de salvação senão aquela das virtudes, das virtudes morais e sociais, que se encontram na origem de todas as sociedades, propiciando-lhes o nascimento, e em seguida, construindo sua prosperidade através da concórdia e do auxílio mútuo.
     Também não é suficiente que se obtenha dos indivíduos, por mais numerosos que sejam, a prática dessas virtudes; é preciso que elas sejam incorporadas às instituições. As virtudes particulares passam com os homens que as praticam. As nações são seres permanentes. Se as virtudes são o seu sustentáculo e fundamento, devem ser perpetuadas, e essa perpetuidade só pode ser encontrada nas instituições estáveis.
     A primeira dessas instituições, a mais fundamental, aquela que é de criação divina, é a família. A família, dissemos, é a célula orgânica do corpo social. É nela que se encontra o centro das virtudes morais e sociais; é dela que as vimos espraiar-se e penetrar com sua força todos os organismos sociais e o próprio Estado.
     Passou-se dessa maneira com todos os povos que chegaram a uma civilização.
     Ora, a família não existe mais na França. Esta afirmação poderá surpreender; mas ela espanta apenas aqueles que, vendo nosso país no seu estado atual, jamais tiveram ideia do que ele era outrora e do que ele deve ser.
     Em tempos idos, a família francesa, como a família da sociedade antiga, constituía um todo denso e homogêneo, que se governava com inteira independência relativamente ao Estado, sob a autoridade absoluta de seu chefe natural, o pai, e na via das tradições e dos costumes legados por seus ancestrais. [...]
     É que não temos mais na França, acerca da família, a ideia que dela se tinha outrora, a ideia de que dela tiveram todos os povos que vivem e que progridem. Nós não a percebemos senão como ela é na presente geração. Ela não forma mais em nosso pensamento, e mesmo na realidade, com as gerações precedentes e as gerações subsequentes, esse homogêneo e solidário que atravessa os tempos com sua viva unidade.
[...]
     Os franceses eram felizes e prósperos quando a família estava solidamente constituída entre eles, quando o espírito de família animava a sociedade inteira, o governo do país, da província e da cidade, e presidia as relações das classes entre si.
     Hoje, a família existe entre nós somente no estado elementar. Reconstituí-la é obra fundamental, sem a qual toda tentativa de renovação será estéril. Jamais a sociedade será regenerada, se a família não o for em primeiro lugar.


O espírito familiar, no lar, na cidade e no estado 
Mons. Henri Delassus

terça-feira, 8 de maio de 2018

O VERBO E AS PALAVRAS


Aquele que escreve um texto deve levar em conta um público. Atualmente a possibilidade de se expressar por meios virtuais se generalizou de tal forma que quase qualquer pessoa pode se dirigir a um número indeterminado de leitores e iniciar uma conversa pela Internet. Supostamente as redes sociais serviriam a isso e embora ninguém questione a eficácia da reprodução massiva de imagens e textos pelo ambiente virtual, o fato é que a “liberdade de expressão” tornada possível pelos veículos de comunicação em massa não está gerando progresso. A comunicação em público tornou-se uma atividade inflacionada e, portanto, perdeu parte de sua relevância. Precisamos de menos circulação da palavra externa e mais circulação da Palavra interna, precisamos de menos discursos humanos e mais do Verbo Encarnado. Conhecer-se a si mesmo, ao invés de adotar uma máscara virtual. Isso exigirá obviamente toda uma reeducação moral e intelectual que provavelmente não será efetivada nesta geração, até porque pertencemos à geração da amplificação dos discursos e não à dos contemplativos. 

Estamos a apostar sempre nos ativismos, nas estratégias de ação, na militância político-social contra inimigos conhecidos, independentemente da origem destes. É típico das épocas de desordem social como a nossa, que oradores, retóricos, “artistas” do entretenimento tornem-se celebridades. Os contemplativos, ou seja, os que priorizam a vida interior como base do nosso pensar e agir, em geral são ignorados. É mais fácil protagonizar uma polêmica do que defender a verdade, pois as massas são apaixonadas por competições fúteis, alimentadas muitas vezes pelos egos dos próprios competidores. Querer vencer o outro apenas para obter aplausos é uma das piores formas de vaidade e facilmente envenena a alma, tristes aqueles que se enveredam por este caminho.

Mas estamos em guerra, dirão alguns. Precisamos escolher um lado, aliarmo-nos contra inimigos comuns, deixar desavenças secundárias de lado e batalhar pelo que verdadeiramente importa. Isto também é vaidade se a batalha que se trava visa ao inimigo errado, afinal, antes de aprender a lutar é necessário saber contra quem. Não se vence uma guerra lutando as batalhas erradas, ou com os meios inadequados ou sem o treinamento devido. Entretanto, tal tem sido a sina dos católicos contra o liberalismo, o modernismo e a apostasia geral das nações nos últimos três séculos.

