sexta-feira, 8 de junho de 2018

Festa do Sagrado Coração - 08 de Junho

Plano da divina Providência relativamente ao reinado de Jesus Cristo

Qual é o plano divino com relação ao reinado de Nosso Senhor Jesus Cristo no mundo?

     O plano divino resume-se nestas palavras do Apóstolo S. Paulo: "É necessário que Jesus Cristo reine. Oportet illum regnare (I Cor XV, 25).
     Todas as obras do filho de Deus, principiando pelas três principais, a Encarnação, a Redenção e a Igreja, tem por fim estabelecer o seu reinado neste mundo. Jesus Cristo não trabalhou nem trabalha senão para estabelecer seu reinado. A sua vida mortal foi como uma tomada de posse do seu trono; depois de a ter selado como sangue, subiu ao Céu, sem contudo deixar o seu reino terrestre. Para em certo modo vigiar de perto os seus servos deixou-se ficar na Eucaristia. porque, no dia a Ascensão a posse do seu reino estava tomada, a conquista ainda não tinha sido levada a cabo. "Ide por toda a terra, tinha ele dito aos apóstolos, e pregue o Evangelho". (S. Mar. XVI, 15)

Qual é o fim único da ação do demônio neste mundo?

     Se toda a ação da Providência divina neste mundo tem em vista o estabelecimento do reinado de Jesus Cristo, o único fim que Satanás, com as suas legiões visíveis e invisíveis, intenta com furor, é impedir o advento deste reino bendito. Se a contra senha dos amigos do Salvador é: "Oportet illum regnare!" O grito de guerra dos inimigos do divino Rei é: Nolumns hunc regnare supere nos. Não queremos que Ele reine sobre nós. (S. Luc. XIV, 14). Daqui nasce uma guerra perpétua.

Como terminará a luta entre Nosso Senhor e o demônio? 

     O combate encarniçado destes dois exércitos inimigos deve terminar pelo triunfo final do nosso divino Salvador, triunfo tão seguro, que Nosso Senhor o dá como certo: "Confidite, ego vici mundum"; tende confiança, diz ele, eu venci o mundo". (S João, XXI, 16-33)
     Contudo, a luta sustentada em favor da causa do divino Redentor tem alternativas de vitórias e de revezes parciais, mas, quando os inimigos parece estão prestes a vencer, e o exército dos amigos afrouxa, Deus por qualquer meio providencial restabelece o combate, e a vitória pertence aquele que se chama "Rex regum, Dominus dominantium": O Rei dos Reis e o Senhor dos senhores". Os meios sobrenaturais escolhidos ordinariamente para alcançar este fim são as novas devoções.

Qual foi a primeira fase do reinado de Jesus Cristo?

     Os três primeiros séculos foram uma era de conquista e de preparação; três milhões de fiéis compraram a custa do seu sangue a entrada no reino de Jesus Cristo.

Qual foi a segunda fase do reinado de Jesus Cristo?

    Foi uma era de triunfo; então o reino de Jesus Cristo tomou a sua forma regular. Era preciso uma bandeira que o simbolizasse e representasse; com efeito, os cristãos não tinham ainda um sinal oficial. Qual será ele? Um milagre vai designá-lo No dia 28 de Outubro de 312 a cruz apareceu a Constantino com estas palavras: "Por este sinal vencerás". A cruz, que até ali tinha sido um objeto de horror (era o patíbulo dos criminosos), transformou-se então num objeto de admiração.
     Apoderou-se logo dos cristãos um santo entusiasmo por este sinal de salvação; por meio dele operavam maravilhas de virtude e heroísmo, e, muitas vezes, verdadeiros milagres. Reinava a santa loucura da cruz, que transformava os fiéis em crucificados vivos; e muitas vezes esta crucifixão interior apareceu exteriormente; S. Francisco de Assis fornece-nos um exemplo, mas houve muitos outros santos que receberam os santos estigmas.
     Satanás, não podendo sofrer tal entusiasmo pela cruz, declarou-lhe guerra de morte. Incitou os hereges, especialmente os protestantes, que a proscreveram, os jansenistas que a desfiguraram, os filósofos que a escarneceram; e mais ainda, até os cristãos, por mero respeito humano, deixaram esfriar o santo amor da cruz! Que há de fazer o divino Rei para reunir o seu exército fiel, e fortificá-lo para os combates dos últimos tempos?

Qual é a terceira fase do reinado de Jesus Cristo?

    Ai pelo ano de 1637, Nosso Senhor Jesus Cristo apareceu a Beata Margarida Maria; e, apresentando-lhe a imagem do seu divino Coração, disse-lhe:"Eis um novo mediador: é o último esforço do meu amor para salvar ainda uma vez o mundo. Por ele quero reinar. Sim! O meu divino Coração reinará!"
    Revelou-lhe então numa série de visões, que se repetiram durante quase vinte anos, o programa da nova forma do seu reinado neste mundo, e encarregou-a de o realizar. Deu-lhe a conhecer que nos últimos séculos queria reinar pelo seu divino Coração, como nos primeiros tinha reinado pela devoção a Santa Cruz. A devoção ao Sagrado Coração deve produzir uma efusão tão abundante dos frutos da Redenção, que Beata Margarida Maria diz que o Sagrado Coração é como que um novo Mediador.

Qual é então rigorosamente o fim que levou Nosso Senhor a querer que a devoção ao Sagrado Coração se espalhasse por todo o mundo?

     Estabelecer o reinado do Coração de Jesus nas almas, no lar doméstico, nas nações e na Igreja, tal é o fim da devoção ao Sagrado Coração; reinado admirável cujas leis fundamentais e caráter distintivo a Beata Margarida Maria vai indicar-nos.


As duas leis fundamentais do reinado do Sagrado Coração

     O princípio fundamental que deve governar os vassalos deste divino Rei, pode enunciar-se desta forma: O Sagrado Coração de Jesus quer reinar por amor.
     E quer assim por dois motivos: porque nos ama, e porque não é amado. Daqui se deduzem duas leis gerais: o amor e a reparação.
     Porque nos ama, quer que lhe paguemos amor com amor; porque não é amado, pede que lhe ofereçamos reparações, e essas reparações devem ser feitas especialmente por amor. Rei incomparável assim nos diz: "Amai-me, porque eu vos amo! Amai-me, porque eu não sou amado!"



Retirado do livro: O Coração de Jesus, segundo a doutrina da Beata Margarida Maria Alacoque, por um oblato de Maria Imaculada, capelão de Montquarire.
Com Imprimatur de Cardeal Ricard Francisco, Arcebispo de Paris, em 8 de Julho de 1902.