Desde o Concílio Vaticano II os católicos estão divididos grosso modo entre os que aceitam o magistério conciliar e os que rejeitam. Na primeira categoria há os que aceitam sem reservas, e outros que aceitam com reservas. Estes últimos muitas vezes são simpatizantes dos que não aceitam o magistério conciliar, mas ao contrário destes, estão dispostos a “dialogar” com a Santa Sé. Imaginam ser capazes de corrigir os erros dos seus superiores com uma boa e velha conversa democrática. Há também aqueles que acreditam combater os erros do Concílio, mas adotam as mesmas posturas daqueles que não o combatem: são guerreiros que ingenuamente trabalham para o inimigo que imaginam combater. Há ainda como já adiantado anteriormente os que rejeitam o Concílio e efetivamente o combatem com as armas espirituais tradicionais: os sacramentos e a oração. Estes também buscam estudar e usar de argumentos para mostrar aos demais católicos que a crise da Igreja é grave e não se resolverá apenas com ativismo midiático. Todavia isto não parece suficiente para aqueles que chamei de guerreiros ingênuos nem para os dialogantes democráticos. Estes dois grupos católicos elegeram, cada qual a seu modo novas armas para além das armas espirituais tradicionais: são elas a polêmica e o diálogo, a retórica e a dialética. Esquecem, entretanto, que a crise da Igreja recai sob matéria de fé, o que necessariamente implica grau máximo de certeza. Dogmas são maximamente certos porque derivam de Deus mesmo, logo, qualquer concessão ao dogma é concessão ao inimigo.

Dogmas se transmitem, não se discutem. Se o magistério não segue os dogmas tradicionais então devemos resistir a ele e não dialogar. Tampouco tem eficácia a tática de criticar polemicamente certas atitudes da hierarquia que são apenas efeito dos seus desvios doutrinais. Um erro doutrinário deve ser combatido nas suas causas e não apenas nos seus efeitos sociais, econômicos ou políticos.  Criar uma polêmica pública por tal ou qual membro da hierarquia ter agido ou deixado de agir de tal maneira é tão útil quanto retirar os frutos de uma árvore achando que está a atingir o seu tronco e suas raízes. Mas como disse mais acima, estamos em tempos de inflação comunicativa, não se busca a verdade e sim a repercussão pública dos discursos. É tentador, sobretudo aos católicos que rejeitam os erros do Concílio, buscar alguma forma de inserção no mundo, nas instituições liberais hodiernas, buscar algum público para ouvi-los. É difícil defender a verdade em tempos de apostasia, pois o catolicismo tornou-se uma religião de “outsiders” e, dada a sociabilidade natural do homem, sempre estamos a buscar algum tipo de comunidade para nos inserir. Isto posto, a tendência é que os próprios católicos busquem meios de ação não-católicos apenas para terem algum tipo de repercussão pública, tornarem-se visíveis de algum modo. Poucos estão dispostos a pagar o preço do exílio político e social numa época liberal-maçônica que visa destruir o Reinado Social do Nosso Senhor Jesus Cristo. E não basta gritar “Viva Cristo Rei!” para que Ele reine, é necessário sobretudo rezar pelo triunfo do Imaculado Coração de Maria, levar a mensagem de Fátima a sério e confiar mais em Deus do que no prestígio dos homens. Devemos combater não como guerreiros ingênuos ou dialogantes democráticos, não com palavras humanas e sim com verdadeira devoção ao Verbo Encarnado.

Tal devoção requer a reza diária do Rosário, uso constante dos Sacramentos, a leitura e meditação de bons textos espirituais, uma piedade ainda mais firme e fervorosa pelo Imaculado Coração de Maria e o Sacratíssimo Coração de Jesus, o estudo do catecismo de Trento, a disseminação e estudo de textos contra o liberalismo, a maçonaria e o modernismo, tantas vezes alertado por Mons. Lefebvre e Dom Mayer. Após a solidificação de todas as etapas anteriores, se a Providência permitir, que se criem apostolados leigos sob a direção de um sacerdote, pois a estrutura da Igreja é hierárquica. Esse apostolado precisará antes de tudo servir de fortalecimento para o próprio grupo recém-formado, confirmá-los na Fé e na devoção a Nosso Senhor e a Nossa Senhora e os frutos virão naturalmente, de acordo com a benevolência da Providência. Por fim, se a ocasião se apresentar oportuna esse grupo já espiritualmente fortalecido e com frutos já comprovados poderá, com o auxílio e sob a direção de um bom sacerdote católico, pensar em articular um meio de ação com alcance social maior depois que o trabalho com as famílias já se mostrou eficiente. Sim, porque o Reinado Social de Cristo deve-se iniciar nas famílias, base das sociedades humanas, só num momento posterior é que os demais corpos sociais absorverão a doutrina e o modo de agir católicos já enraizados nas famílias. O crescimento então será orgânico, da causa para os efeitos, das raízes para os ramos: não é necessário nem se deve pular etapas quando se trata de um apostolado cujas consequências são amplas, pois afinal visa atingir toda a cultura de uma nação. Não se deve buscar um espaço midiático e depois cuidar da salvação da própria alma. Publicar livros e mais livros católicos, enquanto se continua a consumir entretenimentos liberais pela Internet e pela televisão, ou perdendo boa parte do dia com conversas fúteis em redes sociais como WhatsApp e Facebook. Apostolado é transmissão de bens espirituais, se porém, não o cultivamos em nós mesmos, o que então transmitiremos? Se Jesus Cristo não reina em nossas almas reinará na sociedade? A ação católica requer etapas, o agir segue o ser como diriam os escolásticos, e se o nosso ser e o nosso pensar ainda estiverem contaminados de liberalismo e modernismo, nosso agir refletirá esses mesmos erros.  É ingenuidade adotarmos o experimentalismo como critério para a ação católica, o famoso “fazer algo é melhor do que não fazer nada”. Fazer algo sem os princípios doutrinais corretos equivale a não agir.

E como não haverá Realeza Social de Cristo sem o triunfo do Imaculado Coração, roguemos a Nossa Senhora para que ela reine e traga em seus braços Nosso Senhor.

Por um Congregado Mariano